sexta-feira, 25 de maio de 2007

O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA

O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA
Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo

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Encontram-se legalmente protegidos textos e parte da iconografia aqui postada, registrados previamente em domínio próprio conforme a Lei Federal nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 e artigo 5º (inciso XXVII) da Constituição da República Federativa do Brasil e não poderão ser usados em meios impresso ou eletrônico, por terceiros, sem a expressa autorização deste blogger ou de seus sucessores legais.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO AUTOR
JOSÉ MÁRIO DA SILVA RANGEL
rangelvicosa@gmail.com

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AS POSTAGENS
(ARQUIVO DO BLOG, JUNTO DO LINK DO PERFIL DO BLOGGER, À ESQUERDA DA PÁGINA)

Usurpação territorial e genocídio indígena
Descortinando a Viçosa antiga
Desbravamento, destribalização, aldeamento e catequese
A serviço da vida e da saúde
A construção do Santuário: marco de um novo tempo
Forças, luzes e comunicações
Organizações sociais
Esav/Uremg/UFV - "Escola de Viçosa"
Arte musical, teatral e cinematográfica
Nossos educandários
Futebol e Carnaval
De distrito à autonomia administrativa
Câmara, Prefeitura, Fórum, cadeias e cemitérios
Gênese toponímica e o Dia da Municipalidade
Elite política: notícias de governantes

BIBLIOGRAFIA E OUTRAS FONTES CONSULTADAS

Principais referências bibliográficas (ainda não citadas conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT)

RELAÇÃO AINDA INCOMPLETA:

ALENCAR, Alexandre de. Fatos e Vultos de Viçosa/Nos Alvores da História de Viçosa
ALMEIDA MAGALHÃES, Bruno de. Arthur Bernardes - Estadista da República
ALVES, Cirene Ferreira. Páginas para Serem Lembradas/Saudade em Dois Tempos – Crônicas de Norah
AMORA, Paulo. Bernardes - Um Estadista de Minas na República
ARAÚJO, Paulo José de./ARAÚJO, Fernando. Antônio José Araújo - Esther Rodrigues Araújo
ARROCHELLAS, Maria Helena (org.). Deus é bom - Homenagem a Dom Luciano
BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico e Geográfico de Minas Gerais
BARRETO, Fausto./LAET, Carlos de. Antologia Nacional (Escritores da
Língua Portuguesa. do 20º ao 13º século)
BARROS, Edgard Vasconcelos. O Problema da Liderança
BLASENHEIM, Peter. Uma História Regional: A Zona da Mata Mineira (1870-1906)
BOLIVAR DE ARAÚJO MOREIRA, Cyro. O Centenário de Viçosa e o Presidente Arthur Bernardes
BRANT RIBEIRO FILHO, Antônio. Desbravamento, Caminhos Antigos e Povoamento nos Sertões do Leste – Uma Aventura de Pioneiros/Arthur Bernardes e a Revolução Constitucionalista - Um Resgate Histórico
CAPRI, Roberto. Minas Geraes e seus Municípios (Zona da Matta) – (1916)
CARVALHO, José Geraldo Vidigal de. Temas Oratórios/Temas Finais/Temas Pedagógicos/Temas Históricos/Viçosa Honra Dom Viçoso
CASTRO DE CARVALHO, Daniela Corrêa e. Além das palavras: o discurso conservador das elites agrárias mineiras a partir do Jornal de Viçosa na década de 1920
CASTRO FILHO, Sebastião da Cunha. Travessa Santa Rita, nº 60
CHIAVENATO, Júlio José. Bandeirismo – Dominação e Violência
COSTA, Joaquim Ribeiro da. Toponímia de Minas Gerais, com Estudo Histórico da Divisão Administrativa
COSTA VAL FILHO, João Braz da. Dr. João Braz da Costa Val: Uma vida, uma época
FIGUEIREDO, Celso Falabela de. Os Sertões do Leste: Achegas para a História da Zona da Mata
FONSECA, Modesto Flávio Chagas. A Música Sacra em Viçosa FURTADO, Júnio. Diálogos Oceânicos: Minas Gerais e Novas Abordagens para a História do Império Ultramarino Português
GOMIDE, Tarcísio. Universidade Federal de Viçosa: Esboço de uma Síntese Histórica GONÇALVES, Ary. O Segredo Revelado de Guido Marlière
GUEDES Pinto. João Bosco. São José do Triunfo - "Um povoado mineiro entre outros"
HILAIRE, August Saint. Viagem ao Interior do Brasil
HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira: A Época Colonial JOSÉ, Oiliam. Indígenas de Minas Gerais – Aspectos Sociais, Políticos e Etnológicos/Visconde do Rio Branco – Terra – Povo – História
LADEIRA, José Dionísio. Sempre Viçosa/Gente Viçosa/Viçosa, Uma Saudade/Viçosa é Terna
LAM-SÁNCHES, Alfredo. A UFV nos Tempos da Escola Superior de Agricultura
LEITE, Sebastião Lourival. Crônicas de um 'Barnabé'
LIMA, Alberto de Souza. Arthur Bernardes Perante a História
MAFFIA FILHO, João. Crônicas e Discursos
MAFRA, Johnny J../VON RONDON, Simone. Arduíno Bolivar: Resgate da Identidade Histórico-Cultural de Minas Gerais
MAGALHÃES, Gilson Faria Potsch./SABIONI, Gustavo Soares./BORGES, José Marcondes. A Universidade Federal de Viçosa no Século XX
MARTIUS, C. F. P. von./SPIX. J. B. von. Viagem pelo Brasil
MATOSO, Caetano Costa. Diário da Jornada que Faz a Minas Gerais em 1749
MELLO. F. A. O.. Análise do Processo de Formação da Paisagem Urbana do Município de Viçosa (MG)
MERCADANTE, Paulo. Os Sertões do Leste: Estudo de uma região – A Mata Mineira
MOURA, Antônio de Pádua. Zona da Mata Mineira – Breve História
NOGUEIRA, Heloísa Carvalho (org.). Professor Lopes - Uma lição de vida
OLIVEIRA, José Levy de. A Hora e a Vez do Sargento Saraiva
OLIVEIRA MELLO, Antônio de. Um Minuto de Silêncio - Homenagem Póstuma a Antônio Chequer/Viçosa em Fotos
PAIVA, Adriano Toledo. A Dinâmica Populacional da Fronteira Leste do Termo de Mariana (1767-1800)
PANIAGO, Euter. Viçosa - Pingos da História
PAVAGEAU, Moacyr. Seu Mané - A história de um homem
PEDROSA, M. X. de Vasconcelos. Zona Silenciosa da Historiografia Mineira: A Zona da Mata
PIMENTA, Silvério Gomes. A Vida de D. Antônio Ferreira Viçoso
PIRES, Maria do Carmo. A Expansão das Fronteiras da Comarca de Vila Rica e os Novos Oficiais dos Sertões
PIRES DA COSTA, Raimundo. Chão - Meu Chão/Pe. Antônio Guilherme - Um Cura Corpo e Alma
POSTCH MAGALHÃES, Edson. Até Quando? (Críticas)
PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo
QUINTÃO, Paulo Dionê. Juntos no Caminho/Mensagens de Vida e Esperança
RAMALHO. G. C.. Mapeamento Geotécnico de Viçosa com o Uso de Sistemas de Informações Geográficas
RAMOS, Antônio de Pádua. Centenário de Nascimento de Dr. Arthur Bernardes
RIBEIRO da Silva, Fernando José. Reminiscências de uma época/Arthur Bernardes - Um grande Estadista da República
RODRIGUES, André Figueiredo. Sertões Proibidos da Mantiqueira: Desbravamento, Ocupação da Terra e as Observações do Governador de Dom Rodrigo José de Meneses
SANT'ANA COSTA, Lúcia Maria. Colcha de Retalhos
SANT'ANNA, Jacyra. Ao Som do Trompete/Uma infância Viçosa
SANTIAGO, Sinval Batista. Município de Rio Pomba – Síntese Histórica
SENNA, Nelson de. Annuario de Minas Geraes (1909)
SILVA, Cora de Araújo Moreira Ferreira da. Nostalgia
SIMÕES, Aparecida. Emílio Jardim - Amigo de Arthur Bernardes
SIMONINI DA SILVA, Francisco. Família Serafim e Chiquita
TAFURI Paniago, Maria do Carmo. Viçosa: Mudanças Socioculturais,Evolução Histórica e Tendências/Viçosa: Tradições e Folclore/Hervé Cordovil: Um Gênio da Música Popular Brasileira/Viçosa: Retratos de Uma Cidade
TRINDADE, Raimundo Octavio da. Instituição de Igrejas no Bispado de Mariana
VASCONCELLOS, Diogo de. História Média de Minas Gerais/História Antiga de Minas Gerais
VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras
VIDIGAL, Pedro Maciel. Minha Terra & Minha Gente/Ação Política
ZICO, José Tobias. Caraça: Peregrinação - Cultura - Turismo



JORNAIS


A Cidade (Viçosa), A Razão (Viçosa), Barganha/Gazeta do Turvo(Viçosa), Cidade de Viçosa, Correio de Viçosa, Diário de Notícias, Escreva - Academia de Letras de Viçosa, Estado de Minas, Folha de Viçosa/Integração/Folha da Mata, O Alfinete (Viçosa), Gazeta Regional (Viçosa), Gazeta da Viçosa, Gazeta do Turvo (Viçosa), Mensagem Cristã (Viçosa), Jornal das Municipalidades, Jornal de Viçosa, Jornal do Brasil, Luz do Carmelo (Viçosa), Comunidade (Viçosa), Paratodos Informativo do Bar Sarau (Viçosa), Muzungu (Viçosa), O Arquidiocesano(Mariana), O Imparcial (Viçosa), Informativo São João Batista (Viçosa), O Popular de Viçosa, Semeando (Viçosa), Fermento (Viçosa), A Semana (Viçosa), UFV Informa/Jornal da UFV, O Progresso do Brasil.


REVISTAS


Revista Brasileira de Geografia (RJ) – Estudo Regional da Zona da Mata de Minas Gerais (RJ) – 1958, Revista do Arquivo Público Mineiro(edições diversas), Revista História Viva (edições diversas), Revista Nossa História (edições diversas) – Biblioteca Nacional, Revista Brasileira de História (SP) (edições diversas), Veja, Manchete, Centenário do Presidente Arthur da Silva Bernardes.


ACERVOS


Câmara Municipal de Viçosa, Instituto de Planejamento Municipal de Viçosa (Iplam), Museu Histórico de Rio Pomba, Paróquia de São José (Paula Cândido), Paróquia de São Manoel (Rio Pomba), Paróquia de Santa Rita de Cássia (Viçosa), Paróquia de São João Batista (Visconde do Rio Branco), Prefeitura Municipal de Viçosa - Gabinete do Prefeito e Departamento de Cadastro e Tributos, livros diversos de leis, decretos e resoluções municipais e distritais, Cartório do Registro Civil da Comarca de Viçosa, Cartório do 2º Ofício de Notas da Comarca de Viçosa, Cartório de Títulos e Documentos da Comarca de Viçosa, arquivo particular deste blogger e arquivos de famílias viçosenses residentes em Viçosa e em Belo Horizonte, os quais ainda nominarei.


ESPECIAIS AGRADECIMENTOS A NOTÁVEIS COLABORADORES


Na confecção de "O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo" são muitos os amigos que colaboram com este blogger, seja com palavras
de incentivo, críticas, depoimentos, fornecendo documentos, orientando, enfim, sendo como que co-autores do trabalho que aqui se publica.
A lista infra ainda está incompleta:

Adriana Soares Garcia
Aguinaldo Pacheco
Anna de Freitas
Antônio de Oliveira Mello
Antônio Pastor Machado de Castro
Antônio Teixeira Chequer
Arnaldo de Castro Silva Araújo
Arnaldo Dias de Andrade
Braz Rozado Costa
Carlos Floriano de Moraes
Cícero Garcia da Silveira
Cirene Ferreira Alves
Cláudia Gomes
Cora Ferreira da Silva Castro
Cristina Fontes Araújo Viana
Daniel Lopes
Edir Baião
Edson Potsch Magalhães
Eduardo Márcio Maffia
Élcida da Silva Valente
Eliane Ferrão
Elias Ibrahim
Emanuel Cardoso Pinheiro
Erotides Silva de Carvalho
Euter Paniago
Evita Baião
Francisco Carlos Ferreira da Silva
Francisco de Assis Costa
Francisco de Assis Schetino
Francisco Machado Filho
Francisco Simonini da Silva
Frank Paiva da Cunha
Geni Maria da Silva
Geralda Moura Freitas
Geraldina Sant'Anna Lopes Rosado
Geraldo Lopes de Faria
Geraldo Magela Ladeira
Helena Carneiro Loureiro
Heloísa Gomes de Araújo Moreira
Hildécio Lopes dos Santos
Jacyra Sant'Ana
João Batista Miranda
João Ferreira dos Santos
João Maffia Filho
João Paulo da Silva
Joelma Oliveira
José Antônio Gouveia
José Bernardes Raposo
José Dionísio Ladeira
José Geraldo Vidigal de Carvalho
José Levy de Oliveira
José Lopes Fontes Filho
José Marcondes Borges
José Muanis Bhering Nasser
José Roberto Reis
José Romualdo Quintão
José Simião da Cunha
José Thomaz Teixeira Filho
Laurindo Torres Carneiro
Leda de Bittencourt Bandeira
Lúcia Maria Sant'Ana Costa
Lúcio Queiroz Gonçalves
Luzia Borges da Cunha
Manoel Duarte Pontes
Marden Ibrahim
Maria da Conceição Alencar Fontes
Maria do Carmo Rezende Borges
Maria do Carmo Tafuri Paniago
Maria do Rosário Bhering Nasser
Maria Emília Soares Garcia
Maria José Ferreira da Silva
Marina Viana Fontes
Mário Dutra dos Santos
Mário Rocha Gomes
Marly de Souza
Maurício Valle Salles
Myrthes Maura Pacheco Batista
Nazildes Gonçalves de Almeida
Nélio de Freitas
Nilton Alves Gonzaga
Olímpio do Lago Padilha
Oswaldo de Paula Lanna
Osvaldo Salles Tibúrcio
Paulo Dionê Quintão
Pélmio Simões de Carvalho
Petrônio Pacheco da Fonseca
Regina Salgado
Renato Valle Salles
Rosângela Cardoso Carvalho
Rubens de Souza Pimentel
Sebastião Paranhos Filho
Sílvio Caiaffa Mendonça
Simão Cirineu Ladeira
Vera Sônia Saraiva
Womer Wellareo de Oliveira

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Gratidão a todos pelo incentivo, pela colaboração.

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ELITE POLÍTICA: notícias de governantes

GOVERNANTES DE VIÇOSA

PRESIDENTES DA CÂMARA
(DO REGIME IMPERIAL PARA O REPUBLICANO)

Manuel Bernardes de Souza Silvino (1873-1876/1879-1881)
Carlos Vaz de Mello (1877-1878/1887-1890)
João Lopes de Faria Reis (1882-1886)

PRESIDENTE DO CONSELHO DE INTENDÊNCIA, PRESIDENTE DA CÂMARA COM
ATRIBUIÇÕES LEGISLATIVAS E EXECUTIVAS E AGENTE EXECUTIVO AUTÔNOMO DESDE 24/7/1894 (RESOLUÇÃO Nº 110), QUANDO SE EXTINGUIU O CONSELHO DO DISTRITO-SEDE

José Theotônio Pacheco (1891-1897)

PRESIDENTES DA CÂMARA E PREFEITOS NOMEADOS NO REGIME REPUBLICANO

Francisco Machado de Magalhães Filho (1898-1905)
Francisco José Alves Torres (1899) - Vice-presidente da Câmara em exercício
Arthur da Silva Bernardes (1905-1910)
Augusto José Nicácio (1906-1907) - Vice-presidente da Câmara em exercício
Emílio Jardim de Resende (1911-1912).
Joventino Octavio de Alencar (1911) - Vice-presidente da Câmara em exercício
José Ricardo Rebello Horta (1913-1918/1933).
Antônio Gomes Barbosa (1919-1927)
João Braz da Costa Val (1927-1929/1930-1932/1937-1943)
Álvaro Corrêa Borges (1931)
Anelio Salles (1932-1933)
Antonelli de Carvalho Bhering (1934-1936)
Arnaldo Dias de Andrade (1936)
Cyro Bolivar de Araújo Moreira (1936)
Juarez de Souza Carmo (1936)
Sylvio Romeo Cezar de Araújo (1943 a 1945)
José Martins Palhano (1945-1946).
Carlos Vaz de Mello Megale (1947)

PREFEITOS E VICE-PREFEITOS E INTERVENTORES APÓS O ESTADO NOVO

José Lopes de Carvalho (1948-1950)
VICE: Carlos Vaz de Mello Megale

José da Costa Vaz de Mello (1951-1954)
VICE: Antônio Dias de Andrade Neto

João Francisco da Silva (1955-1958)
VICE: Arnaldo Dias de Andrade

Raymundo Alves Torres (1946/1947/1959-1962)
VICE: Moacyr Dias de Andrade

Moacyr Dias de Andrade (1963-1966)
VICE: César Sant'Anna Filho

Geraldo Lopes de Faria (1967-1970)
VICE: Carlos Raymundo Torres

Abel Jacinto Ganem Júnior (1970) - Interventor

Carlos Raymundo Torres (1971-1972)
VICE: Arlindo de Paula Gonçalves


Antônio Chequer (1973-1976)
VICE: Antônio Mendes

César Sant'Anna Filho (1977-1982)

VICE: Renato Santana

José Américo Garcia (1983-1988)
VICE: José Borges Neto

Lacyr Dias de Andrade (1986) - Interventor
Geraldo Eustáquio Reis (1986) - Interventor

José Ferreira Pontes (1986) - Presidente da Câmara no exercício da Prefeitura
Roberto Proença Passarinho (1988) - Presidente da Câmara no exercício
da Prefeitura

Antônio Chequer (1989-1992)
VICE: Ary Teixeira de Oliveira


Ary Teixeira de Oliveira (1989) - Vice-prefeito no exercício da Prefeitura

Geraldo Eustáquio Reis (1993-1996)
VICE: César Sant'Anna Filho


César Sant'Anna Filho (1995) - Vice-prefeito no exercício da Prefeitura

Antônio Chequer (1997)
VICE: Fernando Sant'Ana e Castro

Fernando Sant'Ana e Castro (1997-2000)

Fernando Sant'Ana e Castro (2001-2004)

VICE: Raimundo Nonato Cardoso

Raimundo Nonato Cardoso (2005-2008)
VICE: Wesley Augusto Salomé de Castro


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A EDILIDADE VIÇOSENSE (1877-2007)

Aqui o caro leitor encontra a cronologia dos mandatos dos agentes executivos e deliberativos até 2007. Tais informações, acrescidas de outras, permitem, evidentemente, análises as mais variadas sobre os diversos aspectos desses períodos administrativos, especialmente quanto à influência exercida pelas lideranças em todos os tempos, antes, durante e após os sucessivos desmembramentos territoriais devidos às emancipações distritais, desde os primórdios até a hora presente. Por uma análise primária da mera cronologia dos mandatos aqui apresentada não se consegue aferir o tempo exato de permanência individual no cargo de vereador. Muitos nomes apresentados são de suplentes, que tiveram que completar os mandatos de seus titulares. O recordista em termos de tempo de vereança ainda não suplantado no princípio do século XXI seria Geraldo Hélio dos Santos, reeleito sucessivas vezes pelo voto direto, mas há cidadãos que podem ter exercido o cargo por mais tempo que ele, como Arnaldo Dias de Andrade e Antõnio de Pádua Bittencourt.
Não é o propósito do presente trabalho aprofundar na questão, dada a sua alta complexidade. Ao compulsar as referências à cronologia dos desmembramentos dos distritos viçosenses, neste trabalho, o caro leitor poderá fazer uma melhor análise comparativa. As linhas infra trazem a lista da edilidade viçosense, que é a que conseguimos apurar nos arquivos do Legislativo (1877–2008) e também em velhos jornais, para uma minuciosa verificação cruzada dos fatos.
Cabem aqui algumas observações: entre 1882 a 1886 consta como presidente o cidadão João Lopes de Faria Reis, que concentrava atribuições deliberativas e executivas. Não conseguimos localizar, portanto, até onde pudemos levar nossas pesquisas, nos registros documentais a que tivemos acesso, nos arquivos originais, livros de atas e de leis, da Câmara Municipal de Viçosa e da Prefeitura Municipal de Viçosa, quaisquer nomes de edis. O regime de intendência vigorou tendo como titular, em Viçosa, o Dr. José Theotônio Pacheco, que governou o município de 1891 a 1897, até a extinção do Conselho do Distrito-Sede. Durante o governo dele, pela Lei nº 110, de 24/7/1894, foi criado o cargo de Agente Executivo Autônomo. E nos períodos compreendidos entre 1931 e 1935 e de 1937 a 1947, a inexistência da vereança se explica pelas resoluções a que já nos referimos. A 18/8/1935 foi instalada a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, e em 1936 Viçosa tinha 16 vereadores, sob a presidência do Dr. Juarez de Souza Carmo. Essa situação do Legislativo funcionando não perdurou, pois a 10/11/1937 as suas atividades foram novamente suspensas. A democracia seria restabelecida, parcialmente, a 2 de dezembro de 1945.
Eis a lista, até o presente momento a mais completa possível, em sua mais perfeita ordem cronológica e alfabética:

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Manoel Bernardes de Souza Silvino - Presidente - (1873 - 1876)

MEMBROS

Antônio Pinto de Miranda
Joaquim Gonçalves Fontes
Joaquim de Oliveira Ribeiro
José Lopes de Faria Reis
Manoel Bernardes de Souza Silvino
Pedro Nolasco da Silveira

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Carlos Vaz de Mello - Presidente - (1877 – 1878)

MEMBROS

Carlos Vaz de Mello
Christiano Eugênio Dias de Carvalho
Francisco José da Silva Cardozo
Joaquim Lino de Freitas e Castro
José Cardoso Dias
Manoel Bernardes de Souza Silvino
Manoel Isidoro da Silva Ramos
Silvestre Lopes de Faria Reis

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Manoel Bernardes de Souza Silvino - Presidente - (1879 – 1881)

MEMBROS

Francisco dos Reis Condé
Francisco José da Silva Cardozo
Francisco Lopes de Faria Reis
João Lopes de Faria Franco
José Cardoso Dias
José Lopes de Faria Reis
José Soares de Souza Lima
Luiz Mendes dos Santos Júnior
Manoel Bernardes de Souza Silvino
Manoel Isidoro da Silva Ramos
Nuno Teixeira Laje
Silvestre Lopes de Faria Reis

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João Lopes de Faria Reis - Presidente (1882-1886)

MEMBROS

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Carlos Vaz de Mello - Presidente - (1887-1890)

MEMBROS

Antônio da Silva Araújo
Antônio Francisco de Souza Lima
Antônio Manoel de Freitas
Antônio Moreira Faria
Carlos Vaz de Mello
Joaquim Fellipe Galvão
José Eugênio Dias de Carvalho
Laurindo José de Gouvêa

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José Theotônio Pacheco - Presidente - (1891-1897)

MEMBROS

Augusto José Nicácio
Carlos Pinto Coelho
Francisco José da Silva Cardozo
José Theotônio Pacheco
Mário Vaz de Mello
Vicente Gonçalves Fontes Sobrinho

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Francisco Machado de Magalhães Filho - Presidente -(1898-1905)

MEMBROS

Antônio Caetano Rodrigues de Barros
Antônio Lopes Soares Valente
Antônio Manoel de Freitas
Antônio Pádua de Bittencourt
Antônio Pereira Baptista
Antônio Thomé dos Santos Phires
Antônio Tomé Teixeira
Arnaldo Dias de Andrade
Arthur da Silva Bernardes
Augusto José Nicácio
Augusto Maximiano de Carvalho
Dirceu Rodrigues de Salles
Fernando Augusto Medina
Fortunato Anastácio de Souza
Fortunato Antônio da Silva
Francisco Albino da Silva Vianna
Francisco Augusto Spinola
Francisco de Assis Bello
Francisco José Alves Torres
Francisco José da Silva Cardozo
Francisco Machado de Magalhães Filho
Hermenegildo de Souza Lima
João Coutinho
João Ferreira da Silva
João Jacovini
Joaquim Lopes de Faria
Joaquim Lopes Moreira
Jorge Gomes da Silva Roza
José Antônio Barboza
José Antônio de Oliveira
José Guedes de Bittencourt
José João Carneiro
José Joaquim Lourenço Júnior
José Manoel da Silva
José Theotônio Pacheco
José Tinoco
Lúcio de Vilhena
Manoel Ferreira Pinto
Manoel Joaquim Teixeira Lima
Manoel L. Jorge Júnior
Messias Nonato de Queiroga
Onofre Lannes
Raphael da Silva Araújo
Sebastião Tito Lopes de Sá
Vicente Gonçalves Fontes Sobrinho

#

Arthur da Silva Bernardes - Presidente - (1906-1910)

MEMBROS

Antônio Manoel de Freitas
Antônio Pádua de Bittencourt
Antônio T. Teixeira
Arnaldo Dias de Andrade
Arthur da Silva Bernardes
Augusto José Nicácio
Custódio Lopes Soares
Emílio Jardim de Resende
João Alves Ladeira
João Ferreira da Silva
João Jacovini
Joaquim Felippe Galvão
Joaquim Pedro de Oliveira
José da Silva Araújo Júnior
José João Carneiro
Joventino Octavio de Alencar
Silvestre Lopes de Faria Reis

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Emílio Jardim de Resende - Presidente - (1911-1912)

MEMBROS

Antônio Pádua de Bittencourt
Arnaldo Dias de Andrade
Custódio Lopes Soares
Emílio Jardim de Resende
Heráclito da Costa Val
João Alves Ladeira
João dos Anjos de Macedo
Joaquim P. Oliveira
Joaquim Pedro de Oliveira
José Antônio Savino
José Antunes Moreira
José da Silva Araújo Júnior
José Ricardo Rebello Horta
Joventino Octavio de Alencar
Olympio Castro de Rezende
Silvestre Lopes de Faria Reis
Synfronino José de Almeida

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José Ricardo Rebello Horta - Presidente - (1913-1918)

MEMBROS

Amadeu de Souza Freitas
Antônio Brandão de Rezende
Antônio Pádua de Bittencourt
Arnaldo Dias de Andrade
Custódio Lopes Soares
Emílio Jardim de Resende
Heráclito da Costa Val
João Baptista da Silva Júnior
José Antônio de Oliveira
José Antônio Savino
José Antunes Moreira
José da Silva Araújo Júnior
José Ricardo Rebello Horta
Manoel Lopes da Silva
Olympio Castro de Rezende
Raphael da Silva Araújo
Sebastião Tito Lopes de Sá

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Antônio Gomes Barbosa - Presidente (1919-1926)

MEMBROS

Adalberto Sabino da Cruz
Agenor Alvim de Souza e Silva
Alceu Lopes de Faria
Antônio Ângelo Fialho de Oliveira
Antônio Brandão de Resende
Antônio Gomes Barbosa
Antônio Pádua de Bittencourt
Arnaldo Dias de Andrade
Benvindo dos Anjos Macedo
Carlos Cunha
Emílio Jardim de Resende
Ernesto Lopes Soares
Honório Vieira de Andrade
João Braz da Costa Val
José Antônio de Oliveira
José Antunes Moreira
José Canuto Torres
José Teixeira de C. e Silva
José Victorino da Cunha
Pedro Pereira Santiago
Raphael da Silva Araújo

João Braz da Costa Val - Presidente - (1927-1929)

MEMBROS

Antônio Brandão de Rezende
Antônio Pádua de Bittencourt
Arnaldo Dias de Andrade
Ernesto Lopes Soares
Francisco Miguel Archanjo
Gabriel Elias Pereira
João Braz da Costa Val
Joaquim Barbosa de Castro Filho
José da Silva Araújo Júnior
José Antunes Moreira
Manoel Fialho de Freitas
Ragosino Ferreira da Silva Pinto

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CAMARISTAS COM ATRIBUIÇÕES EXCLUSIVAMENTE LEGISLATIVAS

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Juarez de Souza Carmo - Presidente - (1936)

PREFEITOS

Antonelli de Carvalho Bhering, Arnaldo Dias de Andrade, Cyro Bolivar de Araújo Moreira e Juarez de Souza Carmo

MEMBROS

Antônio Lopes Soares
Arnaldo Dias de Andrade
Christiano de Freitas Castro
Christóvam Lopes de Carvalho
Cláudio José Mariano da Rocha
Gabriel Elias Pereira
João Francisco da Silva
João Maffia
Joaquim Nogueira
José Albino Leal
José Paulino de Rezende
Juarez de Souza Carmo
Pérmio Fialho de Oliveira
Ragosino Ferreira da Silva Pinto
Raphael da Silva Araújo
Silvestre Alves Ladeira

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Octávio da Silva Araújo - Presidente - (1948-1950)

PREFEITO: José Lopes de Carvalho
VICE: Carlos Vaz de Mello Megale

MEMBROS

Alberto Álvaro Pacheco
Almiro da Silva Pontes
Antônio Faria Lopes
Antônio Pereira Soares
Arnaldo Dias de Andrade
Dorvino Coelho Soares
Francisco de Souza Fortes
João Francisco da Silva
João Maffia
Joaquim Nogueira
José Geraldo Santana Gomide
José Pereira Lélis
Mário Dutra dos Santos
Octávio da Silva Araújo
Silvestre Alves Ladeira

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Felício Brandi - Presidente - (1951-1954)

PREFEITO: José da Costa Vaz de Mello
VICE: Antônio Dias de Andrade Neto

MEMBROS

Alfredo Soares do Carmo
Antônio Lopes Moreira
Antônio Pereira Soares
Arnaldo Dias de Andrade
Clibas Vieira
Deusdedith Lopes Nogueira
Dorvino Coelho Soares
Felício Brandi
Geraldo Lopes de Carvalho
José Brumano
José dos Santos
José Fausto de Castro
José Lopes Soares
Mário Dutra dos Santos
Moacir Ladeira
Oscar Rodrigues Milagres

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Arlindo de Paula Gonçalves - Presidente - (1955-1958)

PREFEITO: João Francisco da Silva
VICE: Arnaldo Dias de Andrade

MEMBROS

Almiro Fialho de Freitas
Antônio Maffia
Antônio Rodrigues Pontes
Arlindo de Paula Gonçalves
Carlos Vieira Machado
César Sant'Anna Filho
Francisco Lopes da Silveira Filho
Heitor Lopes Rosado
Moacir Ladeira
Otaviano Couto
Raymundo Alves Torres

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Sebastião Lopes de Carvalho - Presidente - (1959-1962)

PREFEITO: Raymundo Alves Torres
VICE: Moacyr Dias de Andrade

MEMBROS

Antônio Chequer
Antônio Lopes de Freitas
Antônio Rodrigues Pontes
Cornélio Borges Coelho
Geraldo Rodrigues Cunha
José Rodrigues de Souza
Marina Viana Fontes
Michel Abraão Daibes
Omar Orlando
Oswaldo de Paula Lana
Sebastião Lopes de Carvalho
Sebastião Milagres

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Altamiro da Conceição Saraiva - Presidente - (1963-1966)

PREFEITO: Moacyr Dias de Andrade
VICE: César Sant'Anna Filho

MEMBROS

Altamiro da Conceição Saraiva
Antônio Augusto de Araújo
Antônio Chequer
Francisco Lopes da Silveira Filho
Geraldo Hélio dos Santos
Geraldo Rodrigues da Cunha
Jésus Lourenço
João da Costa Dias
José Medina Floresta
José Mendes Cardoso
José Rodrigues de Souza
José Valentino da Cruz
Ludovico Martino Filho
Michel Abraão Daibes
Omar Orlando
Oscar Rodrigues Milagres
Paulo Fernando de Souza

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Sebastião Ferreira da Silva - Presidente (1967-1970)

PREFEITO: Geraldo Lopes de Faria
VICE: Carlos Raymundo Torres
Abel Jacinto Ganem Júnior - Interventor Federal

MEMBROS

Altamiro da Conceição Saraiva
Antônio Augusto de Araújo
Antônio Chequer
Antônio Zaharãm
Geraldo Hélio dos Santos
Geraldo Rodrigues da Cunha
José Antônio Rodrigues Dias
José Medina Floresta
José Mendes Cardoso da Costa
José Rodrigues de Souza
José Valentino da Cruz
Ruy Barbosa de Assis Castro
Sebastião Ferreira da Silva
Sebastião Lopes da Silva

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Euter Paniago - Presidente (1971-1972)

PREFEITO: Carlos Raymundo Torres
VICE: Arlindo de Paula Gonçalves

MEMBROS

Antônio Mendes
Antônio Zaharãm
Divino Mendes Galvão
Euter Paniago
Francisco de Castro Cardoso
Francisco de Paula Oliveira
Geraldo Hélio dos Santos
Gilberto Valério Pinheiro
Joaquim de Castro Rocha
José Medina Floresta
José Nazar da Cruz
Ludovico Martino
Mauro Roberto Martinho
Raymundo Alves Torres
Ruy Barbosa de Assis Castro

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Mário Rocha Gomes (1973 e 1975) e Ruy Barbosa de Assis Castro (1974 e 1976) - Presidentes

PREFEITO: Antônio Chequer
VICE: Antônio Mendes

MEMBROS

Adão Ladeira de Carvalho
Ana Maria Corrêa
Antônio Zaharãm
Elias Chequer
Francisco de Castro Cardoso
Francisco de Paula Oliveira
Frank Paiva da Cunha
Geraldo Hélio dos Santos
Gilberto Valério Pinheiro
Joaquim de Castro Rocha
José Fausto de Castro
José Medina Floresta
José Nazar da Cruz
Lacyr Dias de Andrade
Mário Rocha Gomes
Paulo Lopes da Mota
Pélmio Simões de Carvalho
Ruy Barbosa de Assis Castro

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Gilberto Valério Pinheiro (1977, 1979 e 1981) e Geraldo Eustáquio Reis (1978, 1980 e 1982) - Presidentes


PREFEITO: César Sant'Anna Filho
VICE: Renato Santana

MEMBROS

Antônio José de Araújo
Custódio de Souza Parreiras
Elias Campos
Francisco de Castro Cardoso
Francisco Machado Filho
Geraldo Eustáquio Reis
Geraldo Hélio dos Santos
Gilberto Valério Pinheiro
Joaquim de Castro Rocha
José Joaquim Bezerra de Barros
José Mota
José Nazar da Cruz
Josephino Couceiro de Freitas
Lacyr Dias de Andrade
Manoel José Parzanini
Moacyr Dias de Andrade
Ruy Barbosa de Assis Castro

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Roberto Proença Passarinho (1983-1984 e 1987-1988) e José Ferreira Pontes (1985-1986) -Presidentes

PREFEITO: José Américo Garcia
VICE: José Borges Neto
Lacyr Dias de Andrade (1986) - Interventor Estadual nomeado
Geraldo Eustáquio Reis (1986) - Interventor Estadual
José Ferreira Pontes (1986) - Presidente da Câmara no exercício da Prefeitura
Roberto Proença Passarinho (1988) - Presidente da Câmara no exercício
da Prefeitura

MEMBROS

Aloísio de Castro Cardoso
Carlos Herman Lehner
Elias Azis Alexandre
Elias Chequer
Francisco Machado Filho
Geraldo Hélio dos Santos
Joaquim de Castro Rocha Filho
José de Arimathéa Silveira Marques
José Ferreira Pontes
Josephino Couceiro de Freitas
Luiz Eugênio de Moura
Luiz Gonzaga da Silva
Manoel José Parzanini
Raimundo Eunício de Barros
Roberto Proença Passarinho
Ruy Barbosa de Assis Castro

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1ª ASSEMBLÉIA ÔRGÂNICA MUNICIPAL

Arnaldo Dias de Andrade (1989-1990) e José de Arimathéa Silveira Marques (1991-1992)-Presidentes

PREFEITO: Antônio Chequer
VICE: Ary Teixeira de Oliveira
Ary Teixeira de Oliveira (1989) - Vice-prefeito no exercício da Prefeitura

MEMBROS

Arnaldo Dias de Andrade
Carlos Roberto Rezende Pereira
Euter Paniago
João Paulino Gouveia Netto
Joaquim de Castro Rocha Filho
Jorge Rafael Ferraz
José Antônio Gouveia
José Chequer
José de Arimathéa Silveira Marques
José Ferreira Pontes
José Maria Paiva
Ludovico Martino
Raimundo Nonato Cardoso
Raimundo Nonato da Silva Castro
Reiner Martins
Roberto Proença Passarinho
Rosângela Santana Fialho
Rosemary Batalha Araújo
Wantuir Lopes Ferraz

José Antônio Gouveia (1993-1994) e Fernando Sant'Ana e Castro (1995-1996) - Presidentes

PREFEITO: Geraldo Eustáquio Reis
VICE: César Sant'Anna Filho
César Sant'Anna Filho (1995) - Vice-prefeito no exercício da Prefeitura

MEMBROS

Ademar Gomes de Lima
Antônio Filomeno
Carlos Herman Lehner
Carmen Mendes de Oliveira Sant'Anna
Euter Paniago
Fernando Sant'Ana e Castro
Geraldo Magela Gouveia
Joaquim Tristão da Silva
José Ailton da Rocha
José Antônio Gouveia
José Fernandes
Raimundo da Silva Guimarães
Raimundo Nonato Cardoso
Vera Lúcia Fernandes Lehner
Wantuir Lopes Ferraz

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Wantuir Lopes Ferraz (1997-1998) e Raimundo Nonato Cardoso (1999-2000)- Presidentes

PREFEITO: Antônio Chequer (1997)
VICE: Fernando Sant'Ana e Castro
Fernando Sant'Ana e Castro (1997-2000)

MEMBROS

Aguinaldo Pacheco
Antônio Paulo da Cunha
Antônio Raimundo Charrão Rodrigues
Carlos Fernandes Nascimento Portes
Euter Paniago
Francisco Corrêa do Carmo
João Batista de Arruda
João Márcio Medina
Joaquim Moreira da Silva Filho
Joaquim Tristão da Silva
José Antônio Gouveia
José Chequer
Raimundo da Silva Guimarães
Raimundo Nonato Cardoso
Roberto Dias de Andrade
Vera Lúcia Fernandes Lehner
Vera Sônia Saraiva
Wantuir Lopes Ferraz

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Antônio Filomeno (2001-2002) e Pedro de Oliveira da Silva (2003-2004)- Presidentes

PREFEITO: Fernando Sant'Ana e Castro
VICE: Raimundo Nonato Cardoso

MEMBROS

Ademar Gomes de Lima
Adriano Henrique Ferrarez
Ângelo Chequer
Antônio Filomeno
Antônio José Maciel
Carlindo Rosa Loures
Carmen Mendes de Oliveira Sant'Anna
Euter Paniago
Joaquim Tristão da Silva
José Ailton da Rocha
José Antônio Gouveia
José Félix de Souza
José Helvécio Alves Moreira
Lúcia Duque Reis
Luciano Piovesan Leme
Milton Cardoso
Pedro de Oliveira da Silva
Rafael Kopschitz Xavier Bastos
Vera Lúcia Fernandes Lehner

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Vera Sônia Saraiva (2005-2006) e José Antônio Gouveia (2007-2008)- Presidentes

PREFEITO: Raimundo Nonato Cardoso
VICE: Wesley Augusto Salomé de Castro

MEMBROS

Ademar Gomes de Lima
Ângelo Chequer
Arnaldo Dias de Andrade
Cristina Fontes Araújo Viana
José Antônio Gouveia
Leandro Araújo Torres
Lúcia Duque Reis
Luís Eduardo Figueiredo Salgado
Raimundo da Silva Guimarães
Valter Sérgio Batalha
Vera Lúcia Fernandes Lehner
Vera Sônia Saraiva


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Cristina Fontes Araújo Viana (2009-2010) - Presidente

PREFEITO: Raimundo Nonato Cardoso
VICE: Lúcia Duque Reis

MEMBROS:

Ângelo Chequer
Antônio Elias Cardoso
Carlitos Alves dos Santos
Cristina Fontes Araújo Viana
João Batista Teixeira
João Januário Ladeira
Lídson Lehner Ferreira
Luís Eduardo Figueiredo Salgado
Marcos Arlindo Pereira
Marcos Nunes Coelho Júnior


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Ainda no regime imperial, quando existia o presidente da Câmara com atribuições deliberativas e executivas (de 1873 a 1890), o mandato municipal passara a ser trienal, desde o dia 7/1/1882 até o advento da República. De 1890 a 1892 a cidade de Viçosa fora governada pelo regime de Intendência. O Dr. José Theotônio Pacheco foi o cidadão que governou Viçosa naquela ocasião, quando se editara a Lei Mineira nº 2, de 14 de setembro de 1891, que instituíra os Conselhos Distritais, constituídos de três membros, e ainda as Assembléias Municipais, estas formadas por vereadores, por membros dos referidos Conselhos Distritais, sendo a outra metade de seus integrantes obrigatoriamente formada pelos maiores contribuintes locais de impostos. Fora aquela efêmera fase, portanto, a das Assembléias Municipais e dos Conselhos Distritais (de 1892 a 1895), a que nos referimos noutra parte do presente trabalho. A Lei nº 110, de 24 de setembro de 1894, instituíra o cargo de Agente Executivo, autônomo do de Presidente da Câmara e os antigos Conselhos Distritais foram extintos ulteriormente, pela Lei nº 373, de 17 de setembro de 1903. Entre outubro de 1892 e dezembro de 1929, Viçosa fora administrada por meio de resoluções, que totalizam nada menos que 536, obviamente já prescritas por sua antiguidade. Em 1898 o Conselho do Distrito da Sede já havia sido extinto, e de 1895 a 1931 o município fora administrado por esses tais agentes executivos autônomos. Pacheco foi Intendente Municipal, depois presidente da Câmara com dupla atribuição (Legislativa e Executiva) e finalmente Agente Executivo Autônomo, desde 24/7/1894, por força da Lei nº 110. No periodo pós 1894, a Assembléia Municipal se reunia apenas uma vez por ano, para julgamento das contas. Neste período Pacheco, foram representantes do povo os cidadãos Augusto José Nicácio, Carlos Pinto Coelho, Francisco José da Silva Cardozo, José Theotônio Pacheco, Mário Vaz de Mello e Vicente Gonçalves Fontes Sobrinho. Confira, neste caso, a Resolução nº 67 de 17/12/1897, e a ata da reunião de 24/11/1897, arquivada na Câmara. Quanto ao Governo Francisco Machado de Magalhães Filho (1898-1905), os "vereadores", na verdade eram os conselheiros distritais de Teixeiras, Pedra do Anta, Coimbra, Araponga, São Miguel do Anta e São Vicente do Grama, que compunham a edilidade de então.
Após a Revolução de 1930, até 1947, foram vários os interventores nomeados pelo poder ditatorial. Alguns desses cidadãos, forasteiros, aqui exerceram voláteis mandatos, mas outros realizaram profícuas administrações, a bem do povo viçosense. O interventor mineiro Olegário Dias Maciel dissolvera as Câmaras Municipais, por força da Lei nº 4.897, de 2/2/1931, instituindo os Conselhos Consultivos, formado por 5 membros, entre os quais os dois maiores contribuintes de impostos em seus municípios e 3 cidadãos de livre escolha do chefe do governo municipal. O ilustre filho da terra, Antonelli de Carvalho Bhering fora o primeiro cidadão que sob a denominação de Prefeito chefiou o Município, após a promulgação da Constituição Federal de 16 de julho de 1934. No dia 6/12/1929, o Dr. João Braz da Costa Val subcrevia em Viçosa a última a lei, na condição de presidente da Câmara: a Resolução nº 536. No dia 4/1/1931 ele assina como prefeito pela primeira vez. Na verdade como interventor, ou melhor, superintendente municipal. O Decreto nº 1, subscrito por João Braz, data de 24/1/1931. A Carta Constitucional de 1934 é que instituiu, portanto, o Governo Municipal Biorgânico, ou seja, Prefeitura e Câmara. Até então os decretos 9776 de 6/11/1930, 9168 de 24/11/1930, 22.364 de 4/5/1932 e 20.033 de 29/10/1932 é que regiam as normas para a administração pública viçosense. A 2 de dezembro de 1945 a democracia seria, em parte, restabelecida, ocasião em que assumiu a administração municipal o Sr. José Martins Palhano sucedendo ao Dr. Sylvio Romeo Cezar de Araújo. As primeiras eleições diretas para Prefeito, após a queda do Estado Novo, foram realizadas no dia 23/11/1947, sendo Juiz Eleitoral da Comarca de Viçosa o Dr. Cândido Martins de Oliveira, júnior, quando o Dr. José Lopes de Carvalho foi eleito prefeito.

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É muito provável que no decurso das décadas não restem de nossos agentes administrativos, nos anais da história, pouco mais que a mera citação de seus nomes e de seus períodos de governo.
Das indagações mais complexas sobre antigos prefeitos, intendentes e/ou presidentes da Câmara, ressaltam-se as que intentam saber de onde vieram alguns desses administradores e para onde eles foram depois de concluídos seus períodos administrativos, já que nem todos foram viçosenses natos ou aqui encerraram seus dias.
A carreira política, a vida partidária, a atividade econômica e a escolaridade formal de alguns de nossos agentes administrativos ainda está sendo estudada por este blogger. Apenas os anais da Câmara Municipal de Viçosa e da Prefeitura, além de crônicas e notícias de jornais, dentre outros documentos, especialmente cartas, guardam vestígios de alguns desses homens públicos e de seus governos. Depoimentos de testemunhas oculares dos tempos mais antigos já não são mais possíveis. Por esse motivo é que de apenas de alguns deles pudemos obter dados substanciosos. Exemplos: do senhor José Martins Palhano, interventor em 1946, no fim do Estado Novo (fim do primeiro governo Getúlio Vargas) as poucas informações chegadas aos nossos dias dão conta de que fora engenheiro civil (?), com raízes familiares em Ubá (MG). Nada mais dele sabemos. Em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, o farmacêutico Anélio de Salles foi outro que governou Viçosa, pelo considerável período de um ano e cinco meses e entre seus atos administrativos consta a nomeação de Sebastião da Cunha e Castro, pai do ex-deputado federal Danilo de Castro viçosense nascido no distrito de Canaã, para o cargo de fiscal geral do município. Teria o farmacêutico Anélio de Salles laços familiares em Ervália (MG), antigo distrito viçosense, onde uma das escolas estaduais teve outrora o seu nome. O Dr. Abel Jacinto Ganem Júnior, um descendente de libaneses, assumiu a Prefeitura de Viçosa em 1969, sem que seu titular de então, o tabelião do 2º ofício e fundador da Companhia Telefônica de Viçosa, Geraldo Lopes de Faria, fosse oficialmente afastado do cargo pela edilidade. Dentre as resoluções que subscreveu, algumas poucas resoluções para a organização interna da administração pública. Em seu curto período administrativo foi instituído no município o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), tendo ele empossado a sua diretoria local. O Dr. Abel, como era chamado em Viçosa por seus contemporâneos, assinou suas resoluções como interventor federal desde o dia 6/8/1970, tendo como secretário Mário Calvão da Silveira, cujas assinaturas são apostas em quase todos os despachos deste curto período de exceção em Viçosa.Sobre esses homens públicos, inclusive nossos interventores, como Anélio de Salles, José Martins Palhano e Abel Jacinto Ganem Júnior ainda escreveremos. Anélio, natural de Araponga, onde nasceu em 1864, era farmacêutico em Ervália e deixou a Prefeitura de Viçosa, que ocupou por um ano e seis meses, em 1932, para assumir a Tesouraria Geral do Estado de Minas Gerais. Faleceu em 1954.
Nasceram em Viçosa os seguintes administradores municipais: Antonelli de Carvalho Bhering, o empresário Antônio Chequer, o capitão Arnaldo Dias de Andrade, o advogado Arthur da Silva Bernardes, o médico Carlos Raymundo Torres, o advogado e ex-deputado Carlos Vaz de Mello Megale e o empresário César Sant'Anna Filho. Viçosenses também foram o comerciante João Francisco da Silva, o fazendeiro João Lopes de Faria Reis, o jornalista e escrivão José da Costa Vaz de Melo, o advogado José Lopes de Carvalho, o coletor estadual e mestre-escola Ten. Cel. Manuel Bernardes de Souza Silvino, o comerciante Moacyr Dias de Andrade, o servidor público federal Raimundo Nonato Cardoso e o médico Raymundo Alves Torres. Padre Álvaro Corrêa Borges, que assumiu a Prefeitura interinamente em 1931, era mineiro de Formiga. Sabe-se que a maioria (pelo menos 10) dos administradores públicos de Viçosa, até 2007, havia tido a mesma profissão: a advocacia. Pode ser que numa lista apresentada pela ordem estritamente alfabética, à exceção evidentemente do ex-presidente do Brasil, Dr. Arthur da Silva Bernardes, a maioria de seus nomes soem um tanto estranhos às gerações que vierem. Poucos cidadãos viçosenses talvez deles ainda conheçam algo.
Manuel Bernardes de Souza Silvino, que governou nos períodos 1873-1876 e 1879-1881, foi professor (mestre-escola) e coletor estadual, tendo a patente de tenente-coronel. Teria ele pertencido ao Partido Liberal e nascido no município de Viçosa. Carlos Vaz de Mello (1877-1878/1887-1890) foi advogado, jornalista e industrial. Filiado ao PL e também ao PRM, era de Vila Nova de Lima. João Lopes de Faria Reis (1882-1886), fazendeiro, seria do PL e viçosense? José Theotônio Pacheco (1891-1897), advogado e jornalista- PL? - (Paula Cândido). Francisco Machado de Magalhães Filho ((1898-1905), advogado, do PRM - (Furquim de Mariana). Francisco José Alves Torres (1899) foi vice-presidente da Câmara em exercício. Arthur da Silva Bernardes (1905-1910), advogado, fazendeiro e jornalista - PRM - (Viçosa). Augusto José Nicácio (1906-1907), também vice-presidente da Cãmara em exercício. Emílio Jardim de Resende (1911-1912), advogado, professor e jornalista, era do PRM e filho de Paracatu. Joventino Octavio de Alencar (1911), também vice-presidente da Câmara em exercício. José Ricardo Rebello Horta (1913-1918/1933), advogado, do PRM e natural de SãoDomingos do Prata. Antônio Gomes Barbosa (1919-1927), advogado, do PRM e de Alto do Rio Doce. João Braz da Costa Val (1927-1929/1930-1932/1937-1943), advogado, do PR e depois do PP? (Viçosa). Álvaro Corrêa Borges (1931), padre (Formiga). Anélio de Salles (1932-1933), farmacêutico PSL? - PP? - (Araponga), Antonelli de Carvalho Bhering (1934-1936), comerciante e fazendeiro - PP? - (Viçosa). Arnaldo Dias de Andrade (1936), comerciante e fazendeiro - PR - (Cajuri). Cyro Bolivar de Araújo Moreira (1936) médico - PR - (Ubá). Juarez de Souza Carmo (1936) advogado e jornalista - PR - (Amparo do Serra?). Sylvio Romeo Cezar de Araújo (1943 a 1945), advogado, tabelião e jornalista - PP? (?), José Martins Palhano (1945-1946) engenheiro-civil? (?). Carlos Vaz de Mello Megale (1947), advogado - PR - (Viçosa). José Lopes de Carvalho (1948-1950), advogado (Viçosa). José da Costa Vaz de Mello (1951-1955), jornalista e escrivão - PR - (Viçosa). João Francisco da Silva (1955-1958), comerciante - PR - (Viçosa). Raymundo Alves Torres (1946/1947/1959-1962), médico - PR -(Viçosa). Moacyr Dias de Andrade (1963-1966), comerciante, eleito pelo PSD com apoio da UDN, era de Cajuri). Geraldo Lopes de Faria (1967-1970) tabelião e jornalista - Arena - (Viçosa). Abel Jacinto Ganem Júnior (1970), advogado (de onde???), foi interventor. Carlos Raymundo Torres (1971-1972), médico - Arena -(Viçosa). Antônio Chequer (1973-1976/1989-1992/1997), empresário - MDB - PMDB - PSC (Viçosa). César Sant'Anna Filho (1977-1982/1995), empresário - MDB - PTR (Viçosa), José Américo Garcia (1983-1988), professor universitário - PDS - (Espera Feliz). Lacyr Dias de Andrade (1986) foi nomeado interventor e é viçosense. Geraldo Eustáquio Reis, nomeado também interventor e prefeito entre 1993 e 1996 era viçosense, contador e funcionário federal e pertenceu ao MDB e ao PTB. Fernando Sant'Ana e Castro (1997-2000/2001-2004), funcionário Federal - PMDB - PTB - (Viçosa) e Raimundo Nonato Cardoso (2005-2008) - PFL - PSDC - funcionário federal (Viçosa).


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José Lopes de Carvalho


Viçosa vivia o ano de 1947 quando foi seu primeiro prefeito escolhido pelo voto direto: o ilustre advogado Dr. José Lopes de Carvalho. Falecido a 15 de fevereiro de 1994, aos 85, era casado com a professora riobranquense Erotides Silva de Carvalho. Com ela teve 4 filhos: César Augusto, Maria Amélia, José Eugênio e Eliane. Seu lema governamental foi "Estradas e Educação". Empossado a 4 de janeiro de 1948, juntamente com o vice-prefeito Dr. Carlos Vaz de Mello Megale (Nenê Megale), inaugurou uma reformulação do jardim da praça Silviano Brandão naquele mesmo ano. Construiu o campo de aviação, com linha aérea de Viçosa a Belo Horizonte, murou o Cemitério Dom Viçoso e doou o terreno para construção da sede da agência de Correios e Telégrafos, na avenida Bueno Brandão. Pioneiro do trabalho de ressocialização dos presidiários, empregava-os em obras municipais. Realizou significativas melhorias no serviço de abastecimento de água de São Miguel do Anta e Cajuri. Em sua gestão, graças a seus esforços, alunos de Viçosa puderam a partir de então matricular-se no Patronato Agrícola, até ali direcionado exclusivamente a alunos do Rio de Janeiro. Seu primo, Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, da Academia Mineira de Letras, assim o definiu: "Inteligência fulgurante, Dr. José de Carvalho, no exercício da
advocacia foi um talento a serviço da justiça. Seu verbo florente e florido, imaginoso e rutilante honrou a oratória forense. Na defesa era impenetrável, na réplica fulminante. Brilhante como promotor público, brioso causídico, a Ordem dos Advogados o teve por diversas ocasiões como vice-presidente na Subseção de Visconde do Rio Branco. Atividades superavisadas por altos talentos e enobrecidas por extraordinários serviços o projetaram no cenário jurídico nacional a tal ponto de ser cogitado para advogado da Embaixada Inglesa no Brasil e para cargos elevados no país. A tudo declinou, pois suas delícias eram curtir esta região, sua gente, seu destino. [...] Foi um adail excepcional, um líder indiscutível. O culto da ordem, da honestidade, do trabalho marcaram sua ação política. Jamais laborou pro domo sua e se fez o paradigma do autêntico político, cuidando com êxito e esmero da coisa pública. Célebres as inaugurações de suas obras e sua pose característica que se vê em tantas fotos indicam um guia cônscio de seus objetivos. Notável seu gesto: mão direita erguida como a apontar sempre novas metas, novos horizontes, semblante sereno dos que têm a consciência do dever cumprido. Nele havia um político estreme, inteiriço de bronze, de autoridade, de competência sem rival. O amor à advocacia falou mis alto e mesmo instado não voltou a tais lides que, por certo, o levariam aos mais altos postos. Para um vulto como o Dr. José de Carvalho a campa é um altar sobre o qual se desfolham as flores da gratidão e das mais justas homenagens. Seus feitos haverão de ser recordados. No proscênio da vida viçosense ele será sempre destacado como varão elevado e culto, incorruptível e útil, prestimoso e reto." De fato ele realizou uma boa administração num período difícil, principalmente pelos problemas decorrentes da inundação de 17 de fevereiro de 1948. Naquela ocasião o viçosense Dr. Arthur Bernardes Filho encaminhou ao prefeito uma verba de mil e quinhentos contos de réis, como ajuda no socorro aos desabrigados, tendo sido necessária inclusive a reconstrução de uma nova represa de água potável, que se arrebentou por força das águas.
Foi no governo dele que a legislação municipal começou a ser regulamentada. Como realçou o ex-presidente da Câmara Municipal, Prof. Euter Paniago, o primeiro prefeito após a ditadura Vargas foi o autor da Lei número 1 de Viçosa, datada de 18 de janeiro de 1948, que "dá bem o sentido da preocupação do prefeito que acabara de assumir o governo municipal, uma vez que ela regula o serviço de abastecimento d'água de então, cobrado ainda sob pena d'água, ao preço de 65 cruzeiros por ano. Outra característica marcante de José Lopes de Carvalho foi sua preocupação constante em incentivar a implantação de indústrias no município. Como prefeito, sua contribuição foi traduzida na isenção de tributos àqueles que pretendiam iniciar qualquer atividade que redundasse em aumento de emprego de mão-de-obra. Prova disso é que 13% do total de projetos enviados à Câmara, durante os três anos de governo, versaram sobre a matéria." Quanta mudança Viçosa experimentou, por exemplo, desde a Lei nº 26, que autorizava o prefeito incorporar o bairro Conceição ao perímetro urbano. Paniago lembrou que "a Lei nº 30 autorizava a abertura da rua Silva Pontes e a Lei nº 93 autorizava a receber doação de terreno para abertura da travessa Sagrados Corações.
Contribuição extraordinária ao desenvolvimento do município foi, seguramente, a aprovação da Lei 91, que estabelece o Código de Posturas Municipais. A Lei é completa e regula toda a vida do município. Contendo 559 artigos e ocupando 145páginas do livro de registro de Leis, ela disciplina a venda de terreno, as construções, o uso das vias públicas, a abertura de estradas e caminhos públicos, a venda de inflamáveis e explosivos, o controle das queimadas, a extinção dos insetos nocivos, dentre outras." Neste caso, mencione-se aqui a Lei nº 32, que torna obrigatória a construção de muros nos lotes urbanos. Assinada em 29 de novembro de 1948, determinação que continuou a ser descumprida anos afora, não obstante vigorada em diversas outras oportunidades. Ela vale, porém, na avaliação do ex-vereador Paniago, "como marco histórico a indicar o interesse do prefeito de então em disciplinar tão importante fato na vida de Viçosa.
No setor educacional, o governo José Lopes de Carvalho deixou marcas profundas, construção e reparo de escolas no município e nos distritos de então, como Cajuri e São Miguel do Anta; compra de ações do Colégio de Viçosa; criação de bolsas de estudos para viçosenses carentes, estudantes da então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, nossa atual Universidade Federal de Viçosa, são exemplos que demonstram isso.
Doação de terreno para a agência dos Correios e Telégrafos, contribuição financeira para a construção do Santuário de Santa Rita de Cássia, ajuda financeira ao Hospital São Sebastião são alguns dos atos do prefeito José Lopes de Carvalho, que mostram sua preocupação com as instituições de Viçosa", destacou Paniago, que acrescentou ser "digno de menção o teor da Lei nº 31, segundo a qual a Câmara autorizava o prefeito a coprar uma motocicleta para uso do serviço de fiscalização. Tal era o rigor, o senso de responsabilidade e o respeito às prerrogativas do Poder Legislativo que até mesmo para adquirir uma simples motocicleta o prefeito se curvava à autorização dos vereadores. Pena que esse tipo de comportamento não se verifica com tanta freqüência", realçou Paniago. "Além de as leis daquele período demonstrarem grande apoio também ao setor rural, com a construção de pontes, matadouros, estradas e escolas, vale mencionar o teor da Lei nº 84, sancionada no mês de agosto de seu último ano de governo, pela qual é disciplinado o processo de aposentadoria dos servidores do município. É bom frisar, contudo, que a avaliação de desempenho de qualquer governante com base apenas nas leis por ele editadas não esgota a possibilidade de análise sobre outros aspectos do processo administrativo. Todavia, as leis são, de modo geral, excelentes indicadores das características de quem as propôe", conclui o Dr. Euter Paniago.

(ESCORÇO BIOGRÁFICO AINDA INCOMPLETO - ACRESCENTAREI DADOS)


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Manuel Bernardes de Souza Silvino


O primeiro governante municipal de Viçosa, o antigo município de Santa Rita do Turvo, foi Manoel Bernardes de Souza Silvino. Não há muitos registros disponíveis daquele período, até onde sabemos, nos arquivos do Município de Viçosa. Presidiu ele a Câmara em dois períodos: 1873-1876 e 1879-1881. Não tivemos acesso aos registros de nascimento, óbito, e desconhecemos o lugar exato de seus berço e túmulo. ALVES (nº ? ), relatando a inauguração da galeria dos presidentes da Câmara Municipal de Viçosa, obra considerada "de pesquisa e estudo, de ânimo e tenacidade do professor Euter Paniago, digno presidente da Câmara Municipal", retratando então os até ali dezessete (era o início da década de 1970) "vultos que marcaram os passos cívicos de Viçosa." Referindo-se ao seu ancestral, Manoel Bernardes de Souza Silvino, o primeiro presidente da Câmara, ALVES relatou que este foi "localizado até contra a barreira do esquecimento dos próprios familiares", e que o professor Euter Paniago "reconstruiu uma galeria que falará, pelos tempos, da trajetória dos homens que teceram a ordem, a lei e o poder desta cidade centenária."
Sobre o primeiro presidente, realçou ALVES, naquela ocasião (década de 1970), a pesquisa do Dr. Euter Paniago que pesquisou fatos, acordou lembranças, fazendo chegar "aos nossos olhos e ao coração a imagem daquele que dormiria no esquecimento, ignorado, não fosse a preocupação sadia do moço-presidente de colocar, na lembrança das gerações presentes, aqueles que fizeram a história desta cidade." De fato o presidente do Legislativo de então viajou a Belo Horizonte, onde obteve de uma parenta de Manoel Bernardes de Souza Silvino informações descritivas que ensejaram a feitura de uma litografia que retrata o rosto mais próximo do que realmente foi o do mestre-escola e tenente-coronel conhecido pela alcunha de "Neca Coletor", o primeiro governante municipal, que figura na galeria do saguão da Câmara.
Sobre ele ALVES dedicou as seguintes palavras em sua crônica: "Encantou-nos na vida desse tenente-coronel, não a patente, não o cargo de coletor, nem tampouco a presidência que lhe coube. Mas a lembrança de que, nesta Viçosa, ele foi, acima da honraria, patente e cargo, MESTRE-ESCOLA. Numa terra inculta e virgem, sem luzes, distante do progresso, da civilização, o MESTRE-ESCOLA plantando, com sua paciência e devoção, as raízes da que seria mais tarde a CIDADE-CULTURA, honra e glória do Estado de Minas Gerais.
Desse Mestre, talvez venha a herança didática que marca os SILVINO, fazendo de cada membro desta família, que se espalha pôr Minas e outros Estados, um professor em potencial," acrescenta ALVES.

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Cyro Bolivar de Araújo Moreira

Em 1936, os viçosenses viveram o atípico "ano dos quatro prefeitos", quais sejam Antonelli de Carvalho Bhering, Arnaldo Dias de Andrade, Juarez de Souza Carmo e Cyro Bolivar de Araújo Moreira. O médico Cyro Bolivar fora provedor do Hospital São Sebastião. Havia, naquele tempo, o Hospital Regional Federal na atual rua Afonso Pena, junto ao Posto de Profilaxia Rural, que fora dirigido por Dr. João Batista Ferreira Brito (falecido aos 39 anos, em 1924), e pelos também médicos Mário Barreto e José Felicíssimo de Paula Xavier. Dr. Cyro fora também seu diretor. O Hospital São Sebastião estava também sob os cuidados das desveladas Carmelitas da Divina Providência, na atual praça Emílio Jardim.
Dr. Cyro faleceu em Rolândia, no Paraná, a 15 de agosto de 1994. Prefeito de Viçosa, portanto, em 1936, até hoje não é nome de um simples beco na cidade. Nascido na Fazenda das Taúbas, em Ubá, num dia 4 de dezembro de 1897. Foi aluno do Ginásio São José em sua terra natal. Era filho do primeiro diretor do Patronato Agrícola de Viçosa e ex-fiscal de fronteiras em Passa Cinco, Ouro Preto e Frutal, Carlos de Araújo Moreira, itabirano que fora também gerente dos Correios de Ubá, e de Dona Rita Bolivar de Araújo Moreira, viçosense.
Dr. Cyro casou-se duas vezes, primeiro com Maria Vidigal, de tradicional família portofirmense, e depois com Virgínia Gomes, Dona Zizinha, de Santo Antônio do Grama. Com esta teve as filhas Heloísa e Cyra. Formado pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, sempre trabalhou em Viçosa, onde foi um dos maiores benfeitores de toda a história do Hospital São Sebastião, um dos líderes da construção de sua nova sede, entre 1928 e 1930. Cirurgião, foi o primeiro a operar em Londrina, no Paraná, para onde se mudou. Em Rolândia, no Paraná, fundou a Casa de Saúde Rolândia, tendo fundado duas outras casas de saúde em Arapongas e em Jaguapitã, moderno hospital psiquiátrico dirigido por um de seus filhos, também médico. Seus filhos são Fernando Carlos, Wanda, Murilo Carlos, Carlos, Abelardo e Rita Maria. A mãe de Doutor Cyro era irmã de Arduíno Fontes Bolivar, o mestre, da tradicional família Fontes, de Viçosa, que também tem raízes em Ervália e Guiricema. Sobre Dr. Cyro Bolivar, ALVES (págs. 107-108) escreveu:
"Nas frias manhãs desta terra, sempre um cidadão madrugador caminhava rumo ao Hospital para ajudá-lo a crescer. Sem medida, prodigamente, prestou dia a dia tributo consciente à profissão que honra e dignifica. Sua presença à cabeceira de um doente é sempre tranqüila segurança. É santo milagreiro, sem hora e sem preço, bondade que se dá ao próximo sem medida e sem tempo. Sabiamente suas mãos operam milagres. Suas lembranças hão de ser, se contadas, a crônica desta cidade a quem deu o melhor de sua vida, por anos e anos [...]
[...] Com a mesma simplicidade com que se achegava aos grandes e poderosos – ele mesmo um deles – provava das convivências humildes, sem pose e sem demagogia. Natural e simples de nascença. Comedido e sóbrio, não guardo dele atitude que demonstrasse vaidade.
Nas tardes gostosas, no pátio do Hospital, papeando com um e outro, vivia e ajudava a viver, libertando-se do tédio, da solidão, quebrando a monotonia de uma vida nada rotineira. Cada manhã era sempre um novo dia para ser útil a alguém. Quantos dias emendavam-se com as noites em constante vigília a uma vida bruxuleante. De qualquer um: sem escolha de cor ou posses."
Outrossim são viçosenses natos o técnico em telecomunicações Fernando Sant'Ana e Castro, o contabilista Geraldo Eustáquio Reis, o tabelião Geraldo Lopes de Faria e o advogado João Braz da Costa Val.

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João Braz da Costa Val

Até o princípio do século XXI, ninguém suplantara um recordista na administração das coisas de Viçosa. O ilustre Dr. João Braz da Costa Val foi quem mais tempo permaneceu à frente da chefia do município de Viçosa, embora não pelo voto direto. O dia 11 de julho de 1894 assinalou o seu nascimento, em Viçosa. João Braz era filho de seu homônimo, o tabelião do 2º Ofício do Registro de Imóveis, João Braz da Costa Val e de Dona Francisca Bernardina da Costa Val, ambos mineiros de Piranga. O menino estudioso e trabalhador que fora aluno interno em Juiz de Fora e também do Gymnasio de Viçosa e no Rio de Janeiro, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1918, Juiz dos Feitos da Fazenda e Juiz Municipal da 1ª Vara Criminal em Belo Horizonte, diretor da Gazeta de Viçosa a partir de 1938 e advogado, casado com Dona Vicentina Martino, foi nomeado pela primeira vez prefeito de Viçosa a 14 de janeiro de 1931. Candidato a deputado estadual em 34, pelo Partido Republicano Mineiro, seu segundo mandato, por nomeação, de prefeito de Viçosa, estendeu-se à 1943, quando se exonerou, tendo exercido o comando administrativo de Viçosa, desta feita, desde 1937.
Logo que deixou a presidência da República (15 de novembro de 1926), o inolvidável viçosense Dr. Arthur da Silva Bernardes, acompanhado da esposa Dona Clélia e de duas filhas, partiu rumo à Europa, tendo visitado a Alemanha, a Áustria, a Bélgica, o Egito, a França, a Grécia, a Inglaterra, a Palestina, Portugal, Síria e a Turquia, retornando à sua pátria em 1928. Enquanto no exterior, Bernardes enviou ao presidente da Câmara e agente executivo Dr. João Braz, a seguinte missiva, que bem espelha minuciosas preocupações do estadista em relação à sua cidade natal e ao relacionamento amistoso com o grande administrador de então:

“Paris, 30 de agosto de 1927,

Meu caro João Braz,

Fazendo cordiais votos por sua saúde e felicidade, faço-os também pela de sua Exma. Família e de todos os seus parentes, aos quais peço o favor de recomendar-me. Venho agradecer-lhe as felicitações enviadas na minha data natalícia, tanto em seu nome como em nome do nosso município, as quais além de me penhorarem, evocaram vivas saudades de nossa terra e de nossa boa gente. Não me esqueço nem de uma nem de outra, pois um dia não se passa sem que o meu pensamento voe até aí, pousando ora sobre lugares, ora sobre pessoas. É preciso consagrar um pouco de seu tempo e de seus cuidados à administração municipal, para que não desande o progresso aí realizado. A conservação do jardim público é necessidade que se impõe, pois dá realce à praça e faz o embelezamento da cidade. Sem ele, ou com ele mal conservado, a cidade valerá 50% menos. Cometerá falta imperdoável a administração que relegar ao segundo plano nas suas cogitações, o jardim da praça principal. Cumpre-lhe não deixar a cidade decair. Não sei se V. estudou a possibilidade de uma reforma tributária, visando alcançar para a Câmara acréscimo de renda. Com algum aumento de sua receita, poderá esta empreender a abertura de boas estradas de automóveis, à semelhança da que se fez no distrito de S. Miguel. As boas estradas representam papel tão importante no desenvolvimento comercial e econômico de um município, de um Estado ou de um País, que não temo de dizer que o progresso da cidade estará agora nessa dependência. Ainda agora acabei de percorrer a França, de automóvel, de nordeste a sudoeste (sendo esta a razão de responder com atraso o seu telegrama de felicitações), e pude apreciar o que é e o que vale a boa estrada. São “routes” tão bem feitas que não diferem das avenidas asfaltadas do Rio de Janeiro, inclusive em largura. Além do asfalto, empregam muito aqui um betume, e a madeira, preparada em forma de paralelepípedo. Para Viçosa, porém, é ainda muito cedo para se falar nesta espécie de estradas... Faço ponto aqui, desejando-lhe muitos triunfos na administração do nosso amado torrão, que precisa ficar a dever-lhe grande número de bons serviços. Recomendo-me também aos nossos bons amigos. Não nominalizo para evitar omissões involuntárias.

Creia-me sempre col. A e am. O

Arthur Bernardes”

De acordo com “Ilustração Municipal” de setembro de 1938, citada por FILHO (Nº ?) edição que noticiou a inauguração, em maio do referido ano, da nova represa com mais de 300.000 litros para abastecimento de água em Viçosa, o Dr. João Braz tinha, dentre outros aspectos, seguinte perfil: “cavalheiro em todo o sentido do vocábulo, seja no exercício das funções que tanto honra, seja no seio da sociedade onde vive cercado de carinho e simpatias. Homem para o qual o dever constitui um imperativo de dignidade e não apenas o exercício de um mandato outorgado por outrem, o Prefeito de Viçosa possui atributos de caráter e de espírito superiores à craveira vulgar. Faz do trabalho um sacerdócio, do cargo uma missão sacratíssima e do serviço público um evangelho. Distinto, laboriosíssimo, tenaz e conhecedor profundo dos segredos administrativos, S.S. opera com ciência de causa nos magnos problemas ligados à administração, não se limitando, porém, a agir com critério, decisão e presteza quanto às obras a realizar ou as iniciativas a planear, mas igualmente ao trato dos interesses gerais, no que respeita ao público, por ele atendido com gentileza, sem distinção de classes ou de categorias. Solícito, afável e prestimoso, o Dr. João Braz da Costa Val a todos recebe delicadamente, satisfazendo, dentro das possibilidades e dos limites da justiça, as pretensões defendidas pelas partes ou reclamações que por ventura se façam sentir. Daí, o vasto círculo de estima, a ampla popularidade, a afeição, mesmo, que o povo viçosense dispensa ao benemérito edil.”

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Emílio Jardim de Resende

O major-coronel Dr. Emílio Jardim de Resende, que pertencera à Guarda Nacional em Viçosa e presidiu a Assembléia Legislativa de Minas Gerais em 1918, era filho da cidade mineira de Paracatu, nascido a 22 de janeiro de 1874, onde estudou na Escola Normal. Era filho do ilustre desembargador João Emílio de Resende Costa, de tradicional família mineira, e de Dona Virgínia de Oliveira Jardim. Casado em primeiras núpcias com Dona Emília Dias de Carvalho, com ela o Dr. Emílio teve os filhos Emílio, Lydia, Christiano, Dinah, Esther, Violeta e João. Casou-se depois com Dona Carolina Gonçalves Coelho, de cuja união nasceram Caio, Yolanda, Célia, Odette, Cícero, Sylvia e Carlos. Lecionou no Gymnasio de Viçosa e fora professor e diretor da Escola Normal, sendo ele um dos principais responsáveis pela vinda, para Viçosa, da Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, que por sua vontade passaram a dirigir a Escola Normal Oficial.
Na Câmara dos Deputados, Emílio Jardim foi membro da Comissão de Orçamento da receita e despesa do Estado, sendo reconhecido por sua inteligência lúcida, operosidade e idéias ponderadas. As páginas 125 e 126 de SIMÕES (nº ?) trazem-nos o fac-simile de uma datilografada epístola de Dr. Arthur Bernardes, já na condição de ex-presidente do Brasil, ao seu dileto amigo Dr. Emílio. Neste documento, o tema é Viçosa e o Brasil:

"Paris, 5 de Dezembro de 1927.

Meu caro Emilio,

Vae este dirigida para a nossa amoravel Viçosa, onde já V. deverá se encontrar ao tempo de sua chegada no Brasil. É o que presumo por sua ultima, que não trouxe data. Não avalia como lhe invejo a sorte de voltar ao seio tranquillo dessa boa terra, ninho meu paterno, onde devaneiámos na mocidade e onde passámos dias alegres e felizes.
Depois de rude experiencia, adquirida em centros de maior civilização e cultura e no convivio com as mais altas camadas sociaes, terá V. julgado que mais felizes são ainda os que vivem na obscuridade e pacatêz das pequenas cidades do interior, onde se homiziam as virtudes e onde a ambição e a inveja não dispõem de vasto campo para exercer sua actividade damninha. Thomaz Ribeiro já dizia: Quem quizer vida suave, amor divino, feche na mansa aldeia o seu destino. Quantas vezes não me tenho lembrado desse conselho ante a illusão, desfeita, do que seja, em nosso paiz, servir a Patria, de verdade, promovendo-lhe o bem e agindo honradamente!
É forçoso, porém, considerar que, se deixarem, todos, se conduzir pelo egoismo da commodidade e não se dispuzerem aluns ao sacrificio de velar pelos supremos interesses da Nação, será peior e sorte da grande família brasileira e insustentavel nossa situação de povo no exterior.
Mas, por isso mesmo que é difficil a tarefa, e são mui poucos os politicos que lealmente a desempenham, não há fugir à lucta pela salvação nacional, a que temos vivido acorrentados pela força do destino.
Suggeriu-me estas considerações o trecho final de sua carta, com cuja conclusão concordo inteiramente: 'O tempo que aqui' (no Rio) 'passei, aproveitei-o bastante: aprendi alguma cousa de util a mim e a outros; estudei, observei homens e cousas, e, pelo conhecimento que adquiri destas e daquelles, cheguei á conclusão de estarmos num paiz infeliz'.
Elle retrata sem duvida a sua desillusão; mas é preciso não ter desfallecimentos! Meu pezar de ver o Brasil MAL ORGANIZADO, mal dirigido e agora anarchizado, já era profundo; e augmentou muito aqui, ao observal-o de fóra de de longe. Daqui se tem uma melhor visão de conjuncto e se avalia melhor o seu desprestigio perante o mundo!
Adeus! até por lá. Seja muito feliz nessa terra de enlevos e recordações... Remommende-nos aos seus, e amim aos bons amigos da cidade e municipio. Abrace por mim ao Tito e receba também um abraço, grande e affectuoso, do amigo de sempre

Arthur"

Veio o Dr. Emílio de Ouro Preto, onde prestou exames para exercer o Magistério, após formar-se em Direito, em 1919, na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Lecionou Direito Civil na Faculdade de Direito de Juiz de Fora e em Viçosa foi diretor do jornal Cidade de Viçosa e Juiz de Direito, tendo sido deputado estadual pela 2ª Circunscrição para a 6ª Legislatura (1911-14), reeleito para 1915-18e deputado federal por 4 mandatos, entre 1919 e 1929. Eleito vice-presidente da Câmara Municipal a 11/1/1908 e presidente a 15/9/1910, terminou o mandato a 31/5/1912um dos próceres do Partido Republicano Mineiro (PRM), à época de seu governo eram apenas dois os hotéis locais (o do Barão e o da Cota) e dois também eram os clubes futebolísticos do pitoresco arraial. Contavam-se em oitocentas as casas e não existindo ainda a Companhia Viçosense de Força e Luz, da qual o Dr. Emílio viria a ser advogado, o querosene era o combustível empregado em setenta bruxuleantes lampiões belgas que, à noite, tremeluziam em esquinas de nove ruas e cinco praças, como mostra a foto do edifício da praça Silviano Brandão, nº 5, sede da Câmara Municipal, construído durante seu período administrativo.
Data de sua administração, também, a assinatura de um importante convênio, para fornecimento de força e luz para os seus municípes. Um dos mais significativos dias para os viçosenses foi, sem dúvida, o 5 de novembro de 1912. Marcou aquela data a melhoria da qualidade da infra-estrutura dos serviços públicos, porque a Câmara firmou contrato por um período de cinco lustros com a Companhia Mercantil e Industrial "Casa Vivaldi", cuja rescisão contratual viria por força da Resolução Municipal nº 369, de 13/12/1917, no governo do Dr. José Ricardo Rebello Horta, conforme escritura de 10/11/1917, lavrada no Cartório Roquette, no Rio de Janeiro. Desde então, conforme a Resolução Municipal nº 369, a presidência da Câmara contratou com a Companha Fiação e Tecelagem "S. Silvestre' o serviço de fornecimento de força e luz elétrica ao município, concedendo-lhe o privilégio, também, pelo prazo de cinco lustros. O reservatório municipal de água naquele tempo comportava 200 mil litros, conforme registra CAPRI ( Nº ?). Captado na Fazenda da Conceição, descia, por gravidade, o líquido precioso ao Largo de São Francisco (praça Dr. Christóvam Lopes de Carvalho), atravessando o pasto dos Barros (avenida Santa Rita)com destino ao Morro do Cruzeiro (rua Pe. Serafim). Naquele tempo, à "Grande Viçosa" pertenciam os rios Turvo Sujo, Turvo Limpo, Casca, Turvão, Sant'Anna e São Domingos, as cachoeiras Alegre, Escura, Grande do Casca, São Silvestre e Varadouro e também a Lagoa do Herval. Sobre este assunto leia no presente trabalho a postagem intitulada "Força, Luzes e Comunicações"
O Dr. Emílio Jardim veio a falecer em Juiz de Fora (MG), a 9 de outubro de 1948.

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Carlos Vaz de Mello

Nascido em Vila Nova de Lima a 9/8/1842 (Freguesia de Congonhas de Sabará), depois Nova Lima (MG), filho do engenheiro Fernando Vaz de Mello e de Dona Sophia Adelaide de Andrade, o Dr. Carlos Vaz de Mello faleceu a 3/11/1904, em Viçosa, estando sepultado na quadra 2 do Cemitério Dom Viçoso. Juiz Municipal de Órfãos da Comarca de Ubá desde 1866, por 4 anos, Juiz de Direito da Comarca de Rio Turvo (Termo de Viçosa e Ponte Nova), deputado à Assembléia Geral por dois mandatos, conquistados em1881 e 1884, foi membro da Comissão de Estudos do Projeto do Código Civil. Presidente da Câmara Municipal de Viçosa por duas legislaturas, deputado pelo 3º Distrito entre 1894 e 1902 (quando optou pelo Senado e o presidiu de 1899 a 1902), fora o proprietário da Companhia de Fiação e Tecidos São Silvestre e da Fábrica de Tecidos de Santa Maria, em Viçosa.
Com seu prestígio, em 1885, ele conseguiu que chegasse a esta cidade a estrada-de-ferro. Os trilhos e dormentes da ferrovia The Leopoldina Railway se estendiam então a uma primitiva estação, edificada a seis quilômetros do centro da cidade, na localidade rural depois denominada Estação Velha. A facilidade de transporte permitiu aos viçosenses intensificar o seu trabalho, interessar-se por multiplicar a sua produção, na certeza de poder aproveitá-lo no comércio micro-regional e com regiões longínquas, sem as penosas caminhadas primitivas, sem as difíceis escaladas orográficas, sem as peripécias cruentas, mas vencendo a natureza com conforto, com rapidez, com segurança, em busca de melhoria da própria vida e em cooperação com o progresso da zona estadual e da riqueza nacional. Ainda no século XIX, em 1881, a vizinha São Geraldo (antiga Vargem do Presídio) tinha já inaugurada a sua estação. A ferrovia atravessava o Pontilhão do Sapecado em direção ao distrito de São Sebastião dos Coimbras. Em 1885, também com o fito de substituir as velhas tropas e carros de boi no comércio com os centros adiantados, inauguraram-se os trilhos da Estação Ferroviária de Teixeiras, que funcionou, com seus trens mistos, até 1980, na linha Ubá-Ponte Nova. Trecho intermediário de ligação da Estrada de Ferro Leopoldina, era uma junção de linhas diversas, originalmente isoladas, construídas em épocas várias. O trecho Entre Rios-Silveira Lobo foi aberto em 1903 e 1904. O seguinte, até a estação de Guarani, ficou pronto em 1883. Fora construído e também operado pela Companhia União Mineira, até ocorrer a entrega à E. F. Leopoldina, em 1884. O trecho até este ponto e Ligação ficou pronto em 1886. Entre 1879 e 1886 foi entregue o trecho até Ponte Nova. Entre 1912 e 1926, entregou-se a linha até Matipó (Raul Soares) e em 1931 a via férrea chegava, enfim, a Caratinga. Havia um trem diário, de Barão de Mauá, no Rio de Janeiro, até Caratinga (via Petrópolis), desde 1931. Sem trens de passageiros desde a década de 1980, a linha foi desativada em 1994 nos trechos Três Rios-Ligação e Ponte Nova-Caratinga.
Os nativos não poderiam deixar de encarar senão com simpatia essa perspectiva de progresso acelerado.
O vulto dessa obra, que Vaz de Mello então oferecia, era grande demais para aquela época e seria dispensável referirmo-nos aqui ao valor das ferrovias, especialmente naquele tempo, como fator progressista. A áquina vencendo as distâncias, varando os longes tinha ao mesmo tempo a faculdade de aproximar os filhos desta terra, não só nas suas relações de amizade, mas sobretudo no interesse material. Esses trilhos e dormentes foram como o traço de união dos sentimentos e dos interesses de toda uma gente laboriosa.
Fundador e diretor do primeiro jornal aqui surgido, o Cidade Viçosa, a 15 de novembro de 1892, desde o aparecimento deste, nele foram publicadas as leis e demais expedientes municipais, até 1931, sem solução de continuidade, por pelo menos 37 anos, passando depois para o Correio de Viçosa. A partir da década de 1950 toda a legislação municipal passou a ser publicada em jornais diversos da cidade (isto, evidentemente, quando estes existiam!), entre os quais o mais longevo da história, o Folha da Mata (antigo Integração e Folha de Viçosa).
Já no ano seguinte à fundação do Cidade Viçosa, em 1893, publicava-se naquele órgão de imprensa o 1º Código de Posturas Municipais, lei que recebeu o número 3. Dentre seus artigos, destacamos os seguintes:

"27 – É expressamente prohibido verter agua ou fazer outras precisões encostado as portas, paredes ou logar publico de modo que haja ofensa á moralidade publica; multa de 2$000 a 3$000 e duplo nas reincidencias;
32 – São prohibidos os batuques e cateretês em qualquer logar do Município, sob pena de dispersão do ajuntamento e 2$000 de multa a cada pessoa que nelle se achar e 20$000 ao dono da casa.
§ I – Todo o ajuntamento tumultuário, algazarras e vozerias nas ruas e casas, sob pena de dispersão e multa de 2$000 a cada pessoa e 10$000 ao dono da casa; sendo á noute o dobro da multa.
§ II – Cantar em voz alta por ocasião de guardarem cadaveres em casa mortuaria, fazer algazarra que a seriedade do acto não permitta, bem como encommendar-se alma com cantigas altas; multa de 10$000 ao cabeça e 2$000 a cada acompanhante.
36 – É prohibido correr a cavallo pelas ruas sem motivo justificado; multa de 5$000 e 5 dias de prisão.
38 – É prohibido escrever ou sujar paredes e portas com qualquer material; pena de prisão por 5 dias e multa de 10$000.
§ I – Pasquins injuriosos ou de qualquer maneira; multa de 3$000 e 10 dias de prisão.
41 – O carcereiro será obrigado a tocar o sino da cadeia, todas as noutes, ás 9 horas, multa de 5$000 por cada noute que não o fizer.
47 – É prohibido tirar esmolas pelas ruas e estradas sem licença das aucthoridades ou prova do seu estado valetudinario; multa de 5$000 e 5 dias de prisão.
51 – O negociante ou açougueiro que vender ou comprar por pesos que não sejão do systhema metrico afferido pelo padrão da Camara, pagará a multa de 10$000 e o dobro na reincidencia."

Eis aqui também um Edital extraído da edição do Cidade Viçosa, de 10 de junho de 1900:

"José Jacinto Dias de Sant'Anna, procurador da Câmara Municipal desta cidade de Viçosa etc. Faz saber aos que o presente virem ou delle notícia tiverem que foram arrecadadas como bens do evento e acham-se em depósito os seguintes animaes: um burro grande, calçado dos quatro pés, mascarado e de côr de pello de rato, muito velho e tem rotura na virilha, do lado direito; uma besta vermelha pequena de sete a oito anos de idade; um cavalo pampa, grande e muito velho com uma pequena estrela na testa; e um dito baio claro de altura regular, fazendo a última muda e tem uma pequena grossura no pé esquerdo. Convida, portanto, a todas as pessoas que se julgarem com direito aos referidos animaes a virem provál-lo perante o Doutor Agente Executivo, no prazo de sessenta dias, contados desta data, findo os quais se expedirá
edital para serem vendidos em leilão na forma da lei. Procuradoria da Câmara Municipal da Cidade de Viçosa, em 19 de abril de 1900. José Jacinto Dias de Sant'Anna."

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Francisco Machado de Magalhães Filho

O Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, ex-Promotor de Justiça da Comarca de Leopoldina, e foi daquela cidade que se transferiu para Viçosa, nomeado Juiz Municipal do Termo de Santa Rita do Turvo, empossando-se a 24/11/1883. Trinta anos após foi nomeado pelo governador Júlio Bueno Brandão, Juiz de Direito da Comarca de Viçosa, empossado a 1º/3/1913.
Entre 1907 e 1910 exercia ele ainda o cargo de Juiz Municipal em Viçosa. Quando de seu falecimento, já ancião, em Viçosa, a 8/12/1927, substituiu-o como Juiz do Foro de Viçosa o Dr. Raul Cavalcanti. Casado a 30/8/1888 com Dona Gragina Vaz de Mello, a exemplo do ex-presidente da República, Dr. Arthur Bernardes, foi genro do principal chefe político local de então, o senador Carlos Vaz de Mello. Foram filhos do Dr. Francisco Machado: Mário, José, Anna, Antônia, Vicente e Gerardo. Dr. Machado, ou Dr. Chiquinho (assim era conhecido na cidade), tinha raízes familiares também em Ponte Nova e foi um dos militantes do Partido Republicano Mineiro (PRM). Descendia do Barão de Pontal. Nasceu em Furquim de Mariana a 25/2/1855, filho de Francisco Machado de Magalhães e de Dona Antônia Felícia Machado. Iniciou seus estudos em Congonhas do Campo, no colégio do Pe. Machado e foi aluno do Colégio Caraça e do Seminário de Mariana. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na legendária Faculdade do Largo de São Francisco a 10/11/1881 e aqui manteve banca de advocacia juntamente com o sogro.

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João Lopes de Faria Reis

Descendente de uma das famílias pioneiras do município, o fazendeiro João Lopes de Faria Reis foi um dos doadores do terreno para a construção da primeira sede da Câmara e Cadeia, em 1873 (?) condição sine qua non para a emancipação municipal. Exerceu a chefia da administração municipal, ainda no Império (1882-1886?), quando o presidente da Câmara tinha atribuições deliberativas e executivas, como presidente do Conselho de Intendência.
Em seu período administrativo o mandato passara a trienal, desde o dia 7/1/1882. Teria sido deposto, de acordo com informações históricas, que ainda carecem de confirmação documental, que vai sendo pesquisada por este blogger.

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Anélio de Salles

Anélio de Salles, foi prefeito de Viçosa em 1932/33, portanto durante aquele difícil período da Revolução Constitucionalista, no qual Viçosa e região se tornaram em cenário de uma guerra civil. Nasceu a 8/9/1864 em Araponga, filho de Francisco Antonio de Salles e Joaquina Cândida de São José, 19º filho dos 21 do casal. Casou-se a 3/7/1895 com Etelvina Penna Salles, filha de Domingos José Alves Penna e Vicencia Rodrigues Alves Penna, segunda filha dos 10 filhos do casal. Morou algum tempo em Teixeiras e em 1899 mudou-se para Herval (hoje Ervália). O casal teve 12 filhos. A familia do casal era bastante influente na região, com destaque ao sogro do mesmo, Domingos Penna. A esposa Etelvina, ainda menina foi enviada a Portugal para estudar e ao voltar a Araponga se dedicou a criar escola primaria para a população.
Anélio se formou em farmácia exercendo a profissão desde cedo. Em 1934 mudou-se para Belo Horizonte, onde foi Tesoureiro Geral do Estado. Veio a falecer a 1º/9/1954. Além de farmaceutico sempre se dedicou a política na qual se destacou pela honestidade, austeridade e honradez. Em Ervália, até há pouco, uma de suas escolas públicas tinha o seu nome.
Seus familiares chegar a este blogger a seguinte mensagem, lida na Rádio Cultura por ocasião da morte de Anélio, e que nos traz um retrato deste ex-governante municipal:

"A nossa página hoje é de saudade: é a nossa despedida a Anélio de Salles, ontem falecido em Belo Horizonte e sempre ligado à nossa terra, à nossa sensibilidade, à nossa estima, ao nosso respeito e à nossa admiração.
Anélio é para nós um valor de família: é nosso, está preso à nossa casa, ao Herval e ao Guiricema de outros tempos. Desde menino, aprendemos a querer-lhe muito bem. O tempo fez maior essa amizade, estreitou-a para sempre. Daí a intimidade com que o tratávamos. Nesse Anélio ia muito do nosso afeto, do nosso coração. Era assim em nossa casa e na casa do tio João Batista lá no Anta.
Anélio fora moço para o Herval. Era farmacêutico e médico ao mesmo tempo. Receitava, aviava, curava. Viveu atendendo aos que batiam à sua porta. Foi assim a sua vida. Era o homem de todos os lares: nas horas boas e más estava presente, era a palavra amiga, a palavra de confiança, a palavra que trazia alívio e consolo. Homem de inteligência e de coração, Anélio soube influir nos amigos, nos valores da sua terra e influiu sempre no sentido do bem, da paz, da harmonia e do progresso de Herval. Foi esse um dos traços de sua vida. E porque foi homem de bem, para confirmar a regra geral, teve que sofrer a injustiça dos homens.
A política sempre encontrou em Anélio de Salles um colaborador nutrido dos melhores propósitos, das melhores idéias, dos melhores sentimentos. Um homem acima do comum. Superior aos que então detinham as rédeas do poder.
No seu tempo, a política era diferente da que se faz hoje e bem poucos tinham coragem de enfrentá-la, tais as ameaças que pesavam sobre os que se dispunham a combater os erros e os desmandos das tiranias municipais, estaduais e federais. Pior ainda: a conquista eleitoral era uma farsa, uma mentira, e se processava sempre numa atmosfera política carregada de ódios, de vinganças e de perseguições. Espoletas e beleguins constituíam a família numerosa dos que intrigavam e envenenavam o ambiente. A capangagem política desse tempo escreveu os episódios mais tristes da nossa vida municipal. Por isso mesmo o clima em que viveu Anélio de Salles foi o da oposição: viveu resistindo ao poder, sem ceder nem recuar, sempre no mesmo lugar, na mesma posição, na mesma linha de combate.
A Revolução de 30 veio buscá-lo numa hora delicada para ser o prefeito de Viçosa. Deixava Anélio a sua velha tenda de trabalho, a sua casa, o seu piano, a sua flauta, os seus saraus familiares, os amigos, os compadres, o meio, a terra, a paisagem, para servir ao seu município e ao espírito de renovação política com que era saudada a revolução vitoriosa. Aí é que Anélio mais sofreu, para sair maior com a sua consciência e o seu dever cumprido.
Foi esse homem, foi esse amigo, foi esse cidadão que perdemos ontem em Belo Horizonte.
Nesse registro, feito às pressas, hão de faltar muitos aspectos dessa vida, mas o que aqui fica diz que ela foi útil, nobre, digna, e que transcorreu, nos seus melhores anos, ali, no alto da serra, na hoje florescente cidade de Ervália, no meio daquela gente boa e simples, que deve estar sentindo, como nós, a presença de Anélio de Salles na sua vida, no seu passado, na sua história.

Gastão de Almeida"

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José Theotônio Pacheco

Nascido em São José do Barroso (MG), a atual cidade de Paula Cândido, a 3/1/1849 e falecido em Viçosa a 14/4/1915, era advogado formado em São Paulo a 4/11/1974, Juiz de Direito da Comarca do Prata, nomeado chefe policial da Província de Santa Catarina, Promotor de Justiça de Oliveira (1875), Juiz Municipal de Ubá (1876) e depois de Viçosa, Juiz de Paz e deputado federal à Assembléia Federal, O Dr. José Theotônio Pacheco legou a Viçosa extensa folha de serviços, inclusive promulgando o Estatuto da Câmara da Cidade de Viçosa, a Lei Orgânica Municipal daquela época. Subscrito no Paço da Câmara a 21 de dezembro de 1893, por Dr. José Theotonio Pacheco, Pe. Antônio Correia Lima, Dr. Manoel Vieira de Andrade, José Pereirinha de Rezende, Theopisto de Bittencourt Godinho e Mário Vaz de Mello, impresso na Typografia da "Cidade Viçosa", a referida legislação, em seu capítulo II, que trata "DA SEGURANÇA INDIVIDUAL", traz, dentre outros, os seguintes artigos.
"Artigo 92. Toda pessoa que for encontrada embriagada pelas ruas será posta em custodia por 24 horas.
Artigo 93. E' prohibido sob multa de 10$000:
§ 1. Fazer vallos ou quaesquer escavações nas ruas e praças: obrigação de entupill-os quem os fizer alem da multa:
§ 2. Dar espetaculo sem a previa licença.
§ 3. Usar armas offensivas sem licença da autoridade competente; além da multa serão obrigados os infractores a entregar as armas.
Exceptuãm-se as pessoas que as usarem quando forem necessarias ao exercicio de sua profissão.
§ 4. Amarrar animaes em frente ás portas das casas ou nos passeios de modo que impeçam o transito publico.
§ 5. Montar animaes bravos ou amançal-os nas ruas e praças das povoações e correr a cavallo sem necessidade.
§ 6. Ter nas ruas soltos cães, porcos, cabritos e carneiros.
§ 7. Dançar baile, batuque, cateretê ou qualquer outra diversão com algazarra que encommode aos visinho, poderão porém usar taes brinquedos, desde que nelle reinem a ordem e paz, e que paguem ao conselho districtal uma licença de 5$000 por cada vez.
§ 8. Arrebentar pedras dentro das povoações perto das casas sem tomar precauções que evitem damno ás pessoas ou couzas; alem da multa de 10$000 prizão por 8 dias:
§ 10. Andar soltos pelas ruas da cidade e povoações gado, vaccum cavallar, muar, lanigero ou suino, os quaes serão recolhidos ao coural do conselho:
Artigo 94. E' considerado infracção contra a propriedade e punida com a multa de 30$000;
§ 1. Fingir-se inspirado por potenciais sobrenaturaes, attribuindo-se curador de molestias por meio de benzeções e feitiços: alem da multa, 8 dias de prizão.
§ 11. Matar peixe com veneno ou dynamites.
§ 12. Dar commodo ou pousada a ciganos por mais de 24 horas nos districtos do municipio, salvo caso de molestia provada attestado medico."
Na "SECÇÃO PRIMEIRA, CAPÍTULO I" da referida legislação, também está escrito:
... "Artigo 87. Affectarem publicamente sua prostituição as mulheres de vida airada nas ruas ou em casas, pelo trajar, gargalhadas, gestos ou por qualquer modo que offenda o decoro publico. Pena de prisão por um dia e multa de 10$000.
Artigo 88. Defecar ou ourinar em lugar publico: Pena 5$000 de multa.
Artigo 89. E' prohibido sem necessidade e fóra das horas dos dias festivos fazer vozerias, dar gritos, nas ruas ou praças, dar tiros, soltar foguetes á noite. Pena de multa de 10$000.
Artigo 91. Os vagabundos sem domicilio certo, os vadios por habito, que durante 8 Dias depois de intimados pelo fiscal, não tomarem occupação licita de que possão viver, serão multados em 20$000; e quando não tenhão meios para pagar a multa será esta convertida em prizão à rasão de 2$000 por dia."
Quando da inauguração da galeria dos ex-presidentes da Câmara Municipal de Viçosa, a 30 de setembro de 1972, neto do Dr. José Theotônio, o Dr. José Miguel Pacheco relatou em discurso, dentre outros, os seguintes aspectos do perfil caracterológico de seu avô: "Há mais de cinco decênios, faleceu nesta cidade aquele de quem vos falo.
Com tantos anos já decorridos de sua morte, é de presumir-se que já estejam apagadas as brasas das paixões que acendeu e das controvérsias pessoais que provocou, e a que estão sujeitos todos que já exerceram, ou ainda exercem, qualquer parcela de autoridade.
Nenhum homem público, por mais perfeito e justo que seja, está livre desse ônus.
Na presunção de que aquelas paixões ou controvérsias já estavam reduzidas a cinzas, passo a delinear, com palavras singelas, mas repassadas de saudade, os traços mais vigorosos daquele que ora nos toma a atenção.
Ao seleto auditório que me ouve, peço escusas se a voz do coração falar mais alto do que a razão.
De início, devo advertir que não conheci o homenageado, porque tinha apenas quatro anos quando faleceu. Este fato deixa-me bem à vontade para focalizar a sua imagem, moldada no meu espírito – através de informações exauridas dos seus familiares e amigos, bem como dos seus adversários políticos e dos trabalhos forenses e artigos de jornais de sua terra.
É possível, assim, que haja alguma torvação na áurea dessa imagem, que tem crescido com o passar dos anos, e que é tão cara aos membros da família Pacheco.
O homenageado conheceu a luz da vida em 3 de janeiro de 1849, na pitoresca Vila de S. José do Barroso, hoje Paula Cândido.
Embora pobres, seus pais José Miguel Pacheco e Dona Leopoldina Cândida Pacheco, deram-lhe sólida educação religiosa e social.
Cursou humanidades no Seminário de Mariana e no tradicional Colégio de Congonhas.
Foi discípulo dileto do saudoso arcebispo D. Silvério Gomes Pimenta, cujo qüinquenário de sua morte o Brasil inteiro ora comemora, com profundo respeito e admiração. O sábio e santo prelado votava grande amizade ao ex-discípulo e, quando em missão apostólica por estes rincões nunca deixou de o visitar e assistir.
Cursou o Dr. Pacheco a tradicional Faculdade de Direito de São Paulo, tendo ali colado grau de bacharel de ciência jurídica e sociais em 4 de novembro de 1874.
Tão logo diplomado, foi nomeado Juiz Municipal da Comarca de Ubá, sendo, em seguida, removido para o então Termo Judiciário de Viçosa.
Concluindo o quatriênio de sua investidura ao cargo de Juiz, abriu banca de advocacia nesta Comarca.
Em 1885 foi nomeado pelo Imperador Pedro II Chefe de Polícia do Estado de Santa Catarina, mas declinou da nomeação.
Voltando à magistratura, exerceu o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Prata.
Abandonou, depois, a toga de Juiz para abraçar, com amor, a profissão de advogado e para a qual tinha grande vocação, e – aqui reabriu o seu escritório.
Em pleito memorável e aqui realizado, foi eleito, em 1889, deputado da antiga Assembléia Geral, que foi dissolvida com a Proclamação da República.
Exerceu por nove anos de Presidente e Agente Executivo desta Câmara e, por duas vezes, as funções de Juiz de Paz do distrito da cidade.
Impossível seria traçar num discurso, que deve ter proporções bitoladas: a trajetória da vida dinâmica e agitada do homenageado. Mas não deixarei de delinear, embora de modo pálido e incompleto, algumas facetas de sua brilhante personalidade.
Segundo aprendi dos que tiveram a felicidade de gozar de sua convivência, era dotado de qualidades excepcionais, a começar pelo físico.
De estatura elevada e complexão apolínea, era forte e vigoroso.
Contou-me o Dr. João Alfredo da Fonseca, brilhante e saudoso advogado dos auditórios desta Comarca que, quando o Dr. Pacheco exercia o cargo de Juiz do Termo local, foi desrespeitado e desacatado por três jovens soldados da Polícia. Para restabelecer a ordem e resguardar a sua autoridade, ele os prendeu na cadeia, à força de bengaladas e empurrões, e à vista estarrecida dos circunstantes.
Era moreno, esguio, calvo, elegante no trajar, e usava longas barbas, à moda dos profetas.
Dotado de inteligência vibrante e memória prodigiosa, recitava de cor longos trechos do “Paraíso Perdido” de Milton e da “Divina Comédia” de Dante.
Revelou-me o saudoso Milton Campos que passou a infância nesta cidade, pois o seu pai aqui exerceu a judicatura por vários anos, revelou-me o saudoso Milton Campos que, quando criança, o Dr. Pacheco o colocava sobre a mesa de jantar de sua casa, e lhe ensinou a recitar os primeiros versos da obra imortal do grande vate inglês, seu homônimo, e que, muitos anos depois ainda os sabia de cor.
Dominava com grande maestria o vernáculo e conhecia bem o grego. Era exímio latinista e falava e escrevia corretamente o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, conversando, ainda, com os antigos escravos no seu próprio idioma de além mar.
A sua biblioteca era vastíssima e continha muitas obras raras. Guardo, ainda, com especial carinho, na minha estante, algumas destas obras, cheias de anotações por ele feitas, com a sua letra miúda e quase ilegível.
Orador primoroso, eloqüente e jocoso, eletrizava os ouvintes, logrando sempre brilhantes vitórias no Tribunal do Júri desta e das Comarcas vizinhas.
Jornalista brilhante, feria sem ofender e criticava sem molestar.
Como Rui, de quem fora condiscípulo na vetusta Faculdade de Direito de São Paulo, tinha o espírito superior ao do seu tempo.
Comprovam a assertiva as realizações ousadas para a época, que empreendeu nesta terra que adotou como sua.
Como agricultor que era nas horas vagas, aqui formou rebanhos selecionados de gado vacum, nas imensas pastagens de suas fazendas, em terras hoje ocupadas pela Universidade Rural e pela Colônia Vaz de Melo.
Chegou a formar grande rebanho de carneiros de raça pura que, às tardes de verão, eram tangidos pelas ruas bucólicas e tranqüilas da Viçosa Velha, para a alegria da garotada.
Foi o primeiro apicultor racional destes rincões, chegando a criar abelhas pelo sistema mais moderno da época.
No seu casarão da antiga rua das Vassouras, hoje denominada Virgílio Val – disto ainda me lembro e com que saudade – havia instalação completa de gás em todos os aposentos, máquina de lavar roupa movida a mão, gramofone, piano, carruagem de passeio de quatro rodas, forrada de veludo e sêda, além de outros objetos cujo uso ainda não era comum nem nas capitais, naquela época.
Além de todas essas facetas que já servem para definir a sua personalidade, foi caridoso e humanitário, pois a primeira casa de saúde de Viçosa funcionou num barracão de sua propriedade, nos fundos do quintal de sua residência, com a assistência médica de seu compadre e amigo Dr. Loureiro – marido de D. Alice Vaz de Melo, cuja memória reverencio neste momento, por dever de justiça e gratidão" (...)
"Parecia não ter vocação para a política, porque era sincero e leal para com todos, e a política, como já disse um publicista, é 'a arte de enganar'.
Devido as circunstâncias, o homenageado envolveu-se nas malhas da política e, em companhia do Dr. Carlos Vaz de Melo e outros líderes locais, chegou até a ser revoltoso e a depor um Juiz de Direito da Comarca.
Empenhou-se em vários pleitos eleitorais, logrando vitória em quase todos, apesar das atas falsas, da votação dos defuntos e ausentes, das torças dos nomes dos eleitores e dos candidatos, de freqüente usança naqueles tempos.
As derrotas que sofreu não lhe quebrantaram a têmpera de lidador, e jamais se intimidou com os alaridos e bravatas dos vencedores.
A sua fibra espartana somente se arrefeceu quando o gládio lhe foi arrancado das mãos pelo vendaval da hora em que, no melancólico dia 11 de abril de 1915, entregou seu espírito a Deus, que hoje o tem no seio de sua glória." (...)

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Arthur da Silva Bernardes

Conforme assento paroquial assinado por padre Manoel Felippe Neri, antigo Vigário de Viçosa, documento conservado no arquivo do Santuário de Santa Rita de Cássia, a 8/8/1875 nasceu Arthur da Silva Bernardes. Na Freguesia de Santa Rita do Turvo, filho do tenente-coronel Antônio da Silva Bernardes, advogado provisionado e Promotor de Justiça, natural de Castanheira da Pera (Portugal), que viera de São Caetano do Xopotó (atual Cipotânea) e falecera em Viçosa, em 1910, e de Dona Maria Aniceta Bernardes, uma descendente do tronco dos Vieira de Souza, família pioneira do atual município de Rio Casca (MG), antigo Arraial dos Bicudos, falecida em Viçosa em 1919. O pequeno Arthur foi batizado a 7/9 do mesmo ano. No livro de Batismo nº 4-B, página 76, consta que foram padrinhos Antônio José Gomes e Maria Luíza Gomes de Jesus. Quarto filho de uma família de oito irmãos, a infância de Arthur foi marcada pelo trabalho. As melhores fontes dão conta da figura de um menino, conhecido de todos na cidade, “de calças curtas, de tecido riscado”, que entregava o leite todas as manhãs. Aprendeu as primeiras letras em sua terra natal com mestres-escola. A6/11/1887, a fim de estudar Humanidades, matriculou-se, na região de Ouro Preto, no Colégio Caraça. Devido aos poucos recursos financeiros de que dispunha, deixou, em 1889, o legendário educandário dirigido pelos padres Lazaristas. Trabalhou na firma Pena e Graça, do ramo intermediário de compras e exportação de café, estabelecida em Coimbra, distrito de Viçosa, tornando-se depois empregado da Casa Adriano Teles e Cia., um armazém de secos e molhados da cidade de Visconde do Rio Branco, onde, a partir de 1894, foi guarda-livros (contador). Valendo-se de pequenas economias, no mesmo ano, matriculou-se no Externato do Ginásio Mineiro, em Ouro Preto, concluindo exames preparatórios, em 1896, tendo se inscrito, inicialmente, como aluno ouvinte do 1º ano da Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, onde, simpatizante da política do Marechal Floriano Peixoto, incorporou-se ao Batalhão Patriótico Bias Fortes e foi redator do jornal estudantil Academia, órgão criado em comemoração da data da Abolição da Escravatura, além de trabalhar, naquele período, como estafeta dos Correios na então capital mineira.
Antes mesmo de se formar, em 1889, atuou na defesa de um réu no Tribunal do Júri do Fórum de Viçosa, numa sessão na qual seu próprio pai fora quem atuara na acusação. Transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, capital em que se empregou como revisor do jornal Correio Paulista, órgão político partidário, tempo em que também pertenceu, como afirmam alguns historiadores, à Burchschaft, sociedade estudantil. Em São Paulo também foi aprovado em concurso para lecionar Português e Latim no Instituto de Ciências e Letras, servindo tal atividade para o custeio de seus estudos. A 2/12/1900 recebeu o título acadêmico de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e retornou a Viçosa, onde montou banca de advocacia em parceria com seu progenitor. (15/11/1905). Do Indicador de Viçosa constava que eram advogados, naquele tempo, além dele, Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, seu pai Antônio da Silva Bernardes. Dr. José Theotônio Pacheco, Dr. Emílio Jardim de Rezende, o sexto cidadão que governou Viçosa; Francisco José Alves Torres, Joaquim Phellippe Galvão e José Augusto Nicácio. Em 1901 publicou no jornal Cidade de Viçosa um artigo, em duas séries, acerca da revisão constitucional. Foi nomeado promotor de justiça da Comarca de Manhuaçu, entretanto, não quis assumir este cargo. Em 1903, a 15 de julho, casou-se em Viçosa com Da. Clélia Vaz de Mello, falecida em 1971, no Rio de Janeiro, filha do senador e industrial Carlos Vaz de Mello, que fora o grande chefe político de Viçosa no Império e nos primórdios da República. Com ela teve os filhos Clélia (1904), Arthur (1905), Maria da Conceição (1906), Dhalia (1908), Rita (1909), Sylvia (1911), Geraldo (1912) e Maria de Pompéia (1922). No ano seguinte Arthur Bernardes foi designado pelo agente executivo Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, de Viçosa, seu concunhado, para saudar o Dr. Francisco Sales, presidente de Minas, na Estação Ferroviária de The Leopoldina Railway. A 1º/11/1904 foi eleito vereador especial pelo distrito viçosense de Santo Antônio dos Teixeiras, tendo sido edil por pouco tempo: menos de dois anos. A 4/11/1904, por falecimento de seu sogro, substituiu-o no comando político de Viçosa, a 8/11/1904 (?). Juntamente com ele foram eleitos vereadores e juízes de paz os seguintes cidadãos: Cidade – Major Antônio Manoel de Freitas; Coimbra – capitão Arnaldo Dias de Andrade; São Miguel do Anta – José João Carneiro; Herval – Francisco Assis Bello; Araponga – João Jacovini; e São Vicente do Grama – João Ferreira da Silva. E vereadores gerais o Dr. José Theotônio Pacheco, o Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho e o capitão Augusto José Nicácio, além dos juízes de paz da cidade, Joventino Octavio de Alencar e Pacífico Pires da Costa. Em janeiro de 1905 tornou-se diretor do jornal Cidade de Viçosa, órgão do Partido Republicano, onde se impôs “pela elevação de suas idéias”. Conforme LIMA ( nº? ), foi o seguinte o seu comportamento ao assumir a chefia da redação: “Doutrinando sem paixão, fazia ele o jornal de interior, vazado em linguagem elevada e veemente. ‘A Cidade de Viçosa’ dos anos de 1905 a 1910 era um jornal tolerante, que publicava até os nomes dos adversários de seu redator-chefe. O mesmo autor transcreveu o seu primeiro editorial, exarado, entre outros, nos termos seguintes: “Não desconhecendo os salutares ou perniciosos efeitos que uma imprensa é capaz de exercer sobre os costumes e os destinos de um povo, e consagrando amor profundo a essa terra, onde nascemos e onde nos sorriram os primeiros devaneios da juventude, cujo futuro, cujo progresso, não nos podem ser, por isso mesmo, indiferentes, sentimos não nos ser dado recusar nosso recurso para publicação de uma folha como esta, que durante doze anos só procurou nobilitar e engrandecer a Pátria, o Estado e esse Município. Há de ela, pois, continuar a ser o mesmo jornal sensato e criterioso de até aqui. As suas colunas continuarão franqueadas e sempre abertas a todas as causas nobres e justas que serão por nós esposadas e também defendidas com ardor e zelo. Nem a liberdade, nem o direito, de quem quer que seja, serão aqui sufocados pelo rancor de paixões inconfessáveis e más, as quais, deturpando as mais das vezes a verdade, só servem para desvirtuar o papel e contrariar os fins de uma imprensa patriótica, honesta e séria”.
A 9/6 do mesmo ano, indicado para presidir a Câmara Municipal de Viçosa, declinou do cargo, para aceitar entretanto sua eleição à vice-presidência. Em 1906 foi eleito presidente da Câmara, assumindo também os encargos de agente executivo, tornando-se, destarte, o quinto homem a governar Viçosa. Em 1907 foi eleito deputado estadual pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), e a 17/6, escolhido 1º secretário da Mesa da Câmara Estadual, reeleito no ano seguinte. Entre 1909 e 1910 foi deputado federal. E de 1910 a 1914, secretário estadual de Finanças, revelando-se um autêntico municipalista. De sua autoria foi a lei nº 546, de 27/9/1910, que proporcionou ao Estado fazer empréstimos aos municípios para obras de saneamento “e outras de manifesta necessidade”. Sua política era baseada na preocupação com os municípios desde o início de sua carreira política. Ele costumava pleitear verbas bastante generosas para a Zona da Mata e Sul de Minas, concedendo-lhes empréstimos a longo prazo. Suas votações para os diversos cargos que disputou eram muito grandes nesses municípios. Quando foi secretário estadual de Finanças, “auxiliou imensamente os municípios através de empréstimos. Foi a Lei nº 546, de 27 de setembro de 1910, que facultou ao Estado fazer empréstimos aos municípios para obras de saneamento e outras de manifesta necessidade.[...] Essa lei foi a mais sábia combinação legislativa posta ao serviço do progresso municipal em nosso Estado. Graças a ela uma súbita transformação operou-se na vida dos municípios, despertados ao seu influxo para vários melhoramentos, aos quais consagram energias novas e criadoras que vão fazendo o desenvolvimento do interior”, diz uma publicação do Senado Federal. Como deputado estadual ele fez pelo menos onze discursos que tinham como tema a Agricultura, entre os anos de 1907 e 1910. Em 1913 a imprensa registrava os seguintes melhoramentos em Viçosa: variante da Estrada de Ferro Leopoldina, instalação de força e luz elétrica, esplêndido e copioso abastecimento de água potável, rede de esgotos, passeios cimentados em todas as ruas e praças, grupo escolar em vasto e majestoso edifício, jardim público, Colônia Agrícola no distrito da cidade, hospital em prédio próprio, a fundação do Gimnasio em prédio remodelado para tal fim, além da ligação de duas partes da cidade por aterro e nivelamento de uma rua.
O que agora é o velho galpão da antiga Rede Ferroviária Federal e depois da Ferrovia Centro-Atlântica, na praça Marechal Deodoro, foi um dia o grande marco do progresso regional, graças à eficiente e prestigiosa ação da Política Bernardista. Em 1914 concluía-se uma variante da via férrea entre as estações de Cajuri e Teixeiras, atravessando a sede do município de Viçosa, uma extensão de 18 quilômetros. Os trilhos e dormentes da ferrovia The Leopoldina Railway haviam chegado a Viçosa em 1885, numa realização do senador Carlos Vaz de Mello. A primitiva estação fora edificada a seis quilômetros do centro da cidade, na localidade rural depois denominada Estação Velha. Os nativos não poderiam deixar de encarar senão com simpatia essa perspectiva deprogresso acelerado. Inclusive o prestigioso político de tendências monarquistas que fora seu ferrenho adversário em Viçosa desde que Bernardes se elegera à presidência da Câmara Municipal. Dr. José Theotônio Pacheco, que havia sido agente executivo de Viçosa por 9 anos, e que fez toda a questão de comparecer à festividade inaugural. Logo em seguida se retirou definitivamente da vida pública, encerrando uma oposição iniciada havia dez anos. Foi, para todos, uma melhoria de grande alcance, a cuja chegada uma multidão testemunhou a 31 de agosto de 1914. Da estação do atual centro da cidade partia uma linha férrea. Não é difícil imaginar que foi uma enorme felicidade assistir a realização dessa distenção ferroviária, o alongamento de uma estrada já existente, e que colaborou, estimulando o empreendimento não só agrícola, mas ainda o industrial e o comercial. A estrada de ferro, a cuja inauguração os filhos de Viçosa assistiram na administração de Dr. Arthur, com perspectivas de futuro oferecidas a seu amado torrão, foi digna, portanto, da mais sincera e unânime acolhida e do louvor de entusiasmo popular. O instante da chegada do trem de ferro à cidade foi um motivo demasiado significativo e impossível foi alguém silenciar, deixando de manifestar os parabéns ao principal propulsor de tão faustosa obra pública.
Entre 1915 e 1917, Bernardes foi deputado federal e em 1918 foi eleito presidente de Minas, quando viajou muito nesta estrada de ferro, sendo sempre recebido com calorosas manifestações, foguetes, ramalhetes de hortências, discursos e retretas musicais não só em sua terra natal mas nos diversos lugares em que desembarcava. “Asseguram testemunhos da época, que Bernardes fazia toda a viagem de trem, de Belo Horizonte ao Rio e vice versa, sentado na sua poltrona sem se mexer. Muito bem composto, de colarinho duro e ‘pince-nez’, nem sequer ajeitava o casaco. Somente os solavancos do trem abalavam, de quando em quando, a sua postura petrificada, fiel à forma modelada nos tempos do Caraça. Os adversários de Bernardes costumavam dizer que a sua vitória foi o triunfo do paletó abotoado” (Revista Manchete de 2/4/1955). Uma dessas viagens especiais foi a de 28 e agosto de 1926, já como presidente do Brasil, e o jornal Cidade de Viçosa assim noticiou a chegada de um comboio a Viçosa: “Às 8 horas chegou à Escola o primeiro trem especial, conduzindo parte das comitivas presidenciais, do qual desembarcaram o senhor deputado Celso Machado, comandante Dodsworth Martins, ministro Camilo Soares, Dr. José de Almeida Campos, jornalistas da Gazeta de Notícias, Jornal do Comércio, A Manhã, Agência Americana, O Brasil e Vida Doméstica”. Cidade de Viçosa também descreveu a chegada do comboio presidencial: “Deu entrada este na Escola às 9 horas da manhã indo estacionar em frente ao Edifício Principal. Feito o desembarque dos senhores presidente do Estado e da República, ministro da Viação, secretário da Agricultura e suas comitivas, ao som do Hino Nacional executado pela Banda da Escola
e fanfarra da Cavalaria da Brigada Policial do Rio que aqui chegara às vésperas. Compunham as comitivas as seguintes pessoas: excelentíssima senhora D. Clélia Bernardes digna esposa do senhor presidente da República e suas gentilíssimas filhas Rita e Conceição Bernardes; esposa do excelentíssimo senhor Ministro da Viação; deputados Francisco Valadares, Fidelis Reis e Oscar Loureiro; Dr. Noraldino Lima, general Antenor de Santa Cruz, chefe da Casa Militar do senhor presidente da República; Dr. Washington Vaz de Mello e senhora; Cel. Vieira Christo. José Vaz de Mello, Dr. José de Mello Machado, José Machado Filho; José Domingues Machado e Dr. Góis, da Casa Civil da Presidência da República. Após a missa campal, celebrada pelo Revmo. Pe. Álvaro Corrêa Borges, procedeu-se à bênção do Edifício Principal. A seguir teve lugar o ato oficial da Inauguração da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav). Duodécimo brasileiro a ocupar a Presidência da República dos Estados Unidos do Brasil, antes de atingir a suprema magistratura da nação, sofrera no período eleitoral intensa campanha caluniosa e difamatória. Entraram então em cena os forjadores das famigeradas cartas, depois desmentidas em acurado exame grafotécnico, que atribuíam a Bernardes, em plena disputa presidencial, declarações insultuosas, “de próprio punho”, a oficiais do Exército, que provocaram violentas reações contrárias à sua eleição. De acordo com nota do Jornal do Brasil de 24/3/1955: “sua campanha presidencial foi processada num clima de irreprimível agitação, pelo episódio das ‘cartas falsas’, que prosseguiu durante todo o período do seu governo [...] Sua firmeza de chefe de Estado, servido por invulgar inflexibilidade de caráter e notável coragem cívica, fê-lo resistir a todas as conjunturas políticas do momento e dominar as crises militares”. Quanto a isso, Gustavo Capanema disse ter conhecido bem Arthur Bernardes “em horas de grave perigo”, realçando que “ele era, em tais momentos, homem corajoso, impávido, renhido. Não conheci, sob esse aspecto, ninguém maior do que ele”. E como lembrou sua dileta filha caçula, Profa. Maria de Pompéia da Silva Bernardes Flous, ele “não conhecia o medo, mesmo nas horas mais difíceis de sua trajetória política. Rememoro três momentos de grande significado histórico: Não abandonou o Catete, nem mesmo quando revoltosos para lá se dirigiam a fim de bombardear o Palácio”. As palavras seguintes, a ele atribuídas, revelam o perfil administrativo de quem foi denominado Representante da Autoridade Absoluta: “Quando se me apresenta um assunto, começo a estudá-lo, só e a fundo, ajudado pela minha experiência; depois reúno meus amigos, especialmente os de maior preparo na matéria; ouço as suas opiniões, analiso-as, observo ou aceito e, por fim, adoto a resolução que mais diretamente contribua para realizar o que aquele assunto exige do Governo. Tomada, assim, depois de longos e minuciosos estudos, uma resolução, levo-a à prática sem atender, na maior parte das vezes, nem o artigo do jornal da oposição, nem ao discurso do deputado adversário da minha política, porque sei que nem o jornalista, nem o orador se deram ao trabalho de estudar, tão seriamente como eu e meus amigos, o assunto de que se trata. Esta é uma das razões da inflexibilidade das minhas resoluções de Governo”. Interveio em 2 estados da federação (Rio de Janeiro e Amazonas) e apoiou a reconstituição política da Bahia. De acordo com a revista Veja de 12/6/2002, foi ele o primeiro presidente a construir uma prisão especial para adversários políticos, a Clevelândia, na região Norte do país, que chegou a abrigar, conforme registros históricos, 1.200 presos políticos em seu quadriênio, quando houve a maior marcha guerrilheira da história humana em termos de quilômetros percorridos: 25.000. Foi a Coluna Prestes (movimento tenentista) com 1.500 rebeldes, inclusive mulheres. "Na rebelião de São Paulo de 1924, manda bombardear a cidade, onde, em 15 dias, 1.800 prédios são destruídos ou danificados, 11 mil casas destruídas e são feitos 503 mortos e cerca de 10 mil presos", relata em artigo o historiador viçosense Simão Cirineu Ladeira.
A tranqüilidade dos lares, as classes produtivas e trabalhadoras, a rigorosa economia administrativa e a emancipação econômica do Brasil, a severa fiscalização na arrecadação das rendas, o equilíbrio orçamentário, o regime penitenciário, a siderurgia, a produção nacional, o fomento à cultura do algodão e do carvão, obras contra as secas, o ensino técnico profissionalizante, a qualidade do transporte coletivo, o prestígio do poder público, a defesa da propriedade industrial, a carestia dos meios de subsistência, a educação da mocidade, a descentralização administrativa dos municípios foram algumas de suas maiores preocupações. De Viçosa manifestou sua preocupação inclusive com a beleza das flores de seus jardins públicos. Criou o Conselho Superior de Indústria e Comércio, o Conselho Nacional do Trabalho e as caixas de aposentadoria dos ferroviários, dando início ao Trabalhismo. Em seu governo houve a revisão constitucional que regulamentou a intervenção federal e permitiu uma melhor definição de atribuições dos três poderes da República, assegurando-lhes “perfeita harmonia de ação” e dando-lhes “o devido traçado do raio de independência”, na avaliação do próprio presidente. Tendo sido para Viçosa um administrador “metódico, progressista e financeiro”, o foi também para todo o Brasil, mantendo forte a moeda nacional, o equilíbrio orçamentário, das taxas de câmbio e a severa fiscalização da arrecadação das rendas. “Recebeu o país em angustiante situação econômica com déficit's orçamentários assustadores, dívidas externas onerosas, mas não permitiu que o país engolfasse no abismo. Providências tomadas com presteza equilibraram as finanças nacionais... Não admitia nunca medidas paliativas que adiavam dificuldades, mas que não resolveriam os problemas crônicos da nação”, de acordo com avaliação do cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho.
Em diversas épocas, muitos homens públicos, entre os quais Raul Soares de Moura, se preocuparam com o empirismo e a imprevidência das práticas agrícolas em Minas Gerais, particularmente com a miséria da população rurícola. Mas foi Arthur da Silva Bernardes quem lançou as bases para a solução do problema agrário. Para ministrar ensino teórico e prático e experimentais, para o progresso da ciência, ele determinou que se criasse a Esav. Referindo-se à finalidade desta escola, disse o presidente Bernardes: “A agricultura tem necessidade de técnicos e peritos. À exploração da terra tem que ser dada, cada vez mais uma orientação científica. Aperfeiçoando-se os métodos de cultura, o Brasil, antes de tudo, tem de ser um grande país agrícola. Sem dúvida, temos que cuidar das indústrias manufatureiras em que tão grandes capitais estão empregados, tamanho interesse criaram à sombra das leis, devendo-se a tais indústrias a proteção necessária à sua conservação e crescimento sem sacrifícios. O grande interesse do Brasil está ainda na agricultura, está no aumento da produção, está na solução de todas as nossas dificuldades financeiras. O problema da produção está intimamente ligado à mão-de-obra. É preciso portanto fixar o interesse do trabalhador, tornar o meio mais agradável e próprio à vida, arrancando ao trabalhador a sedução da cidade; dar-lhe assistência e proteção; associar o trabalho ao capital, criando a harmonia e solidariedade dos interesses”. Data de seu governo a criação da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e a semeadura da Esav, que se agigantou, floresceu e frutifica na pujante Universidade Federal de Viçosa, cidade detentora de alto índice cultural em seu estado. “Estadista de larga visão, compreendeu que se tornava indispensável e urgente que se modificassem métodos e práticas ultrapassados, no trato da terra e dos animais, em benefício da riqueza de Minas e dos mineiros. Homem de cultura polimorfa, sabia que só o conhecimento científico e o aprendizado sistemático poderiam alcançar os objetivos de uma agropecuária eficiente, racional e rentável”, destaca o escritor viçosense Prof. Tarcísio Gomide. Bernardes viu satisfeito a realização de sua antevisão, o funcionamento pleno da instituição. E resolveu elaborar de próprio punho uma missiva exarada em caracteres filigranados, e em bom vernáculo, manifestando regozijo com a obra que ele concebeu. A jubilosa correspondência está ainda a ressoar no espaço e no tempo. A festejar a Escola de Viçosa, são suas essas graves palavras: “Impressionado, na Presidência do Estado de Minas, com o fato de já contar o Brasil um século de vida política independente sem cuidar seriamente do ensino profissional, em que deve alicerçar sua futura grandeza industrial, criei-a com o alto objetivo de abolir o empirismo agrícola, a que tantos mineiros consagram suas energias, no amanho diuturno da terra como na criação e pastoreio dos seus rebanhos. Tendo me cabido a fortuna de criá-la como Presidente de Minas e tendo tido a satisfação de assistir, como Presidente da República, à sua inauguração oficial, regozijo-me ao vê-la, hoje, em pleno funcionamento e já despertando novos estímulos nas gerações moças, empenhadas, agora, numa atividade racional e científica, que há de conduzi-la a maior e mais fácil prosperidade. É o alvorecer de uma nova era que se abre nos destinos econômicos do Estado e do País, já se podendo antever uma larga messe e uma próxima e pujante colheita. Satisfeitos e contentes devem sentir-se quantos colaboraram nesta iniciativa, sobretudo os governantes que me sucederam, com os quais me congratulo ainda uma vez”. Como bem realçou o sociólogo Edgard Vasconcellos Barros, antigo docente da Uremg, “aí está hoje a obra de Arthur Bernardes, desdobrando-se em Universidade, crescendo à medida que passam os anos, nos quais se agigantará o seu vulto, projetando, para o futuro, o seu ‘pensamento reformista’”. Quando deixou a presidência, foram suas últimas palavras esta belíssima oração: “Rendemos graças ao Criador por ter nos dado a necessária fortaleza de ânimo no cumprimento do nosso dever para com a pátria. Dela, podemos dizer, como Cícero, que nos foi muito mais cara do que a própria vida”... “Quanto em nós se continha de amor à Pátria e à República, de energia moral e resistência física, demos, sem reservas, ao serviço da Nação”.
Entre 1927 e 1930, foi senador, cargo que ocupava quando participou ativamente da Revolução de 3 de outubro, apoiando a Aliança Liberal, ajudando a instalar o governo provisório. Insatisfeito com a dissolução do PSN, ao qual então se filiara, e como se procrastinava o advento da Constituinte, a 8/8/1932 lançou, por escrito, um Manifesto à Nação, no qual lamentou o “espetáculo doloroso da guerra civil” em São Paulo, aderindo à Revolução Constitucionalista, decepcionado com os “resultados negativos” do período discricionário de Vargas. Bernardes, do alto do varandim de sua residência, na praça Silviano Brandão, 69, manifestou-se solenemente convocando os viçosenses, que aderiram, incondicionalmente, ao movimento, pegando em armas, integrando batalhões de forças voluntárias nos diversos distritos. Dois de seus correligionários presentes ali no instante do discurso, relataram-me detalhes do pronunciamento de Bernardes e os graves episódios que se seguiram a este fato na micro-região de Viçosa. São eles José Simião da Cunha, ex-delegado regional de capturas e juiz de paz da Comarca de Viçosa e o economiário João Maffia Filho. Ambos estiveram entre os bravos cidadãos que, ainda jovens, participaram ativamente, respectivamente em Porto Seguro e no distrito de Cajuri, do levante que Bernardes liderou, uma tentativa armada, e malograda, de deposição do interventor mineiro Olegário Maciel. Com o fracasso do movimento, pela precipitação de voluntários do Integralismo, que também aderiram ao levante, tropas policiais revistaram casas em Viçosa a procura de armas. A exposição das idéias do estadista motivou alguns atentados contra a vida dele e a sua conseqüente prisão, pela Força Pública, na Fazenda da Luíza, próximo do limite de Guaraciaba com Viçosa. A cavalo, andando de uma fazenda a outra, inclusive em Calambau, Bernardes acabou sendo preso na fazenda do casal Cornélio de Paula Lanna e Cândida de Paula Miranda, pais do professor Oswaldo Lanna, que relatou-me ter fortes lembranças do episódio. Disse-me ele recordar-se do dia de sua infância em que viu o vulto do presidente se ocultar sob um alcapão, na fazenda de seu progenitor. De acordo com TAFURI, “as famílias viçosenses sempre estiveram muito envolvidas emocionalmente nos fatos ocorridos em 1930, 32 e 37, seguindo seu líder Bernardes [...] O apoio da comunidade viçosense não faltou, também, a Bernardes, nos episódios que marcaram o golpe getulista, com a conseqüente instalação do Estado Novo, em 1937. Nessa ocasião, as famílias viçosenses, em quase sua totalidade, viram seus chefes e parentes saírem presos, entre os soldados, lotando a cadeia local. O grande crime: ser Bernardista”.
Exilado em Portugal, foi anistiado a 28/5/1934, tendo sido recepcionado em Viçosa no dia 3 de novembro do mesmo ano. Subscrito por Dr. Cyro Bolivar de Araújo Moreira, Dr. João Braz da Costa Val, Benjamim da Silva Araújo, José da Silva Araújo Júnior, Dr. Raymundo Torres, Dr. Juarez de Souza Carmo, Verano Lopes de Faria Franco, Daniel Lourenço Baêta, José Jannotti Primo e Alino Corrêa Borges, um panfleto circulou na cidade desde 1º de novembro, com os seguintes dizeres, anunciando uma programação festiva: "Dr. Arthur Bernardes - Após dois annos de exilio chegará a Viçosa, no dia 3 do corrente, o grande viçosense Exmo. Sr. Dr. ARTHUR BERNARDES. Os amigos e conterraneos do eminente chefe, a quem Viçosa tudo deve, rejubilando-se com o auspiciosos acontecimento vão promover significativas festas, cujo programma é o seguinte: Dia 3 - Ás 4 horas da manhã - Alvorada com musica e fogos. Às 12 horas -Partida de um trem especial conduzindo amigos do homenageado a Ponte Nova, os quaes deverão acompanhar S. Excia. até esta cidade. De passagem por Teixeiras, receberá o Exmo. Sr. Dr. Arthur Bernardes os cumprimentos e votos de boas vindas de amigos e correligionários ali residentes. Em Silvestre, o eminente brasileiro será aguardado por uma commissão de viçosenses, que se juntará à comitiva. A partida do especial da estação de Silvestre será anunciada por foguetes, que serão soltos nos altos dos morros que circundam a cidade. Às 12 horas da tarde - Chegada do trem especial à estação de Viçosa, onde estarão commissões de senhoras, senhorita e cavalheiros de nossa sociedade, que receberão o ilustre viçosense e sua Exma. Família. Falará, no momento do seu desembarque, em nome do município de Viçosa, o Sr. Dr. João Braz da Costa Val. Em seguida seguirá para sua residencia, acompanhado pelo povo e ahi será a Exma. Sra. Da. Clelia Vaz de Mello Bernardes saudada pela senhorinha Anna Lopes de Castro, que falará em nome da mulher viçosense. Dia 4 - Ás 9 horas da manhã - Missa em acção de graças pelo feliz regresso do homenageado e de sua Exma. Família. Durante o resto do dia, as diversas bandas musicaes presentes tocarão, alternadamente, na praça Silviano Brandão. Às 9 horas da noite - Recepção nos salões do Viçosa Club. o Exmo. Sr. Dr. Arthur Bernardes será, ahi, saudado, em nome do Club, pelo Revdmo. Sr. Padre Álvaro Corrêa Borges. Diversos bailes serão organizados nos dias 3 e 4. Tomarão parte nos festejos as bandas de musica da cidade e dos districtos de Teixeiras, S. Miguel, Araponga, Calambau, Amparo do Serra e Conceição do Turvo."
Em 1935 Bernardes foi o deputado federal mais votado, com 38.025 votos, e quando da adoção do Estado Novo, em 1937, ligou-se à União Democrática Brasileira (UDB). Neste período da Ditadura Vargas foi obrigado a confinamento (prisão domiciliar) na Fazenda Santa Helena, de sua família, quando sua locomoção se limitava a pequenas viagens entre sua terra e o Rio de Janeiro. Os viçosenses mais antigos que viveram até a metade da década de 50 do século passado, aqui estiveram, de braços abertos, com flores, foguetes, vivas e bandas de música, para recebê-lo diversas vezes. Os moradores de Viçosa - assim dizem os mais velhos - aqui estiveram com o coração agradecido para testemunhar a sua solidariedade a Arthur Bernardes, e apresentar boas vindas ao ilustre comunícipe visitante. Seus regressos à sua cidade querida foram como que vida nova enxertada nos viçosenses, especialmente seus partidários do PRM. Dizem os mais antigos que a proximidade dele trazia uma alegria muito grande, quase infinita, aos corações dos viçosenses, que lhe estendiam as mãos num gesto amigo, para lhe dizer: “Sêde benvindo!” A 24/10/1943 Bernardes assinou, em favor da redemocratização, o Manifesto dos Mineiros, como registra a História do Brasil. Em 1945, no novo Partido Republicano, e ao lado da União Democrática Nacional (UDN), apoiou um ex-aluno da Escola Militar de Realengo, criador do Correio Aéreo Militar, major-brigadeiro Eduardo Gomes (1896-1981), como candidato à presidência do Brasil, então derrotado. Em 1946, Bernardes foi eleito deputado federal constituinte, o menos votado de Minas Gerais. A 23/3/1955, quando morreu, exercia mais um mandato de deputado no parlamento brasileiro. Da biografia deste paladino do nacionalismo genuíno, opositor ferrenho da dilapidação, pelos estrangeiros, da hematita brasileira e dos três milhões e meio de quilômetros da Bacia Amazônica, consta que presidiu o Centro de Estudo e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (Cepden), sempre como um fiel cumpridor da advertência filosófica segundo a qual “o exercício dos direitos políticos deve sempre ter em mira não o interesse e o bem-estar de qualquer classe ou de um partido, mas um interesse e um bem-estar geral do Estado”. Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, por ele apoiado na campanha presidencial de 1955, definiu-o: “Bernardes jamais foi um homem de atitudes repentinas, de posições graciosas e nele a preocupação nacional pairou sobre todas as outras”. E referindo-Se a mensagem de Bernardes ao Congresso Nacional em 1925, o mesmo JK disse o seguinte: “A mudança da capital federal para o planalto central é uma de suas preocupações, e não fossem as agitações que lhe perturbaram o quatriênio, quero crer que a esse objeto teria dado mais ênfase”.
Um de seus biógrafos, Paulo Amora, assim o retratou: “Alto, esguio, de nariz aquilino, testa larga. Olhos castanhos, pequenos e irrequietos lhe boiavam no rosto comprido. Fixavam-se no interlocutor, ora em lances rápidos, ora com reflexos de doçura, como a lhe espelharem as reações da alma. Na mocidade, bigodes à Guilherme Hohenzollern. Apenas sorria, não ria. Vestia-se com esmero e certo requinte de elegância. Porte ereto, atitude impecável em qualquer circunstância. Apesar da austeridade do seu físico, era ele afável e ameno, acessível e cortês. A sua prosa era agradável, porém, severa, a dicção perfeita, escandindo bem as palavras, a voz cheia. Educado e cavalheiro, deixava sempre à vontade os que o procuravam, pois herdara a arte rara de saber ouvir”. Em derradeiro manuscrito que se tornou o seu epitáfio, dirigindo-se a amigos, correligionários e “brasileiros de boa vontade”, o grande patriota que foi Arthur da Silva Bernardes, em palavras de fé e esperança, afirmou que a sua preocupação de todos os momentos foi a grandeza e a felicidade do Brasil. Ele pôde dizer, às vésperas de completar 80 anos, ter sido o seu viver “mais para a Pátria”.

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José Ricardo Rebello Horta

De outro administrador, Dr. José Ricardo Rebello Horta, chegaram aos nossos dias as informações de que ele, antes de administrar Viçosa, fora aqui Juiz Municipal e Promotor de Justiça em Campo Belo, São José do Paraíso e Viçosa, nesta última cidade desde 27/2/1908 até o ano de 1912 (não conseguimos apurar com exatidão a data).
Eleito presidente da Câmara para o período 1912-1915, foi reeleito de 1916 a31/12/1918. Dr. Horta, falecido a 5/6/1948 e sepultado em Viçosa, era casado com Dona Maria Noemi de Andrade Horta, nascida a 15/3/1885 e falecida também em Viçosa, a 23/12/1973. Bacharelou-se o Dr. Horta em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Minas Gerais a 2/12/1906. Nascera em São Domingos do Prata (MG) a 21/4/1879. Foi também parlamentar à Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
Desenvolvia-se em Viçosa, e bem, à época do governo de Dr. Horta, um outro tipo de ndústria, que não a do ensino. Aqui predominava o beneficiamento pastoril. Havia a Companhia de Tecidos e Fiação S. Silvestre, em Silvestre, esta de propriedade do Dr. José Felipe de Freitas Castro, que passou a ter o seu regulamento de fornecimento de energia elétrica para a população viçosense desde 15 de abril de 1918(conforme a Resolução Municipal nº 373, de 23/9/1918, arquivada na Câmara Municipal e folhas 46 e seguinte 1 a 3v. do livro de notas nºs 62 e 63, que versa sobre o contrato por escritura pública lavrada no Cartório do 2ª Ofício da Comarca de Viçosa) e a Fábrica de Tecidos de Santa Maria, na Rua Municipal ou antiga Rua das Vassouras (na atualidade, a rua Virgílio Val), ambas de efêmera existência.
O verdadeiro progresso viria com a extensão da via férrea até o atual centro da cidade, em 1914, obra de Arthur Bernardes, que desfizera, com isto, uma decisão de Cesário Alvim, que impusera, ainda no regime imperial, a passagem da via-férrea pelo trecho que originou a conhecida Estação Velha, bem longe do atual centro urbano de Viçosa.
No Artigo 3º da Resolução nº 345 de 17/1/1914, o Dr. Horta determinou o seguinte:
"É o presidente da Câmara auctorisado a promover a abertura, nesta Cidade, de uma avenida, que se denominará 'Bueno Brandão', ao longo da via férrea em construcção, entre a praça Emílio Jardim e a rua de Santa Rita, celebrando para este fim os accordos necessarios e determinando o respectivo alinhamento.
Os prédios que se construirem na referida avenida deverão ter as fachadas encimadas por platibandas, não podendo ter menos de dezoito palmos de pé direito, nos termos da resolução nº 319 de 4 de junho de 1912." As obras de abertura da avenida Bueno Brandão tiveram início na gestão de seu sucessor, Dr. Antônio Gomes Barbosa.
Data da administração de Dr. Horta também a Resolução nº 346. De 17 de janeiro de 1914, esta dispõe sobre o contrato para o funcionamento do Gymnasio de Viçosa (anexo a Escola Normal), criado em 1913, e que recebeu já naquele ano uma subvenção de 2:000$000. Em seu artigo 1º a resolução reza o seguinte:
"Fica approvado o contracto celebrado pelo Presidente da Camara com o Sr. professor Alipio Peres, director do Gymnasio Santa Cruz de Juiz de Fóra, para o estabelecimento e funccionamento do Gymnasio de Viçosa, nesta cidade."
O primeiro Grupo Escolar (atual Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes) também surgiu em sua gestão à frente dos destinos administrativos de Viçosa, em 1916. Existia, no tempo do Dr. Horta, na área cultural, a excelente Biblioteca da Sociedade Recreativa 3 de Junho, a Orquestra de Laureano Gouvêa e a Lira dos Paladinos do maestro Randolpho Sant'Anna.
O primeiro coreto e o ajardinamento primitivo do Largo da Matriz (atual praça Silviano Brandão) também vieram em sua segunda gestão, em fevereiro de 1915. Com seu artístico zimbório, inesquecível aos viçosenses saudosistas, era o coreto o coração da cidade e a melhor expressão perenizada da cultura popular no Largo da Matriz. Construído por Domingos Rigotto e sempre povoado de melodias e pelo passaredo, num dia triste foi substituído por um caramanchão. O mítico coreto reinara entre canteiros bem ajardinados e dois piscosos tanques. Fôra o centro gravitacional para o qual convergia toda uma mocidade de chapéu, que, sobre arenosas passarelas, ali caminhava, plácida, para o namoro, e também uma infância feliz que, nas manhãs domingueiras do ontem, ali se habituou a contemplar, silente, o nadar, em límpidas águas, de policromáticos peixinhos. Tal como o conhece a geração presente, pelo olhar imortal de um esmerilado fotógrafo, Nicolau Caríssimo, o tão festejado monumento de magnífico domo, de estilo francês, tem sido, em epicédios, inutilmente recordado. Era ele belo tanto ou mais que o de Rio Pomba, figura central e incólume da praça Dr. Último de Carvalho.
O clássico espaço musical que dominou a praça viçosense foi a jóia rara lançada fora. Com seu ocaso se tornou o doce objeto da nostalgia do tempo dos tranqüilos crepúsculos, enfim, a dorida lembrança em branco e preto, ensombrado por ramalhosas velhas árvores da antiga praça. "Não podemos continuar vendo nossas obras desaparecerem apenas pelo fato de que foram edificadas por outrem. O que um Prefeito constrói passa a ser patrimônio de todos e é necessário que outros prefeitos preservem o que o povo construiu",escreveu, certa feita, sobre casos como este, o professor Edson Potsch Magalhães.

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Antonelli de Carvalho Bhering

O viçosense Antonelli de Carvalho Bhering, nascido a 5 de agosto de 1882, era filho de Antônio de Carvalho Bhering e de Dona Maria Cândida Galvão Bhering. Coletor estadual, a exemplo de nosso primeiro governante, Manoel Bernardes de Souza Silvino, Antonelli foi abastado fazendeiro e comerciante de café por mais de oito lustros, foi nomeado prefeito quando Benedito Valadares governava Minas Gerais. Faleceu a 3 de junho de 1967, em Viçosa. Fez seus estudos inciais em Viçosa e foi, rapazinho, aluno da Escola Militar do Realengo (RJ). Era genro de ninguém menos que o Dr. José Theotônio Pacheco, um dos chefes políticos locais ao tempo do império. Falecido em 1967, asssim a ele se referiu Folha de Viçosa em seu necrológio, de 18/6/1967:
"Com o falecimento, ocorrido a 3 do fluente, do Sr. Antonelli de Carvalho Bhering, Viçosa perdeu um dos seus mais prestimosos cidadãos.
Figura tradicional dos nossos meios comercial e agrícola, foi o Sr. Antonelli fazendeiro progressista e comerciante de café relacionado em toda a nossa região. Prefeito de Viçosa, muito lhe deve a cidade, pela administração ativa em obras e tranqüila no trato com os servidores e munícipes.
Mas do ilustre finado queremos, especialmente, ressaltar uma faceta não conhecida de todos e que, tomada isoladamente, bastaria para definir o espírito do homem. Reservado por natureza, econômicamente independente e próspero, não houve, durante muitas décadas, uma pessoa ou família em dificuldades que, recorrendo a seus préstimos, não fôsse socorrido, prontamente.
Mais do que isso: Seu coração generoso não esperava que as aflições batessem à sua porta. Inúmeras vêzes, por iniciativa própria, problemas angustiantes foram solucionados porque o Sr. Antonelli mandava chamar os que se debatiam em preocupações ou lhes mandava levar aquilo que podia abrir-lhes a porta para a paz deespírito.
Sua característica mais simpática, entretanto, não se marcava só pelas citadas atitudes.
O que nos fazia mais admirá-lo em vida e, agora, reverenciar sua memória é o fato de ter sido êle grande protetor dos estudantes pobres, naqueles tempos em que estudar constituía privilégio das classes abastadas. Numerosos moços e môças, em Viçosa, conseguiram realizar o ideal de sua vida porque o Sr. Antonelli lhes abriu a mão generosa."

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Sylvio Romeo Cezar de Araújo

Outro que também chegou ao parlamento mineiro foi o Dr. Sylvio Romeo Cezar de Araújo, exercendo mandato entre 1954 e 1958. Não pertencia ao grupo político do presidente Arthur Bernardes. Fora nomeado prefeito local em plena ditadura Vargas. Falecido em Belo Horizonte com a idade de 50 anos, a 24/10/1961, fora prefeito, também, da cidade mineira de Bonfim. Cunhado do ex-governador de Minas, Benedicto Valadares Ribeiro, sob a administração do Dr. Sylvio Romeo foi que se calçou pela primeira vez a avenida Santa Rita e também a Rua dos Passos, além de terem sido construídas as arquibancadas do Viçosa Atlético Clube (VAC). Sua última esposa chamava-se Vera Saraiva Ribeiro Araújo. Aqui em Viçosa fora também titular do Cartório do 2º Ofício de Notas e estivera por algum tempo à frente de um dos jornais da terra, a Gazeta da Viçosa, passando-o depois a outro ex-prefeito municipal, José da Costa Vaz de Melo, o Parrique, destacado membro da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) e um dos mais apreciados cronistas da história jornalística de Viçosa.
Ainda sobre o Dr. Sílvio Romeo, ficou célebre o "Bilhete para Viçosa", que ensejou comentário deste blogger em carta ao "O Popular de Viçosa", edição nº 94, Ano IV, dada a sua publicação, na edição anterior, de 17/7/2008, pelo escritor José Levy de Oliveira, sob a epígrafe "Viçosenses de ontem", trazendo-o mais uma vez à lume. O “bilhete” bem reflete a psicologia do eleitorado viçosense dos tempos de Dr. Arthur Bernardes. Levy encontrou o "bilhete', perdido entre folhas de um livro adquirido num sebo, e antes de sua publicação do referido jornal, o documento fora cedido a este blogger. Panfleto de caráter político, subscrito pelo literato sergipano Alberto Deodato, foi dirigido ao então superintendente municipal ("prefeito"), quando da campanha presidencial que culminou na vitória, para a presidência da República, do General Eurico Gaspar Dutra. O viçosense Arthur Bernardes apoiava então a candidatura do Major-Brigadeiro Eduardo Gomes. Deodato, autor do "bilhete", ocupou uma das cadeiras da Academia Mineira de Letras, a mesma de um ilustre viçosense, Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, desde 2007.
Transcrevo-o:

“BILHETE PARA VIÇOSA

Meu caro Sílvio:

Tenho sabido da sua ação aí na Prefeitura de Viçosa. Todos os que aparecem por aqui me dão notícias e afirmam que você é um homem trabalhador. Já renovou vários calçamentos. Já endireitou pontes. Já abriu estradas. Já cumpriu, afinal, com o seu dever. Por isso, os viçosenses não desgostam de você. Tratam-no bem. Passam-lhe as mãos pelos ombros. Tomam café em sua companhia e, de quando em quando, lhe fazem uma festinha, com cerveja e discurso. Você se embala nos agrados. Toma o trem e dá um pulo até aqui, conversa com o tio postiço e lhe garante, bravamente, que, nas eleições, o general Dutra vai dar uma lavagem no brigadeiro. E, para seguir o cortejo oficial, pontifica:
- Vamos ganhar em Viçosa com 80%.
Esse é o número patente do Partido Social Democrático. O inventor foi o meu prezado dr. Melo Viana. E quem patenteou foi o Governador.
Você tem razão. Quando a gente está no Poder se embebeda e não vê virtudes na oposição. Começa a ter um dom divinatório. E se acha sempre o salvador e o único. Você acha o dr. Artur Bernardes um pinto diante de seu trabalho. A Escola de Viçosa, por ele ideada e construída, é uma obrasinha á toa. E o que o ex-presidente da República fez por sua terra, com inveja das outras e protestos dos próprios correligionários, nada representa. Acha que o povo se esquece disso. Qualquer de nós pode apontar defeitos no chefe do P. R. M. Mas ninguém pode negar que tudo ele deu á sua terra. Certo adversário dele já me falou que o presidente Artur Bernardes age em razão de Viçosa. A expressão, que parece pejorativa, diz bem da presença permanente, no coração, da terra natal.
O viçosense, meu caro Sílvio, é um bom mineiro. Desconfiança e malícia são traços característicos dos montanheses. Eles lhe dão o coração, mas o voto é do Bernardes...

Do:

ALBERTO DEODATO”

Ainda sobre o destinatário do bilhete de Deodato, em correspondência a este blogger, escreveu o professor José Dionísio Ladeira:
"Conheci-o muito bem! Entreguei muito telegrama a ele ali na Bueno Brandão, onde acabei morando quase 10 anos, numa casa hoje derrubada e construído um edifício, aliás, na esquina com a Sílvio Romeu, não existente naquele tempo e batizada com esse nome exatamente em homenagem a ele. Quando do ‘Centenário’ de Viçosa, em 1971,
entrevistei em Juiz de Fora um senhor que conviveu muito com Bernardes e depois com o Sílvio Romeu. Veja em 'Viçosa, uma Saudade', p. 227, na transcrição da tal entrevista: 'A uma pergunta de como deveria recebê-lo (ao Dr. Sílvio), o Presidente é lacônico, incisivo e profético: ´Receba-o bem. É um moço bom e trabalhador: fará muito por
Viçosa.´ Depois o próprio Bernardes confidenciaria ao Seu Tonico: ´Oliveira, esse moço fez por Viçosa mais do que os prefeitos desta terra. É preciso que os administradores do futuro mantenham esse ritmo. Viçosa tem condições de se projetar na Zona da Mata".


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Carlos Raymundo Torres

Dr. Carlos Raymundo, médico, era filho dileto dos saudosos Dr. Raymundo Alves Torres e de Dona Nair Fonseca Torres. Nascido em Viçosa a 14 de junho de 1931 e falecido em Viçosa a 23 de setembro de 2007, o inolvidável médico obstetra e clínico geral Carlos Raymundo Torres foi a personificação, no meu modo de ver e pensar, da máxima segundo a qual "só pelo amor vale a vida."
Foi quase meio século de uma fecunda existência devotada à Medicina e milhares de dias de muito carinho e respeito ao povo da comunidade viçosense e regional. Em entrevista órgão da imprensa viçosense, indagado sobre o perfil dos novos médicos, respondeu ele:
"Todos que estão chegando que conheço são pessoas competentes. Pelas conversas que tenho com eles vejo que tiveram ótima formação. O que está faltando para os novos médicos é ter mais carinho com os pobres.
Não é demagogia, pois nem político eu sou mais hoje. É preciso lembrar que foi com os pobres, internado nas enfermarias, e com os cadáveres dos pobres que nós médicos aprendemos. Repito! Mais respeito com o povo". Formado em 1961 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Dr. Carlos Raymundo cursou o ensino fundamental em sua terra natal, no tradicionalíssimo Grupo Escolar Coronel Antônio da Silva Bernardes, da rede pública. O secundário iniciou-o no Colégio de Viçosa, concluindo-o em Belo Horizonte. Na Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro especializou-se em Clínica Geral, Cirurgia e Obstetrícia. Aluno interno do Serviço de Obstetrícia do Instituto Fernando Magalhães e de Cirurgia na 13ª Enfermaria, após concursado, trabalhou nos hospitais Souza Aguiar e Getúlio Vargas.
Em Viçosa deu continuidade, no Hospital São Sebastião - ao qual dedicou todos os seus esforços humanos, seu patrimônio e sua vida inteira - aos extraordinários serviços de seu pai, Dr. Raymundo, também benemérito médico viçosense.
Chefe do Serviço de Cirurgia, provedor, por dois mandatos, da Associação Casa de Caridade de Viçosa, trabalhou também no Centro de Saúde de Viçosa, servindo ainda em sua arte hipocrática às cidades de Porto Firme (onde iniciou sua brilhante carreira médica - 1962-1963), Guaraciaba (1964-1965), além de São Miguel do Anta, Coimbra e Ervália.
Nesta última cidade o bloco cirúrgico leva o seu impoluto nome, sobretudo porque ali atendeu a indigência, enquanto foi possível, com todo o desvelo. Militante da Arena, PDS, PFL e por último do PSDB, vice-prefeito de Viçosa entre 1967 e 1970, foi prefeito no biênio 1971-1972, tendo como vice-prefeito o professor Arlindo de Paula Gonçalves, engenheiro-florestal, professor universitário, líder rural e sindical, autor da Bandeira de Viçosa. Suas prioridades como administrador público sempre foram a saúde, a educação e a agricultura. Eis aqui uma sua reflexão sobre esses temas:
"De barriga vazia ninguém trabalha. Se o governo não der apoio à agricultura, como se quer uma boa saúde sem ter uma boa nutrição? Não existe desenvolvimento, não existe crescimento. Não existe geração de emprego se não tivermos educação e saúde de qualidade".
Dentre as vultosas obras de seu biênio administrativo, destacam-se a conclusão das obras do serviço de água potável do Serviço Autônomo de Água e Esgoto Saae), iniciado na administração de seu pai Raymundo Alves Torres, e que prosseguiu nos mandatos de Moacyr Dias de Andrade e de seu antecessor imediato Geraldo Lopes de Faria. Em seu governo comemorou-se com toda a beleza e dignidade o centenário da Lei que elevou Viçosa à categoria de Vila (30 de setembro de 1971). Construiu e manteve no melhor padrão muitas das atuais escolas rurais, construiu a sede própria do Colégio Estadual de Viçosa, antiga emcampação do Colégio de Viçosa, e que hoje leva o nome de seu saudoso pai. Iluminou o bairro Santo Antônio (Cantinho do Céu), dotou de excelente calçamentos, importantes vias centrais como a avenida Antônio Gomes Barbosa e incentivou a primeira Semana Santa ao Vivo. Data de seu governo o convênio com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para a chegada do asfalto da rodovia BR-120 (Viçosa-Ponte Nova), inaugurada na administração de seu sucessor imediato, Antônio Chequer, como pode ser visto na sessão iconográfica deste trabalho. Dr. Carlos também instituiu a Biblioteca e a Pinacoteca públicas, pela Lei nº 639/72, os dois grandes marcos culturais de sua administração.
Diz-se que o real valor das homenagens não consiste em recebê-las, mas em merecê-las. Foi justamente homenageado como cidadão honorário de diversas cidades da região e a Medalha da Inconfidência Mineira. Por último, em 2007, a Câmara Municipal de Viçosa lhe concederia o título de Cidadão Benemérito. Tal reconhecimento, tardio, não chegou às suas mãos. Mediador de muitas vindas ao mundo, ele definiu certa feita como sendo uma sensação de "orgulho" a que possuía por ter passado por suas mãos, gerações viçosenses.São palavras do pranteado Dr. Carlos Raymundo Torres: "Muitas delas são pessoas ligadas a mim e são gratas, pois reconhecem meu passado em Viçosa."

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José Américo Garcia

Prefeito entre 1983 e 1988, tendo como vice o empresário José Borges Neto, que trabalhou durante todo o período de seu governo como eficiente e operoso chefe de Gabinete, de sua administração, sobretudo nos dias chuvosos, o viçosense se lembra de um grande presente, que foi, não há dúvida, a magnífica obra de dragagem do ribeirão São Bartolomeu, que entrou para a história porque pôs fim às suas "cheias cíclicas".
Os verões em Viçosa sempre foram chuvosos. A ata da reunião de 27 de janeiro de 1903 da Câmara Municipal, sob apresidência do Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, alude a uma representação dos moradores do distrito de Teixeiras, pedindo auxílio para "reparos dos prejuízos cauzados pela inundação que ali houve na semana finda". É o mais antigo registro disponível relativo às intempéries que conseguimos localizar. Fevereiro, nesta região, é muito quente, com muita chuva e muitas trovoadas. A média de temperatura desse mês, tido como “o coração” do Verão, nos primeiros anos do século XXI, foi de 28.5º graus Celsius. Março e abril são menos quentes; chove pouco, e o céu fica geralmente nebuloso, quando cresce a umidade e serão raras as trovoadas. A 649 metros de altitude, Viçosa, conforme pesquisas científicas, tem chuvas prolongadas, uma média de 1.341milímetros cúbicos por ano, devido a frentes frias estacionárias, porque sua região sofre considerável influência da massa atlântica. Em 2006 foram altos os níveis de radiação, considerando-se que a temperatura média anual é de 18.5ºC na região. Foram pouquíssimas chuvas, quando se sabe que a média para o mês é de 197mm³. Desde 1969, quando se atingiu a marca dos 35.5ºC, não fazia tanto calor em Viçosa. A temperatura máxima chegou a 35.2ºC no dia 6 de janeiro de 2006, conforme foi registrado pelo termômetro da Estação Climatológica. Pela média histórica, a temperatura relativa do ar vem variando de 31 a 60% ao ano. Entre 1931 e 1960, a mínima registrada foi de 0ºC, no dia 10 de junho de 1933; e a máxima, de 35,2ºC (a mesma de 2006), no dia 17 de janeiro de 1956.
Calor, quase sempre, é sinônimo de chuva. Em Viçosa é hábito se dizer que “esquentou, choveu”. É geralmente abundante a precipitação de chuvas após um dia de intenso calor nesta época do ano. As maiores chuvas de Verão ocorridas na cidade nas últimas décadas trouxeram grandes problemas. Em janeiro de 1997, por exemplo, ocorreu uma precipitação pluviométrica de 200mm³ por segundo, felizmente já sem as antigas “cheias cíclicas” do ribeirão São Bartolomeu, pois a obra de dragagem realizada no final da década de 1980 amenizou os transtornos causados por grandes enchentes como a de 1948, que deixou saldo de duas mortes (um adulto e uma criança). Naquele ano, na madrugada de 17 para 18 de fevereiro (de domingo para segunda-feira de Carnaval), o local mais atingido foi onde existiu uma velha ponte sobre o ribeirão São Bartolomeu, no exato lugar em que esteve, no século XIX, de acordo com ALENCAR (nº?) a antiga Fazenda São Bartolomeu, de propriedade de Pe. Manoel Ignácio de Castro (Quatro Pilastras). Naquele início de manhã, o aterro que originou a avenida P. H. Rolfs, concluído em meados da década de 1920, ligando o atual campus universitário à Praça do Rosário, foi levado de roldão pela correnteza que se formou com o arrebentamento da barreira da represa da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav). As águas arrastaram tudo o que estava à frente de seu percurso: casas, árvores, animais. Foram momentos dramáticos, conforme atestam testemunhas da época, durante os quais, estudantes, voluntários e policiais tiveram que nadar madrugada afora, seguros por cordas, para o resgate de famílias, especialmente moradores da rua Dona Gertrudes, os maiores atingidos pelas chuvas até a década de 80. Foram, naquele dia, segundo informações, quinze horas de intenso temporal, o que equivale a um mês inteiro de chuva (172mm³). Com o auxílio de uma verba federal no valor de mil e quinhentos contos de réis, a Prefeitura, então sob administração do advogado José Lopes de Carvalho, pôde reparar os danos, com a reconstrução da ponte da Rua dos Passos, que também ruíra com o temporal. Além de poder socorrer os desabrigados de então, a administração também reconstruiu um novo reservatório municipal de água potável, que, a exemplo da represa da Escola de Agricultura, estourara com a chuvarada. A cidade permaneceu por muito tempo isolada da Escola (atual UFV), sendo preciso passar pelo alto da Rua Seca (atual Rua do Pintinho, no Alto da Bela Vista) para que se pudesse ter acesso à vargem em que está situado atualmente o campus universitário. Quatro anos após a tragédia, em 1952, foi registrado novo altíssimo índice pluviométrico, mas não há casos conhecidos de vítimas humanas. Em janeiro de 1975, a região próxima a Novo Silvestre até Teixeiras ficou sob as águas.
Foram quatro as mortes por desabamentos de encostas e barrancos em 1986, no governo do professor José Américo. A chuva (uma tromba d’água), de nada menos que 184.8 mm3 por segundo, no Rèveillon, deixou desabrigados 592 moradores de Viçosa, tendo sido 463 os desalojados, que tiveram que ficar algumas semanas morando sob 70 barracas de lona BNH, nos fundos do antigo Colégio de Viçosa, até que se construíssem novas casas em Nova Viçosa ou se reformassem suas moradias de origem. Os córregos das Posses, do Paraíso, Buieié, Condé, Deveras, Fundo, Ferreira, São João, São Silvestre, do Silêncio, do Engenho e de Santa Catarina, transbordaram. O assoreamento do Córrego da Conceição provocou cheia ainda maior, que derrubou, na madrugada de 1º/1/86, um muro de arrimo da casa número 52 da Praça do Rosário, divisa com o atual Shopping da Moda, na rua Pe. Serafim, número 30, no centro da cidade. O andar inferior da citada casa foi inundado, bem como o Posto de combustíveis Trevo, arrastando carros para depois atingir a esquina da avenida P. H. Rolfs, no local em que está agora o “Shopping Chequer”, no início da Av. Marechal Humberto Castello Branco (BR-120), desaguando em cascatas por toda aquela manhã pelo ribeirão São Bartolomeu e invadir também os fundos da residência número 69 da referida praça. Dias após, ainda em janeiro de 1986 nova chuva forte provocou a queda da ponte do distrito de Vau-Açu (em Teixeiras), isolando Viçosa de Ponte Nova.
Em 1996 também houve forte tempestade no início do ano, causando pequenos danos. E foram 200mm³ de chuva intermitente que caíram sobre a cidade em dias de janeiro de 1997, resultando no saldo de 13 famílias desabrigadas. Segundo levantamento da Defesa Civil, em Viçosa eram nada menos que quarenta famílias morando em situação de risco naquela ocasião. Entre as conseqüências naturais ocorridas, um mar de lama que desceu de um desaterro feito num loteamento da parte alta do bairro Vau-Açu, próximo ao Alto das Amoras (bairro Arduíno Bolivar), escorrendo pela rua Francisco Marques e causando grandes transtornos aos habitantes próximos. A Prefeitura se viu na contingência de ter que decretar estado de calamidade pública no município por terem ocorrido 224 desabamentos (167 parciais e 47 totais), num total de sessenta e uma famílias desabrigadas, incluindo moradores da zona rural.
Em 2001, as chuvas trouxeram mais três mortes, entre essas, de duas crianças, que morreram soterradas em casa, nas proximidades da Barrinha. Cem viçosenses ficaram desalojados e outros quarenta desabrigados. E a 9 de janeiro de 2004, numa precipitação de 115.9mm³, o nível d’água subiu 40 centímetros acima do normal (que é de 10 centímetros) no vertedouro da barragem de captação (lagoa da UFV). Na comunidade da Barrinha, onde se confluem dois ribeirões, as águas se sobrepuseram à ponte, e houve soterramento de três pessoas de uma mesma família, entre as quais, duas crianças, na rua Alice Moreira Pinheiro, na parte alta do bairro Bom Jesus, resgatadas vivas, enquanto casas próximas permaneciam dependuradas sobre barrancos desabados. Em 2004, num único dia, 21 de janeiro, a precipitação pluviométrica foi de 161.4mm³. O resultado foi que quatro famílias ficaram desabrigadas, um total de 23pessoas, vítimas de deslizamentos de terra também nos bairros Sagrada Família, Estrelas, Posses, na parte alta do distrito de Silvestre. O tráfego entre Ponte Nova e Viçosa foi novamente interrompido, porque o nível dos cursos d’água adjacentes subiu dois metros acima do normal. No bairro São José (antigo Laranjal), a exemplo de 1948, trilhos da via férrea, devido a deslizamento de terras, ficaram suspensos no ar. De acordo com informações oficiais, no vertedouro da barragem de captação, a altura da lâmina d’água chegou a 65 centímetros.
Na administração do professor José Américo foi criada e inaugurada a Casa da Cultura, com biblioteca e pinacoteca, organizada, com esmero, pela artista plástica Stella Costa Val Brandão, e que foi o passo inicial para a criação de um Arquivo Público Municipal, assunto debatido vez por outra por legisladores de uma cidade que conta, inclusive, com um departamento universitário de História, um Departamento Municipal de Patrimônio e um Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e Ambiental.
José Américo também dirigiu a Divisão Educacional Agrícola Arthur Bernardes (Deaab)entre 1997 e 2001, além de ter sido fundador e presidente da Associação dos Municípios da Zona da Mata Norte (Amman), por dois períodos consecutivos. O professor José Américo Garcia nasceu a 24 de fevereiro de 1936, na cidade mineira de Espera Feliz, filho do agropecuarista Francisco Garcia da Silva e da professora Áurea Horta da Silva, com quem cursou o seu primeiro grau, na zona rural. Completou o 2º grau no Colégio Carangolense, em Carangola (MG), em 1957.
Casado com Maria Emília Soares Garcia, a primeira dama que realizou excepcional trabalho na área da assistência social no Departamento de Desenvolvimento Social(DDS), durante o governo de seu esposo. Pai de Luciana, Adriana e José Américo. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa em 1962, mestre em Zootecnia pela mesma instituiçao em 1968 e doutor em Bioquímica e Nutrição na Universariante do Arizona (USA), em 1977, Professor assistente da UFV de 1963 a 1973, professor adjunto até 1975 e titular III de 1976 a 1991, por concurso público, José Américo se aposentou como pró-reitor de Administração da UFV. Chefe do Departamento de Zootecnia por um período de quatro anos, diretor do Centro de Ciências Agrárias em 1982. Durante sua vida acadêmica, recebeu muitas honrarias, orientou diversos alunos de Mestrado e Doutorado. Autor de vários trabalhos científicos publicados no Brasil e nos Estados Unidos. José Américo ainda presidiu o Rotary Club de Viçosa por dois períodos consecutivos.

(INCOMPLETO - ADICIONAREI DADOS)

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César Sant'Anna Filho

César Sant'Anna Filho nasceu em Viçosa no dia 15 de maio de 1916, filho de Cezar de Sant'Anna e Castro e de Maria Raimunda de Sant'Anna. Empresário, casado com Dona Lourdes Rosado, assim como ele, de tradicional família viçosense, foi vereador de 1955 a 1958 e vice-prefeito nas gestões de Moacyr Dias de Andrade, a partir de 1963, e de Geraldo Eustáquio Reis, a partir de 1993, tendo nesta última ocasião assumido o governo interinamente, por afastamento de seu titular, por motivo de saúde. Foi eleito prefeito no período 1977/1982, mas independentemente de ocupar cargos públicos, sempre contribuiu para com o progresso e desenvolvimento da cidade. Foi ele um dos responsáveis na instalação da agência do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Estadual, tendo pertencido também à Sociedade dos Cooperadores da Comunidade de Viçosa e ao grupo que colaborou com a construção do Lar dos Velhinhos e do Cemitério Colina da Saudade. Muito contribuiu na fundação do Sindicato Rural de Viçosa e da Cooperativa Agropecuária Mista de Viçosa. Como prefeito batalhou em favor do seguro de vida para o funcionalismo municipal e foi ele quem assinou o convênio com o Ipsemg para instalação de posto de atendimento médico-ambulatorial para atendimento aos servidores municipais e estaduais. Asfaltou as principais ruas da cidade, especialmente nos bairros Bom Jesus, Fátima, Estrelas, Calçadão, Lourdes, João Mariano, Conceição e Nova Era e implantou redes pluviais, num total de 7.000metros lineares, construiu nove pontes de concreto armado e quarenta e duas de madeira, sendo cinqüenta e oito utilizando tubulações de manilhas. Implantou 4.000 metros de rede de esgotos, beneficiando o bairro Santo Antônio, localidade para a qual levou também potável em cooperação com o Saae. Construiu de quatro prédios escolares municipais e comprou um terreno de 5.000m2 para a construção da Escola Estadual Santa Rita de Cássia.
Em seu governo instalaram-se também modernos equipamentos para captação de emissões da TV Globo e da TV Alterosa, além de ter sido uma de suas grandes preocupações de homem público a moradia popular e a construção de largas passarelas para pedestres.
Posteamento, esgoto, água, campo de futebol em São José do Triunfo (Fundão) e Cachoeira de Santa Cruz (Cachoeirinha) denotam a sua preocupação com os distritos, para com os quais teve dedicação especial, incluindo-se Silvestre, por sua administração dotado de infra-estrutura, serviço de saúde, educação e transporte coletivo. Carnavalesco e desportista nato, deu enquanto prefeito, incondicional apoio, com generosas subvenções às escolas de samba e aos times de futebol da cidade.

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Geraldo Lopes de Faria

Filho de tradicional família viçosense, Geraldo Lopes de Faria foi eleito prefeito municipal para quadriênio 1967-1970. Em sua gestão foram realizadas grandes obras que marcaram muito o desenvolvimento municipal, como a compra de terreno e construção do novo prédio da prefeitura, na Praça do Rosário, a Estação de Tratamento e Distribuição de Água, a criação e instalação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a vinda da Cemig, além de ter sido em seu período administrativo que se realizou uma das muitas reformulações da avenida Santa Rita, com alargamento das ruas, calçamento e reconstruções dos jardins, além da modernização da Praça do Rosário com novo calçamento de bloquetes e construção do jardim e de muro de arrimo ao longo da avenida Bueno Brandão (suporte do balaústre), a abertura da estrada Viçosa-Monte Celeste e do campo de aviação ao bairro Nova Era, no atual bairro Santo Antônio. Foi em seu governo que se construiu o monumento ao presidente Arthur Bernardes, na praça Silviano Brandão e se instalaram a feira-livre, a Biblioteca e Pinacoteca municipais no 3º pavimento do edifício da prefeitura. Calçou-se também em sua profícua administração (interrompida por uma intervenção federal em pleno período de ditadura militar), de bloquetes, as ruas Arthur Bernardes (atual calçadão),a praça Silviano Brandão, a praça Dr. Christovam Lopes de Carvalho, a Praça da Estação, a Vila Dr. Horta e parte da P. H. Rolfs.
Faria também determinou a abertura dos bairros Santo Antônio, Fátima, Ramos e Clélia Bernardes.
Este viçosense foi o fundador, em 1955, da Companhia Telefônica de Viçosa, tendo dirigiu-a por seis anos. Fundou e dirigiu também o jornal A Cidade. Escrivão e tabelião titular do Cartório do 2º Ofício de Notas da Comarca de Viçosa. Casado com Liana Nascif de Faria, com quem teve três filhos.

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Geraldo Eustáquio Reis

Nascido em Viçosa a 11 de janeiro de 1952, filho de José Cruz Reis, político admirado e respeitado por correligionários e adversários - ativo militante do antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) - e de Dona Mara Jannotti Silva Reis, de tradicional família viçosense, o prefeito Geraldo Eustáquio Reis, tendo como vice o também ex-prefeito César Sant'Anna Filho, foi eleito em 1992, pelo novo PTB, para governar no quadriênio 1993-1996, com 9.981 votos votos, num pleito considerado por cientista político como uma "rebelião da massa contra a elite". Naquele pleito, Geraldo Reis, o prefeito mais jovem até então eleito no município, sobrepujou, com uma diferença de 1.962 votos o segundo colocado, o médico Marco Antônio Maffia, e de 4.733 votos o terceiro, um ex-prefeito, o professor José Américo Garcia. Em 1982Geraldo Reis também havia disputado a Prefeitura, concorrendo como um dos candidatos do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), quando o professor José Américo se elegeu pelo Partido Democrático Social (PDS).
Político idealista, foi o candidato a deputado estadual mais votado do município nas eleições de 1990. E dentre as obras de seu governo, avulta-se a instituição do Programa Municipal de Defesa do Consumidor (Procon). Incansável defensor da cultura municipal em suas mais variadas manifestações, sua gestão à frente do Poder Executivo
Municipal não poderia ter sido diferente. Foi, portanto, assinalada pelo resgate cultural e também por memoráveis celebrações cívicas, honrando e valorizando, desta Forma, o dístico da Bandeira Municipal idealizada pelo professor Arlindo de Paula Gonçalves: "Cultura e Civismo." Deixando a Prefeitura, Geraldo Reis afastou-se da vida político-partidária e faleceu ainda muito jovem, aos 46 anos, no dia 6 de outubro de 1998, em Viçosa.
Casado com a professora Ângela Maria Santiago Reis, teve três filhos: José Cruz Reis Neto, João Santiago Reis e Pedro Santiago Reis. Geraldo cursou o Ensino Básico na Escola Estadual Ministro Edmundo Lins e o Ensino Fundamental e Médio no Colégio de Viçosa. Rapazinho, foi comerciário, na extinta loja A Exposição Viçosense, do ramo de móveis e eletrodomésticos, na rua Arthur Bernardes, 105, em Viçosa, propriedade de Adson Rodrigues Bicalho. Bacharelou-se em Ciências Contábeis na FACCO, onde foi presidente do Diretório Acadêmico e orador da Turma de Formandos de 1982, especializando-se também em Planejamento pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Funcionário público, ingressou na Universidade Federal de Viçosa por concurso público, aprovado em primeiro lugar para o cargo de auxiliar de Planejamento, cargo que ocupou, bem como o de assistente em Planejamento e técnico de nível superior, além de ter dirigido o setor do Registro Escolar daquela instituição federal de ensino superior e o de diretor assistente de Material. Membro do Conselho Diretor da UFV por dois mandatos, representando o Governo do Estado de Minas Gerais, foi eleito vereador aos 24 anos de idade, em 1977, tendo exercido a presidência da Câmara, ocasião em que se elaborou o Regimento Interno daquela Casa, do qual foi co-autor, juntamente com o Pe. Antônio Mendes e o professor Francisco Machado Filho, legislação que vigorou até 2007, quando teve diversos de seus artigos alterados pela
edilidade.

(INCOMPLETO - ACRESCENTAREI DADOS)

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Raimundo Nonato Cardoso

Quando se reelegeu o prefeito Raimundo Nonato Cardoso, Viçosa tinha 50.583 eleitores. Nas eleições municipais de 2008 foram 50.583 os votos apurados, sendo 1.404 brancos (3,27%), 2.267 nulos (5,28%), com 7.667 abstenções (15,16%). Cassado pela Justiça Eleitoral em outubro de 2009, portanto no final do primeiro ano de seu segundo mandado, ele foi reeleito com 16.841 votos (32,9% de 51.189). O médico Celito Sari, segundo colocado, teve 16.546 sufrágios (32,16%), apenas 295 menos que ele. Sérgio Pinheiro, 5.570 (14,9%) e César de Melo, 288 (0,73%). Raimundo Nonato se tornou, então, o primeiro político a reeleger-se consecutivamente para o cargo de prefeito de Viçosa.
“Mais inverossímil que a vitória da oposição no início dos anos 60, que as vitórias do turco nas décadas de 70, 80 e 90, que a até que enfim vitória do Cesinha, ligando com as graças do Geisel e de Nossa Senhora Aparecida, os anos 70 e 80, mais inverossímil que a própria seqüência de vitórias do PT quando a disputa se estendia à chefia da nação – incrível: mais inverossímil que o castelo do turco virar Mosteiro! – foi Raimundo da Violeira chegar à Prefeitura, primeiro como Vice e depois como Prefeito e lá ter fincado o pé.
Conheci Raimundo no PVA – Pavilhão de Aulas - , de mão na vassoura e espírito na Violeira. E os violeirenses encontravam nele o apoio para as suas agruras, sobretudo transladar o doente do catre para o leito do hospital.
O resultado é que Raimundo, como outros – e em conseqüência – era um bom cabo eleitoral para captar os votos da sua comunidade...
Mas um dia – como outros – percebeu que ele próprio devia ser o destinatário dos votos que lhe eram oferecidos a mancheia e ainda vislumbrou vôo mais alto.
E foi o que se viu! Vereador mais votado. Presidente da Câmara. Vice-Prefeito. Prefeito. Com direito a bis”. Dionísio (Raimundo, o ‘Sui Generis’) – Sempre Viçosa.
Nascido de uma família de pequenos agricultores, ele foi, desde menino, também agricultor. Trabalhou em São Paulo como montador de móveis durante quatro anos e funcionário da Universidade Federal de Viçosa (auxiliar de serviços gerais). Participante ativo da vida política de Viçosa desde 1984, como cabo eleitoral, o filho de Teresa Nascimento de Jesus e Benjamim José Cardoso foi eleito, pelo Partido da Frente Liberal (PFL), vereador, pela primeira vez, em 1988, com 477 votos, sendo o mais votado em todo o município. Reeleito por duas vezes, em 1992 (novamente o mais votado) com 464 votos, e em 1996, em terceiro lugar, com 505 votos. Na Câmara, foi membro da Comissão de Orçamento e Finanças, vice-presidente por dois mandatos e presidente no biênio 1999/2000, quando provou ser um bom administrador. O Legislativo tinha então uma dívida de 34 mil reais de INSS atrasado. Conseguiu resgatá-la, devolvendo R$ 40.000,00 para o Executivo comprar uma ambulância, no final do referido ano de 99, e fechou o ano pagando todos os fornecedores, vereadores e funcionários, deixando ainda R$ 50.486,00 em caixa, além dos R$ 46.000,00 do repasse referente ao mês de dezembro. Com esse repasse, a Câmara contava então com R$ 96.486,00 em caixa. Naquela ocasião, era desejo dele que o então chefe do Executivo utilizasse bem o recurso devolvido pelo Legislativo, comprando, por exemplo, um aparelho de endoscopia para o Hospital São Sebastião, ou um micro ônibus para transportar estudantes da zona rural ou ainda um veículo Kombi para transportar os pacientes da hemodiálise do Hospital São João Batista, beneficiando diretamente as áreas da saúde e da educação. Trabalho, amizade e respeito sempre foram os ingredientes de sua receita para quem quisesse se eleger para cargos políticos. Raimundo Nonato sempre atribuiu suas maciças votações à grande amizade que deixou por onde passou e ao trabalho de socorrer pessoas enfermas. Quando não dispunha de carro conduzia enfermos em sua própria bicicleta.
Desde 1992, Raimundo vinha pleiteando sua candidatura à chefia do Executivo, pelo PFL, quando seu partido optou pela dupla José Américo Garcia e Carlos Raymundo Torres. Em 96 tentou disputar novamente a convenção do PFL, como candidato a prefeito, ocasião em que a agremiação coligou-se com o PPS, lançando a chapa Antônio Fagundes de Sousa e Arnaldo Dias de Andrade. Nas eleições de 2000 foi lançado candidato a vice-prefeito pelo seu partido de origem, compondo chapa com Fernando Sant'Ana e Castro pela coligação PTB/PFL. Foi o vereador mais votado em 1988, com 477 votos, reeleito por duas vezes, em 1992, com 464 votos, e em 1996, com 505 votos. Ele obteve, em 2004, a segunda maior votação registrada até então para a chefia do Executivo viçosense.



Antônio Chequer

Cidadão dinâmico, o empresário Antônio Chequer foi aquele que mais tempo governou o município pelo voto direto, marcando o seu populismo as últimas décadas do século XX.
Foram três os períodos governamentais em que chefiou o município. Em pleno exercício do cargo, falecera a 27/06/1997. Viçosa, sua terra natal, proporcionou-lhe o maior cortejo fúnebre de sua história. Da Praça do Rosário ao alto da rua Padre Serafim, só se viam cabeças humanas à hora de seu sepultamento. Altruísta, dedicou sua mocidade, conforme destacou o Presidente JK, "a serviço do engrandecimento de Viçosa". Foi o responsável, dentre outras obras públicas, pelo surgimento de diversos bairros em toda a periferia da cidade, nas décadas de 1960 e 1970. Sempre valorizou seus correligionários, sem se esquecer daqueles que não obtinham sucesso eleitoral. Exemplo dessa sua dedicação aos cabos eleitorais é a carta que redigiu do Gabinete da Prefeitura, datada de 26/10/1992, e que a seguir transcrevo na íntegra, como pequeno registro do que fora o perfil deste devotado homem público. Ei-la, dirigida a candidatos derrotados de sua agremiação partidária:


"Venho por meio desta, enviar-lhe sua folha de votação para que possa fazer uma avaliação de seus votos. O mais importante é que você participou e nossa cidade precisa de pessoas como você: não importa o resultado se foi ou não eleito, o que importa é que você hoje tem conhecimento do que existe em nossa cidade e do que tem que ser feito.
Uma só administração não resolve todos os problemas, eles existem e vão continuar a existir, os políticos nem sempre são compreendidos pelo povo, mas são eles os verdadeiros espelhos da Democracia. Você sacrificou, você lutou, deixando muitas vezes os afazeres e distanciou de seu lar para dedicar-se a sua campanha, por isso parabenizo, você foi útil, continue assim porque um dia o povo a de lhe agradecer".

Vereador e prefeito, ambos por três mandatos, empresário da construção civil, foi um seguidor de seu pai, nesta área de loteamentos, criando, com sua empresa, os bairros Santa Clara, João Braz (1975), Lourdes (1975), Clélia Bernardes e Fuad Chequer (1958), Carmo (1965), Dr. Raymundo Torres (1972) e Beira Linha (1960). Um dos dez melhores prefeitos do Brasil, conforme avaliação de um instituto de pesquisa em seu primeiro mandato, criou a Guarda-Mirim e não havia menores abandonados em Viçosa naquela época. Ele patrocinou mais uma ampliação do Cemitério Dom Viçoso, trabalhou pela concessão de linhas urbanas de ônibus, e incentivou, a exemplo de seu antecessor, Dr. Carlos Raymundo Torres, a implantação da Indumel (extinta Indústria de Melaço localizada no distrito de Silvestre). Colaborou com a construção do Hospital São João Batista. Iluminou o distrito de Cachoeira de Santa Cruz. Além de inúmeras obras de infra-estrutura urbana, apoiou a construção, em convênio com a Carrpe (Campanha de Reparos e Recuperação de Prédios Escolares), da Escola Estadual Pe. Álvaro Corrêa Borges, no bairro Nova Era. Foi um semeador de educandários. Em seu segundo mandato construiu, também em convênio com o Governo de Minas, a Escola Estadual Raul de Leoni, do bairro Santo Antônio Iniciou a construção do novo terminal rodoviário, inaugurado em 1979, no governo de seu sucessor imediato, César Sant'Anna Filho. O antigo existira onde se encontra o jardim da atual praça Dr. Mário Del Giudice. Doou o terreno para a construção do prédio da Telemig, na Praça do Rosário. E promoveu, em seu primeiro mandato a festa do Centenário de Dr. Arthur Bernardes. O bairro Nova Viçosa foi um loteamento popular de sua iniciativa. Localizado na antiga Fazenda da Conceição, cujos lotes foram distribuídos à classe operária e a pessoas de baixa renda.
Toninho Chequer, como era carinhosamente conhecido pela maioria absoluta da comunidade viçosense, foi trabalhador desde a infância, na fábrica de calçados de seu pai, e não foi diferente como administrador público. Prefeito no período de 1973-1976, tendo como vice-prefeito o Pe. Antônio Mendes. Os impostos municipais então aumentaram e a imprensa local noticiava que a Viçosa de então não tinha menores abandonados, porque por ele fora criada a guarda mirim, que proporcionava ocupação às crianças e adolescentes. Entre 1989 e 1992, foi novamente prefeito, tendo como vice o médico Ary Teixeira de Oliveira. Eleito e empossado para o quadriênio 1997-2000, tendo como vice o funcionário público federal Fernando Sant'Ana e Castro, faleceu enquanto cumpria esse último mandato, conquistado a muito custo devido a diversos processos judiciais que intentavam a anulação de sua eleição, com a conseqüente posse do segundo colocado no pleito, professor Antônio Fagundes de Sousa, o que não se efetivou.
Toninho foi um dos principais responsáveis pelo surgimento do Hospital São João Batista. Tinha como um de seus muitos projetos a criação de uma penitenciária na cidade, no início de seu terceiro mandato de prefeito, o que suscitou grande polêmica. A industrialização do município era outro sonho do político que idealizou e chegou a doar os primeiros lotes para a construção do Distrito Industrial da Barrinha.
A memória do grande líder e articulador político regional sempre foi lembrada pela população, que o elegeu vereador na década de 1950, tendo exercido este seu primeiro mandato popular durante um dos governos do prefeito Raymundo Alves Torres (1959- 962). Presidiu a Loteria Mineira, por nomeação do então governador Tancredo de Almeida Neves, na década de 1980. Foi candidato a deputado estadual por diversas vezes, não sendo eleito. Sua personalidade controvertida foi naturalmente muito contestada pelos que lhe opunham em outras agremiações. Acusado de irregularidades administrativas por diversas vezes, denunciado outras tantas ao Ministério Público por suspeitas de falhas em seus relatórios de prestação de contas, chegou a ser submetido, pela Câmara Municipal, a um processo que pedia a cassação de seu mandato, em 1992, por conta de um episódio denominado jocosamente de "Maracutaia da Barrinha", sendo absolvido pelo plenário, a despeito de o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito, então presidida pelo vereador Euter Paniago, ter sido aprovado. O relatório sugeria a perda do mandato de prefeito.
Carismática e popular, a figura humana de Toninho Chequer marcou profundamente a vida pública viçosense nas décadas 1970, 1980 e 1990. No âmbito municipal, como candidato, perdeu apenas uma eleição. Foi em 1982, quando o professor José Américo Garcia se elegeu prefeito, em 1982. Tinha uma comunicação muito fácil com todas as camadas sociais, o que contribuiu para que Toninho obtivesse quase sempre a maioria votos de pessoas de todas as classes sociais. Uma multidão de aproximadamente doze mil pessoas acompanhou-lhe o féretro na tarde de 27 de junho de 1997, até o Cemitério Dom Viçoso, onde se encontra o mausoléu nº 108, de sua família.

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José da Costa Vaz de Melo

A respeito de outro prefeito viçosense, José da Costa Vaz de Mello, um cidadão incomum e altruísta, poderíamos defini-lo como o "vicentino-padrão". ALVES. (pág 45): em 30 de abril de 1967 assim o descreveu, referindo a Antônio Frederico Ozanam, o fundador da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP):
"Desde quando Ozanam pôde contar com um braço direito para efetiva prática de caridade cristã, na pessoa do vicentino Parrique? A todos que busquei com esta indagação, tiveram uma e a mesma resposta: desde menino.
Esta deve ser mesmo a verdade. Desde menino, a simplicidade, a humildade e a cordialidade marcaram a vida do mais fabuloso Irmão que as confrarias se envaideceram de ter a serviço de Deus. A caridade foi moldura para destaque de uma vida de cristão autêntico. Desses que vivem o evangelho na ajuda ao próximo, no amor ao irmão precisado. Sem alardear promoções, escondendo-se na prática do bem, para melhor dar de si. Desde quando? Desde sempre.
Nas enfermarias dos hospitais, visitando enfermos, quanta ternura numa palavra de esperança e conforto a um doente agonizante! Quanta abnegação junto a um encarcerado revoltado! Que riqueza de qualidades cristãs num coração imenso! Desde quando? Desde sempre." Filho de Agostinho Vaz de Mello e de Anália Costa Vaz de Mello, nasceu em Viçosa a 22 de junho 1912. Aluno do Gymnasio de Viçosa, em Juiz de Fora estudou na Academia de Comércio. Titular do Cartório do Crime da Comarca de Viçosa, também trabalhou no Cartório Eleitoral. Casado com Dona Maria Mayer Vaz de Mello (Petita), Parrique teve sete filhos.
Jornalista, escreveu para jornais de Ponte Nova, Ubá, Juiz de Fora e inclusive para o Estado de Minas. Ator e diretor amador do teatro local, era também radialista, de sua gestão administrativa como alcaide municipal Viçosa se beneficiou imensamente. Naquele período (1951-1953) foi que surgiram o Cine Brasil, o Príncipe Hotel e a Colônia Agrícola Vaz de Mello, fazendo funcionar ali o Centro de Treinamento para Professoras Rurais. A primeira motoniveladora da microrregião aqui chegou em seu quadriênio. Sua colaboração para a implantação do Colégio de Viçosa S/A foi notável, em 1946, e o grande incentivo que lhe dera posteriormente, foram inestimáveis.
Antes que existisse na Universidade Federal de Viçosa, desde 2008, com área, construída, de 583,27 metros quadrados e seus dois currais para bovinos e suínos e respectiva estação de tratamento de efluentes, com capacidade de abate diário de 12 bovinos ou 25 suínos, ou 5 mil aves, e que trouxe significativa contribuição à sanidade da carne consumida em Viçosa, o abate clandestino de animais para o consumo humano foi um problema de saúde pública. A Lei nº 186 data de 16 de dezembro de 1953, sancionada pelo prefeito Parrique, de conformidade com o artigo 73, nº VII da então vigente Lei de Organização Municipal. Ela autorizou a construção do Matadouro Municipal, mediante concorrência pública ou administrativa, quando se autorizou o emprego da importância de cinqüenta mil cruzeiros. A lei vigorou desde 1º de janeiro de 1954, ocasião em que existia já um matadouro na Rua dos Passos, na esquina da atual rua Dona Gertrudes, em precárias condições de funcionamento. Um barraco em precárias condições de higiene, localizado às margens da rodovia Viçosa/Porto Firme, ao lado da antiga Garagem Central da Prefeitura Municipal (antiga Usina Santa Rita), no bairro Nova Era (Pau de Paina), era o Abatedouro Municipal, até quando foi interditado, a 8 de junho de 1991, pela Justiça, em atendimento a uma ação promovida pelo Ministério Público.
Até então, açougueiros abatiam ali, diariamente, cerca de quatro bois, sem a mínima fiscalização, dividindo o barraco com cachorros e urubus, que ali ficavam para garantir sua alimentação e contaminar a carne. A interdição, naquela data, recebeu os aplausos da comunidade, porque parecia colocar um fim ao estado de calamidade pública de um dos serviços que a administração municipal vinha prestando à comunidade, mais a expondo a riscos do que zelando pela sua saúde. Além das irregularidades, em destaque a inexistência da inspeção sanitária, não havia ali nem mesmo água e esgotos. A interdição foi, portanto, recebida com regozijo pelos viçosenses, que chegaram a antever na sentença judicial de então, uma resolução próxima do problema crucial. À época, cerca de 90% dos açougueiros de Viçosa compravam e comercializavam carne de origem desconhecida, não se preocupando com a qualidade do produto. Pouco importava se o produto estava ou não causando risco aos consumidores. Pensava-se, então, que o fechamento do matadouro era um grande passo para se tentar resolver o gravíssimo problema do consumo de carne de origem duvidosa. A interdição judicial, antes de equacionar o problema, deu-lhe proporções ciclópicas, pois, ruim com ele que poderia ter sido remodelado pior sem ele, posto que os magarefes passaram a abater seus animais na roça, à beira da estrada, no pasto, sob as "mangueiras", onde prendiam seus sarilhos e içavam as carcaças dos animais abatidos e cujas sanidades passaram a ser atestadas pelo "olho experimentado" do açougueiro, conforme registrou o editorialista do Folha da Mata, professor Pélmio Simões de Carvalho, numa época em que até a lixeira municipal servia de alimento para a engorda de porcos comercializados em Viçosa.
Desde a bem intencionada interdição do abatedouro viçosense, de nefastas conseqüências, a campanha de sua reconstrução tornou-se constante de todas as campanhas eleitorais e, quando muito, intenção despretenciosa de realização, encenações na tentativa de construí-lo, muito discurso, editais, comissão de licitação e ninguém se interessou pela obra. Lavaram-se as mãos e não se resolveu o problema.
Discutiu-se muito se poderia se dar ao construtor do Abatedouro Municipal o direito de sua exploração, inclusive sobre os impostos próprios, por 10, 20, 30 anos, em período que poderia ser estabelecido por especialistas no assunto. Muitas idéias foram divulgadas, entre essas, a de se garantir, legalmente, real e intensa fiscalização sobre a comercialização de carne de suínos e bovinos, em Viçosa, inclusive na feira-livre, não oriunda do Abatedouro Público Municipal. Para que houvesse interessados pelo empreendimento seria absolutamente necessário que os empresários acreditassem no prefeito como autoridade que fosse a fiel garantia do cumprimento de leis e compromissos.
Mas o impasse do abate clandestino de reses continuou por esses anos todos, com o sério risco de a população ingerir carne contaminada em Viçosa, pois embora a imprensa tenha alardeado sobre o assunto, o Matadouro Municipal continuou funcionando ainda por muito tempo sem resguardar as condições básicas de higiene.
As secretarias municipais de Agricultura e Meio Ambiente (Seama), e de Saúde (SMS), em parceria com Governo do Estado, chegaram a iniciat preparativos para a construção do Abatedouro Regional em 2006, que teria capacidade para abate de até trinta bovinos e sessenta suínos por dia, com estrutura para ampliação. Na ocasião, técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), realizaram uma vistoria em área pertencente à PMV, na Colônia Vaz de Mello, que foi aprovada como o local de sua edificação, chegando a emitir o Laudo de Vistoria e Aprovação, mas esta última proposta também não vingou, embora a administração municipal tivesse entregado a documentação necessária para a realização do empenho para liberação dos recursos do referido convênio, ficando pendente a entrega do projeto técnico com o Plano de Trabalho e respectivo cronograma físico e financeiro.
Previa-se então, que uma vez liberados os recursos por parte do Governo do Estado, a PMV providenciaria a licitação para construção das obras, avaliados então em cerca de R$ 650 mil, o que dependia também de encontros com a Associação de Açougueiros de Viçosa, para discutir sobre a gestão do Abatedouro, cuja fiscalização de abate seria de responsabilidade do Serviço de Inspeção Municipal - SIM ligado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ou do IMA, quando se tratasse de comercialização intermunicipal.
Parrique voltou a disputar a Prefeitura de Viçosa em 1962, quando foi derrotado por Moacyr Dias de Andrade. Cidade de Viçosa, de 15 de julho de 1962 (número 2072), ano LXX, publicou a crônica intitulada “Conversa ao pé do ouvido", de sua autoria. Ei-la:
"A minha aparente reserva, a indiferença que pareço dispensar à minha campanha de eleição ao cargo de Prefeito de Viçosa, tem implicado a muita gente que chega a dizer que não viu faixa com o meu nome, nem tão pouco boletins, fazendo propaganda.
Não sou avêsso a esta espécie de propaganda, mas confesso que papel pregado em postes ou em muros pode lembrar que determinada pessoa é candidata a este ou aquêle cargo, mas não penetra no coração de ninguém. Não se impõe um nome ao conceito de amigos através de farta e variada propaganda. O que adianta apregoar um disco como a última maravilha da arte musical, se ao ser executada não passa de um arranjo comum, numa orquestra de músicos esparsos e sem conjunto!
E na orquestra da vida não sou música clássica, não quero ser opereta nem tão pouco batucada. Prefiro levar a coisa ao ritmo de valsa lenta, mas bem orquestrada, de vez em quando passando para o compasso de samba, num misto de ternura e alegria. E assim vou solfejando, preferindo tocar minhas músicas ao pé do ouvido, numa sinfonia que não aborrece e nem chateia. E a minha charanga é o realejo da verdade. Música simples, mas executada com uma batuta experiente, pois os meus conterrâneos são acordes em reconhecer que não exagero ao tanger as cordas sensíveis da harpa do meu coração. Quando êle fala, a música executada é uma sonata de sinceridade.
Não se preocupem com propaganda. A orquestra de minha confiança jamais emudecerá. Pode não ir ao ar em tons berrantes e incomodativos, mas ela se fará ouvir, por todo os modos penetrando no lar de cada um, como uma mensagem de paz, até mesmo nos domínios adversários, onde tenho bons amigos, sabendo que sou incapaz de azucrinar os ouvidos alheios com músicas falsas ou barulhentas, preferindo, por isto, a harmonia suave e terna de uma orquestra suave e terna de uma orquestra modesta, mas que prima em executar acordes que enternecem pela poesia da verdade, pelas notas da sinceridade.
Não preciso fazer alarde da música que embalo no coração. Ela já é por demais conhecida, pois é sentida em todos os meus gestos simples e atos de afeição. Quando procuro burilar silhuêtas das beldades viçosenses, é uma balada de ternura para o coração da mulher, na sublimidade angelical de um amor de mãe, na dedicação de uma extremosa espôsa, no carinho de uma filha, na abnegação de uma religiosa, no estoicismo de uma enfermeira. Até mesmo quando busco imagens do passado, nas crônicas sôbre a velha Viçosa, é a música da saudade que sai, do coração em notas sentidas para enternecer os que se sentem felizes com a recordação de uma era que ficou para trás, na encruzilhada da vida.
E quem se apresenta com uma orquestra tão harmoniosa, não precisa recear apupos, pois tem certeza de que os amantes da boa música saberão bater palmas, estimulando os artistas que se apresentam, no concêrto da vida, executando apenas harmonias.
Se fôr preciso executar músicas marciais insuflando, animando o ambiente, saberei também tocá-las. Mas prefiro a melodia que embala o coração, pois não se pode executar músicas espalhafatosas, quando o povo, faminto está sofrendo, na sua própria carne, os efeitos danosos desta malsinada política de preços, capaz de provocar uma loucura coletiva, tirando a paz de espírito de que tanto necessitamos, a fim de que possamos, sob as bênçãos de Deus, vencer e levar nossa cruz e sofrimento, até ao calvário da velhice.
Continuarei, meus amigos, na minha elevada linha de conduta, executando músicas sonoras, dolentes, que não aborrecerão a ninguém, certo de que as palmas virão, na boca da urna, com os votinhos de meus conterrâneos. Depois, então, entoarei um hino de vitória, com a música do trabalho, continuando a executar peças que serão do agrado geral”.

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Antônio Gomes Barbosa

Em 1925 existiam no distrito da sede do município fábricas de bebidas, meias, manteiga, conservas, móveis, torrefação de café, beneficiamento de café e arroz, serrarias, etc. movidas a eletricidade. Nos distritos, fábricas de aguardente de cana, açúcar, rapadura, bebidas, laticínios, tecidos, macarrão e móveis, todas essas também movidas a eletricidade. Seus produtos de exportação eram o café, o açúcar, o algodão beneficiado, cereais, gado vaccum, manteiga, macarrão, couros, etc. Eram 65.837 os seus habitantes. Suas principais lavouras eram as de café, cana de açúcar e cereais, além de algodão e fumo. As suas indústrias eram as de beneficiamento de algodão, arroz, café, aguardente de cana, açúcar, rapadura, farinha de mandioca, laticínios, serrarias e pastoril, esta a mais desenvolvida. A agência do telégrafo nacional já se encontrava instalada na atual rua Virgílio Val, em 1925, em prédio particular. O comércio local sempre foi considerado fraco, mas era de cereais, tecidos de algodão, gado vaccum e cavallar, madeira, couros, etc.
Uma reportagem do ano anterior, 1924, sobre a cidade, é bem o retrato da administração do Dr. Antônio Gomes Barbosa. O jornal O PROGRESSO DO BRASIL, cuja data exata da edição desconheço, versa especialmente sobre a administração municipal, então capitaneada por Gomes Barbosa, que foi o administrador público de Viçosa no longo período 1919-1927. Falecido em 1945, na capital mineira, este parlamentar estadual e federal e advogado mineiro, filho da cidade de Alto Rio Doce, teve como uma de suas grandes realizações administrativas obras como a pavimentação da praça Silviano Brandão e a abertura de algumas das mais importantes artérias do atual centro da cidade: a avenida Santa Rita, no antigo Pasto dos Barros, a avenida Bueno Brandão, seguindo as metas de seu antecessor imediato, Dr. José Ricardo Rebello Horta, e a avenida que leva o seu nome: Gomes Barbosa. Esposo de Dona Carmen Graça Barbosa, sobrinha do ex-presidente Arthur Bernardes, com ela teve os filhos Antônio, Carmen, Diva e Fausto.
É bem verdade que durante o governo de Gomes Barbosa, a cidade tinha o referido Arthur Bernardes ocupando elevados postos na vida pública do país, entre os quais a suprema magistratura da nação, o que contribuiu para que houvesse, dada a sua política municipalista, grande progresso no interior mineiro, o que não poderia ser diferente em sua terra natal. As realizações administrativas de Gomes Barbosa, transcorrida, portanto, num período ímpar da vida viçosense, foram vultosas. Pela Resolução nº 463 de 14/10/1925 ele reviu o contrato de fornecimento de energia elétrica ao município, tendo desta feita como cessionária a Companhia Viçosense de Força e Luz (CVFL). Contratos anteriores haviam sido celebrados com outras companhias, primeiramente pelo Dr. Emílio Jardim de Resende, e depois pelo Dr. José Ricardo Rebello Horta, seus antecessores no governo do município. Na cláusula 1ª do Artigo 2º desta resolução, Gomes Barbosa determina:


"A Companhia Força e Luz Viçosense terá previlegio para explorar neste municipio, durante vinte e cinco annos, a industria de fornecimento de energia electrica para illuminação publica e particular, força motriz, em todas as suas applicações, inclusive a de transporte, aquecimento e quaesquer fins industriaes"

O texto infra também nos dá uma idéia do surto progressista que então se experimentou e também do perfil do bem sucedido administrador público de então.

Vamos à reportagem:

“O PROGRESSO DO BRASIL

Minas Geraes
E a sua grande vida commercial, industrial e agricola
Uma febre intensa de progresso invade toda uma população de cerca de sete milhões de habitantes

Viçosa, a joia da Zona da Matta

As sensacionais reportagens do ‘O PROGRESSO DO BRASIL’

A desonestidade dos escriptores sem escrupulos, e a falta de criterio com que elles baratearam a applicação dos adjectivos, tem convertido, no mais das vezes, o elogio justo, em uma repugnante lisonja, que quasi sempre infama o elogiado e mostra bem claro a subserviencia de caracter do bajulador.
Essas considerações nos accudiam ao cerebro ao termos que tratar de Viçosa, e de por em relevo a meritoria actuação do Dr. Antonio Gomes Barbosa nos destinos dessa cidade.
Felizmente para nós, escoimada de suspeita, sahira a nossa apreciação sobre tão digno e operoso administrador, porque mais elogiaveis que as nossas palavras de elogio gritarão os melhoramentos feitos em Viçosa pelo sr. Dr. Antonio Gomes Barbosa e falarão, eloqüentemente, a linguagem da verdade, os algarismos que attestam o sempre crescente progresso desse municipio.
É portanto limpo de interesse, é portanto expressão lidima de justiça, tudo quanto aqui for dito sobre o incansável administrador que tem transformado Viçosa em um modelo de cidade administrada em intelligencia e probidade.
Para o momento que atravessa Minas, não basta fazer administração simplesmente com honestidade. O que acima de tudo é preciso, é que, aos administradores, tenham a contrastar seus actos a classica honradez do mineiro, mas, o que é indispensavel é que a ella esteja alliado o espirito da evolução que realisa o progresso transformando as cidades.
Esse typo raro de administrador foi que Viçosa teve a fortuna de encontrar na pessoa do Dr. Antonio Gomes Barbosa.
Mas toda essa competencia, e todas as virtudes que nos forçam a enaltecer a personalidade do Presidente da Câmara de Viçosa, são ainda accrescidas de uma qualidade que o faz raro entre os mais raros administradores, já não dizemos em Minas mas em todo o Brasil.
O Sr. Dr. Antonio Gomes Barbosa conseguio evitar essa cousa inaudita que faz a desgraça do Brasil, a intromissão das canalhices da politicalha no negocio da administração.
Saber dos melhoramentos realisados em Viçosa pelo Dr. Antonio Gomes Barbosa, era de prompto se justificar todos os elogios a esse administrador mas ao saber-se que esse mesmo administrador tem a força do animo, tem a firmeza de caracter de não alliar á administração a politica, é reconhecer que o Presidente da Camara de Viçosa realisou, integralmente, o administrador que, além de intelligente, é probo, além disso é um justo.
Graças á essa triplice virtude, é que, Viçosa, vae realisandoo seu surpreendente progresso, vivendo os seus municipes naquelle congraçamento harmonico que só se sabe conseguir quando impera a serenidade da justiça, liberta dos odios e das violencias da politicalha.
É nesse ambiente de trabalho e justiça, creado pelo Dr. Antonio Gomes Barbosa, que Viçosa progride.
E vejamos agora o que tem realisado, como progresso, esse encantador recanto de Minas que justifica o nome que talvez, por acaso tem – Viçosa.
Mostra-nos a observação que toda a iniciativa de progresso, nascida da iniciativa particular se anulla si a sua origem não é a resultante da iniciativa dos governos.
O caso de Viçosa documenta cabalmente essa asserção.
Pelo muito que a iniciativa particular do commercio, da industria, da agricultura, tenham feito em pról de Viçosa, tudo se anullaria, ao fim de certo tempo, caso o seu progresso não fosse propulsionado inicialmente pela acção fecunda do Dr. Antonio Gomes Barbosa.
Progredindo materialmente a cidade, facil foi a iniciativa particular nella se estabelecer todo o cortejo das realisações progressistas. E foi isso que exactamente aconteceu com Viçosa.
Quando se quer verificar o gráo de civilisação e de progresso de uma cidade basta que se indague, antes do mais, da maneira porque se distribue a justiça, qual dos elementos com que conta a instrucção, qual o gráo de elevação moral da imprensa, e de como se diverte o povo.
Examinemos os indices de civilisação que nos pode fornecer Viçosa, por que nelles encontraremos a explicação para o seu progresso.

A Justiça

A justiça de Viçosa encontrou nos seus integros representantes, Drs. Francisco Machado de Magalhães Filho e José Alcides Rodrigues, respectivamente juiz de direito e promotor publico, a garantia maior.
Verdadeiro juiz, pautando dentro da rigorosa justiça, todos os seus actos, é o factor da tranquilidade dessa ideal tranquilidade que se baseia no culto incorruptivel do Direito.

A Instrucção

Vejamos agora o que encontramos como instrucção em Viçosa.
Temos que avaliar o carinho que se dispensa á instrucção, a Escola Normal, dirigida pela piedosa dedicação da congregação religiosa das Irmães Carmelitas.
Estabelecimento modelo, a Escola Normal é, sem favor nenhum, um fóco de dissiminação de ensino, baseado nas modernas exigencias da pedagogia.
O Grupo Escolar, bastava que se dissesse estar na sua direcção entregue a alta competencia desse educador que é o Sr. João Baptista de Lima, para quem” .......(TRECHO ILEGÍVEL)....... “ainda o Gymnasio de Viçosa cuja reputação é assegurada pelo renome que em materia de ensino já conquistou o seu digno director, Dr. Arnaldo Carneiro Vianna.

A Imprensa

Viçosa tem dois orgãos de publicidade que reflectem o nivel de sua boa e honesta imprensa.
‘Cidade de Viçosa’ dirigida actualmente pelo Sr. Luiz Peres, conta 32 annos de existencia o que mostra bem claro o amparo que lhe dispensam os leitores de Viçosa, como mostra também, a confiança que lhe merece a intelligente orientação que lhe dá o seu redactor-chefe.
O ‘Jornal de Viçosa’ mais moço que o seu colega, sob a direcção do Sr. Sylvio Loureiro, nem por isso deixa de gosar do favor publico, esse orgão de publicidade que vae, dia a dia, dilatando a sua circulação.

Theatros e Cinemas

Viçosa para divertir os seus habitantes tem varias casas de diversões destacando-se o Theatro Paladino e o Cinema.
Bastava a existencia do Theatro para se avaliar o amor que os viçosenses dispensam ás manifestações de arte.
Agora, para mostrar o progresso de Viçosa, deveriamos ainda dizer que esta cidade tem agua, luz electrica e esgotos.
Tem um lindo jardim publico e tem um hotel já bem confortavel.
Mas o que a todos deve surpreender, e aqui nos queremos referir aos outros municipios do Brasil, é haver, Viçosa, resolvido o problema da habitação para operários.
Viçosa tem cerca de 170 casas para operarios em construcção, em terrenos doados para esse fim pela Camara Municipal.
Ajuntemos a meritoria acção do Dr. Antonio Gomes Barbosa mais este inestimavel serviço.
Como precisamos justificar todas as referencias feitas ao transformador de Viçosa, melhor do que as nossas palavras vão dizer o Relatorio e os Orçamentos que abaixo publicamos.
Agora vão falar os fatos e os algarismos".

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(Seguem os Orçamentos de 1924 e de 1925, na referida publicação, O Progresso do Brasil...)

Comentário deste blogger: alguns números, diga-se de passagem, da publicação, não coincidem com os livros originais, por mim consultados nos arquivos da Câmara Municipal de Viçosa.

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(Outros escorços biográficos ainda em preparação).

José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Excerto do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, de autoria deste blogger






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Câmara, Prefeitura, Fórum, cadeias e cemitérios

Firmado a 24 de abril de 2006, um convênio permitiu a transferência, do Estado de Minas Gerais para a Municipalidade, do tradicional edifício público da praça Silviano Brandão, nº 5, para abrigar a sede própria da Câmara Municipal. Em 2008 ele recebeu a denominação de Edifício Dr. Octávio da Silva Araújo, homenageando um ex-presidente da Câmara Municipal (1948-1951).
Conforme registros históricos, o Legislativo fora instalado aqui no dia 30 de abril de 1873, pelo presidente de Minas, Venâncio José de Oliveira Lisboa, meses após a inauguração da então Vila de Santa Rita do Turvo (a 22 de janeiro de 1873), no governo provincial de Joaquim Floriano de Godói. O primeiro edifício-símbolo dos poderes municipais existira na esquina direita da Rua dos Passos com a praça Silviano Brandão, depois sede do Gymnasio de Viçosa. Foi demolido na década de 1950. Em seu salão transcorreram diversas legislaturas, desde a primeira, chefiada pelo tenente-coronel e mestre-escola Manoel Bernardes de Souza Silvino (Neca Coletor), que deixou, diga-se de passagem, grande descendência em Viçosa, hoje representada, dentre outras ilustres famílias, pelos Silvino Ferreira e Alves da Silva.
Documentação arquivada na Secretaria de Estado de Administração de Minas Gerais, chegado às mãos deste blogger por intermédio do ex-chefe da assessoria deste órgão estatal, o jornalista viçosense Simão Cirineu Ladeira, registra a doação do terreno para a primitiva sede dos poderes públicos municipais. É exarada da forma seguinte:

“Termo pelo qual diversos cidadãos, se comprometem a aprontar, digo cederem um edifício para servir de cadêa e casa da Câmara da Villa de Santa Rita do Turvo.
Aos nove dias de julho de 1872 perante o inspector e o procurador fiscal da thezouraria provincial compareceo o Dr. Carlos Peixoto procurador bastante que mostrou ser dos cidadãos José Lopes de Faria Reis, Antônio José Gomes, Joaquim da Silva Soares Cabral, Francisco Lopes de Faria Reis e Antônio Modesto da Silva e ahi declarou que usando dos plenos podêres que lhe foram conferidos na procuração que ficou archivada nesta Repartição, por este termo e na melhor forma e via de direito ratificava em nome daqueles seos constituintes a sessão que fazem todos e cada um de per si, de um edifício para servir de cadêa e casa de câmara da Villa de Santa Rita de Turvo, afim de que possa ter desde já a execução a lei nº 1817 de 30 de setembro de 1871, devendo reverter ao cessionário, digo, o prédio aos cessionários no caso de supressão da mesma Villa, ou a transferência de sua séde. E por firmeza lavrou-se o presente termo, pagou de direito 2$000 conforme talão nº 95 desta data.

(a) - F. Luiz da Veiga
(a) - Carlos Peixoto de Melo
O Procurador Fiscal interino
Antônio Luiz Maria Soares de Albergaria"

Trata-se do imóvel de número 136 da praça Silviano Brandão, esquina com a Rua dos Passos, que já não existe, demolido que foi na década de 1950, e que em 1913 fora cedido ao município de Viçosa, por força de dispositivo da Lei 617, de 18 de setembro de 1913:

"Art. 5º - Fica o Presidente do Estado autorizado:
...............................................................
b) – A ceder gratuitamente à Câmara Municipal de Viçosa o prédio sito à Praça "Silviano Brandão", na cidade de Viçosa e que servia de cadeia, para nele funcionar o Ginásio daquela cidade.
Dada no Palácio da Presidência do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, aos 18 de setembro de 1913.

Julio Bueno Brandão
Arthur da Silva Bernardes"

Quanto ao edifício de número 5 da praça Silviano Brandão, nova sede da Câmara desde 2008, e que abrigou o Fórum da Comarca, cartórios e coletoria, além da Cadeia Pública, passou no ano de 1964 por uma reformulação orientada pelo Dr. Nilon Gomes, engenheiro da Secretaria de Estado da Viação, por força de uma verba estadual, na importância de 5 milhões, conforme noticiou a imprensa de então. Construído numa área de 431,48 m², em 1912, na esquina da antiga Travessa 10 de Novembro (depois e antes 22 de Junho), atual Dr. João Carlos Bello Lisboa, o prédio confronta, por um lado e pelos fundos, com os terrenos outrora pertencentes ao capitão Alfredo Pinto da Fonseca e foi vendido por Viçosa ao Estado, pelos exatos cinco contos e quatrocentos mil réis, conforme certidão expedida pelo Cartório do 2º Ofício de Notas da Comarca de Viçosa em 23 de maio de 1962, lavrada pelo tabelião interino, Geraldo Lopes de Faria. Tal documento alude a remotos registros do prédio, à folha 25do Livro 3-E, datado de 5 de outubro de 1912 (sob o número de ordem 2193), do livro da transcrição de transmissões, lavrados pelo tabelião Virgílio Augusto da Costa Val.
A transcrição certificada é subscrita pelo tabelião Sylvio Augusto Loureiro. Ei-la:


"Certifico, a pedido da parte interessada, que, revendo em seu cartório os livros destinados à transcrição de transmissões, verifico constar do Livro 3-E, fls. 25, em 5 de outubro de 1912, sob o nº de ordem 2193, a transmissão de Escritura Pública de compra e venda do imóvel situado à Praça Silviano Brandão, nesta cidade de Viçosa, passada pelo tabelião Virgílio Val, no valor de Rs. 5:400,000, sendo adquirente o Estado de Minas Gerais e transmitente Câmara Municipal de Viçosa constituído de:- os terrenos nos quais o Estado de Minas Gerais construiu o edifício que serve de cadeia e forum, dividindo os muros com casa e terrenos do Capitão Alfredo Pinto Teixeira por um lado e pelos fundos e pelo lado oposto com um beco que dá passagem para o pasto do major Emílio Jardim de Resende. Não Houve condições."


O fato é que as reformulações do prédio da Câmara transformaram-no num autêntico exemplar do jocosamente cognominado "estilo-arquitetura-caixote", desde 1964. A modificação do prédio cúbico, no início do Calçadão da Rua Arthur Bernardes, foi orçada, então, em 21 milhões de cruzeiros. A sede da Prefeitura, que no governo do prefeito Geraldo Lopes de Faria foi transferida com a Câmara para a Praça do Rosário, nº 5, funcionara também, na década de 1930, durante o governo do prefeito João Braz da Costa Val, no imóvel que tem o nº 86 na rua Virgílio Val, da família Machado, no de nº 47 da Praça da Estação (atual Marechal Deodoro), hoje pertencente à família Pinheiro, e no de nº 132 da rua Arthur Bernardes, da família Euclides, dali se transferindo para sua sede, juntamente com a Câmara, desde a década de 1940 (?) até 1969, na Silviano Brandão, no prédio que serviu como Escola Estadual Dr. Raymundo Alves Torres (demolido na década de 1980, onde atualmente se ergue o edifício outrora da Minas Caixa, depois da Caixa Econômica Federal), na esquina com a atual travessa Presidente Tancredo Neves. Descaracterizado, portanto, de suas linhas arquitetônicas por mais de uma vez, em 1964 e em 2007, em favor deste edifício 5 da Silviano Brandão, esquina com a Bello Lisboa, foi proposta por diversas vezes e por vários modos às autoridades viçosenses, por arquitetos, a “revitalização” de sua fachada com a proposição de detalhes na entrada e de revestimento em faixas, com cerâmica, criando um desenho compatível com seu formato original. Antes de receber as profundas modificações, inclusive estruturais naquela década de 1960, com ampliação da edificação pelos fundos até o muro do Grande Hotel (atual Hotel Rubim), era belo tanto, ou mais, que os edifícios dos Fóruns da Comarca de Leopoldina e de Rio Pomba(MG), apenas para citar cidades da Zona da Mata mineira, tão antigos como o de Viçosa, com a diferença de serem aqueles intocados e mantidos com sua originalidade.
Obtido o contrato de permissão de uso do edifício público, até que houvesse a sua transferência definitiva ao município, o que ocorreu em 2007, foi a vereadora-presidente Vera Sônia Saraiva (2005-2006) quem determinou a reformulação da nova sede do Legislativo na Silviano Brandão e a instalação de dez gabinetes parlamentares, videoteca, tele-sala para acesso à Internet, espaço cultural para exposições artísticas e lançamento de livros, dentre outras adequações, além da criação, a exemplo da vizinha cidade de Ponte Nova, de uma biblioteca. Conforme ressaltou o jornalista Pélmio Simões de Carvalho, no editorial da edição nº 1953 do Folha da Mata, de 29 de julho de 2006, “juridicamente, tal imóvel é um bem imobiliário de uma entidade de direito público, no caso, o Estado de Minas Gerais, que o devolve ao seu primeiro possuidor, o município de Viçosa, na forma de comodato, ou seja, empréstimo gratuito de coisa não fungível, que deve ser restituída no tempo convencionado pelas partes. Como, no caso, o município de Viçosa cedeu ao Estado duas grandes valiosas e glebas de terra, onde ele ergueu o novo fórum da cidade e outra, onde a Câmara ergueria a sua sede, a transação tomou aspecto de permuta que, mais ainda, evidenciou o aspecto de transação comercial definitiva e inarredável” . O editorialista destacou também o seguinte: “Engrandeceu-se o Estado com a construção de um magnífico prédio, com amplas, numerosas e modernas instalações, capazes de acomodar todos os trabalhos e servidores da Justiça e o povo da Comarca, confortavelmente, agora e, certamente, nas próximas cinco ou seis décadas, por mais que nossas cidades se desenvolvam, tanto mais que, agora, o novo fórum tem uma grande área contígua, para expansão”.
E quanto à Cadeia Pública, esta funcionou, além da praça Silviano Brandão, nos prédios 136 e 5, também no austero edifício de nº 337 da avenida Santa Rita. Pertencente ao município desde 1933, veio a ser o prédio da Santa Rita a sede da Escola Ministro Edmundo Lins, inaugurada a 10/3/1962. O Colégio Raul de Leoni ali também funcionou provisoriamente. A reformulação foi executada pela firma do viçosense Jacob Lopes de Castro, por força de um convênio entre o Município e o Governo do Estado, por intermédio do deputado Dr. Juarez de Souza Carmo, na Campanha de Reforma e Recuperação de Prédios Escolares (CARRPE). Criado por decreto de 11 de abril de 1945, foi o Edmundo Lins segundo educandário de 1º grau da cidade (Ensino Fundamental), instalado a 17 de fevereiro de 1945, sendo prefeito João Francisco da Silva. O convênio que possibilitou seu funcionamento foi assinado entre o Governo de Minas Gerais e o prefeito José Lopes de Carvalho a 13 de junho de 1950. Inicialmente da Rede Estadual de Ensino, passou à Rede Municipal na administração do prefeito Fernando Sant'Ana e Castro. A Cadeia Pública transferiu-se da Santa Rita na década de 1960, para a rua Dr. Brito. De lá foi novamente transferida, em 2006, para o bairro Bom Jesus, ficando o presídio da Dr. Brito a sediar a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), um sistema prisional alternativo.

Cemitérios

Ampliado por pelo menos quatro vezes ao longo de seu tempo de funcionamento e ocupando hoje o terreno da antiga caixa d’água da cidade, o cemitério da rua Pe. Serafim, antiga Rua do Cruzeiro, tinha já, no princípio do século XXI, 1.200 jazigos de até 3 gavetas, distribuídos em 5 quadras de 235 túmulos.
Propostas de vereadores existiram várias, mas que não chegaram a ser votadas pela Câmara, para que tanto o Dom Viçoso como o Colina da Saudade, este funcionando desde maio de 1986 (hoje com bem mais de 3.000 corpos), fossem administrados pelos dois hospitais da cidade, que assim aufeririam a renda das taxas de manutenção, da limpeza e dos sepultamentos.
Em 1914, conforme registros históricos, o então administrador público de Viçosa, Dr. José Ricardo Rebello Horta demonstrava a sua preocupação com a necrópole, cercada ainda com estacas de baraúna e em vias de ser fechada por não mais estar comportando sepultamentos devido a sua pequenez. Pela Resolução nº 348, de 19 de janeiro daquele ano o Dr. Horta baixou normas para o perfeito funcionamento do cemitério municipal ali no alto da Rua do Cruzeiro, entre as quais a de que as sepulturas em forma de carneira teriam que ser subterrâneas e com "as mesmas dimensões das sepulturas ordinárias", não podendo as paredes serem feitas com argamassa impermeável e tendo o fundo constituído pelo terreno natural. Preocupou-se a Câmara, também, com a arborização, que deveria ser feita com árvores esguias, de tronco elevado, preferencialmente resinosas e de folhagem persistente.
O cemitério recebeu, portanto, o seu primeiro alargamento, por iniciativa daquela administração, dando-lhe área suficiente até então. Outros alargamentos se sucederam noutros governos. O muro de alvenaria só viria na administração do Dr. José Lopes de Carvalho, primeiro prefeito eleito, em 1947, muro que foi refeito parcialmente na administração de Fernando Sant'Ana e Castro já no princípio do terceiro milênio. Havia, no governo de Dr. Horta, grande preocupação com o aspecto sanitário e estético da velha necrópole viçosense. Quando havia hipótese de moléstia infecto-contagiosa, o enterramento deveria ser feito com o corpo do defunto "envolvido em um lençol embebido em solução de sublimado a 1 por 1.000."
Os artigos 2º e 4º da Resolução nº 348, de 19/1/1914, arquivada na Câmara Municipal, determinam, respectivamente, o seguinte: "O novo cemitério ou o alargamento do actual, de área bastante consideravel para conter sepulturas, deposito mortuario, arruamento e a necessaria arborisação sera provisoriamente cercado com arame, systema 'Page' de altura de 1m.22, até que a Municipalidade seja possivel cercal-o definitivamente por meio de muro ou gradil de ferro, com altura minima de 1m.80." "As sepulturas serão de 1m.70 de profundidade, 0m,80 de largura e 2 metros de comprimento, entre as sepulturas contiguas, um espaço de 0.60; não podendo ser socada a terra que lançar dentro das mesmas."
Conforme registros históricos, o cemitério do centro da cidade, que recebeu a atual denominação em homenagem ao bispo português Dom Antônio Ferreira Viçoso, foi construído em 1865 por iniciativa de missionários da Irmandade de São Francisco de Assis, os franciscanos, em terras doadas por familiares do major Cyriaco Severiano da Silva e Castro e pertencentes ao “Patrimônio de São Francisco”. O primeiro registro de sepultamento no Dom Viçoso é o de Joaquim Romão Moreira e Castro, ali enterrado a 12 de junho de 1866, conforme consta de um dos livros do arquivo paroquial do Santuário de Santa Rita.
Em 1893 o administrador público de Viçosa, Dr. José Theotônio Pacheco autorizou despesas da ordem de até 2:000$000 para a aquisição de cada um dos terrenos para os cemitérios dos distritos de São Sebastião da Pedra do Anta, Herval, Araponga e São Vicente do Grama. A Resolução oficial nesse sentido é datada de 3/7 do referido ano (Resolução nº 6). Em 1906 o agente executivo municipal Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, pela Resolução nº 201 de 15/4 no mesmo sentido autorizou 4:000$000 para a construção dos cemitérios dos distritos de Santo Antônio dos Teixeiras e de Araponga, a cargo dos respectivos conselhos distritais. Em 1909 o presidente da Câmara, Dr. Emílio Jardim de Resende se preocupou também em determinar a reforma do cemitério do distrito do Anta (atual cidade de Pedra do Anta), empregando, conforme a Resolução nº 274 de 2/10 a importância de 500$000. Em 1920 o Dr. Antônio Gomes Barbosa autorizou três contos de réis para a construção do Cemitério de São Miguel do Anta (Resolução nº 401) e 500$000 para um outro cemitério no povoado de Pouso Alegre, no distrito de São Vicente. Em 1927 o Dr. João Braz da Costa Val, na mesma condição dos dois anteriores, autorizou um conto de réis para a construção do cemitério de Canaã. À época, todos esses cemitérios deveriam estar ainda cercados com gradis de madeira.
Desde 1813, ano em que ocorreu a instalação da segunda Capela de Santa Rita no local onde hoje situa-se a esquina da rua Benjamim Araújo (antiga Rua do Comércio) com a praça Silviano Brandão, antigamente "Largo da Matriz”, à margem esquerda do ribeirão São Bartolomeu, os finados eram inumados no adro ou no interior do templo, e em cemitérios de propriedades rurais como a Fazenda do Macuco, inclusive escravos, conforme assentos subscritos pelos curas Pe. Manoel Gonçalves Fontes e Pe. Maximiliano José da Silva Castro, entre 1816 e 1819, período pesquisado por este blogger. Este primitivo cemitério da Capela de Santa Rita teria funcionado por 53 anos, após a suposta transferência da antiga Ermida da Rua dos Passos para o referido logradouro do atual centro da cidade de Viçosa. Sobre a extinta necrópole, que ficava à frente da capela, foi iniciada a construção, em 1851, da Igreja Matriz da Paróquia, demolida pouco mais de um século após, em maio de 1954, depois do término da construção do moderno Santuário. O pároco Pe. Carlos dos Reis Baêta Braga (1957-1999), ao iniciar a construção do Centro Social ao lado do Santuário e Casa Paroquial, mandou transladar para o campo-santo da rua Padre Serafim os restos mortais ali encontrados, quando já estava derribada a velha Igreja Matriz.


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A gênese toponímica e o Dia da Municipalidade

GÊNESE TOPONÍMICA

“Santa Rita do Turvo, Capela filial do Pomba elevada a freguesia pelo decreto de 14 de julho de 1832 com as filiais São José do Barroso e Conceição do Turvo. –Instituída canonicamente por provisão episcopal de 31 de agosto de 1833. Primeiro vigário (encomendado) Agostinho Isidoro do Rosário, promovido a colado por Carta da Presidência da Província de 23 de Fevereiro de 1837, colado a 1 de Abril; Manuel Filipe Néri, apresentado por Carta Imperial de 16 de Agosto de 1861 e colado a 11 do mês seguinte. É a cidade de Viçosa, nome que lhe foi dado em homenagem ao Bispo Dom Antônio Ferreira Viçoso.”

Texto de autoria do Monsenhor Raimundo Trindade, à página 277 do livro “Instituições e Igrejas no Bispado de Mariana”, editado pelo Ministério da Educação e Saúde em 1945, publicação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

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Muito antes de ter o título de Cidade, o povoado localizado numa latitude de 20º45'14" Sul e a uma longitude 42º52'55" Oeste, com altitude de 648 metros, e que em 2004 chegaria a uma população estimada em 71.624 habitantes, com uma área de 300,264 quilômetros quadrados, representando cerca de 0.051% do Estado, 0.0324% da região e 0.0035% do território nacional, era denominado informalmente, e até em documentos oficiais, de “Passagem do Turvo”. Depois passou a Santa Rita do Turvo, nome devido a Santa Rita de Cássia, nascida na província de Umbria, Itália, em 1386, freira do convento agostiniano de Santa Maria Madalena, em Cássia, falecida a 22 de maio de 1457, beatificada em 1626, pelo Papa Urbano VIII, e canonizada em 24 de maio de 1900 por Leão XII.
O culto a Santa Rita vem dos primórdios do núcleo populacional. Desde o século XIX há uma devoção especial à sua célebre imagem, esculpida por um mestre da arte sacra do século XIX, e que do altar-mor do Santuário sai às ruas em andor ornamentado na Procissão das Rosas, anualmente, a cada 22 de maio. Fora benzida, segundo contam, por um missionário franciscano chamado Paulino quando de sua chegada a Viçosa. Provinda da Corte Imperial (RJ) por ocasião do término da Guerra da Tríplice Aliança, em 1870, a imagem foi adquirida na Corte Imperial e entronizada inicialmente numa capelinha que existiu próximo de onde se encontra o Hospital São Sebastião, num trono construído por escravos, na fazenda do capitão José Maria Sant’Anna.
A palavra Turvo, incorporada às primitivas toponímias, deve-se a um dos cursos d’água que atravessa o município, tendo como um de seus afluentes o São Bartolomeu, que separa a zona urbana da suburbana. Esta cidade de relevo montanhoso, sendo três por cento plano, oitenta e cinco por cento de montanhas e doze por cento ondulado, está na área da Bacia do Rio Doce. Seus cursos d´água principais são o Rio Turvo Sujo e o Rio Turvo Limpo. Por entre as vertentes do Rio Turvo Limpo e Casca, à outrora “Grande Viçosa” pertenceram, além desses dois cursos citados, o Turvão, o Sant’Anna e o São Domingos, bem como as cachoeiras Alegre, Escura, Grande, do Casca, São Silvestre e Varadouro e também a Lagoa do Herval. O São Bartolomeu, que atravessa a área central da cidade, recebe as águas dos córregos Santa Catarina, do Engenho, Paraíso e das Posses. Outro seu afluente é o ribeirão Santa Tereza, que recebe as águas dos córregos Pião, Buieié, Condé, Deveras, Fundo, Silêncio e da Posse; além dos córregos Pau-de-Cedro, São João, São Silvestre, dos Nobres e Ferreira. O rio Turvo Limpo corre na divisa Oeste do município e conflui com o rio Turvo Sujo na região de Duas Barras, nos limites de Viçosa com os municípios de Porto Firme e Guaraciaba. São afluentes do rio Turvo Limpo os córregos Mainarte, Pinhão, Estiva, Laranjeira, Seco, dos Bastos e do Leme. A Bacia do Ribeirão São Bartolomeu está situada numa área de 3.000 hectares, possuindo 440 nascentes em propriedades rurais do Córrego do Engenho, Paraíso e Palmital. Importante para a agricultura e indústria e abastecimento, além do turismo, é fundamental na formação de importantes Bacias Hidrográficas. Era o responsável, até 2006, por 60% do abastecimento de água da cidade e 100% da Universidade Federal.
E a moderna toponímia, coincidentemente, oficializou-se pouco tempo após a morte de Dom Antônio Ferreira Viçoso, que falecera a 7 de julho de 1875. A 3 de junho de 1876 às vésperas de se completar um ano de seu passamento foi a toponímia municipal alterada para Viçosa de Santa Rita. Detentor do título de “Conde da Conceição”, Dom Viçoso integra hoje, no Vaticano, na Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, a relação dos que viveram em terras brasileiras e que estão sob processos de beatificação. Ele foi o 7º bispo de Mariana, criada em 1745 pela bula papal “Candor Lucis Aeternae”. Em 1906 se tornou Arquidiocese, pelo documento pontifício de São Pio X, “Sempiternam Humani Generis”. A data de 3 de junho nunca foi feriado municipal em Viçosa, mas sempre foi data especialmente respeitada no âmbito municipal. Inclusive existiu, no princípio do século XX, na cidade, uma sociedade recreativa denominada ‘3 de Junho”. E o fato de ser ele o epônimo do antigo cemitério viçosense, prova ser este Servo de Deus e candidato a bem-aventurado, o alvo de uma insofismável devoção popular em Viçosa. O cemitério da rua Pe. Serafim recebeu a denominação já no século XX, conforme dizeres constantes da placa que se afixou à porta da necrópole, por iniciativa da Câmara Municipal:

“Cemitério Dom Viçoso – administração Antônio Chequer – Denominação – Projeto Vereador Gilberto V. Pinheiro – 8/5/1973”.

É o seguinte o texto da Lei 2.216/1876, extraído da publicação As Denominações Urbanas de Minas Gerais:

“Eleva à categoria de cidade as Vilas do Santíssimo Sacramento e Santa Rita do Turvo. O Barão da Villa da Barra, do Conselho de S. M. O Imperador, Grande Dignitário da Imperial Ordem da Rosa, Comendador da de Cristo, e Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu sancionei a lei seguinte: Artigo único – Ficam elevadas à categoria de cidade as vilas do Santíssimo Sacramento e Santa Rita do Turvo; aquela conservará a mesma invocação, e esta terá a de cidade Viçosa de Santa Rita; revogadas as disposições em contrário. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.
O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos três dias do mês de junho do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e seis, qüinquagésimo quinto da Independência e do Império. Barão da Villa da Barra Para V. Exc. Ver, Luiz Nicolao de Abreo a fez. Selada e publicada nesta secretaria aos 3 de junho de 1876. José da Costa Carvalho”.


É inconteste o fato de ser devido ao 7º bispo de Mariana, Dom Viçoso, o topônimo do distrito da sede do município. Trata-se da adoção de um antropônimo, não obstante a patente adjetivação feminina da palavra Viçosa, que, diga-se de passagem, é um belo fonema que significa encanto, afago, gentileza, primor, perfeição, excelência, exuberância e vigor. Trata-se da onomástica posposta da linhagem familiar deste consagrado prelado. A adoção da letra A, de gênero feminil, e não a 14ª letra do alfabeto (a Viçosa, não o Viçoso), se tornou mote para altercações políticas, duelos titânicos, artigos de imprensa e debates de silogistas, que intentaram decertar contra a desinência patronímica. O nexo causal relativo ao atual nome da cidade foi contraditado por memorialistas, que reclamaram do não achado, em arquivo público, do arrazoado justificativo da alteração toponímica de Santa Rita do Turvo. Há fontes que informam que durante a ditadura Vargas, por muito pouco Viçosa não voltara à antiga toponímia. A justificativa, justiçosa, de então, por parte do governo, seria, provavelmente, a duplicidade (Viçosa do Ceará, etc).
Provável é que este nunca fora escrito, sendo a justificação exclusivamente oral por parte do legislador mineiro que a propôs. Jamais se localizou tal documento, sendo sua improvável existência reclamada por pesquisadores da nossa história.
VIDIGAL (nº? (confira as referências bibliográficas deste trabalho), por exemplo, à página 75, Capítulo 14, de sua obra Minha Terra & Minha Gente, assim se expressou:


“Só quem sofre o tormento da miopia intelectual ou quem mostra sinais de debilidade mental ou quem é habilidoso na arte de inventar mentiras seria capaz de cometer o sacrilégio de efeminar ou de feminizar o nome de Dom Viçoso a fim de homenagear um bispo másculo, viril, forte, vigoroso, firme em suas atitudes, inabalável em suas sábias e prudents decisões, resistente às pressões do poder civil.
Seria insuportável injúria tal homenagem ridícula e repugnante que atentaria contra a dignidade da pessoa humana e contra a dignidade sacerdotal de Dom Viçoso. Seria violenta agressão à boa fama que aureolava o seu nome. A fama de cada homem é um sobrescrito e epígrafe que declara o que há nele. É o maior patrimônio dele. Honestus rumor; alterum est patrimonium, dizia Públio Mimo. É o perfume das ações heróicas, conforme o juízo de Sócrates, citado por seu discípulo Platão.
Qual é a vida, tal é a fama. Eis o que Petrarca (1304-1374) escreveu em um dos Diálogos que compõem o seu livro De Studio Famae.
A Justiça afinou os clarins para anunciar a boa fama e para a celebração dos merecimentos de Dom Viçoso. As boas obras dele são ecos que alentam sua boa fama.
Habituada a ouvir sem discreção tudo que ocorre à imaginação de alguns irresponsáveis que desprezam a pesquisa e o exame (pedras de toque da verdade histórica), houve gente (em alguns municípios da Zona da Mata mineira) que acreditou na balela ou no boato de que a Viçosa foi dado o nome, que ainda tem, só para homenagear Dom Viçoso.
Bispo, ele deixou aos pósteros a perpetuidade de seu nome honrado e glorioso, que não pode continuar afeminado na boca do povo, para explicar o inexplicável.
Na verdade, se houvesse quem quisesse homenageá-lo, deveria esforçar-se para que, ano novo município criado em 1871 e à cidade, que é sua sede, fosse dado o nome DOM VIÇOSO, digno de todas as homenagens.
VIÇOSA DE SANTA RITA tem a sua História que não pode ser ignorada”.


Dom Viçoso percorria grandes distâncias em suas visitas pastorais a cavalo ou carregado em liteira. Foi ele “o evangelizador por excelência do século XIX em Minas Gerais”, na abalizada avaliação do cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, viçosense que passou a integrar os quadros da Academia Mineira de Letras desde o cinqüentenário de seu sacerdócio, em 2006.
Diretor do legendário Colégio do Caraça e superior geral dos Lazaristas no Brasil, Dom Viçoso foi nomeado bispo de Mariana a 7 de janeiro de 1843. “Nenhum homem havia então melhor talhado pela Diocese nem mais feito para as suas precisões. Era vigoroso, robusto, sadio e de uma compleição que prometia viver um século”, destacou Dom Silvério Gomes Pimenta, seu sucessor e biográfo. Foram seus antecessores Dom Frei Manuel da Cruz (1748-1764), Dom Joaquim Borges de Figueiroa (1771-1772), Dom Frei Bartolomeu Mendes dos Reis (1772-1777), Dom Domingos da Encarnação Pontevel (1778-1793), Dom Frei Cipriano de São José (1797-1817) e Dom Frei José da Santíssima Trindade (1819-1835). Até 2007, sucederam-no no Áureo Trono Episcopal: Dom Antônio Maria Corrêa de Sá e Benevides (1877-1896), Dom Silvério Gomes Pimenta (1896-1922 – 1º arcebispo), Dom Helvécio Gomes de Oliveira (1922-1960), Dom Oscar de Oliveira (1960-1988), Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida (1988-2006) e Dom Geraldo Lyrio Rocha (2007- ).
Radicado no Brasil desde 1819, Dom Viçoso trabalhou na educação da juventude, em Jacuecanga. Professor de Filosofia em Évora (cidade próxima de Vila Viçosa, terra homônima da mineira da Mata, à qual pesquisadores querem atribuir a vera razão da nossa toponímia), e foi ainda missionário da Congregação da Missão, fundada por São Vicente de Paulo. O nobre antístite nasceu a 13 de maio de 1787, em Peniche, distrito de Leiria, filho de Jacinto Ferreira Viçoso e Maria Gertrudes e fez o curso primário com os carmelitas de Olhalvo, em Portugal.
Ainda sobre este príncipe da Igreja, se expressou tersamente o historiador Diogo de Vasconcelos: “Não há poeta verdadeiro que não seja um místico. Dom Viçoso, o professor de Filosofia, o teólogo que fundou colégios, era também um músico sacro, um poeta compositor como São Francisco de Assis, que ensinava aos passarinhos a letra de seus gorjeios, e tirava das flores metro para o hino da criação [...] Foi na Cartuxa que Dom Viçoso findou os dias, aos 88 da vida terrestre, na noite de 7 de julho de 1875”.
Coincidentemente - e são vários os sinônimos da palavra “coincidência” - tão logo finara este vulto da Igreja, Minas Gerais empreendeu diligências para alterar a toponímia de Santa Rita do Turvo, o que é tido como impassível e substancioso vestígio prevalecente, a razão realmente real para o lindo nome da cidade que homenageia, com perpetuidade, este ilustre clérigo.


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O DIA DA MUNICIPALIDADE

Lei nº 377

O povo do Município de Viçosa, por seus representantes, decreta e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

"Institui a 'Semana da Cidade de Viçosa'.
Art. 1º - Fica instituída a 'Semana da Cidade de Viçosa', que começará no dia 24 de setembro e terminará no dia 30 do mesmo mês.
Art 2° - Será considerado feriado municipal o dia 30 de setembro, data da Municipalidade.
Art. 3º - O senhor Prefeito Municipal deverá fazer com que participem das comemorações da 'Semana da Cidade de Viçosa' tôdas as entidades representativas do Município.
Parágrafo Único - Deverão ser criadas comissões de planejamento e organização das festividades, cada ano, sob a supervisão do Prefeito Municipal.
Art. 4º - Fica aberto o crédito especial de Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros) para custeio de despesas dos festejos da 'Semana da Cidade de Viçosa'.
Art. 5º - Revogadas as disposições em contrário, entrará esta lei em vigor, a partir da data de sua publicação.
Mando, portanto, a tôdas as autoridades e a quem a execução desta lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.

Prefeitura Municipal de Viçosa, 20 de agôsto de 1961.

RAYMUNDO ALVES TORRES
Maria Rita Torres Simonini"

Das páginas 47 (verso) e 48, do Livro de Leis nº 13 da Prefeitura Municipal de Viçosa

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Na trajetória épica dos acontecimentos antecedentes e diretamente relacionados à criação do município de Viçosa, há fatos históricos que remontam à Era do Brasil Colonial. Em 1808 estabeleceu-se na região de Santa Rita do Turvo, a futura Viçosa, uma das divisões militares da Capitania de Minas, a mando de D. João VI. Em 1829, sendo imperador D. Pedro I e bispo de Mariana, D. Frei José da Santíssima Trindade, a Freguesia do Mártir São Manoel dos Sertões do Rio da Pomba e dos Peixes dos Índios Coropós e Coroados, com 39 casas, compreendia diversas capelas filiais, entre essas a de Santa Rita do Turvo. Por um decreto de 13 de outubro de 1831, a atual cidade de Rio Pomba, distante cem quilômetros de Viçosa, foi elevada à categoria de Vila, compreendendo a Freguesia de São João Batista do Presídio (a atual e vizinha Visconde do Rio Branco), conforme resolução da Assembléia Geral Legislativa. Expediram-se a 3 de março de 1832 as instruções para a instalação do município. E de 25 a 27 de agosto daquele mesmo ano, ocorreram os festejos, que se seguiram ao auto do levantamento do pelourinho, cerimônia comandada pelo ouvidor de Ouro Preto, Dr. Antônio José Monteiro de Barros, onde está a praça principal rio-pombense, hoje denominada Dr. Último de Carvalho. Presidia a província de Minas, por aqueles dias, o Barão de Pontal, Dr. Manoel Ignácio de Mello e Souza.
Dentre os 14 distritos que inicialmente (em 1837 chegaram a 20) ficaram compreendendo no Termo (subdivisão de Comarca) do Pomba, figurou a Freguesia de Santa Rita do Turvo, quando em Minas se contavam em seis as Comarcas. A extensão territorial do município do Pomba era enorme, pois abrangia as divisas de Araponga até Além Paraíba, no sentido Norte-Sul; e de Mercês a Santo Antônio de Pádua (este último é município fluminense e já foi mineiro), no sentido Leste-Oeste. Foram despendidos, na instalação da Vila, 40$700 (quarenta contos e setecentos réis), pelo capitão Bento Joaquim Pereira, que comprou os livros e financiou a estadia do referido ouvidor no Pomba, para os cerimoniais. Tal importância só foi paga pela Câmara, 11 meses após (a 20 de julho de 1833), quando a província de Minas tinha já um novo presidente: Dr. Antônio Paulino Limpo de Abreu. Pela Resolução Provincial de 30 de junho de 1833, que criou a Comarca do Rio Paraibuna, o distrito de Santa Rita do Turvo ficou judiciariamente subordinado ao Termo da cidade de Mariana, da Comarca de Ouro Preto. E em face da Lei nº 134, de março de 1839, que elevou a Freguesia de São João Batista do Presídio à categoria de Vila, o distrito de Santa Rita do Turvo foi desmembrado da imensa região fisiográfica até então jurisdicionada pelo Pomba, passando a compreender no Termo desta que desde 1882 é a cidade de Visconde do Rio Branco (Paranhos).
A Capela de Santa Rita (filial e distrito do Pomba) foi elevada a Freguesia pelo Decreto Imperial de 14 de julho de 1832, passando a ter como filiais os curatos de São José do Barroso (Paula Cândido) e Conceição do Turvo (Senador Firmino). Carta de lei provincial, datada de 12 de agosto de 1834, alterou a legislação que dispunha sobre a criação de distritos, competência que se transferiu para a presidência de Minas. As antigas resoluções das Câmaras Municipais foram extintas. Estas observavam termos de um Decreto Imperial, de 11 de setembro de 1830, que as autorizava eleger juízes de paz nas “capelas filiais curadas” e dispunha sobre delimitações territoriais distritais, por essas Câmaras, demarcadas, nos casos específicos em que as capelas não tivessem construídas ainda no seu entorno mais do que 75 casas. A primeira Câmara da Vila de São Manoel da Pomba foi instalada obedecendo-se a regras estabelecidas na Lei de 1º de outubro de 1828, quando a legislação pertinente era da exclusiva competência do Governo do Império. E foi a Câmara do Pomba a única da Zona da Mata instituída observando-se este velho sistema. As outras, como a de Santa Rita do Turvo, foram constituídas por atos do Conselho Provincial.
Por um decreto datado de 30 de setembro de 1871, Santa Rita do Turvo foi elevada a Vila, sendo pertencente, nesta última ocasião, ao município de Ubá e à Comarca de Piranga, até que pudesse adquirir o prédio público da Câmara e cadeia, no exato local em que se encontra o imóvel de número 136 da atual praça Silviano Brandão (antigo Largo da Matriz), na esquina direita da Rua dos Passos, para somente assim conquistar a autonomia de um governo local. Dois anos após, em 1873 é que se pôde instalar o Termo da Vila de Santa Rita do Turvo, subordinado à Comarca de Muriaé, sob a direção do juiz Antônio Augusto da Silva Canedo. A primeira audiência se deu a 3 de abril de 1873. E a tão almejada instalação oficial do município de Santa Rita do Turvo, com seu paço próprio, se efetivou ali, enfim, a 30 de abril de 1873, sendo presidente de Minas, Venâncio José de Oliveira Lisboa. A inauguração da Vila (depois cidade de Viçosa) realizou-se a 22 de janeiro daquele mesmo ano (1873), tendo Joaquim Floriano de Godói à frente do governo da província mineira. Foi quando assumiu a presidência da Câmara santa-ritense o mestre-escola Manoel Bernardes de Souza Silvino (Neca Coletor), que permaneceu no cargo, no primeiro de seus dois mandatos, até 1876, ocasião em que ocorreu a mudança do topônimo municipal para Viçosa de Santa Rita, a 3 de junho, já com o título de Cidade, pela Lei nº 2.216. O município, mesmo após criado em ato legislativo, passou a existir, de fato e de direito, somente depois de realizado o ato festivo de instalação, quando foi declarado oficialmente como órgão autônomo de administração, com as devidas formalidades legais. A data de seu registro é assim a que tem a maior importância histórica.
Nas primeiras décadas do século XX, o Dia da Municipalidade era feriado no 22 de janeiro, realmente a data de Inauguração da Vila de Santa Rita. A partir da década de 1960, entretanto, se convencionou comemorar, com festejos, a data da Lei que elevou a Freguesia de Santa Rita à categoria de Vila: 30 de setembro. Existe registro histórico de manifestação de regozijo público, em 1961, pelo 90º ano da assinatura desta Lei. Até então não havia festejos alusivos. Iniciada portanto uma contagem consensual por parte da intelectualidade viçosense, esta serviu como referencial para o planejamento e a organização de grandes festejos nos anos subseqüentes. Baseou-se possivelmente no Anuário de Minas Gerais, editado em 1909, e que traz o seguinte texto: “O município foi criado com sede na Vila de Viçosa (então arraial de Santa Rita do Turvo), por Lei 1.817, de 30 de setembro de 1871, ano da Lei do Ventre-Livre, ministério Rio Branco”. E fato é que tal celebração foi oficializada como Dia da Municipalidade em 1961, pela Lei nº 377, na segunda administração do prefeito Dr. Raymundo Alves Torres, que também governou Viçosa em dois mandatos (46/47 e 59/62). E até a edilidade erigiu em data cívica maior dos viçosenses (muito questionada, diga-se de passagem) o 30 de setembro, na 1ª Lei Orgânica Municipal. Permanecem portanto revogadas disposições contrárias à efeméride setembrina vigente.
Nosso mapa não é o mesmo de outrora. Foram distritos viçosenses, inicialmente, São Sebastião do Herval, Coimbra, Santo Antônio dos Teixeiras, São Miguel do Anta, São Sebastião da Pedra do Anta, São Miguel do Araponga e São Vicente do Grama, à exceção deste último, hoje pertencente ao município de Jequeri, todos os outros emancipados, com encargos de progressistas cidades. Com a promulgação das leis nº 556/1911 (governo Bueno Brandão) e nº 843/1923 (governo Raul Soares), que versam sobre Divisão Administrativa Estadual, suprimiu-se grande parte de seu território de 2.102,69 quilômetros quadrados. A Viçosa de ontem (Santa Rita do Turvo), na ocasião de sua emancipação efetiva (30/4/1873), confrontava-se com Santa Luzia do Carangola, Piranga, Abre Campo, Ponte Nova, São Paulo do Muriaé e Visconde do Rio Branco. Atualmente, conforme avançado método de aferição, tem 300,15 quilômetros quadrados, limitando-se a Leste com Cajuri e São Miguel do Anta; a Oeste com Porto Firme; ao Norte com Teixeiras e Guaraciaba; e ao Sul com Paula Cândido e Coimbra. Hoje, além da sede, são três os seus distritos: o mais novo, surgido como tal na década de 1980, o de São José do Triunfo (antigo povoado do Fundão), o de São Silvestre e o de Cachoeira de Santa Cruz.
Nas primeiras décadas do século XX, o Dia da Municipalidade era feriado, portanto, no 22 de janeiro, realmente a data de Inauguração da Vila de Santa Rita. A partir da década de 1960, entretanto, se convencionou comemorar, com festejos, a data da Lei que elevou a Freguesia de Santa Rita à categoria de Vila: 30 de setembro. “Data que se convencionou como de sua elevação à cidade, embora naqueles dia, mês e ano de 1871, apenas se assinou um documento confirmando sua emancipação, e estabelecendo que o governo próprio (portanto a autonomia política) só seria instalado quando os viçosenses tivessem construído ou adquirido um sobrado próprio para se instalar sua Câmara e Cadeia, que não podia ser alugado ou emprestado. O prédio da Câmara era o símbolo e sede do poder municipal, assim como, os sapatos eram a identidade do negro livre (forro). E passaram meses e anos, até que o próprio municipal fosse erguido e, nele, o governo, instalado”, ensina-nos o historiador, professor e jornalista Pélmio Simões de Carvalho. Existe registro histórico de manifestação de regozijo público, em 1961, pelo 90º ano da assinatura da Lei de 30/9/1871. Até então não havia festejos alusivos. Iniciada portanto uma contagem consensual por parte da intelectualidade viçosense, esta serviu como referencial para o planejamento e a organização de grandes festejos nos anos subseqüentes. Baseou-se possivelmente no Anuário de Minas Gerais, editado em 1909, e que traz o seguinte texto: “O município foi criado com sede na Vila de Viçosa (então arraial de Santa Rita do Turvo), por Lei 1.817, de 30 de setembro de 1871, ano da Lei do Ventre-Livre, ministério Rio Branco”. E fato é que tal celebração foi oficializada como Dia da Municipalidade em 1961, pela Lei nº 377, na segunda administração do prefeito Dr. Raymundo Alves Torres. E até a política edilícia erigiu em data cívica maior dos viçosenses (muito questionada, diga-se de passagem) o 30 de setembro, na 1ª Lei Orgânica Municipal. Permanecem portanto revogadas disposições contrárias à efeméride setembrina vigente. O ilustre articulista Simão Cirineu Ladeira defendeu a tese, no jornal Folha da Mata, de que caberia ao prefeito ou a um vereador a iniciativa que “Viçosa culta” estava a requerer para “escapar da lambança histórica” em que a meteram, propondo três datas, entre as quais a de 22 de janeiro como sendo “sem dúvida”, a data da nossa emancipação política. Para este escritor, a promoção de Viçosa a cidade significou a “prova de prestígio dos nossos antepassados”, e que tal nada teria mudado “no dia-a-dia administrativo de Santa Rita do Turvo... A questão não era disciplinada. Se havia algum critério era o de que nobres de primeira grandeza só podiam residir em cidades. Lembrando-se de que, na união Estado-Igreja, os bispos tinham tal nobreza, justifica-se o fato de Mariana ter sido a primeira cidade de Minas, exatamente para sediar o bispado. Outras ‘Vilas’ só tiveram tal privilégio em 1892, já na República, quando todas as sedes de comarcas se tornaram cidades”, justifica o nobre escritor nativo.
De fato, segundo VASCONCELOS, “as terras do Brasil pertencendo ao senhorio da Ordem de Cristo nelas não poderiam erigir senão vilas. Às cidades cumpria fossem dentro de municípios livres, autônomos, e só se podiam criar e existir em terras próprias (ager sacrum); e só nelas em rigor a CIVITAS tinha razão. As vilas, porém, pertenciam particularmente a um senhor que as governava e lhes impunha a sua justiça. Se pois, no Brasil, o rei as governava diretamente, o fazia em seu caráter de grão-mestre da Ordem de Cristo, a cuja custa se ordenavam as navegações e conquistas sob o pretexto de nelas se propagar a fé. Mas o Papa não consentia bispado com catedral em vilas. O bispo não convinha fosse vilão e sim cidadão, quando mais que pelo cargo era nobre equiparado aos príncipes da casa real. Não podia ser vassalo de vassalos. Quando, pois, o rei queria instituir um bispado no Brasil, emancipava a vila e dava-lhe o título de cidade. Assim, para dar a São Paulo o NOME de cidade foi mister declarar que era para ter catedral com bispo (Carta de 6/4/1712, de Antônio de Albuquerque)”.
O ex-vereador Roberto Proença Passarinho chegou a propor a seus pares, na década de 1980, que o feriado municipal fosse o dia 3 de junho, mas a polêmica proposição foi descartada pela edilidade. Ele, diferentemente do articulista em questão, defendia o ponto de vista de que quem quisesse comemorar um ‘Dia da Cidade’, em Viçosa, com correção histórica, deveria fazê-lo nesta última data. O Centenário de Viçosa foi comemorado, com grandes festejos, a 30 de setembro de 1971, no governo do prefeito Carlos Raymundo Torres, e este agendamento da festa anual de 30 de setembro, na opinião do observador, “privilegiou o menos importante, deixando em brancas nuvens o 22 de janeiro, a data de maior importância histórica de Viçosa”, e relacionou a data de 30 de setembro com a do aniversário de emancipação de Viçosa, “um erro grosseiro, e chega ao título da Festa: ‘Dia da Cidade’”. Para ele “tudo resultou e vem se repetindo em decorrência de uma leitura apressada de documentos, feita no passado”. E faz analogias: “Marcado o gol, comemora-se. Esquece-se, então, daquele desarme magistral de meio de campo, iniciador da ‘tabelinha’ com a qual se conduziu a bola à rede. Nascida a criança, marca-se a respectiva data para, nela, pelos anos afora, soprarem-se as velinhas: a data da concepção só interessa à programação dos trabalhos obstétricos ou, ocasionalmente, à investigação de alguma fofoqueira.
Assim se passa com as cidades... Belo Horizonte comemorou seu centenário em 1987, lembrando os cem anos de sua instalação. Alguém ouviu falar em alguma grande festa belo-horizontina em 17 de dezembro de 1993? Pois é: naquela data tornava-se centenária a Lei Adicional 3, criadora da futura capital mineira”. E vai mais longe, ao plano federal: “a festa de Brasília lembra sua inauguração, não da data do compromisso de JK de construí-la”. Voltando à sua aldeia, o articulista, então, arremata: “Daí, nem sob a ótica da emancipação pode-se lastrear com seriedade tais comemorações. Em 22 de janeiro de 1873, realizou-se, por conseguinte, o evento de maior importância da história de Viçosa: sua emancipação. Ela é a data matriz de comemoração séria. 30 de setembro é apenas ‘Dia da Lei da Vila’. 1971 foi tão-somente o ‘Centenário da Lei da Vila’... Sob o aspecto histórico, quanta tolice! Não há razão para 30 de setembro ser ‘Dia da Cidade’, nem igualmente para se ter comemorado o ‘Centenário da Cidade’ em 1971... A emancipação de Santa Rita do Turvo efetivou-se em 22 de janeiro de 1873".
Manuel Bernardes de Souza Silvino foi Juiz Municipal em exercício, na condição de presidente da Câmara, quando da primeira audiência, em 3 de abril de 1873. E enquanto Termo integrante da Comarca de Muriaé, a primeira sessão em Santa Rita teve como presidente o Dr. Antônio Augusto da Silva Canedo, Juiz de Muriaé. A Lei nº 1817 de 30 de setembro de 1871, que elevou Santa Rita do Turvo à categoria de Vila DO MUNICÍPIO DE UBÁ, vinculou-a à Comarca de Piranga (artigo 4º desta Lei). Detalhe que merece observação especial é o artigo 3º, que diz: esta Vila "será" instalada somente quando seus habitantes apresentarem "uma casa que possa servir de paço". Ou seja: a 30 de setembro não houve instalação de município aqui. Antes, pela Resolução Provincial de 30/6/1833, o distrito (ou Curato) de Santa Rita ficou subordinado judiciariamente ao Termo de Mariana, da Comarca de Ouro Preto. Em 1839, São João Batista do Presídio (Visconde do Rio Branco) é elevada a Vila, em março, pela Lei nº 134, compreendendo no seu município a Freguesia de Santa Rita do Turvo e de Arripiados (Araponga), conforme o parágrafo 3º desta Lei.
Foram juízes municipais togados, a partir de 1873, quando foi instalado o Termo de Santa Rita do Turvo da Comarca de Muriaé os Drs. José Theotônio Pacheco, Guilherme Vieira da Cunha, Francisco Machado de Magalhães Filho e Joaquim Delveaux Pinto Coelho. Em 1875 foi criada a Comarca do Rio Turvo, depois Ponte Nova, da qual Viçosa foi Temo, a ter ser elevada a Comarca em 1890, tendo como primeiro Juiz o Dr. Joaquim Delveaux Pinto Coelho. O primeiro advogado foi o Dr. Carlos Vaz de Mello. A inauguração da Vila de Santa Rita do Turvo só se daria, de fato, a 22/1/1873, esta a data real de sua efetiva emancipação político-administrativa. E sua instalação foi a 30/4/1873. Sobre o título de Cidade, confira-se a Lei nº 2216, de 3 de junho de 1876).

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É ainda o jornalista viçosense Simão Cirineu Ladeira (de O Alfinete e do Folha da Mata) quem relata, em correspondência a este blogger, ainda sobre esse mesmo tema, algo mais que merece ser lido e analisado com a devida atenção:

"Em 2 de novembro de 1975, o intelectual Nelson de Figueiredo, então coordenador estadual dos festejos do centenário de Bernardes, comunicou ao prefeito Antônio Chequer a organização de uma poliantéia a respeito, para o ano seguinte. Disse, também, que não desistira da idéia (ele, não, mas a idéia não conjuminou...) de construir um panteón, ao lado da estátua do saudoso viçosense, em Viçosa, para receber os restos mortais do ex-Presidente e de sua esposa, "na histórica data de 3 de junho do próximo ano".
O "turco" ficou encucado. Que diabo de data seria aquela?
Informaram-lhe, então, que o intelectual referia-se ao centenário de Viçosa.
Mas como? Se Carlos Raymundo, em 1971, comemorara a centúria, fazendo Lulinha disparar a centenária perdeneira herdada pelo Cornélio Borges e colocando misses e bandas nas ruas e craques no Estádio Carlos Barbosa?
Toninho Chequer mandou a questão para o bispo. Parece que Dom Oscar não respondeu. Apelou para o nosso historiador Alexandre de Alencar que, se respondeu, não sei. Também me inqueriu, certamente porque se lembrou de que eu já houvera contestado publicamente as celebrações anteriores, posto que antecipadas.
Deveria ele, sabidamente festeiro, mas, no caso, politicamente precavido, o que não lhe era normal, bisar o centenário?
Se o Arcebispo e o historiador teriam ficado calados, eu, não, pois reiteirei-lhe toda argumentação que você conhece.
Disse-lhe que, se quiserem homenagear, com correção, o aniversário da emancipação política de Viçosa, todos aqueles que, anualmente, em 30 de setembro, publicam, por isso, descabidas manifestações a respeito, devem passar fazê-lo em 22 de janeiro. E
também ponderei, em relação a festejar-se "cidade": o título de cidade nada mudou na vida da população. O fato de ser vila, sim, pois representou-lhe emancipação. Mereceria, por conseguinte, festa a data de 22 de janeiro.
Aliás, que tal correlacionarmos as festas cívicas das atuais Sacramento e Viçosa(aquela perdendo o "Santíssimo" e esta, a nossa, se desprovendo da "Santa Rita", por obra da não-santa - está mais que provado - nossa república) irmãs-gêmeas, em termos de cidades?
Se Viçosa celebra a lei da "Vila", o que festeja sua irmã-gêmea?
Antes, vejamos que, segundo os historiadores sacramentanos, o Cônego Hermórgenes Casimiro de Araújo Brunswick, natural do Bispado de Mariana, erigiu um oratório doméstico, com o orago do Santíssimo Sacramento, na fazenda de seu pai, no distrito de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque. Com autorização de D. João VI, o oratório foi transformado em Capela Curada, em 24 de agosto de 1820.
Tal é a data cívica de Sacramento.
Passa em brancas núvens qualquer lembrança a 13 de setembro de 1870, quando a Lei Provincial nº 1.637, criou o município de Sacramento, instalando-se a Vila em 6 de novembro de 1871. Também nada significam aos sacramentanos os foros de cidade conquistados em 3 de junho de 1876, junto com a nossa Santa Rita do Turvo.
É de se lembrar que, nessa pegada religiosa, o culto Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho já registrou sua preferência de comemoração cívica: a data em que se ergueu a capela destinada à Santa Rita de Cássia.
O problema é defini-la...
Ah! Existem os que, sucumbidos pela verdade histórica, defendem a manutenção dos festejos em 30 de setembro, em nome da tradição. E você registra o entendimento desses tradicionalistas: "Mudar o dia dedicado a Viçosa seria "arrancar do coração de cada viçosense" uma data que vem sendo cultuada desde 1961". Tradição? Ora, que tradição? A data, na verdade, presta-se às eleições, que, de dois em dois anos, se realizam no domingo seguinte...
Lembremos, para estabelecer-se um paralelo, que, proclamada a república, os positivistas no poder produziram decreto que, em 14 de janeiro de 1890, fixava um calendário das festas nacionais. E, nele, saltando o 22 de abril, reservava o dia 3 de maio para as comemorações da descoberta do Brasil. Aproximando-se, no entanto, os festejos do IV centenário da chegada de Cabral, estabeleceu-se a polêmica: a data fixada ou 22 de abril, data em que, em 1500, teria "caído" o Domingo de Páscoa", que se comemorava, quando se aportaram os portugueses?
Revogou-se o entendimento de 1890: 22 de abril, desde então, é a data!"
Até aqui o jornalista Simão Cirineu Ladeira.

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Comentário final deste blogger:

Mas há outros que defendem, neste caso, que “a versão é mais importante que o fato”, e que mudar o dia dedicado a Viçosa seria “arrancar do coração de cada viçosense” uma data que vem sendo cultuada desde 1961, quando se celebrou com avultados festejos e promoções o 90º aniversário. Tal polêmica faz-nos recordar uma frase do saudoso literato viçosense Elias Ibrahim: “Quando o passado não ilumina o futuro, a vida caminha nas trevas”.

*José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Excerto do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, em fase de revisão e ampliação, de autoria deste blogger



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Esav - Uremg - UFV: a "Escola de Viçosa"

Viçosa planta culturas agropecuárias e científico-tecnológicas e por isto está a colher merecidos carinhos. Aqui já se ensinavam, anualmente, conforme dados estatísticos de 2006, 40.500 a estudar, saber, agir e vencer. Uma incipiente agroindústria e a produção rural fizeram a economia desta cidade, até a década de 1920, quando ainda não sediava órgãos de pesquisa e assistência na área agropecuária. Mas a tão propalada "indústria do ensno" teve início, sem dúvida, com a inauguração do Gymnasio de Viçosa, em 1913. Antes disso eram as escolas particulares, como, por exemplo, o Colégio Baptista, de efêmera existência, criado ainda no século XIX.
Desde que fora colonizada pelos aventureiros portugueses à procura de ouro, e que aqui deixaram famílias que se dedicaram à agricultura para abastecer Ouro Preto e adjacências, o massapé das encostas de Viçosa foram aproveitados apenas para a agricultura de milho,feijão e café - esse último tendo representado por muitos anos a maior fonte de renda municipal - mas com o decurso dos anos, os antigos agricultores, sem nenhuma técnica, deixaram que a erosão levasse todo o subsolo, deixando uma das produções mais baixas de todo o país: milho 1.200 quilos por ha., feijão, 300 quilos por ha., café 20 arrobas por mil pés. Portanto, a nossa agricultura quase não existia e como as terras são péssimas para pastagem sempre tivemos uma pecuária muito pouco desenvolvida. De acordo com informações, a produção cafeeira de Viçosa em torno de 1905 era de 38.000 arrobas, produzidas em pequenas propriedades. Em 1913 essa lavoura já havia diminuído muito, dado o baixo valor do
produto: cinco mil réis o saco. Em 1938 o café desapareceu da região.
Os antigos administradores municipais, não querendo ou não comprendendo que a economia local estava se esfacelava, não industrializaram Viçosa, deixando-a se tornar uma cidade pobre em agricultura e pecuária e sem indústrias, que aqui existiam, como as fábricas de tecidos São Silvestre e Santa Maria, a Usina Santa Rita, no antigo Pau-de-Paina, na Segunda década do século XX, a Indumel, de melaço em pó, no distrito de Silvestre, implantada na década de 1970 e que se foi na década de 1990, a usina de álcool, na década de 1940, nas proximidades do atual distrito de São José do Triunfo, todas consideradas atualmente como erros de estratégia, iniciativas precocemente implantadas. Outras foram aquelas que aqui poderíamos ter, como a Pif-Paf Alimentos. Muitas não encontraram o necessário apoio. Outras não suportaram exigências fiscais. Por tudo isto cerraram as suas portas. Portanto, grande parte do povo viçosense continuava vivendo, no início do século XXI, ainda que indiretamente, quase que exclusivamente dos frutos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Desde a década de 1960 foi significativo o êxodo das pequenas cidades da microrregião de Viçosa em busca de trabalho, acelerando o processo de favelização da periferia urbana. Por outro lado, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, dentre outros, tornaram-se verdadeiros "importadores de viçosenses," fato notório e relatado nas crônicas locais já naquela década. Refletindo o Brasil, à exceção de sua
construção civil, sua maior força econômica, Viçosa, sob certos aspectos, tornou-se uma cidade subdesenvolvida, semelhante ou pior do que muitas urbes nordestinas.
Assim com sua agricultura de subsistência, a pecuária que é sobretudo leiteira, indústrias de pequeno porte na área de confecções e móveis artesanais, além do modesto Distrito Industrial da Barrinha e região da antiga Colônia Agrícola Vaz de Mello e com um comércio que ainda quer se fortalecer (e iniciativas não faltam por parte das entidades ligadas às classes empresarial e operária), não resultaram em vantagem competitiva para o município aludidas parcerias com instituições estaduais e federais em busca de um planejamento para a atração de empresas para o município, com a preocupação de constituir um sistema produtivo integrado. Eram ainda quase inexistentes, nos alvores do século XXI, as empresas que quisessem se candidatar à instalação no município, ou que pudessem contar com algum tipo de subsídio ou incentivo, tais como isenção de impostos, terrenos a baixo custo, dentre outros serviços. A verdade é que nunca existiu, até então, em Viçosa, uma política global de promoção do desenvolvimento econômico e social, orientado para a geração de emprego e renda para setores sociais de baixa renda, marginalizados do denominado núcleo central do processo produtivo da economia regional.
Mas é em Viçosa que existe uma das melhores e mais importantes universidades de todo o Brasil, com 11.544 alunos, conforme dados estatísticos do ano de 2007 (9.838 graduandos e 1.706 pós-graduandos), 779 docentes e nada menos que 2.511 funcionários. Seus pesquisadores compõem Câmaras Setoriais do mais alto nível científico graças à competência e ao esforço conjunto que lhe proporcionaram uma extraordinária evolução em vários aspectos, inclusive no desenvolvimento regional e na educação aberta e a distância. De fato, “Estudar, Saber, Agir e Vencer” é o seu consagrado lema. Seus cursos, até 2007, eram os seguintes: Administração, Administração de Empresas, Agronomia, Agroquímica, Arquitetura e Urbanismo, Biologia Animal, Biologia Celular e Estrutural, Bioquímica, Bioquímica Agrícola, Botânica, Ciência da Computação, Ciência da Nutrição, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciência Florestal, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social / Jornalismo, Dança, Direito, Economia, Economia Doméstica, Educação Física, Educação Infantil, Engenharia Agrícola, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia de Agrimensura, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia Florestal, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Entomologia, Estatística Aplicada e Biometria, Extensão Rural, Física, Física Aplicada, Fisiologia Vegetal, Fitopatologia, Fitotecnia, Genética e Melhoramento, Geografia, Gestão de Cooperativas, Gestão do Agronegócio, História, Letras, Matemática, Medicina Veterinária, Meteorologia Agrícola, Microbiologia Agrícola, Nutrição, Pedagogia, Química, Secretariado Executivo (trilíngüe), Solos e Nutrição de Plantas e Zootecnia. Esses sessenta cursos já se somavam, em 2008, aos das pujantes faculdades particulares viçosenses: a Escola de Estudos Superiores de Viçosa (Esuv), com seus cerca de 700 alunos cursando de Direito, Ciências Sociais e Ciências Contábeis; a Unopar, na área de Administração de Empresas (cursos de curta duração e à distância), com cerca de 300 alunos; a Faculdade de Viçosa (FDV), com aproximadamente 350 estudantes em seus cursos de Administração (com ênfase em Comércio Exterior e Gestão de Negócios), Pedagogia e Sistemas de Informação; e a Univiçosa, com aproximadamente 800 alunos freqüentando aulas de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Farmácia, Medicina Veterinária e Psicologia, e os cursos 100% presenciais e de curta duração de Redes de Computadores, Marketing, Gestão Financeira, Gestão de Pequenas e Médias Empresas (Processos Gerenciais), Gestão Ambiental e Comércio Eletrônico (Sistemas para internet).

Uma instituição pioneira

Inaugurada a Esav em 1926, a lei que a regulamentou já objetivava o curso de especialização para os pós-graduados, com a duração de dois anos. No dia 1º de agosto de 1927 foi feita solene abertura dos cursos, com a presença dos 4 primeiros professores, P. H. Rolfs, Bello Lisboa, Diogo Melo e A. Rehag. Pioneira na extensão agrícola em grande escala, no Brasil, em 1929, com a 1ª Semana do Fazendeiro favorecera, até 2005, 405.371 pessoas. Em 1928, sua primeira biblioteca funcionava em uma sala do Edifício Principal, hoje Arthur Bernardes, e atualmente em um moderno e funcional edifício, que abriga um acervo de 243.997 publicações, sendo 132.603 livros. Em 2006 já se somavam em 1.318 os doutores formados em Viçosa. Com 36 cursos de graduação, 27 programas de pós-graduação, lecionados por 61 pós-doutores, 543 doutores, 166 mestres, 16 especialistas e 54 graduados. Uma freqüência de 13.134 estudantes dos mais diversos níveis. A instituição federal de ensino superior somava, no mesmo ano, 59.859 trabalhos científicos dela originários e 5.670 mestres dela egressos.
Ao mérito de grandes homens, a fecundas existências, se devem honras pela excepcional munificência da Escola de Viçosa em seus mais variegados setores. Da trajetória esaviana à ufeviana, são muitos os cidadãos, brasileiros e estrangeiros, que ocuparão sempre páginas de relevo, por terem sido os marcos vivos de uma luta plena. A Escola, de fato, evoluiu com firmeza. Formou, em 1931, seus primeiros agrônomos, então já reconhecida no exterior como instituição de Ensino Superior, por países como Portugal, Bélgica, Itália, Alemanha, Espanha, Inglaterra e também pelos Estados Unidos da América do Norte. Em 1935, ano em que formou seu primeiros veterinários, a Esav foi oficializada pelo presidente Getúlio Dornelles Vargas no Decreto 112, de 4 de abril, após ter adquirido, quatro anos antes, nova organização e regulamentação, autonomia didática e administrativa, pelo Decreto Estadual 10.054, de 1931. Cumprindo determinação do presidente Arthur da Silva Bernardes, e por intermédio do embaixador do Brasil em Washington, José Cochrane de Alencar, foi conseguida a feliz indicação, por meio do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América do Norte, do diretor do Florida Agricultural College, em Gainesville, Bachelor of Science, Master of Science e Doctor of Science Peter Henry Rolfs, para trabalhar no planejamento e depois assumir a primeira direção da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav) de Viçosa. A bordo do vapor Huron, ele chegou em terras brasileiras, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 4/2/1921, cabendo-lhe a honra de içar, pela vez primeira, no atual campus da Universidade Federal de Viçosa, a bandeira nacional. Dr. P. H. Rolfs, hoje nome do prédio da Reitoria e de uma das principais avenidas viçosenses, foi partícipe direto da comissão para a escolha do local em que a futura UFV seria implantada, tendo supervisionado todo o seu planejamento, construção e estruturação. Foi dela o primeiro diretor, desde 1927 até o dia 1º de fevereiro de 1929, quando a deixou, para assumir a consultoria técnica de Agricultura de Minas. Dr. Rolfs, o pioneiro, faleceu nos Estados Unidos em 1944. O que é hoje a monumental UFV teve portanto, como sua célula mater, a Esav, uma “Filha da Universidade da Flórida”, pois que o ensino nela ministrado, em seu primórdios, em regime semestral, seguiu o método agrícola americano.
Para que fosse edificada, um descendente do Duque de Caxias e do Almirante Tamandaré, o agrimensor e engenheiro civil João Carlos Bello Lisboa, falecido em 1973, aos 81 anos, em Belo Horizonte, foi o especial contratado do governo mineiro. Jovem fluminense de Vassouras (Ipiranga), com inimitável organização e apurada técnica, ele comandou, com o apoio de 600 operários, e o dispêndio de 3.054 contos de réis, o surgimento de prédios e da colossal infra-estrutura inicial da instituição que, em 1927, iniciara suas atividades com 2 cursos médios (5 professores e 15 alunos). Docente do Instituto Propedêutico de Ponte Nova, formado pela Academia do Comércio de Juiz de Fora e pela Politécnica do Rio de Janeiro e contador, foi da UFV um dos pilares. Secretário da Indústria e Comércio (RJ), prefeito de Ubá e Uberaba, ele foi também sustentáculo do progresso da Viçosa para além do campus, pois acumulou, enquanto diretor da Esav, a direção financeira do extinto Colégio de Viçosa. Ter sido homenageado como “O Esaviano nº 1”, em 1942, foi sua consagração, na 14ª Semana do Fazendeiro, uma de suas grandes criações. Pioneira na extensão agrícola em grande escala, no Brasil, a criação da Semana do Fazendeiro em 1929 proporcionou favorecer, até 2005, a 405.371 cidadãos, num balanço de quase oito décadas.

A locação

Reunindo excelentes condições, conforme parecer do Dr. Álvaro da Siqueira, a Fazenda Maria Luíza foi indicada para instalação da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav), que hoje se desdobra em Fundação Universidade Federal de Viçosa. A 24 de janeiro de 1921 ele escreveu: “Dos terrenos que visitei nas vizinhanças de Ubá, Visconde do Rio Branco, Viçosa e Ponte Nova, prestam-se, a meu ver, melhor os situados a pequena distância de Viçosa. Há uma parte em vargem não brejosa e outra parte em morros mais ou menos íngremes, mas que, em alguns lugares, são arados. Não é necessária propriamente a aquisição de todo o vale do Córrego do Paraíso, pois me parece que a extensão de terra indicada é suficiente para os trabalhos da futura Escola: entretanto, para a irrigação da vargem situada à margem direita desse córrego será precisa a água tirada bastante alta desse mesmo córrego, e por isso não seria fora de propósito a compra de todo o terreno compreendido da bacia até as cabeceiras. Além de tudo, a área total da bacia não é demais grande. Parece-me que a sede da Escola não ficaria mal no ponto do esboço. Daí à cidade tem cerca de um quilômetro e meio, bastando, para que até aí seja fácil o acesso, que se melhore a travessia do córrego S. Bartolomeu, com a construção de nova ponte suficientemente elevada, para a grade da estrada a declividade compatível com o tráfego de automóveis ou bondes’.
Adquirida das famílias Ferreira da Silva, Lopes Rosado, Gonçalves Guimarães, Pacheco, Vitarelli, Machado, Massena, Vieira e Alencar, aquela parcela do solo viçosense recebeu a pedra fundamental da Esav a 10 de junho de 1922, ato a que se seguiram o trabalho colossal de sua edificação comandada pelo engenheiro-chefe Dr. Honório Hermeto Corrêa da Costa e a adoção dos princípios “Ciência e Prática” e “Aprender Fazendo”., integrante da trilogia “Ensino, Pesquisa e Extensão”. Conforme a planta dos terrenos da velha Esav, sob responsabilidade técnica de Benedito Quintino dos Santos, datada de 15 de setembro de 1921, erigiram-se a residência do vice-diretor, um modesto escritório de construção, um dormitório e o prédio principal. Uma primitiva casa de fazenda se ergueu à esquerda da via férrea, onde depois se construiu a Vila Matoso, no campus universitário. Era o começo da existência de toda uma rica infra-estrutura de uma Universidade Federal que entregaria ao mundo, ainda na década de 1960, os 2 primeiros Magister Scientiae brasileiros na área agrícola. No dia 19/9/1926 o jornal Cidade de Viçosa noticiava a festa de inauguração da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav): “Inaugurou-se no dia 28 de agosto, com a presença de altas autoridades estaduais e federais, a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, que veio marcar uma verdadeira época de renascimento para o Estado e, particularmente, para Viçosa. Esse notável empreendimento, devido ao tino superior de estadista do nosso benemérito conterrâneo Dr. Arthur da Silva Bernardes, pôs em foco não só a competência técnica do jovem e talentoso engenheiro patrício Dr. João Carlos Bello Lisboa, que dedicou toda a sua atividade e todo o seu carinho à execução dessa Escola, feita com a maior economia, pois não excedeu os 1300 contos a construção de seu edifício principal, sendo computado em menos de 3000 contos o preço total das obras, incluindo-se cerca de 100 hectares de excelentes terras”.

Os primórdios e a evolução

Na instituição que veio a ser a UFV o primeiro Curso Superior foi iniciado a 1º/3/1928, quando os ensinos Elementar e Médio já existiam. De lá até aqui, foram longos anos de “lutas, glórias, crises, risos, sofrimentos e vitórias”.
Assinada pelo governador Dr. Milton Soares Campos, a Lei 272, de 13 de novembro de 1948, criou, composta de escolas superiores de Ciências Domésticas, Agricultura, Veterinária, de serviços de experimentação, extensão e pesquisa e de uma escola de Especialização, a Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg). A 15 de novembro de 1949, o Decreto 3.211 a declarou instalada em Viçosa. Por força da Lei 2.470, de 28 de abril de 1955, a instituição passou a contar com subvenções federais. Uma conseqüência natural da evolução da velha Esav, que conquistara largo reconhecimento desde seus primórdios. A partir de 1962, um surto progressista se verificou na Uremg e na ESA, no governo de José de Magalhães Pinto. Multiplicaram-se os alunos e as vultosas obras, desenvolvendo-se inestimáveis projetos em setores os mais diversos. Na primeira das três administrações do reitor Antônio Fagundes de Sousa (1974-78), extraordinário foi o crescimento nos contextos administrativo e de valorização de recursos humanos. Em março de 74 eram 36 os auxiliares de ensino, 84 os professores-assistentes (57 adjuntos e 9 titulares), perfazendo o total de 186. Dificuldades financeiras do Estado levaram o Governo Mineiro a postular a sua federalização, e o passo inicial neste sentido foi um convênio assinado com a União, no governo de Israel Pinheiro, a 10 de abril de 1969.
Com o registro do Decreto 64.825 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, em Belo Horizonte, a Universidade passou a existir como pessoa jurídica de direito público ainda em 1969.O primeiro reitor da Universidade Rural foi um preclaro mineiro nascido em 1910, filho de Visconde do Rio Branco, Prof. Joaquim Fernandes Braga, reconhecido como “um dos mais finos espíritos” que passaram pela Uremg, falecido em 1963, aos 52, em BH, que permaneceu no comando da Uremg entre 1949 e 1953?6?. Até 2005, foram seus sucessores Joaquim Fernandes Braga (49-56), Antônio Vieira Machado (56-57 – pro tempore), Lourenço Menicucci Sobrinho (57-59), Geraldo Oscar Domingues Machado (59-62), Flamarion Ferreira (62-64), Edson Potsch Magalhães (64-66/66-69/69-71- UFV), Geraldo Martins Chaves (66 pro tempore e 84-88 – UFV). UFV: reitores – Erly Dias Brandão (71-73), Renato Sant’Anna 73-74 – vice-reitor em exercício), Antônio Fagundes de Sousa (74-78/82-84/88-92), Paulo Mário Del Giudice (78-81), Joaquim Aleixo de Souza (81-82 – vice-reitor em exercício), Cid Martins Batista (88 – vice-reitor em exercício), Renato Mauro Brandi (92 – vice-reitor em exercício), Antônio Lima Bandeira (92-96), Luiz Sérgio Saraiva (96-2000), Carlos Sigueyuki Sediyama (2000 – vice-reitor em exercício / 2004-2008 - reitor), Evaldo Ferreira Vilela (2000-2004) e Fernando da Costa Baêta (2004 – vice-reitor em exercício). E antecessores, na Esav, os diretores Peter Henry Rolfs (1927-29), João Carlos Bello Lisboa (29-36), Sócrates Renan de Faria Alvim (36-39), John Benjamim Griffing (36-39), José de Mello Soares de Gouveia (39-40/44-46), Geraldo Gonçalves Carneiro (40-44), Diogo Alves de Mello (46-47 – pro tempore) e Antônio Secundino de São José (47-51). Em março de 78, a Universidade já contava com 170 auxiliares de ensino, 99 professores-assistentes (75 adjuntos e 109 titulares), totalizando 453 professores.
O primeiro professor catedrático da Uremg foi o Dr. Edson Potsch Magalhães, que com obras e trabalhos científicos cooperou extraordinariamente para a modernização e desenvolvimento da instituição, tendo sido partícipe direto das discussões que transformaram a Esav em Uremg e da Uremg em UFV. A federalização ocorreu a 8 de maio de 1969. Reitor por três mandatos, foi um dos responsáveis, ao lado do viçosense Dr. Arthur Bernardes Filho, pela federalização da instituição, ocorrida a 8 de maio de 1969. Um dos maiores benfeitores do município de Viçosa foi, sem dúvida este: Bernardes Filho, aqui nascido a 16 de setembro de 1905. Diz o Padre Antônio Vieira numa de suas mais famosas orações fúnebres que a memória dos homens é tão volúvel que são pouquíssimos aqueles que são lembrados após a missa de trigésimo dia. Lamentavelmente, é forçoso dizê-lo, na cidade natal de um grande nome da política nacional, Viçosa, não houve nenhuma comemoração oficial, pela municipalidade, pelo transcurso de seu centenário.
Filho do ex-presidente Dr. Arthur Bernardes e de Dona Clélia Vaz de Mello Bernardes, aluno do extinto Gymnasio de Viçosa, tendo cursado o secundário também no Colégio Anchieta e no Colégio Aldridge, Bernardes Filho se formou pela Faculdade de Direito de Minas Gerais. Agricultor, empresário e banqueiro, dentre os cargos de alto relevo que exerceu em sua vida de homem público, foi secretário particular da Presidência da República (1923-1926), ministro da Indústria e Comércio no efêmero governo de Jânio Quadros, deputado constituinte (1933 a 1934), deputado federal (1935 – 1937/1946 – 1947), senador (1947 – 1951/ 1951 – 1956) e vice-governador de Minas Gerais (1956 – 1961), foi exilado em 38, tendo permanecido no exílio até o início da 2ª Guerra Mundial. Fundador e presidente da Eletromar por 38 anos, foi Senador, eleito em 1946, reeleito em 1950, cumprindo mandato até 1958. Foi de sua autoria a emenda, aprovada, ao Orçamento da União, que ao Estado de Minas Gerais foi propiciado receber indenização do governo federal pela incorporação da antiga Rede Mineira de Viação. Membro do diretório nacional da Aliança Renovadora Nacional(Arena), presidiu o Partido Republicano (PR) até o advento da Revolução de 1964. Ele
faleceu em 21 de setembro de 1981, na cidade do Rio de Janeiro. Ao compulsarmos os anais das casas do parlamento federal, deparamos com registros de uma prolífera atuação de Bernardes Filho. Em homenagem à sua memória, aqui trazemos à recordação, este simples registro, que é de sua autoria o projeto de lei que culminou na assinatura, pelo presidente da Câmara dos Deputados no exercício do cargo de presidente da República, Carlos Coimbra da Luz, da Lei nº 2.470, de 28 de abril de1955, facultando à Uremg, beneficiada pela federalização, a condição de entidade subvencionada. Tal decreto determinou uma consignação anual à Uremg de uma subvenção não inferior a nove milhões de cruzeiros, trazendo extraordinário progresso para o seu torrão natal, conseqüência da extraordinária ampliação que então se pôde efetivar da conceituada instituição federal de ensino superior.
As palavras seguintes são profundamente esclarecedoras. Bernardes Filho foi de fato uma figura ímpar, raríssima. Foi o Dr. Tancredo de Almeida Neves quem descreveu, como ninguém, esta notável mas nem sempre notada personalidade viçosense. Para o Dr. Tancredo havia em Bernardes Filho, "em contraste com a forte personalidade de seu progenitor, a universalidade do seu espírito, forrado de liberalismo, tolerância e compreensão. A firmeza de suas convicções e a intransigência com que as ostentava e defendia não excluíam dele a cordialidade no trato, a elegância das atitudes e a requintada fidalguia dos seus gestos altivos e generosos, que expressavam a sua grandeza d'alma.
Percorreu, com irrepreensível dignidade, rara competência e acurado espírito público, todos os patamares da vida pública, que foi, para ele um longo e devotado exercício de abnegação, dedicação patriótica e de permanente e integral serviço à causa da democracia brasileira...
... Como chefe partidário foi elemento de decisiva importância na eleição de Juscelino Kubitschek para o Governo de Minas e, depois, na sua ascensão à Presidência da República.
Quando dos trágicos acontecimentos que levaram Getúlio Vargas à anuidade e à história, amigo íntimo que era do Presidente Café Filho, a sua palavra, as suas ponderações e os seus conselhos foram da maior importância para o arrefecimento das paixões e ódios que, naquela conturbada quadra, expuseram a Nação a todos os riscos e perigos de uma luta fraticida...
... Era um político diferente. Exercia uma ação constante construtiva e da maior eficiência nos planos ocultos da política. Não gostava de se mostrar. A ostentação não era o seu forte. Preferia o lusco-fusco de uma atuação fecunda e criadora, dando-se por bem gratificado pelos malefícios que evitava, as incompreensões que corrigia e a desprendida contribuição que trazia para a solução dos graves problemas do momento. Não era, na maioria das vezes, personagem de proscênio, exibindo títulos, serviços ou vaidades, mas, ao contrário, preferia o fundo do palco, para agir com mais desenvoltura e melhor realizar e construir, longe da vista da vulgaridade...
... O homem social era exemplar. A finura de sua educação, os seus dotes de inteligência, a sua abrangente cultura literária, faziam dele a companhia que todos reclamavam e disputavam. Era o causer fascinante pelas frases cuidadas e chistosas, a graça dos seus ditos e a crítica suave, sem malícia e perversidade, das situações ridículas e da mediocridade vistosa.
Secretário da Presidência da República, no Governo do seu pai, Constituinte, Deputado Federal, Senador, Vice-Governador de Minas, Ministro de Estado, escreveu opulenta biografia na qual se honra, na mesma medida em que engrandeceu o nosso Estado.
No parlamento era atuante e aliciador. Palavra brilhante, ocupava a tribuna com brilho e segurança. Ferino e contundente no aparte, fazia-se, não obstante, estimado e respeitado pelos seus pares. O Deputado foi crítico severo dos governos a que se opunha e no Senado a sua palavra serena, experiente e persuasiva era uma fonte de inspiração e conselho que todos procuravam ouvir.
Fez da Vice-Governança de Minas um posto de maior relevo, dando-lhe projeção política de ampla repercussão pela participação que passou a exercer, em razão do seu magnetismo pessoal, na condução da vida pública de Minas Gerais. Deu ao Governador, em exercício, o o insigne José Francisco Bias Fortes - de memória nunca assás louvada - uma colaboração leal, amiga e desinteressada. O seu concurso foi dos mais preponderantes para o levantamento de graves problemas e a busca das soluções que se impunham.
Quando o Presidente Jânio Quadros, impressionado com a vivacidade de seu espírito, a força dominadora de sua mentalidade e os recursos do seu cérebro privilegiado, convidou-o para exercer, no seu curto Governo, a pasta da Indústria e do Comércio, entregou-lhe um Ministério recém-criado, que existia, apenas, no papel, sem estrutura
e sem organização, com órgãos esparsos e distantes. Coube-lhe pôr ordem no caos e fundir todo o arcabouço de uma obra imensa, que se lhe apresentava como um dasafio esmagador. Em poucos meses o Ministério recebia a sua espinha dorsal, através de uma regulamentação moderna e eficiente, de excelente técnica administrativa. Coordenados os departamentos e órgãos que o integravam, colocou-os em condições de poder atender, em toda a sua plenitude, as suas extensas finalidades.
Esse início de administração deixava ver, na sua clarividência e dinamismo, o que viria a ser a sua presença à frente desse importante setor do Governo...
... A nossa diplomacia registra algumas de suas incursões como representante do Brasil em rumorosas Conferências Internacionais.
Poliglota, falando corretamente o francês, o inglês e o alemão, valia-se desse dom inapreciável para dar às suas missões singular refulgência, a que o seu talento sedutor imprimia um destacado relevo.
O estadista, o homem público, o diplomata, o parlamentar, o administrador, o cidadão e o homem Bernardes Filho revelaram, na sua múltipla e extraordinária personalidade, o Brasil e Minas Gerais nas virtudes mais raras e mais nobres do nosso povo. Ele foi digno para os seus amigos, benemérito para os seu coestaduanos e preclaro filho de nossa Pátria...
... Na mesa simples e frugal, como são as mesas da gente mineira, era o mais alegre, expansivo e conversador, a todos deleitando com as irradiações de sua alma simples, que o conforto e a civilização não conseguiram corromper..."
E o Dr. Potsch é também um proeminente cientista e mestre cuja vida e obra se fazem indissociáveis da ciclópica trajetória da grandiosa Universidade viçosense. Nascido no município de São José do Barroso (MG), a atual cidade de Paula Cândido, a 24 de janeiro de 1914, filho do farmacêutico Antônio Apolinário Magalhães e de Dona Maria Francisca, estudou em colégios da região tendo sido aluno por dois anos do Seminário de Mariana (MG) e foi funcionário da Casa Araújo e Martino. Admitido na Esav em 1939 onde se formou agrônomo, concluiu o mestrado em Iowa (EUA) em 1945, sendo o segundo brasileiro a conquistar mestrado em Economia Rural. Doutorou-se na UFV. lização da mesma, o que ocorreu a 8 de maio de 1969. Foi membro fundador do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e prefeito do outra distrito do Herval, depois município de Ervália (MG), acumulando a função de secretário de Estado da Agricultura entre 65 e 66, no governo de Magalhães Pinto. Doctor Honoris Causa da Purdue University, a ele se aplica a assertiva segundo a qual “os grandes vultos se tornam ainda maiores através da perspectiva do tempo”.

O "espírito esaviano" e a Marcha "Nico Lopes"

Um outro alguém muito especial ingressou na Esav passados sete meses de sua criação, tendo vivido o desenvolvimento de sua Escola “em condições duras e difíceis, com curtos e espaçados momentos de bonança”, mas dinamizada por um grupo de professores competentes, desprendidos, idealistas e entusiastas. À medida que avançaram as décadas, aumentou o número de ex-alunos em postos de alta responsabilidade, cresceram suas reputações, não só no seio da classe, como nas comunidades nas quais se inseriram. Fruto de uma semente muito bem plantada em Viçosa. Em Santa Rita de Patos, hoje Presidente Olegário (MG), nasceu em 1910, Antônio Secundino de São José. Formou-se agrônomo aos 21 anos de idade, na Esav, da qual fora o diretor entre 1947 e 1951, sendo reconhecido nacionalmente como “o homem do milho híbrido”. Foi protótipo dos que encarnaram o amor à Escola que os formou. Criador da famosa Marcha Nico Lopes, uma manifestação de protestos e críticas que desde sua criação quase nunca deixou de acontecer. Até mesmo em alguns momentos da ditadura militar, apesar da dura repressão, a marcha Nico Lopes é o Carnaval temporão de Viçosa. A famosa “micareta” da cidade universitária tem projeção em tudo semelhante a de festas congêneres como a Jeguefolia, de Visconde do Rio Branco; Sanatório, de Ubá; Festa do Doze, de Ouro Preto; e Carnabelô, da capital mineira. Nas primeiras edições do século XXI, chegou a atrair um público médio de 50.000 pessoas. A tradicional marcha foi o meio pelo qual os alunos manifestaram seu descontentamento com as autoridades universitárias, municipais, estaduais e federais, e expressaram suas críticas, na mais das vezes, irreverentes, sofreu grandes transformações, acompanhando a evolução dos tempos e, logicamente, da universidade, dos estudantes e do Estado. O trio elétrico se incorporou ao evento em 1992. Forjado pela tradição, foi criado em 1939, quando a instituição possuía cerca de 50 alunos. Antigamente era pura sátira, “crítica de fatos pitorescos, pois todas as brincadeiras eram atribuídas ao Nico Lopes, espírito folgazão”. Secundino reunia calouros, “arregaçava-lhes uma das pernas da calça e fazia com que corressem em volta do jardim ao som de uma sanfona de 8 baixos e fole rasgado. Daí o nome da brincadeira”, conforme destacou o professor José Marcondes Borges. E de acordo com o professor José Dionísio Ladeira, “não era Nico Lopes propriamente ‘responsabilizado pelas coisas erradas ou más que aconteciam’”. Segundo escreveu, o patrono da marcha não era “’um boêmio que tempos atrás perambulou na cidade’”... “Nico Lopes era um espírito brincalhão, gozador, que vivia o ‘dolce farniente’ da Viçosa até certo ponto efervescente dos anos 20, anos 30. Por isto, todas as outras pessoas que também se entregavam ao ócio, quando questionadas, diziam: - ‘Trabalho para o Nico Lopes...’ Espírito brincalhão, Nico Lopes se entrosava muito bem com os estudantes, sobretudo quando se dispunha a dar uma ajuda no Bar do Dario, seu genro, ali na Rua Arthur Bernardes, onde hoje é o Shopping d’A Mundial... Ah! E quando ‘dependurava as contas’... Daí o Secundino – que vai se formar na primeira turma de agrônomos em 1931 e depois será nome da Biblioteca Central – cognominar de Marcha Nico Lopes a passeata que era a culminância do trote aos calouros”. Dr. Secundino, além de criador da Nico Lopes, fora o orador oficial do quadragésimo aniversário da instituição. Transcrevemos aqui excertos das memoráveis palavras por ele ditas na ocasião solene:


“Sem qualquer intenção de colocar nossa Universidade no topo da escala de classificação, diríamos apenas que ela tem muito de pessoal, de diferente. Não no sentido material [...] mas no sentido educativo, na linha que se traçou de instruir educando, tentando sempre colocar o melhor técnico dentro de um homem mais homem. Essa luta se traduz na implantação de uma camaradagem profunda, que se estende no tempo e na distância, nivelando seus filhos pelo mesmo ideal e pela mesma dedicação ao trabalho, pelo orgulho e pela defesa de sua profissão, independentemente de idade ou origem. Essa mística que os mais antigos ainda conhecem por ‘Espírito Esaviano’ e que os mais novos, provavelmente, distinguem por outra designação, realmente existe e existirá sempre [...] Quem duvidar de que esse espírito exista, basta entrar em contato com um ex-aluno desta Casa, no campo ou na cidade, neste país ou fora dele, contemporâneo ou não de bancos escolares, e verificará que a tônica obrigatória e dominante da conversação será a sua Escola, a sua Universidade [...] Que sua mística, e tudo de bom que ela encerra, representa e defende, seja transferida de ano para ano, de curso para curso, de geração para geração, indefinidamente, pela mão firme, honesta e idealista dos moços.”


José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

EXTRATO DO MEU LIVRO, O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, em fase de revisão e ampliação

Organizações sociais

Organizações Sociais

Filiadas ao Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), criado pela Lei nº 1104, de 7 de dezembro de 1993, são várias as entidades beneficentes de Viçosa Todas necessárias e muito importantes porque, como destacou Norah, “nossa Viçosa pobre, é pobre demais. Precisa de muito. Muito mesmo e sempre. Amiúde. Dar hoje, repetir amanhã. Oferecer serviço, assistência, conforto moral, carinho. Ajudar a vida de alguém para mais um dia, mais um amanhã de esperança”. Em 2006 estavam cadastradas no CMAS as seguintes instituições: Associação Assistencial e Promocional da Pastoral da Oração de Viçosa (Apov), Associação Beneficente Altamiro Saraiva (Abas), Associação Casa de Caridade de Viçosa (Hospital São Sebastião), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), Associação dos Artesãos e Produtores de Produtos Caseiros) (Adapac), Associação dos Portadores de Necessidades Especiais (Apone), Associação Mariana Beneficente (Amarben), Associação Odontológica Jesus é o Caminho (Aojec), Associação Viçosense dos Renais Crônicos (Avirc), Casa Assistencial São Francisco de Assis (Casfa), Casa da Amizade das Senhoras dos Rotarianos de Viçosa, Casa de Promoção e Caminho Bezerra de Menezes, Centro de Educação São João Batista, Centro de Promoção do Desenvolvimento Sustentado (Census), Centro de Tecnologia Alternativa (CTA), Centro Espírita Camilo Chaves, Colégio Normal Nossa Senhora do Carmo, Confederação dos Irmãos Beneficentes Evangélicos de Viçosa (Cibev), Creche Maria João de Deus, Creche Maria Tereza, Creche Pingo de Luz, Creche Santa Teresinha, Creche São Sebastião, Fundação Assistencial Viçosense (Hospital São João Batista), Grupo de Apoio para Ação Comunitária (Gaac), Lar das Meninas Flor de Acácia, Lar dos Velhinhos, Mobile (?), Projeto Amor, Rebusca (Ação Social Evangélica Viçosense), Serviço de Obras Sociais (SOS), Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), União Municipal das Associações de Moradores de Bairros e Distritos de Viçosa (Umam), todas registradas no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). Outrossim, estão organizadas no município diversas associações de de classe, que congregam contabilistas, médicos, farmacêuticos, garçons, professores, alunos. Não discorreremos aqui sobre a ficha técnica de cada uma dessas entidades, mas tão somente trazer um resumo da origem de algumas das mais antigas do município como são os casos do Viçosa Clube e da Liga Operária Viçosense, os dois mais tradicionais clubes recreativos, da Associação Comercial e do principais clubes de serviço, como Rotary e Lions, além da União Municipal das Associações de Moradores de Bairros e Distritos de Viçosa (Umam).

Liga Operária

Surgida em 1923, na antiga Rua das Vassouras ou Rua Municipal (via cujo atual nome homenageia o tabelião Virgílio Augusto da Costa Val), a Liga Operária manteve, até o início do século XXI, a sua tradição como clube social-recreativo. Fundada a 13/5/1923, constantes alterações estatutárias não impediram que ali se conservasse muito bem acesa a velha chama da classe trabalhadora. O edifício-sede, de número 221, foi adquirido por 650 contos de réis, quando Canuto Torres era o seu presidente. O lançamento da pedra fundamental deu-se exatamente às 13 horas de 7/9/1923, em solenidade presidida por Dr. Francisco Machado de Magalhães Filho, Juiz de Direito.
Padre Serafim, Vigário de Viçosa, foi quem abençoou o início da construção. O orador de então foi o advogado João Braz da Costa Val. Naquela grande festa do operariado viçosense, executaram-se as retretas da Lyra dos Paladinos, da Lyra Santa Rita e da Banda do Batalhão Gynasial e numa urna de zinco foi depositada a cópia da ata de fundação, moedas brasileiras e, dentre outros objetos, jornais de Viçosa. A Liga permaneceu atuante, pois, em seu amplo salão de festas, ocorreram as assembléias dos sócios, nas manhãs de todos os domingos.

Viçosa Clube

Viçosa Clube surgiu no dia 7 de setembro de 1930, quando foi realizada, com a presença de algumas dezenas de associados, a assembléia de fundação do Automóvel Clube de Viçosa. Na época funcionando em sede provisória, oferecia o lazer com jogos de bilhar e de cartas. A denominação de Viçosa Clube surgiu pela discussão e aprovação do projeto de reorganização e elaboração dos estatutos, em janeiro de 1934. A 12 de dezembro de 1949 foi adquirida o prédio de número 15, edifício da Prefeitura desde a década de 1960, como sua primeira sede própria, e a 23 de setembro de 1968 foram adquiridos os terrenos de sua sede definitiva, na rua Padre Anchieta, Bairro de Ramos.

Associação Comercial

Constituiu-se, em 1924, a Associação Comercial de Viçosa (ACV). A primeira sede provisória da ACV existiu no extinto sobrado de número 46 da rua Arthur Bernardes (via transformada em Calçadão na década de 1980, na administração do prefeito César Sant’Anna Filho), onde funcionava uma Escola de Comércio e Contabilidade, acompanhadas de um consultório jurídico, inaugurados a 1º de junho de 1925, ambos com freqüência gratuita para os filhos, empregados e auxiliares dos sócios. A primeira diretoria da velha ACV (depois Associação Comercial e Agrícola) foi eleita a 19 de outubro de 1924, no Cine-Theatro Paladinos, na Praça do Rosário. O Jornal de Viçosa, de 25 de outubro de 1924 (ano 11 – nº 11), noticiou: “Associação Commercial de Viçosa – Realizou-se, no domingo, 19 do corrente, no Cine-Theatro Paladinos, a eleição da primeira directoria da Associação Commercial de Viçosa, conforme noticiamos na nossa edição passada. A assembléia foi presidida pelo sr. Orlando Vieira de Andrade, industrial residente no visinho districto de Teixeiras, tendo como secretarios o nosso director e o sr. Lauro Andrade, commerciante nesta cidade, tendo à mesma comparecido commerciantes e industriaes desta cidade, Teixeiras, Coimbra, Cajury, Canaan e Paraguay. A primeira directoria da Associação Commercial de Viçosa, ficou constituida dos srs. Capitão Joventino Octavio de Alencar, Alberto Alvaro Pacheco, Sylvio Loureiro e capitão Luiz Megale, respectivamente presidente, vice-presidente, 1º e 2º secretários e thesoureiro. Para a Commissão Fiscal e de Syndicancia foram eleitos os srs. Altivo Ferreira de Mello, capitão Augusto Gonçalves Fontes e José Rolla membros effectivos e supplentes os srs. Celso Coelho, João José de Araújo e João Martins de Oliveira Chaves. A posse da directoria realizou-se logo depois da eleição. De accordo com os estatutos podem fazer parte da Associação todos os commerciantes, industriaes, banqueiros e agricultores residentes neste município.
A Associação tem por fim promover dentro da lei, por todos os meios ao seu alcance, o interesse geral, desenvolvimento e prosperidade das classes conservadoras do nosso município; manter uma escola de commercio e um consultório jurídico, gratuito para os associados bem como representar perante os poderes públicos o nosso commercio, industria e lavoura. Promoverá o congraçamento de todos os seus associados dando assim ao nosso commercio o prestigio que lhe é devido, fazendo realizar em futuro bem proximo o desenvolvimento e progresso da nossa industria e lavoura”. O jornal dirigido por Sylvio Loureiro, na mesma edição, informou sobre uma reunião da Comissão Fiscal e de Sindicância para a escolha de um relator, no dia seguinte, e anunciou a publicação dos estatutos da entidade, legalmente registrados, acrescentando, na mesma nota, que “o sr. dr. secretário da Agricultura deste Estado, transmitiu ao presidente da Associação o seguinte despacho telegraphico: ‘Joventino Octavio de Alencar Presidente Associação Commercial Viçosa. B. Horizonte, 23 outubro 1924. Agradeço, gentileza communicação fundação dessa sociedade e formulo votos sua prosperidade ponto Saudações cordiaes, Daniel de Carvalho”.
Conforme registros históricos, funcionou entre 1941 e 1952, com interstícios entre 1957 e 1967, sendo consolidada a 17 de dezembro de 1968 com seu registro público. A edição de 22 de setembro de 1968 da Folha de Viçosa noticiou o seguinte acontecimento: “No dia 17 último, teve lugar no salão do Viçosa Atlético Clube a 1ª reunião da Associação Comercial de Viçosa. Presidida pelo Juiz de Direito, Dr. José Felismino de Oliveira e secretariada pelo prefeito local, compondo a mesa os presidentes do Rotary Clube e Lions Clube e demais representantes do Comércio Viçosense. Nesta reunião foi eleita e empossada a diretoria da Associação Comercial de Viçosa, que ficou assim constituída. Presidente: José Bernardes Santana, 1º vice-presidente: Manoel Rodrigues da Silva Pontes, 2º vice-presidente: Mário Dutra dos Santo, secretário-geral: Paulo da Silva Dantas, 1º secretário: Ney Sant’Anna, 2º secretário: Joaquim Resende Fontes, bibliotecário: Adson Rodrigues Bicalho. Conselho Diretor: José Duarte Filho, Josefino de Sena Campos, Alexandre Braz de Carvalho, Adão Ladeira de Carvalho, Sebastião Milagres, Antônio Carvalho Bhering, Francisco Sant’Anna Maia, Antônio Lopes de Andrade, Oswaldo de Paula Lanna. Conselho Fiscal: Geraldo Carneiro Vidigal, José Olinda de Andrade, Sebastião Lopes da Silva. Conselho de Contas: Octacílio Ferreira Maciel, Sebastião Soares da Silva, Raimundo Vidigal Fernandes Filho. Até o ano de 2006 haviam presidido a ACV: Clóvis Clodoveu de Castro (41-43), João Maffia (44-45), Juarez de Souza Carmo (46), Mário Dutra dos Santos (47-48/49-50), Nilton Clóvis de Castro (51), Nasser Simão Muanis (52), Antônio Lopes de Andrade (57), José Bernardes Sant’Ana (68-70), Manoel Rodrigues da Silva Pontes (71-72/83-85), José Borges Neto (73-74), Antônio Dias de Andrade Neto (75), João Bosco Torres (76), Braz Rozado Costa (77-78), Flávio Márcio Andrade (79-80), Lacyr Dias de Andrade (81-82), Francisco Tadeu Sena Fernandes (87-88), Pélmio Simões de Carvalho (89-90), Luís José de Arruda Alves (91-92/97-98), Jorge Antônio Ferez (93-94), Ricardo Luís de Castro (95-96), Roberto Dias de Andrade (99-2000), William Francisco Alves (00-02), Ivone Maria Pires de Barros (02-06) e Eustáquio Roberto G. Santana (2006/2008).

Lions Club

O Lions Clube de Viçosa foi fundado a 28/10/1967. O atuante clube de serviço teve como sócios fundadores Adson Rodrigues Bicalho, Alexandre Braz de Carvalho, Antônio Lopes de Andrade, Eduardo José Mendes del Peloso, Flávio Araújo L. do Amaral, Geraldo Lopes de Faria, Gilberto Pereira de melo, Guy Capdeville, João da Cruz Filho, José Alberto Gomide, José Aníbal Comastri, José Mauro Torres, José Rodrigues Costa, José Pataro Machado, Josué Leitão e Silva, Kepler Euclydes Sant'Anna, Luiz Maria Ramos, Milgar Camargos Loureiro, Osmar Ribeiro, Sebastião Lopes Soares e Sebastião Moreira Silva. Ao longo de 4 décadas haviam sido seus presidentes os seguintes cidadãos: Antônio Lopes de Andrade (1967/68), Milgar Camargos Loureiro (1968/69), João da Cruz Filho (1969/70), Ruy Franca (1970/71), José Oscar Gomes de Lima (1971/72), Antônio Lopes de Andrade (1972/73), Osmar Ribeiro (1973/74), Adolfo Egídio Reis (1974/75), Mário Rocha Gomes (1975/76), Onofr Christo Brumano Pinto (1976/77), José Borges Neto (1977/78), Dilermanio Carlos Ferreira (1978/79), Claudeni Siridol Pereira (1979/80), Dilermanio Carlos Ferreira (1980/81), José Borges Neto (1981/82), Delci Mendes da Rocha (1982/83), Adson Rodrigues Bicalho (1983/84), Antônio Fernando Gomes (1984/85), Dilermanio Carlos Ferreira (1985/86), José Borges Neto (1986/87), Cláuzio Heitor da Silva (1987/88), Luís José de Arruda Alves (1988/89), Sebastião Heleno Dini (1989/90), Sebastião Heleno Dini (1990/91), José Luiz Baltazar (1991/92), Edney José de Oliveira (1992/93), José Maria (1993/94), Daniel Lopes (1994/95), Maria Antônia Toneguzzo (1995/96), Álvaro César Sant'Anna (1996/97), Frank Paiva da Cunha (1997/98), Dilermanio Carlos Ferreira (1998/99), Luiz Fernando T. Albino (1999/00), Luiz Fernando T. Albino (2000/01), José Mauro S. P. Coelho (2001/02), Luzia Borges da Cunha (2002/03), Frank Paiva da Cunha (2003/2004), Claudeni Siridol Pereira (2004/05), Luiz Fernando T. Albino (2005/06) e Milgar Camargos Loureiro (2006/2007).
Dentre as muitas realizações do clube ao longo de suas primeiras quatro décadas, destacam-se a campanha vitoriosa pela aquisição e doação de terreno para a construção da Escola Estadual Madre Santa Face, a criação do primeiro Banco de Sangue de Viçosa, a formação da Incubadora do Hospital São Sebastião, a construção da Capela Mortuária do Hospital São João Batista, a idealização e organização de brinquedotecas, o patrocínio e a organização jurídica da Creche São João Batista, a conclusão das obras do Centro de Tratamento Intensivo do Hospital São João Batista, reforma da Cadeia Pública e construção de cela para albergados, a doação de US$ 4.000 para a Campanha Sight Firts (Visão), o plantio de novecentas árvores na avenida Marechal Castello Branco(BR-120), além de inúmeras atividades e campanhas em prol da cidadania, contra as drogas e o câncer de mama.
Também tiveram muito sucesso as suas feiras de saúde, campanhas de doação de alimentos no Natal, bailes beneficentes, projeto esportivo "Leãozinho Bom de Bola", além de doações de óculos, medicamentos, aparelhos ortopédicos, exames de Raio X, agasalhos, bolsas de estudo, material escolar, empréstimos de cadeiras de rodas, beneficiando entidades como o Lar dos Velhinhos, a Associação Cristã Espiritualista Allan Kardec, a Sociedade São Vicente de Paulo, a Associação Assistencial e Promocional da Oração de Viçosa, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, dezenas de creches, a Lira Santa Rita, escolas estaduais e municipais, associações de moradores, a Associação Mão Amiga, o Serviço de Obras Sociais, a Casa do Caminho Bezerra de Menezes e a Associação dos Cegos de Juiz de Fora, dentre outras. O Lions de Viçosa ainda teve participação ativa na fundação do Lions Clube Ponte Nova Leste, do Lions Clube de Ervália, do Clube dos Castores e do Leo Clube de Viçosa.

Rotary Club

Integrando o Distrito 4580 de Rotary International e tendo como clube padrinho o sediado na cidade de Ubá, e com grande incentivo do rotariano ubaense José Campomizzi Filho, a 21 de junho de 1957, no Viçosa Clube, então localizado no edifício nº da praça Silviano Brandão (onde foi sede o Cine Theatro Odeon) foi a primeira assembléia para a fundação do Rotary Club de Viçosa. Viçosa tinha então menos de 10.000 habitantes. Tendo recebido o número 8.365, a sua Carta Constitutiva veio a 1º de agosto daquele mesmo ano. Os sócios fundadores foram 25 ilustres cidadãos da comunidade viçosense. N??? ... Desde então o Rotary teve marcada participação na vida social, cultural, econômica e comunitária do município, tendo atuado em realizações as mais importantes, entre as quais o apoio à construção da sede do Tiro-de-Guerra e na iluminação da praça Silviano Brandão, feita por intermédio do senador Arthur Bernardes Filho, ilustre filho da terra. Rotary obteve adoação de todo o material elétrico para a iluminação, a mercúrio, do principal logradouro central, além de ter contribuido na construção de uma rampa de acesso no Hospital São Sebastião.
Memoráveis campanhas de vacinação com o fornecimento da vacina contra a poliomielite, inclusive com a manutenção de um um Posto de Vacinação de crianças foram também um marco nos primeiros anos. Foi no Rotary que teve início o movimento social, em 1965, para a fundação de uma cooperativa agropecuária no município, tendo sido seus principais líderes Arlindo de Paula Gonçalves, Divino Vitarelli, João Maffia Filho, Joaquim Aleixo, Vincenzo d'Antonino e Geraldo Carneiro Vidigal, culminando na fundação da Cooperativa Agropecuária Mista de Viçosa (Camiv).
O ocaso da Companhia Viçosense de Força e Luz e sua substituição pela Cemig teve também grande impulsionamento por parte das lideranças rotárias, além dos asfaltamentos das rodovias Viçosa/Ponte Nova e Viçosa/Visconde do Rio Branco. Em 1968o clube se empenhou na reorganização da Associação Comercial de Viçosa, já que os rotarianos José Bernardes Santana, Mário Dutra dos Santos, Geraldo Carneiro Vidigal, Eloy Gava e Joaquim Campos "foram os que mais se empenharam neste empreendimento", conforme ressaltou o também grande rotariano Braz Rozado Costa.
Em 1967, Mário Dutra dos Santos e outros idealistas iniciaram "um trabalho lento e persistente para a construção do Lar dos Velhinhos", ainda de acordo com Braz Rozado Costa, que acrescenta os seguintes fatos: "No dia 4 de abril de 1981, na sede do Clube Campestre de Viçosa, às 21 horas, estávamos reunidos os companheiros Antônio
Fagundes de Sousa, Gerhardus Lambertus Voorpostel, João Bosco Torres, José Bernardes Santana, Pélmio Simões de Carvalho, este companheiro, e vários companheiros da época, junto com pessoas da comunidade, assinando a Ata de Fundação da Apae de Viçosa. E a Apae hoje atende mais de 330 crianças de Viçosa e região."
Coordenado por Cid Martins Batista, mais de 1.700 palestras por todo o país e a produção de um vídeo orientaram pais e adolescentes sobre o perigo do uso das drogas. Tal atividade do Rotary culminou no lançamento do livro: "Drogas: ilusão transitória, desgraça permanente; o que você precisa saber para ajudar um dependente". O Clube promoveu duas jornadas anti-drogas. E por intermédio da rotariana Esmeralda Thomaz Afonso foi desenvolvido um projeto para restauração do Colégio de Viçosa. Este projeto contou com recursos da Fundação Rotária e promoveu orientação vocacional para cem crianças, com fornecimento de uniformes, ensino de pintura, restauração e serviços de pedreiro. Estes aprendizes iniciaram a restauração do balaustre nos anos de 2002/2003.
A Casa da Amizade é uma organização das esposas de rotarianos e que recebe a colaboração de diversas senhoras da comunidade. Desenvolve desde 1979 um programa denominado Obra do Berço, que fornece enxoval para recém-nascidos e um curso de orientação para as mães. Ao longo desse tempo já foram distribuídos mais de 8.000 enxovais para recém-nascidos.
Até a data de seu cinqüentenário o Rotary mantinha um convênio com os principais cursinhos pré-vestibulares da cidade. Os cursinhos disponibilizavam um determinado número de bolsas e o clube fazia a seleção criteriosa dos candidatos, baseada em dois fatores: renda familiar e aptidão acadêmica. Um curso de corte e costura em parceria com a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Este programa já havia oferecido, até 2007, mais de sessenta cursos com aproximadamente 3.500 horas/aula, sendo dedicado principalmente a mulheres de baixa renda. Adelson Tinoco, outro rotariano de escol, coordenava, até o mesmo período, o Programa Municipal de Assistência à Terceira Idade, que havia chegado até então a uma participação de mais de 2.000 idosos. No Núcleo de Arte da Violeira notou-se a presença de rotariano prestando atendimento odontológico, sem nenhum ônus, a 35 crianças. Em convênio com a Prefeitura Municipal (Secretaria da Saúde), a cargo do rotariano José Carlos Silva, o Programa de Acuidade Visual é outra grande realização rotária, consistindo em fazer exame de vistas em todas as crianças das escolas, resultando em 340 consultas a oftalmologistas e, na maioria das vezes, no fornecimento de óculos para as crianças carentes.
Ainda conforme relatou a este blogger o rotariano Braz Rozado Costa, em 2005 o Rotary Club planejou, organizou e executou um Fórum de Segurança Pública envolvendo toda a sociedade organizada de Viçosa. O evento contou com a participação do Lions Club, Associação Comercial de Viçosa, Associação dos Professores da Universidade Federal de Viçosa, Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Viçosa e demais entidades, tendo um impacto significativo que já resultou em mudanças no quadro de segurança pública da cidade. Os resultados alcançados até agora são a elevação da PM para Companhia Especial, o que implicou no aumento do efetivo da Polícia Militar, e o aumento também de viaturas para as polícias Militar e Civil.
O clube participa ativamente das atividades no Distrito 4580 e já contribuiu com três de seus sócios na função de governadores distritais. Foram eles: Cid Martins Batista 1986/1987; William de Albuquerque, 1992/1993; e Luiz Carlos Dantonino,2003/2004.
Como bem ressaltou o saudoso médico Altamiro da Conceição Saraiva, instituições como o Lions e o Rotary, nenhum lucro visam “senão proporcionar aos homens de boa vontade oportunidade de servir, de se tornarem úteis aos seus semelhantes, no exercício diuturno de suas profissões, contrastando com um mundo, onde se situam, de tendência nitidamente materialista”.

União Municipal das Associações de Moradores

Viçosa tinha sessenta e seis bairros em 2007. E outro movimento social de alta relevância em Viçosa é a União Municipal das Associações de Moradores de Bairros e Distritos de Viçosa (Umam), que tinha já, filiadas, naquele ano, 40 associações e conselhos comunitários urbanos e rurais: Arduíno Bolivar (Alto das Amoras), Barrinha, Bela Vista, Belvedere, Betânia, Boa Vista (Morro do Escorpião), Bom Jesus, Cachoeira de Santa Cruz (Cachoeirinha), Cidade Nova, Córrego do Engenho, Fátima, Conceição, Fuad Chequer, Rua dos Passos, Inácio Martins (Grota dos Camilos), Inconfidência, João Braz, JK, Lourdes, Maria Eugênia, Marques, Nova Era (Pau de Paina), Nova Viçosa, Posses, Novo Silvestre, Paraíso, Palmital, Pau de Cedro, Romão dos Reis, Rua Nova, Sagrada Família, Estrelas, Sagrados Corações (Rebenta Rabicho), Santa Clara, Santo Antônio (Cantinho do Céu), São José do Triunfo (Fundão), São José (Laranjal), São Sebastião (Morro do Café), Silvestre, União, Vale do Sol, Vau-Açu e Violeira. Os líderes de bairros e distritos foram dentro desta organização do município de Viçosa, verdadeiros “líderes de discussão”, como são definidos por BARROS (). Segundo ele “tão importante papel” costumam esses “desempenhar no debate dos problemas fundamentais da comunidade. Inúmeras questões, antes de serem postas em equação, nas organizações públicas e privadas, precisam, primeiramente, passar pelo crivo da discussão dos grupos. Ora, esses para serem eficientes em qualquer trabalho, não podem prescindir da ação catalisadora dos líderes. Daí a função dos líderes de discussão. São eles que planejam e conduzem, com segurança, o debate dos problemas de interesse comunitário. Muitas soluções propostas pelos grupos para os problemas que os afligem, não chegam ao resultado esperado porque, na fase da discussão, são seriamente deformados por interesses privados ou pessoais, que poderiam ter sido afastados, se, à frente do debate, se encontrasse um perfeito líder de discussão”. Dentre outros líderes comunitários, Antônio Raimundo Charrão Rodrigues, Divino Amaral, Francisco Antonino da Cunha Vilela, Ismael dos Santos Damásio, Jeanne Maria Cupertino Ferraz, José Marinho Messias, Lídson Lehner Ferreira e Marlene de Souza Campos desempenharam com eficiência o seu papel, não só na maneira de preparar, mas também na de conduzir as reuniões da União. A Umam congregou sempre um tipo muito específico de lideranças, definidas pelo referido autor, como “mais do que um símbolo inanimado”. Para Edgard, tais agentes são “a própria vida do grupo, naquilo que ele tem e afirmação, de força e de dinamismo atuante”.

Academias de Letras

A Academia Viçosense de Letras (AVL) foi fundada a 30 de setembro de 1963, mas teve efêmera existência. Seu primeiro presidente foi o Cônego Antônio Mendes. E a Academia Municipalista de Letras de Viçosa (AMLV) fundada a 23 de novembro de 1985, com 40 membros efetivos, eleitos por seus pares, e 20 sócios correspondentes, sua primeira presidente foi a escritora Maria Aparecida da Silva Simões. Para a diretoria foram eleitos os seguintes sócios: 1º vice-presidente Benito Taranto, 2ª vice-presidente Therezinha Mucci Xavier, secretária-geral Cirene Ferreira Alves, 1º secretário Pélmio Simões de Carvalho, 2ª secretária Juracy de Souza Barros, 1º tesoureiro Carlos dos Reis Baêta Braga, 2º tesoureiro Elias Ibrhaim, 1º bibliotecário Maurício Xavier e 2º bibliotecário Ary Teixeira de Oliveira.
Seus objetivos e finalidades são o estímulo e o engrandecimento os valores autênticos, que tenham contribuído para o aprimoramento da Língua Pátria, da cultura literária e histórica de Viçosa e das cidades circunvizinhas, e o acolhimento, sem discriminação, por parte de seus membros, dos valores culturais autênticos que engrandecem e valorizam o desenvolvimento da cultura em Viçosa, propugnando inclusive por melhor conhecimento de sua história."
A 12 de abril de 1986, em reunião ordinária da ALV, os acadêmicos escolheram o dia 24de maio para a sua festiva instalação, e a 8 de maio de 1986, em reunião extraordinária, decidiu-se por suprimir a palavra "Municipalista", ficando apenas Academia de Letras de Viçosa, por deliberação dos acadêmicos. Personalidades de indescritível valor no cenário cultural não só de Viçosa, aqui incluímos os nomes de todos os membros efetivos, entre vivos e já falecidos e sócios correspondentes e honorários do sodalício que tem como patrono o Mestre Arduíno Fontes Bolivar, um dos mais ilustres filhos desta terra. Filho de Cândido Malaquias Bolivar e de D. Maria Tereza Gonçalves Fontes, um dos poetas e humanistas mais influentes de toda a vida intelectual e política de Minas Gerais entre as décadas de 1920 e 1950, nascido na velha Santa Rita do Turvo, depois Viçosa, a 21 de setembro de 1873. Tendo cursado Humanidades no Colégio do Caraça, onde foi despertado o seu pendor para o estudo das letras latinas, pupilo, por um ano, da conceituada Escola de Farmácia de Ouro Preto, onde também lecionou no Colégio Mineiro, bacharel, em 1902, em Ciências Jurídicas e Sociais pela consagrada Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, promotor de Justiça, diretor do Arquivo Público Mineiro, Arduíno foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, atual PUC/MG, onde ministrou aulas de Literatura Latina. Tradutor das odes de Horácio e das ecóglas de Virgílio, latinista, sobre ele assim se expressou um seu ilustríssimo ex-aluno no Colégio Arnaldo, Carlos Drummond de Andrade: "Arduíno Bolivar, o teu latim/ Não foi, não foi perdido para mim./ Muito aprendi contigo;/ A vida é um verso/ Sem sentido talvez, mas com que música!"
Por ocasião do lançamento, pela Academia Mineira de Letras, de documentário sobre sua obra (citado na bibliografia do presente trabalho), desenvolvido pelos professores Johnny José Mafra, Mário Cleber Martins Júnior e Simone Von Rondon, do Projeto Universidade Livre, do Centro de Memória da PUC/MG, o jornal Folha da Mata, de Viçosa, se dignou publicar, de autoria deste blogger, a 22 de novembro de 2003, o artigo do qual a seguir compilo os principais tópicos. Nome de bairro em sua terra natal, localidade conhecida popularmente como "Alto das Amoras", emprestou seu nome também ao extinto Grêmio Artístico e Literário do antigo Colégio de Viçosa, o "Galab". Arduíno também é patrono da Academia de Letras de Viçosa (ALV).
Enquanto cursava Direito em São Paulo, Arduíno lecionou no Instituto Luiz Antônio dos Santos. Militante da imprensa local, ele trabalhou no "Comércio de São Paulo" e na "Nação". Foi ainda redator de algumas revistas acadêmicas como o "Instituto Jurídico", "A Evolução" e a "Renascença". Advogado, Arduíno retornou à terra mineira, onde foi nomeado, a 28 de maio de 1903, promotor de Justiça da Comarca de Carangola, onde permaneceu por três anos, período em que se dedicou ao jornalismo, como redator de "O Progressista", daquela cidade da Zona da Mata.
A 3 de fevereiro de 1906 foi nomeado Juiz Municipal da Comarca de Ubá, onde permaneceu até 1914 e lecionou no Ginásio São José, estabelecimento de que foi vice-diretor. Ali foi redator de outro orgão de imprensa: "O Movimento". E a 8 de setembro de 1914, nomeado oficial de gabinete do secretário de Agricultura, tendo servido neste posto com os secretários Raul Soares de Moura e Clodomiro de Oliveira. Ingressou no magistério estadual como professor da Escola Normal Modelo de Belo Horizonte, nomeado a 8 de dezembro de 1922. Em 20 de março de 1925 tornou-se ali titular da cadeira de Português e em março de 1926, diretor daquela instituição. No dia 14 de abril de 1936 foi nomeado diretor do Arquivo Público Mineiro, cargo que exerceu até 14 de setembro de 1938, quando se aposentou. De 1931 a dezembro de 1942 lecionou Latim no curso vestibular da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais. Em 24 de março de 1944 foi admitido como professor de Sociologia da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Minas Gerais, posteriormente incorporada à Universidade de Minas Gerais, sendo investido como catedrático da cadeira de Princípios de Sociologia aplicados à Economia, por concurso de títulos, a 16 de novembro de 1945.
Lecionou Literatura, Latim, Francês, História Universal e História do Brasil no antigo Ginásio Mineiro de Belo Horizonte e no Colégio Arnaldo a que já nos referimos. Foi também professor de História da Literatura Italiana na Faculdade de Filosofia Santa Maria, e de História da Literatura Latina na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais. Membro da Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Arduíno Bolivar exerceu durante vários anos as funções de membro da Comissão Nacional do Livro Didático – subcomissão de Língua Portuguesa e línguas antigas do Ministério da Educação e Saúde. Para Múcio Leão, ele "soube dar a vida inteira a um ideal de cultura para o qual não via possibilidade de retribuição próxima ou póstuma."
Por ocasião de seu falecimento, a respeito do Mestre Arduíno, assim se expressou Affonso Penna Júnior, na Academia Brasileira de Letras (ABL): "No seu espólio de grande estudioso, serão encontradas muitas e muitas obras, que ele, na ânsia, bem caracense, da perfeição, ia limitando através dos anos, e apesar do incitamento de amigos, não se animava a publicar. Posso dar testemunho de algumas traduções latinas, que conservavam, na nossa língua, todo o vigor e o encantamento dos poetas Virgílio e Horácio. Essas produções, a crítica dos que o conheceram de perto, a devoção piedosa de seus muitos discípulos – pois Arduíno Foi, por excelência educador e mestre – hão de erigir-lhe o monumento de bronze e perenidade, que seu mérito reclama." De fato, o viçosense Arduíno Fontes Bolivar foi colaborador, articulista, em diversas revistas e jornais brasileiros mas não publicou livro.
Não cabe aqui, evidentemente, pormenorizar dados referentes às largas produções dos ilustrados integrantes da ALV, bem como de seus respectivos patronos no notável grêmio literário da cidade. Citamos tão somente aqui seus gloriosos nomes, que falam por si mesmos, e que formam a Galeria dos Imortais:

Alexandre de Alencar
Alexandre Furtado Cordeiro
Aluízio Borém de Oliveira
Antônio Aníbal Pacheco
Antônio Brant Ribeiro Filho
Antônio Gonçalves de Oliveira
Antônio Mendes
Ary Teixeira de Oliveira
Badia Abrão El-Hadj
Benito Taranto
Carlos dos Reis Baêta Braga
Cirene Ferreira Alves
Clibas Vieira
Denise Maria Nery Euclydes
Edgard Vasconcelos Barros
Edson Potsch Magalhães
Elias Ibrahim
Erly Cardoso Teixeira
Ernesto von Rückert
Fernando José Ribeiro da Silva
Francisco de Assis Costa
Francisco Simonini da Silva
Gerson Cunha
Jacyra Sant'Ana
João Maffia Filho
José Dionísio Ladeira
José Geraldo Vidigal de Carvalho
José Levy de Oliveira
José Maria dos Santos
José Paulo Martins
Júlio de Castro Paixão
Juracy de Souza Barros
Leda de Bittencourt Bandeira
Lúcia Maria Sant'Anna Costa
Luiz Cláudio Costa
Mansour Chalita
Maria Aparecida da Silva Simões
Maria Auxiliadora Monnerat
Maria das Graças de Freitas Castro
Marília Nascif Barbosa
Maurício Xavier
Murilo Rubião
Nilda de Fátima Ferreira Soares
Onofre Christo Brumano Pinto
Pélmio Simões de Carvalho
Rosimar Gomes da Silva Ferreira
Tarcísio Gomide
Therezinha Mucci Xavier
Wantuelfer Gonçalves


Extrato do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, deste blogger (em fase de revisão e ampliação)

Futebol e Carnaval

Futebol

1º de Maio, Abadágio, Acadêmico, Agros, Alvorada, Bela Vista, Café da Roça, Camarões, Camilinho, Chácara Vera Cruz, Cidade Nova, Coisa Linda, Colônia, Condé, Couceiro, Coura, Década de Setenta, Drogaria Madre Paulina, Estacionamento Sel, Estiva, Explosão, Furacão do BJ, Furazói, Galácticos, Galvão, Grama, Grotense, Guarani, Javali, João Braz, Juventude do Leonel, Juventude do Sapé, Juventude Santa Clara, Juventus, Líder do Bom Jesus, Liverpool, Mancha Negra, Nove de Julho, Palmeirense, Paraíso, Parma, Pif-Paf, Real de Nova Viçosa, Redenção, Rei do Celular, Renascer, Renovação, Ruanovense, Santa Cruz, Santiago São Cristóvão, São José, Sapão, Semear, Silvestre, Social, Tupã, Triunfense e Vila Novo Paraíso. Estas eram as equipes futebolísticas em ação no primeiro centenário do futebol em Viçosa, em 2006. A maioria jogava nos finais de semana e não era registrada como pessoa jurídica, a exemplo dos clubes sociais Viçosa Atlético Clube, Liga Operária Viçosense, Viçosa Clube, Clube Campestre e Viçosa Tênis Clube. Hoje Viçosa tem duas ligas de desporto em funcionamento: a Liga Municipal de Desportos de Viçosa (LMDV), fundada em 1997, e a LEV, surgida na década de 1960, mas registrada apenas em 1979.
O futebol apareceu em Viçosa no dia 15 de novembro de 1906, de acordo com antigos registros jornalísticos. Foram primeiros praticantes da modalidade nesta cidade os jovens Luiz Lopes Gomes (Lulinha), Randolpho Sant’Anna, João Simplício Lopes (Joãozico), Luiz Megale, João Ferreira Nunes, Pedro Galvão, e outros. No dia 9 de dezembro do mesmo ano, foi convidado o coletor de Ubá, Sebastião Ramos de Castro, que veio a Viçosa ensinar como se jogava futebol. O clube chamava-se “Foot-Ball Club de Viçosa”. - Lulinha, Alvino Machado, Randolpho Sant’Anna e outros colaboraram para a fundação do segundo clube, o “Destemido Viçosense Foot-Ball Club”, em 1913. O Viçosa Atlético Clube foi fundado a 28 de maio de 1931, pelos viçosenses Dr. Raymundo Faria, Dr. Carlos Megale e Geraldo Lopes Jacob (Gigi), e teve como diretores Sebastião Taucci, Dr. Raymundo Faria, José Fontes, Arduíno Braga, José Thomaz Teixeira (Salame) e Orlando Santana da Cunha, numa época em que Viçosa possuía apenas dois hotéis, o do Barão e o da Cota. Eram menos de três os clubes futebolísticos locais. Na terceira década do século XX, se contavam em pouco mais de oitocentas as casas.
Em sua coluna Domingo Sportivo o repórter Jotta anunciava, no título da matéria, ´Uma justa victoria do “Arnaldo Carneiro F. C’’, informando sobre prélios ocorridos a 19 de outubro de 1924. Disse Jotta que “desde cedo notava-se o grande número de espectadores seguiram rumo ao grammado viçosense” e que “debateram-se os teams de Sylvestre e da E. Agricola cabendo a este ultimo os loureis da victoria que conquistou grande numero de goals. Ao pisar o grammado os teams principaes era tal a concorrencia que se podia sem exagero calcular os espectadores em mais de mil pessoas”, e que “ao dar o dr. Jayme Marinho, arbitro da partida, inicio ao jogo pairava sobre toda assistência uma nuvem de duvida que se firmava com o desenrolar dos primeiros minutos de jogo, tal o equilibrio mantido pelos teams.
A bola zigue-zagueava de ‘back’ a ‘back’ sem passar ao goal”. Jotta segue narrando a partida nos seguintes termos: “Não se fez muito demorado este silencio de duvida dos espectadores que logo após o 1º goal Pontenovense transmudou em uma forte torcida. A reacção se fez rapida e pouco tempo havia decorrido quando tornava-se empate a partida com um goal feito pelo team de Viçosa. Findo o 1º tempo estavamos com o score favoravel a nós por 2 x 1. Começado o 2º tempo notou-se o domínio do quadro de Viçosa que em intervallo pequeno fez balançar a rêde sob as guardas de Jayr por duas vezes.Com uma vantagem grande em pontos os nossos jogadores desinteressaram-se pelo jogo, o que permittiu aos visitantes n’um esforço louvavel conquistar, fazendo vasar a cidadella de Reynaldo, o 2º goal Pontenovense. Deu o juiz por findo o jogo com a victoria do ‘Arnaldo Carneiro F. C.’ por 4 x 2.
Segunda-feira, às 18 horas, houve um reco-reco pelas principaes ruas da cidade, acompanhado pelos alumnos e alumnas do Gymnasio e grande numero de viçosenses no qual se fez echoar vivas e urahs em regosijo a victoria. Carregadas por alumnas do Gymnasio abriam alas ao reco-reco o ‘Fifi’ e taça ‘Bazar Renê’”, conclui o redator esportivo.

Carnavais


O Carnaval virou nome de festa porque assinalava as horas, ou os dias, que antecediam o início da Quaresma, tempo em que os cristãos reservam para o jejum e a oração. Então, antes de dar adeus à carne, à alegria, e de vestir a alma de luto, festejava-se. Enquanto durasse a festa, todas as fronteiras eram abolidas, e mesmo os sonhos mais loucos podiam se tornar realidade.
A cada ano, em geral, ele acontece entre 2 de fevereiro e 9 de março, dependendo da data da Páscoa. De acordo com o ilustre filósofo e historiador viçosense, cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, a palavra Carnval "vem de currus navalis, pois entre os gregos e romanos se fazia um préstito em torno de um enorme carro em forma de navio dedicado ao deus Dionísio ou Baco. Já no século VI antes de Cristo, de fato, entre os gregos, havia festividades semelhantes às que ocorrem hoje. Depois dos gregos, entre os romanos e os antigos celtas e germanos também análogas solenidades pela entrada do ano civil."
Desde 1854 o entrudo foi proibido, e com o seu fim, o Carnaval se encheu de máscaras, blocos de rua, desfiles alegóricos e grandes bailes. Das antigas provocações sobraram os lança-perfumes, os confetes, as serpentinas, mais recentemente, os modernos e pegajosos sprays de espuma.
O primeiro clube carnavalesco local, o “Filhos de Viçosa”, foi fundado a 25 de janeiro de 1892. Não chegaram aos nossos dias os detalhes de como eram suas fantasias. Seu idealizador foi João Ferreira. Tinha como sede o Hotel Ferreira, de propriedade do fundador, de acordo com nota do jornal Cidade Viçosa, primeiro órgão de imprensa escrita do município, fundado no mesmo ano, a 15/11/1892. Sobreviveram em Viçosa, no princípio do século XXI, o grêmio recreativo e esportivo verde-e-rosa Unidos dos Passos (Gresup). De inesquecíveis sambas-enredo ensaiados no terreirão da família de Custódio de Barros, na rua Afonso Pena, foi a escola do coração dos foliões Raimundo Pedro Pinto (Sô Pintinho), cuja casa, na antiga Rua Seca, tinha as mesmas cores dessa sua escola, Geraldo Guadalupe, Lita, Mailda, Eurico e Marlene, Dona Zilinha, Mauzi Rosa, Pascoalino, mestre Campeiro, Luzia Borges, Adão Rainha, Geralda Alves (Dona Filinha), dentre outros. A outra é a azul-e-branca Turunas do Vale (Grestuv), fundada em 1983, nas quais se destacaram foliões como João Paulino Gouvêa Netto, Francisco Assis de Souza Castro (Jeremias), Maria do Carmo Barbosa, Eugênio Eduardo Batista (Geninho) e Luiz Gonzaga da Silva (Picirico), dentre outros, hoje sob o comando de Antônio Carlos (Marreco), compositor e puxador, e de Avelino, mestre-de-bateria.
Num desfile de recordações, mencionemos também aqui a alvinegra Unidos Esavianos(depois Academia do Samba e Ufevianos), a tricolor Amoricana (verde, branca e vermelha), a Dose Dupla, o Grêmio da Rua São José, os Unidos de São José do Triunfo, a Juventude Independente, o Vem-Quem-Quer, os Unidos da Parte Alta, a Flor de Minas, os Unidos do Pintinho, o Bloco dos Sujos, o Sumaúma, o rubro Funil 2000, o Última Hora, além daqueles que personificaram o Rei Momo na cidade: Ânderson Belcavelo, Kepler Euclydes Sant’Anna (Maninho), Osmar Balbino de Souza, Monte Alegre, Raimundo Careca e Ludovico Martino e suas belas parceiras, rainhas dos nossos antigos carnavais, que detinham a plena posse das chaves da cidade durante um efêmero reinado de quatro dias. O boi foi um personagem que marcou época em Viçosa, com a sua folia. Preto, adornado de fitas multicoloridas, feito de massa, com armação de madeira e papelão, seja montado pelo funileiro Raimundo Pedro (Sô Pintinho) ou pelo musicista, alfaiate e crítico carnavalesco César Sant’Anna e Castro, o boi causou frisson por décadas em Viçosa. O bloco Ferrões, com seu dragão rubro-negro, e o Araras, alvianilino, com sua indefectível vedete, evidentemente uma arara, surgiram na década de 1920 em Viçosa e pertenciam, respectivamente, ao Club Social Viçosense (depois Viçosa Clube), na rua Arthur Bernardes, 54, e ao extinto Clube Dramático Paladinos do Progresso, sendo ligados, cada qual, às famílias Sant’Anna, Costa Val e Alves Torres. Outras folias permanecem gravadas na lembrança dos que puderam assistir as antigas batalhas de confetes das senhoras que moravam no antigo Muzungu, na Praça da Estação Ferroviária, próximo do Grande Hotel Rubim, dos Unidos da Cana, Xiitas, do Vem-Quem-Quer, dos Unidos do Bom Jesus, Império do Samba, Unidos do Carlos Dias, do Boca Nervosa, do bloco infantil do Babá. E a alegria proporcionada por foliões como Lulu Baião, Zé Bóia, Picolé e pelas “meninas” do Viçosa Clube são também queridas recordações dos foliões viçosenses, que se organizaram em 2005 na Liga Independente das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Viçosa (LIESBCV).


José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com


Extrato do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, de autoria deste blogger, em fase de revisão e ampliação

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Forças, luzes e comunicações

FORÇAS E LUZES

Servida pela Usina da Brecha, de Guaraciaba, até que aqui passou a funcionar uma subestação da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), em agosto de 1968, até ali Viçosa dependia de um gerador de energia elétrica movido por força mecânica produzida pela queda d’água do rio Piranga, com capacidade normal de 17.000quilovolts-ampères (kVA). Folha de Viçosa de 22 de setembro de 1968 publicou o edital convocativo da Assembléia Geral Extraordinária dos acionistas, na qual a diretoria da Companhia Viçosense Força e Luz, pelo seu diretor gerente, José Ubirajara Euclides, no exercício da presidência, em consonância com o Decreto-lei nº 2.627 de 26 de setembro de 1940, deliberaria, 10 de outubro daquele mesmo ano, na sede da Cia., à Praça Silviano Brandão, 170, pela dissolução da sociedade, nomeação de liquidantes e a venda do patrimônio da empresa, tendo em vista o encerramento de suas atividades, como empresa concessionária de serviço público. ALVES (Nº?), em Páginas para serem lembradas, descreve a luz desta Companhia como “um tomatinho vermelho lá no forro da casa, iluminando pouco, acendendo e apagando quando bem entendia, a energia sendo desligada pela madrugada e só voltando depois das sete horas do dia...” Em 1966 estudavam-se opções de concessionárias do serviço na cidade. A imprensa alardeava a deficiência do serviço de energia elétrica em seus editoriais, segundo ela, muito deixando "a desejar quanto à iluminação", embora isto não representasse "o mais sério problema". De acordo com Folha de Viçosa, num de seus artigos no referido ano (1966), o problema "mais básico e de maior alcance", situava-se na energia. "Esta é escassa, ruim, intermitente, precária, limitada e limitante do desenvolvimento da cidade.
Que comunidade conseguirá progredir, se não conta com enérgica elétrica estável, segura e abundante?
O que se passa em Viçosa é o fenômeno da desatualização nesse setor. As pequenas companhias não têm mais probabilidade de sobreviver. Sua sobrevivência significaria para quem é servido por elas um entrave mais do que serviço.
Trata-se de setor tão vital que é inevitável a absorção das pequenas organizações por outras lastreadas de maiores recursos, de técnica mais apurada e garantias mais efetivas.
Houve possibilidade de escolhermos, para solução definitiva do caso, a seguinte alternativa: a CEMIG ou a Cataguazes-Leopoldina. Se optássemos por esta, brevemente, teríamos de recorrer à outra, porque constituiria a escolha um remédio transitório.
As numerosas cidades desta Zona da Mata servidas por aquela companhia, inclusive a da sede do consórcio, lutam com a mesma deficiência que nós!
Só restava, portanto, escolhermos o melhor caminho. Não importa que suas taxas sejam mais elevadas que as das demais. O que é melhor deve custar mais. Não preferir o melhor não nos parece só erro. Se não for pecado, será uma imperfeição grave.
Por isso, optamos pela CEMIG. Nossa cidade precisa do melhor. E merece, também. E que, sem sobra de dúvida. Porque quer desenvolver-se. Porque não pode parar.
Venha a CEMIG.
A mesma Folha de Viçosa, de 14 de junho de 1970 (Ano VII – Nº 148), noticiava:
"Visando a solucionar definitivamente o problema de energia elétrica no município, a CEMIG acaba de colocar em operação a nova linha de transmissão Usina de Brecha Viçosa, em tensão de 34,5 mil volts.
A nova linha possui uma extensão de 27 quilômetros e, para a sua construção, além de recursos próprios, a CEMIG contou com financiamento do BNDE e da ELETROBRÁS.

Progresso com Energia

O moderno sistema de iluminação pública de Viçosa está constituído por uma rede de distribuição de 34,7 quilômetros e em sua extensão foram empregados 977 postes de aço e concreto, 923 luminárias, sendo 805 comuns e 118 ornamentais, além de 83 transformadores – monofásicos e trifásicos – com capacidade de transformação de 2.760 KVA."


Um significativo dia para os viçosenses foi o 5 de novembro de 1912. Marcou aquela data a melhoria da qualidade da infra-estrutura dos serviços públicos, porque a Câmara, presidida por Emílio Jardim de Rezende, firmou contrato por um período de cinco lustros com a Casa Vivaldi, para fornecimento de forças e luz aos munícipes. O reservatório municipal de água naquele tempo comportava 200 mil litros. Captado na Fazenda da Conceição, descia o líquido precioso ao Largo de São Francisco (praça Dr. Christóvam Lopes de Carvalho), atravessando o Pasto dos Barros (avenida Santa Rita), com destino ao Morro do Cruzeiro (rua Pe. Serafim) A água foi fluoretada desde 1973, pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), inaugurado em 1970, e que no princípio do século XXI contava com um moderno interceptor e duas estações de tratamento, nos bairros Bela Vista e Violeira.
E não existindo ainda a Companhia Viçosense de Força e Luz, cuja energia era fornecida pela Usina do Bananal, de Guaraciaba, o querosene era o combustível empregado em setenta bruxuleantes lampiões belgas que, à noite, tremeluziam em esquinas de nove ruas e cinco praças. O homem que os acendia, relata-nos o saudoso viçosense Raimundo Pires da Costa, era quem no lugar “mais contatos tinha com as pessoas, percorrendo de ponta a ponta, no começo da noite e por volta das nove horas, logo após as tradicionais badaladas do sino da cadeia. Acendendo na ida e apagando na volta os escassos lampiões que mal iluminavam as mal traçadas ruas da incipiente cidade, mas alegravam às vezes o coração de muita gente como se fosse uma saudação de boa noite [...] Para Antoniquinho a ordem para acender e apagar tanto podia vir da Sala da Câmara, em cima da cadeia ou de algum cômodo situado na cidade sede da comarca do Turvo. O importante é o que ele sentia, como testemunha ocular; alguma coisa de novo estava surgindo no território exíguo por ele percorrido todas as noites com a claridade e a sombra que seus lampiões produziam.
Não há nalguma parte do norte ou do nordeste um belo poema cantando o acendedor de lampiões? Se o cantor ou poeta daquelas bandas está agora fora de foco e meio perdido na memória, o dinâmico Antoniquinho que precedendo a luz elétrica iluminou as noites de uma porção da Mata, de um recanto do Turvo, com pavios imersos em querosene, tem ainda, quem sabe, um perfil bem vivo na lembrança de muitos que se não o conheceram dele tiveram algumas notícias. [...] No tempo dos lampiões, com o coração mais forte, comunicava-se com mais efusão sentindo que a cidade estava sempre começando com os sinais de aparecimento de uma nova geração visíveis em fisionomias jovens bem semelhantes a outras um tanto mais carrancudas, que agora se mostravam menos ou já estavam definitivamente sumidas [...]
O velho acendedor de lampiões, segundo COSTA, “conheceu meio mundo. Conviveu com gente da Outra Banda, com os hebreus da rua de Baixo, com os adventícios do Pasto do Barros. Mesmo com todas as luzes da cidade apagadas, havia sempre uma venda para os ‘mata-bichos’ retardatários. Como mariposas os notívagos eventuais ou efetivos sempre se aglomeravam em torno de um bico de luz mais acessível. Aí (podia ser na venda de um velho Jacó do alto do Cruzeiro, na de Chico Turco, no Largo da Matriz ou na do Cristiano, no começo da rua de Baixo) reuniam-se, não raras vezes, sobretudo aos sábados, três ou quatro gerações, jovens seresteiros, músicos de várias idades, andarilhos da noite, apenas curiosos, curiosos que além do interesse pelas novidades pitorescas do Antoniquinho, queriam também comprar tarecos e cobus, saborear um pão com sardinha ou bebericar o último golo da noite, alternado com pedacinhos de lingüiça de porco defumada.
Os homens da noite (fenômeno de todas as épocas) formavam um grupo flutuante, apareciam aqui e ali, uns mais, outros menos chegados aos vendeiros, sumiam, reapareciam, com exceção de três ou quatro, que eram veteranos e mais pontuais, como o Laurindo, o Porfírio, o Joãozinho Jacó... A notícia em primeira mão era quase um privilégio do homem dos lampiões numa época mais recuada, coisas como a partida inesperada do Pe. Boaventura, com a chegada de um grupo teatral vindo do Rio, o início dos trabalhos de construção do novo ramal da estrada de ferro, o casamento de Joel e a morte de Antão Fernandes.
A política também era notícia, assim como as festividades religiosas com divergências sempre presentes em relação aos candidatos aos cargos eletivos (mais ou menos na base do ‘bico de pena’) e aos encargos de festeiros para as festas de maior importância, estes por escolha, do vigário e de alguns assessores. Boas fontes de notícias foram sempre as vendas já de portas fechadas, os clubes, abertos e clandestinos, e as salas particulares de jogo, onde sapos e jogadores perdem e ganham, comem e bebem, discutem e se entendem, pois a terra natal é sempre boa mas não é ainda o paraíso”.

COMUNICAÇÕES

No referente às telecomunicações, foi em 1949, mais exatamente a 16/7, que foi ao ar pela primeira vez a Rádio Montanhesa AM, fundada por Alberto Daker, José Daker, Nagib Balut, Ney Sant'Anna, Paulo Pinto Coelho. Seu primeiro estúdio foi no andar superior do prédio de número 50 da praça Silviano Brandão, da família Rodrigues Araújo, no qual se instalaria a Caixa Econômica Estadual, embaixo, após abrigar a Confeitaria Brasil (padaria, chocolateria, choperia, bar, doceria, cafeteria e lanchonete), e também A Brasileira. A ZYV-4 - Rádio Montanhesa não poderia estar melhor localizada, bem no coração da cidade, e ao lado do prédio de número 36, onde funcionou, até fins de 2007, uma das lojas mais tradicionais de Viçosa, a Casa Araújo, que datava de 1915, fundada pot João José de Araújo, português que havia trabalhado em Juiz de Fora e em Belém do Pará. A Casa Araújo tivera sua origem na antiga Rua do Comércio, atual Benjamim Araújo (antiga rua Getúlio Vargas). A princípio era a Casa Araújo apenas de seu fundador. Mais tarde, associou-se ele um seu compatriota: Antônio Martinho. E a Casa Araújo passou a ser a firma “Araújo & Martinho,” que se dissolveu em 1932, voltando a pertencer unicamente ao seu fundador. Foi nos idos de 1928 que a casa se mudou para ali. Nela funcionou o primeiro escritório local do Banco do Brasil (Agência Correspondente) e, no passeio do jardim, defronte, um depósito subterrâneo de uma bomba de gasolina, também, de propriedade da casa. A primeira emissora radiofônica de Viçosa estava. ali naquele lado da praça, também próxima do Viçosa Clube (antes Automóvel Clube de Viçosa),e do Cine Theatro Odeon, este extinto em 1990, e que também estivera algum tempo sob administração de Araújo e Martinho. A firma, do ramo de ferragens e materiais para construção (e que se transformou num supermercado tal como o de grandes centros comerciais), chegou a trabalhar com gêneros alimentícios, conservas e bebidas e administrou o famoso Bar Astória).
A ZYV4, com seus 1.600 quilociclos, em ondas médias de 187 metros ponto meia dúzia, operou inicialmente com uma torre self suporting de 45 metros, mantendo uma hegemonia de quatro décadas, já que as outras emissoras locais como as FM’s, Rádio Viçosa 95, Universitária e Líder 97 e a TV Viçosa (Sistema de Rádio e Tv Educativa da Universidade Federal de Viçosa) surgiriam apenas a partir de 1992. Por último foi criada a Rádio Comunitária Quintal do Samba, que passou a funcionar no dia 18/12/2004.
Na década de 1960 circulava na cidade um panfleto com os seguintes dizeres:

"Esta é a Rádio Montanhesa de Viçosa

A Rádio Montanhesa instalada na cidade de Viçosa, considerada a cidade de nível intelectual mais elevado do Estado, com uma população de cêrca de 40.000 habitantes em sua séde, contando a Comarca com 112.000, sendo séde da Universidade Rural de Minas Gerais, possuindo as primeiras Escolas de Agronomia, C. D. e Eng. de Florestas de tôda a América do Sul, além de mais 58 escolas de todos os gêneros, pode ser considerada, sôbre todos os pontos de vista, instalada numa cidade privilegiada.

Parte técnica

A Rádio Montanhesa, está aparelhada com um transmissor Philips de alta fidelidade, o que lhe garante um som claro e perfeito; com uma tôrre de antena, tipo 'self suporting' de 60 metros de altura com capacidade para 10 Klwts., única tôrre do gênero em todo o Estado.

Zona de alcance

Êste é um dos aspectos mais importantes da Rádio Montanhesa, e para o qual chamamos a atenção dos senhores anunciantes. Viçosa está situada bem no centro da Zona da Mata, a mais populosa do Estado de Minas, e a zona de alcance da Rádio Montanhesa é de 200 quilômetros em linha reta, o que representa a cobertura de 40 municípios que totalizam uma população de 1.333.470 habitantes."


Seus primeiros locutores, sobre a extinta Confeitaria Brasil, no andar superior do edifício de nº 50 da praça Silviano Brandão, foram Bigão, Chico Maltema, Lalau, Nicolau Martino, Renato Sant'Ana e Renato Simplício, como nos informou o jornalista Simão Cirineu Ladeira. A primeira representante do sexo feminino a trabalhar como locutora foi Maria de Lourdes de Freitas Castro. O estúdio da primeira emissora radiofônica viçosense esteve, além da referida praça, também no andar superior do imóvel de nº 115, da rua Arthur Bernardes e na Rua dos Passos, nº 19, ainda na década de 1950. Na década seguinte transferiu-se para a avenida P.H Rolfs, nº 50, operando na freqüência de 1600Hz, como ZYV4. Seus anunciantes de então, agenciados por Nagib Balut, eram, de acordo com registros históricos, a Colchoaria Ideal, a Exposição Viçosense, a Relojoaria Megale, a LojaSantana, a Revendedora, a Estrela de Ouro, o Lambari, a Garotinha, a pomada Parisiense, a Sapataria São José, as pílulas de Lussen, além da veiculação de propaganda político-partidária, como as das campanhas à presidência da República encabeçadas pelos candidatos Jânio da Silva Quadros e seu opositor Marechal Henrique Teixeira Lott.
O transmissor de então era de 100 Watts, que atingia não apenas o atual centro da cidade, mas a periferia e zona rural do município. O programa de auditório denominava-se "A cidade é nossa". À "Hora Social" prendiam-se os ouvintes, do meio-dia até o encerramento das transmissões, às 19 horas. E quando a energia da Companhia Viçosense de Força e Luz teve que ser comprada da Usina da Brecha, de Guaraciaba, havia um sistemático apagão à tarde, em torno das 16 horas, ocasião em que criaram um programa, que se iniciava às 15h30, denominado jocosamente, como nos informou o jornalista Simão Cirineu Ladeira, de "Enquanto a luz não vai..."
Em 1972 a emissora foi filiada à Associação Brasileira de Rádio e Televisão, funcionando, desde, então, na ZYL 215, à freqüência de 1500 KHz, findando-se então o saudoso programa "Hora Social". Em 1966 o estúdio foi novamente transferido, desta feita para a rua Francisco Machado, 74, operando com 500 Watts. Após curto período fora do ar, retornou com seus 1000 Watts de potência, já em sua sede própria, na rua Floriano Peixoto, 31.
Priorizando transmissões jornalísticas e sobretudo esportivas, diretamente de grandes estádios nacionais, além da programação musical propriamente dita, a Montanhesa sempre se destacou por uma altamente relevante prestação de serviços à comunidade. Em 1979 foi para os 1000 Watts e em 1992 para os 5000, com seus 1500 kHz, operando em ondas médias. Hoje está na World Wide Web.

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Em novembro de 1973 foi implantada a Telemig, depois Telemar, com seu posto telefônico público na travessa Sagrados Corações, 70. Antes, onde está o imóvel de número 34 do calçadão da rua Arthur Bernardes, funcionou, desde 1925, a Companhia Telefônica de Cataguases, adquirida por Pe. Álvaro Corrêa Borges, inicialmente com 50 aparelhos. Esta Companhia atendia aos postos instalados em Araponga, Cajuri, Canaã, Coimbra, Pedra do Anta e Teixeiras. Posteriormente, a Companhia Telefônica Brasileira foi instalada no imóvel de número 9 da Praça da Estação Ferroviária, onde trabalhavam mensageiros. Conforme LAM-SÁNCHES "nada mais era que uma pequena central, daquelas antigas, movidas a manivela, onde era a coisa mais difícil comunicar-se com qualquer parte do Estado ou fora dele. Imaginem que naquele tempo, para se fazer uma ligação telefônica para o Rio de Janeiro, tinha que ser feita por meio de etapas, Viçosa-Ubá, Ubá-Cataguazes, Cataguazes-Leopoldina, Leopoldina-Petrópolis, Petrópolis-Rio. Era preciso manter 'vivas' as intermediárias, sem 'cair', para se completar a ligação desejada. Ficou fácil imaginar quanta demora havia para se conseguir uma ligação. Uma coisa que me intrigava era a facilidade com que os resultados do jogo do bicho (jogos 'veterinários') chegavam rápida e infalivelmente à cidade."
E antes disso, o telefone da Estação da Estrada de Ferro Leopoldina é o que existia até que, a 10 de maio de 1959, fosse criada, por 500 acionistas, a Companhia Telefônica Viçosense, instalando nos imóveis viçosenses seus primeiros terminais semi-automáticos.

José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Excerto do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, em fase de revisão e ampliação, de autoria deste blogger

Descortinando a Viçosa antiga

"O passado teu Viçosa
reverencio e me curvo,
cantando a lira saudosa
da Santa Rita do Turvo."

Ary Teixeira de Oliveira

O poeta viçosense Raimundo Pires da Costa sentenciou: "Mesmo na história maior, envolvendo gente importante, nem todos os acontecimentos são conhecidos com a desejada exatidão: há interregnos entre um acontecimento e outro que a crônica não registra e a memória nem sempre pode guardar."
Na postagem deste mesmo blog intitulada "Um passeio pelo centro antigo de Viçosa", tendo como base o trabalho de excelentes cronistas nativos, falamos um o pouquinho do velho núcleo do antigo distrito da sede do município. Às páginas 169 e 170, CAPRI ( nº? ), em sua cartilha editada em 1916, descreve um minúsculo centro da cidade de Viçosa, dentre outros termos, nos seguintes: "A sua topographia obedece as exigencias de construcções modernas, com ruas largas, planas e bem niveladas. Há 5 praças denominadas: 'Silviano Brandão', 'Emilio Jardim', 'Rosario', 'Estação', e o 'Largo de S. Francisco', 9 ruas, sendo as principaes as denominadas Senador Vaz de Mello, Dr. Arthur Bernardes, do Commercio e Municipal.
O numero de predios é actualmente de 330, dos quaes muitos de elegante e solida construcção. Entre os edificios publicos, destacam-se o Forum, o Grupo Escolar, o Gymnasio de Viçosa e a Matriz de S. Rita, todos na Praça Silviano Brandão. O Hospital de S. Sebastião na Praça Emilio Jardim; a Egreja do Rosario e o Theatro 'Paladinos do Progresso' na Praça do Rosario. A Fabrica de Tecidos S. Maria, na Rua Municipal. O Açougue e Matadouro Municipal na rua dos Passos, a Bibliotheca, pertencente á Sociedade Recreativa '3 de Junho'.
Um gracioso e lindo jardim se admira na praça Silviano Brandão, devido á iniciativa municipal. Foi iniciado em Fevereiro de 1914, e solemnemente inaugurado em Fevereiro de 1915. Tem no centro um elegante corêto de musica, e muitas plantas ornamentaes."
Restam raras imagens daquele tempo, a quase totalidade de autoria do Nicolau Carissimo Photo Studio. Em 2006, graças a iniciativa do professor José Marcondes Borges, nascido a 29 de junho de 1922 e falecido a 8 de janeiro de 2009, organizador do Arquivo Central e Histórico e primeiro diretor do Sistema de Vídeo da Universidade Federal de Viçosa, chegou à cidade, procedente da Universidade da Flórida (EUA), a Rolfs Collection, fotografias como a da Praça do Rosário (vide iconografia deste blog) com a sua antiga Igreja, retratando uma cena muito comum nos tempos de outrora, como a descrita em "CHÃO – meu chão" (Memória e romance), pelo tabelião COSTA ( nº? ), na página 83: "o candieiro guiando três juntas de bois pretos, com o carreiro que gritava nomes e aferroava os animais e com o carro que subia rangendo sob o peso de uma lenha encarvoada."
O mesmo COSTA ( n° ?) , dentre outras nostálgicas descrições (especialmente às páginas 14, 24, 34, 49, 111, 112, 116, 117, 152 e 153), vai às minúcias das adjacências e (inclusive descrevendo as cores do casario: cor-de-rosa seco, amarronado, o sobrado amarelo, o verde escuro, etc...) do que fora, nas décadas iniciais do século XX, os largo principal de uma "cidade menina" que ele bem vivera em sua meninice, e que um dia foi transformada na praça de Silviano Brandão.
Comecemos pelo miolo do velho jardim: "...os dois tanques com peixinhos vermelhos, a grama aparadinha, as palmeiras suntuosas, o cascalho branco e farto freando a boa caminhada..."
Descrevendo a praça: "...os quatro cantos do Largo, para os velhos, ou os quatro cantos da Praça, para os novos, vistos nas horas de calmaria ou nos momentos de maior agitação: os sobrados, o forum, a cadeia, a farmácia, os bares, a tipografia, a fábrica, o ginásio, as magnólias, as palmeiras, o coreto... Personagens? Todos! Vivos e mortos, uns vistos, outros relembrados nos seus devidos filmes histórico. O Cirilo no centro, no porão do coreto (é o que mais se movimenta), sempre com o bafo do último gole. E não podemos esquecer o Carlos Pieri, de cabeça erguida, o Chico Turco, com o seu jeito humilde, o Turco e a Turca da esquina da Travessia, a farmácia da esquina com a rua de Cima, o Etelvino, o Lulinha, o Chico Alemão, o Brás Caldeireiro, o Cristiano, o Manoel Coelho..."
"... na verdade já não era o Largo de mais largueza, de que ouvira falar tantas vezes no sobrado e na chácara como espaço vazio (sem as magnólias e as palmeiras imperiais, que vieram depois), apenas marcado por um XIS maiúsculo, estando a grama mais verde traçando rumos da rua Direita para a rua de Baixo, e da rua do Pastinho para a rua de Cima.
Esse traçado ou cruzamento era designado pelos antigos como Cruz de Santo André.
As "cambianças" (pode ser?) eram lentas, anos e anos: primeiro a arborização irregular, magnólias nos quatro cantos, palmeiras no centro, dentro das cercas bem guardadas do grande jardim de surgia, sob a vigilância do folclórico Cirilo de Sá Maria da Paixão.
Vale a pena os detalhes: comecemos pela meia-água habitada por dois sírios misteriosos Abraão e Salomão, no beco ao lado da matriz que se situava em frente, quase no alinhamento, que ia da venda à residência de João Chaves até o casarão colonial, que foi o Hotel do Barão na esquina da rua do Pastinho. No mesmo alinhamento da rua do Pastinho, duas ou três moradias razoáveis com opções para comércio até passar pela entrada da rua dos Passos, rota do sobrado e da Outra Banda.
Seguindo o mesmo alinhamento da rua do Pastinho e da rua de Baixo, vinha logo o pitoresco sobrado azul, um alvoroçado ginásio que tinha sido fórum e Cadeia, vindo logo outro, de estilo contemporâneo, que foi fábrica de tecido, sede da municipalidade e Grupo Escolar. Aí, desse lado, encontramos o sobrado do Manoel Coelho e a casinha, tipo meia-água, com alguma coisa de histórico por ser considerada das mais antigas do Burgo. Estamos na venda do Cristiano Lopes Gomes, solteirão assumido, olhos vermelhos e arregalados, bebendo e vendendo sua excelente cachaça, estando sempre à venda um toucinho especial.
Passando pela entrada da rua de Baixo, damos na esquina com a casa que foi residência e negócio de Patrício Couto, pai de Júlio, depois caldeiraria de Brás Caldeireiro, ficando do lado oposto ao da Matriz, casas baixas até a esquina da rua de Cima, com exceção do sobradinho do bar do Lulinha (Luiz Lopes Gomes) de saudosa memória como nativo longevo. As casas velhas e baixas, sempre conjugadas podiam ser moradas propriamente e simultaneamente comércio: caldeiraria, bar, tipografia, padaria e farmácia, na boa época da farmácia de Chico Eugênio, boa lembrança da geração anterior. Estamos aqui na rua de Cima 'a mais festiva' como sentimento geral. No alinhamento da rua Direita (a que tem sempre a direção da Matriz), está o mais novo sobrado, e o mais terrível por ser o centro de todo o poder local: a Cadeia, a Delegacia de Polícia, o Fórum e a Câmara Municipal. Logo aqui está a entrada da travessa da Estação. Ponto sugestivo por ser uma espécie de roteiro para todos os caminhos do mundo... Na outra esquina, em seguimento, mais um novo sobrado, as alternâncias, mais uma casinha esmirrada entre o prédio da esquina e sobrado da família Bernardes, a velha casa verde do presidente, terminando com os pardieiros dos turcos, já um tanto decadentes."
Noutro ponto, COSTA assim fala das adjacências da Silviano Brandão:
"...uma zona urbana, já bastante animada, apenas a dois passos da passagem (representada pelo ribeirão, encostada, portanto numa zona rural, a Mata, numa fase de grande depressão. Havia muita vida rural nas cercanias do Largo. Com cincerros e berrantes, ouviam-se mugidos de vacas e bezerros tangidos para a ordenha matinal nos terreiros de alguns casarões. Um deles, de saudosa memória, e de boa aparência, pertencia ao velho Bitarães, o Barão, que era o Hotel do Barão, bem situado na esquina da Praça da Matriz com a estreita rua da Vassoura, antigo Pastinho. Ali, no fundo do Hotel, os fregueses mais íntimos podiam tomar seu copo de leite tirado na hora e oferecido como cortesia da família, sem nenhum acréscimo na diária do hóspede"...
E COSTA também nos conta do cotidiano: "... o trem de ferro estava para chegar. Depois da passagem do cometa Halley, aquele seria o acontecimento mais importante. A 1ª guerra mundial estava próxima, mas os rumores sobre a terrível catástrofe chegavam ao burgo ou ao aconchego da cozinha muito atenuadas. Muita gente gostava de arte. O gramofone entusiasmava..."
"... para os ociosos do burgo, efetivamente, os fins de tarde eram propriamente nas horas dos ócios, já que o dia de trabalho ou de negócios estava terminando. Saíam então pelos arredores para ver o mundo de Deus na sua maior intimidade: as plantas na sua fabulosa variedade, aves revoando despedidas vespertinas e fisionomias de tantas pessoas diferentes. Para a Outra Banda convergiam, com raras exceções, as figuras mais destacadas do Largo, das ruas de Cima e de Baixo e do Pastinho; para o Pasto dos Barros e caminhos da rua Nova, a gente do largo do Rosário e adjacências.
Mas é claro que revesavam, havendo mudanças alternativas de rotas determinadas pela curiosidade do momento, necessidades de encontros afetivos ou comerciantes. Os passeantes da Outra Banda (alguns alcançavam o Pau de Paina, outros ficavam na rua dos Passos e arredores do Muzungu), passavam sempre, na ida ou volta, pelo sobrado..."
"... a rua de Cima continuava a do Cruzeiro, era apenas meio caminho: é que abstrações feitas de outras ruas e de algumas pequenas curvaturas, partindo do Cemitério até alcançar o Morro do Seu Zeca, no caminho do Patrimônio, tendo a Matriz como ponto de referência, tudo poderia afinal ser considerado como rua Direita..."
Com relação àquela que aprendi em idade tenra a chamar de Pracinha do Rosário, COSTA lembra a existência, ali, de nosso primitivo cinema, o Cine Theatro "Paladinos do Progresso", denominação, diga-se de passagem, bem ao gosto dos republicanos das primeiras horas. A foto da fachada do dito confortável e aconchegante "Paladinos do Progresso", está na seção iconográfica deste blog. Sobre ele escreveu COSTA: "... Casa simples, espigão alto sobre o telhado escorrendo dos dois lados com jeito e aspecto de cangalha. O homem adulto e o jovem adolescente contemplavam o casarão com impressões diferentes: o primeiro como um castelo musical, o segundo, como um recanto de sonho e de magia onde o cotidiano perdia vez e o coração permanecia em paz saboreando um momento de arte"...
"os pioneiros fincaram aqui uma bandeira, imitando com simplicidade o feitio de todas as casas de espetáculos do mundo"...
Ainda sobre a Pracinha do Rosário: "Mundo estranho aquele concentrado no Largo do Rosário com as sombras da pequena igreja e do grande Cruzeiro sendo projetadas pelo sol da tarde."

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A Rua do Cruzeiro depois passou a se chamar Padre Serafim. O Largo de São Francisco é a Praça Dr. Christóvam Lopes de Carvalho, no início da avenida Santa Rita. A Rua da Vassoura (antigo Pastinho a que se refere COSTA) depois se chamou Rua Municipal. É a atual rua Virgílio Val. A Rua de Cima é o atual calçadão da rua Arthur Bernardes. A Rua de Baixo é a atual Senador Vaz de Mello. Pau-de-Paina é o bairro Nova Era, no caminho para a cidade de Porto Firme.
O Fórum e a Cadeia estavam então num mesmo prédio, que desde 2008 é a sede própria da Câmara Municipal, na esquina da Silviano Brandão com a travessa Dr. João Carlos Bello Lisboa, antes denominada 22 de Junho e 10 de Novembro, antigamente conhecida como Beco que dava acesso ao pastor do Dr. Emílio Jardim. Muzungu era a denominação dada à antiga zona boêmia, localizada na esquina direita da atual rua Dona Gertrudes com a rua Dr. Brito. E o Pasto dos Barros é nada menos que a ampla e arborizada avenida Santa Rita.

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Era uma vez um lindo coreto, de ferro batido, em cuja escadaria com corrimãos crianças brincavam e onde bandas enchiam com o som de alegres retretas as adjacências da praça Silviano Brandão, antigo Largo da Matriz. Com seu artístico zimbório, inesquecível aos viçosenses saudosistas, era o coração da cidade e a melhor expressão perenizada da cultura popular no Largo onde o traçado original fora em forma de xis e que um dia virou uma praça tantas vezes objeto de cambianças de toda sorte. Domingos Rigotto fora o escultor do coreto. Inaugurado em 1915, no governo de Dr. José Ricardo Rebello Horta, sempre povoado de melodias e pelo passaredo, num dia sombrio da década de 1940, ele foi substituído por um caramanchão, e vendido, provavelmente, a uma cidade do interior paulista.
O mítico coreto reinara entre canteiros bem ajardinados e dois piscosos tanques ao redor de passarelas de cascalho branco. Fôra o centro gravitacional para o qual convergia toda uma mocidade de chapéu, que, sobre arenosas passarelas, ali caminhava, plácida, para o namoro, e também uma infância feliz que, nas manhãs domingueiras do ontem, ali se habituou a contemplar, silente, o nadar, em límpidas águas, de peixinhos vermelhos. Tal como o conhece a geração presente, pelo olhar imortal de um esmerilado fotógrafo, Nicolau Caríssimo, o tão festejado monumento de magnífico domo, de estilo francês, tem sido, em epicédios, inutilmente recordado. O grande escritor Elias Ibrahim lamentou em artigo: “Nunca perdoei a falta de gosto daqueles que destruíram nosso antigo jardim e coreto”.
O clássico espaço musical que dominou a praça viçosense foi a jóia rara lançada fora. Com seu ocaso se tornou o doce objeto de um tempo que ficou como nostalgia de antigos crepúsculos, enfim, a dorida lembrança em branco e preto. Deixou aquele canto, agora ruidoso, por onde desfilam poucos rostos familiares e bizarras máquinas automotivas. Costuma-se dizer que “a saudade é a felicidade que ficou”. E ficou mesmo na lembrança do poeta, “o jardim da pequenina praça, que era o oásis fresco, sossegado, sereno, onde os espíritos atormentados e os corpos exaustos encontravam o bálsamo suave para as suas preocupações e cansaços”, segundo o cronista L. Couto & Pinho.

O primeiro automóvel

É o referido cronista quem nos conta o que aconteceu em Viçosa quando a primeira dessas máquinas chegou à pequenina cidadezinha do interior mineiro, atualmente com a quarta maior relação veículo/habitante de Minas Gerais, numa estimativa de um carro para cada quatro habitantes: “Foi em 1920, época da Quaresma, se não nos falha a memória. A propósito, não resistimos à tentação de contar os episódios comentados naquele época, resultantes da aparição dessa carruagem misteriosa e fantástica, em correria louca, desatinada, rua abaixo, rua acima, gelando de pavor a matuto ingênuo e crédulo.Havia nos narradores do fato arredios de assombro, contrações de medo que lhes torciam a fisionomia e esbugalhavam os olhos. Contavam o caso, perplexos, varões ‘que nem por brincadeira mentiam’, como Chico Marreco, Manuel Gregório, Zezé da Estiva, Vicente Surdo e Juca de Sá Zeca. Corajosos, inimigos de patranha, nunca tiveram medo de careta e ‘viram com os próprios olhos’.
Naquele fim de marco começara a chover logo à tardinha e o vento sul soprava com rajadas violentas e geladas. A luz fraca das lâmpadas elétricas, trepidantes, mal resistia à tempestade e, bruxuleando aqui e acolá, agonizava na grande noite sem estrelas. Às 10 horas aproximadamente, tiritando friorenta, a população ia fechando as portas para recolher-se e momentos depois, a pacata cidade adormecia açoitada pelo chicote impiedoso da ventania. Somente na mansão patriarcal, do Nico Lopes, onde habitualmente se jogava víspora, notava-se um rumor desusado. Já na antevéspera, ele dizia, afiando navalhas e epigramas, que a Quaresma daquele ano prognosticava surpresas inenarráveis e, por isso, andava, sorumbático, pelos cantos, exorcismando... A família, sobressaltada, já lhe havia prescrito um vomitório de poaia e chá de folhas de funcho. A verdade, porém, é que naquela noite, os da casa não puderam dormir com as ‘crises’ do Nico...
Fora, a noite, como uma enorme essa armada sobre a terra, infundia pavor. Os relógios marcavam, exatamente, meia noite, quando se produziu a ‘desgraça’: Aqueles que, dentro de casa, velavam, ou por insônia ou à espera que saíssem os parceiros, foram abalados pelo ruído de uma carruagem misteriosa, correndo a toda a brida. O Lulinha, autor intelectual da ‘assombração’, premeditada com todos os requintes diabólicos, foi o primeiro a ouvir os ‘bufos’ e o rumor dos cascos da ‘mula’. José Caboclo, oficial de diligência, que desconhecia a palavra medo, foi o único a arriscar os olhos e o nariz, portas a fora, para ver. Negar o que santo Deus? -dizia enfaticamente. ‘A mula era maior do que um touro, tinha a cor de um caixão de defunto, rinchava como uma égua braba e vomitava fogo pela boca e pelos olhos’... E encazinava-se de raiva quando alguém o desmentia.
A verdade é que ela galgou o morro até a casa do Vitarelli, voltou, tornou a subir até a porta do Cemitério, rodeou o Santo Cruzeiro, desembestou rua abaixo, passou em frente a Igreja de Santa Rita, desceu rumo à ponte, e não mais foi vista quando atingiu as proximidades da casa onde vivia o velho Antônio Martins, afamado rezador de ladainhas... O cabo do destacamento foi acordar o Barão, delegado de polícia, demandando o local, acompanhado de praças, para averiguar o fato. De lá voltaram arrepiados, trêmulos, cabisbaixos. Afirmavam que nada haviam encontrado, mas sentiram no trajeto, cheiro de enxofre queimado – satélite do capeta... O notívago Honorino de Mello sustentava que o animal era mesmo do outro mundo. Já o Totônio Costa Val, cético, irônico, murmurava sorridente: ‘Isto tem dedo de algum Jacó’. No dia seguinte corria a notícia que o Joaquim Ilhéu, cabra desabusado, alvejara a tiros de garrucha, na estrada da Piúna, a ‘mula sem cabeça’, tendo o ‘chaffeur’ Aristides Silveira, que dirigia o veículo, escapado ileso por milagre”.

Praças e Avenidas

Na velha praça por onde outrora pouquíssimos carros desfilavam, eram constantes os cuidados de um desvelado Cirilo, “que por mais de 50 anos cuidou, com mãos calosas e leves, das flores mimosas e belas do nosso jardim – jardim que, para vingança dele – Cirilo, morreu antes do jardineiro... Cultivava papoulas e chamava-as braboletas e as pétalas pareciam mesmo asas de borboletas. Ele sabia traduzir na sua linguagem rude as comparações mais ternas. Manacá ele chamava mistura fina. E era finíssima a combinação de roxo e branco brotando da raiz ao topo da árvore numa floração belíssima. Ipê florido, à noite, ele dizia: fróco de argudão. E ver os Ipês do jardim, à noite, contra o céu, à luz e à lua, é ver um só capucho de algodão aberto para alegria e encantamento nossos”, na primorosa descrição de Norah.
Na década de 1940 surgia a belíssima avenida que ostenta o nome da padroeira da cidade e do município de Viçosa, que ainda é um dos mais belos logradouros centrais de Viçosa. No princípio do século XX o local era conhecido como Pasto dos Barros. Ampla e aprazível, como a Bueno Brandão, onde na década de 1920 se construiu a balaustrada, é um dos espaços mais nobres do centro da cidade, onde diversas espécies de árvores nativas estão plantadas em seus canteiros centrais. Seu traçado atual, com jardim em declive, foi projetado e construído durante o governo do prefeito Sylvio Romeu Cezar de Araújo, que governou Viçosa de 1943 a 1945, num tempo em que o cuidado com os jardins públicos eram verdadeira prioridades dos administradores de Viçosa. No dia 30 de setembro de 1973, um marco comemorativo foi descerrado pelo Vigário de Viçosa, Pe. Carlos dos Reis Baêta Braga e por Dona Alice Moreira Pinheiro, festejando uma das inúmeras reformulações do jardim. Retirado, o valioso marco foi levado a lugar desconhecido, tomou destino incerto como ocorreu com tantos outros monumentos de espaços públicos, patrimônios comuns do povo, como a praça Silviano Brandão, de onde fizeram desaparecer a placa do Sesquicentenário da Paróquia de Santa Rita, o medalhão do benemérito médico Raymundo Alves Torres e o busto do jornalista Mário Vaz de Mello. Trata-se de um velho mau costume de sucessivas administrações públicas em Viçosa.
Onde se situa o jardim da Praça Dr. Mário Del Giudice, inaugurada festivamente no governo do prefeito João Francisco da Silva, existira um minúsculo terminal rodoviário, que ali permaneceu desde a década de 1950, até ser demolido na década de 1980. O novo terminal fora inaugurado em novembro de 1979, na BR-120 (avenida Marechal Humberto de Alencar Castello Branco). Da velha e precária estação se recordou LAM-SÁNCHES ( nº ?), descrevendo-o, dentro outros termos, nestes aqui:
"Como em outras cidades interioranas mineiras, a estação rodoviária costumava ser ponto referencial da cidade.
Localizava-se na pequena praça, junto à linha férrea, e nela se fundiam a parte de cima da rua Bueno Brandão, o balaústre, e a inferior, em nível da estação ferroviária [...] Na parte central desta praça, estava a pequena rodoviária, quase só área livre quadrada de apenas uns 3 por 4 m, se tanto, usada para embarque e desembarque, onde havia duas bilheterias para a venda de passagens".

O ribeirão

O São Bartolomeu é o curso d’água que atravessa o centro da cidade. E a imagem de um riacho vivo e cristalino permaneceu na lembrança do menino Gerson Cunha: “O ribeirão de São Bartolomeu vinha lá das bandas do Paraíso. Em tortuoso caminho, passava pelo capinal, entre a encosta – a da caçada de borboletas – e a alameda de palmeiras e magnólias. Daí, atravessando o bueiro, por baixo da alameda, saía entre o pastinho da Máquina de Café, e – à direita – a chácara do To. Depois de passar por outro bueiro, abaixo da linha do trem, saía no remanso, onde as águas, silenciosas, disputavam a primazia da bela e ruidosa cachoeirinha. Caindo, escumavam nas pedras e enchiam, abaixo, largo remanso à sombra de um verdejante taquaral. Seguia, dali, para o Chachá, entre as touceiras imensas de bambu-imperial: belo, de colmos amarelos com listas verde-claras.
Ia e vinha naquele vale arenoso, em remansos e enseadas por entre o imenso bambual. Até parecia, que matreiro, gostava dali e refreava suas águas, tentando burlar a atração perene, inexorável, do longínquo e portentoso mar... Seguia por outros meandros, deixando nas margens: o quintal do ginásio, depois o matadouro e o Muzungu. Bem mais adiante, na Barrinha, desembocava no Rio Turvo. Em suas margens, as trilhas sinuosas por entre ramagens e moitas de capim levavam, aqui e ali, aos barrancosos pesqueiros. Em tardes mornas e bonançosas, graciosas libélulas de asas membranosas e transparentes, bailavam tocando as águas ou teimosamente pousavam na ponta do caniço.E os lambaris, prateados e buliçosos, vinham, um a um, ambicionados troféus, encher, dia a dia, de mais orgulho ingênuo, aquele pequeno e ágil pescador. Em noites de Lua, de caniço e bornal a tiracolo, ia pescar mandi-pintado ou mandi-chorão”.

Ode ao meu viçoso vale

Joaquim Manoel de Macedo, autor de "A Moreninha", prosador da Fase Contemporânea (século XIX, depois de 1820), falecido em 1882, deixou-nos antológico texto intitulado "O Torrão Natal", no qual destaca, entre outras coisas, que "dessa árvore majestosa que se chama a nação, o país, não há quem não sinta que a raiz é a família e o berço pátrio. Há nesse santo amor uma escala ascendente, que vai do lar doméstico à paróquia, da paróquia ao município, do município à província, da província ao império: ama-se o todo porque se ama cada uma de suas partes. Com efeito, é impossível negar que em suas naturais e suavíssimas predileções o coração distingue sempre, em todos os distritos, cidades e diversos pontos do país, o torrão limitado ao berço pátrio; pobre ou mesquinho, esquecido ou decadente, agreste ou devastado, é sempre amado por nós e sempre grato para nós". Inúmeros seres humanos amararam, amam e amarão esta velha Terra de Santa Rita do Turvo. São amores que não cabem nesta cidade oitocentista da Mata Mineira, agora mini-metrópole. Isto porque, como ressaltou em seu estro um trovador de saudosa lira, esta afetividade que tanta gente chega trazendo e parte levando consigo e também deixando as suas saudades, é cultivada diariamente e está a se espalhar por todo o mundo.
Os habitantes de outrora em Viçosa de Santa Rita também sonharam com dias futuros, evidentemente diferentes dos nossos. Uma dessas acalentadas aspirações era a de ouvir um dia o forte apito de um expresso da Leopoldina, a percorrer uma bem sinuosa via férrea. Na Igreja Matriz (aqui é apenas o fruto de nossa imaginação) divisava-se um esbelto senhor de olhar vivo e penetrante, vestido em sua samarra preta, procurando acertar um relógio mecânico, de algarismos romanos. Com maestria, Pe. Antônio Correia Lima badalava um reluzente sino de timbre cristalino, adquirido pela Freguesia e doado à Santa das Causas Impossíveis em 1851, no paroquiato do Pe. Agostinho Isidoro do Rosário, quando da construção daquele templo de frontispício barroco com duas pequeninas torres. Ali perto, debruçadas no alpendre de uma fazenda, sinhás admiravam o gado pastando e cablocos desbravavando a mataria. Havia faina na lavoura e tangiam-se violas pelos terreiros, onde galopavam ciriemas, sobressaindo-se neste bucólico cenário as belezas de um multiforme passaredo e de policrômicas borboletas, tendo como pano de fundo nada menos que o azul do firmamento. Antigos muros ensombrados de pomares ao fundo de vivendas coloniais eram o retrato de um arraial cortado pelas curvas de um riacho. No futuro, seria aquela cidade o grande pólo de uma microrregião. Repleta de arranha-céus, viria a ser sede de uma gloriosa indústria do ensino, com grande rumor de comércio e de uma construção civil em franca expansão.
Visto dos morros é formidável o desforrar da área central. Quanto mais naquele tempo, quando se podia divisar o verdor de todos os recantos do vale, no entorno de seu casario patriarcal. Sob gasalhosa árvore, do alto da caixa d'água, perante os braços do tosco Santo Cruzeiro de cedro, próximo da necrópole que desde 1865 estivera cercada com estacas de baraúna, ali no Patrimônio de São Francisco, sítio condigno onde jazem os despojos daqueles que ali receberam a sepultura (o primeiro fora Joaquim Romão Moreira e Castro, a 12 de junho de 1866), mestre Arduíno Fontes Bolivar vislumbrou extasiado um dia aquela cidadezinha que ele muito amara e a ela dedicou um de seus mais belos poemetos, cantando com grande amor e devoção o seu torrão natal é largamente difundido por quantos cultuam a memória deste que foi um dos maiores intelectuais aqui nascidos.
Foi por um instante que Arduíno, distraído, ouvindo a sinfonia eterna de andorinhas, sabiás e bem-te-vis, fitando a esplêndida paisagem daquele ano de 1889, resolveu cantar assim a sua inolvidável terra natal:


VIÇOSA


Amo-te mais do que a outra qualquer cousa
Terra minha, jardim viçoso e ameno,
Onde eu, feliz, brinquei, quando pequeno
E onde espero, ainda, ter modesta lousa.

Minh'alma, inquieta e errante mariposa,
Da saudade filial voando ao aceno,
Vai muitas vezes pousar sobre o terreno
Onde meu Pai no túmulo repousa.

Do Morro do Cruzeiro descortina
o Vale que de casas se recama,
Sorrindo entre a verdura esmeraldina.

É o mesmo antigo e amado panorama,
as torres da Matriz, a casuarina,
O meu coração dos olhos se derrama!"



José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Extrato do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, de autoria deste blogger, em fase de revisão e ampliação

Arte musical, teatral e cinematográfica

"Bastava que o dia se deitasse para dormir sobre o travesseiro dos morros e lá vinham as vozes bonitas acordar o silêncio tranqüilo das noites viçosenses. A troco de namoro? Qual nada! Sensibilidade de trovadores e musicistas. Cantando em casas de moças, de velhas, de senhoras e de amigos. Por sentimento de amizade e carinho. Com igual pureza de intenção. Apenas para homenagear as noites de Viçosa e despertar lembranças bonitas nos corações.
Que também as letras eram de enredo e inspiração para acordar a sensibilidade da noite.
Havia ainda as serenatas com músicas inspiradas que faziam os PASSOS DA SAUDADE, tocando as mais ternas valsas de um repertório fino. A lembrança dos pistons, violões, violinos que acordavam nosso sono nas noites de silêncio encompridam hoje a saudade da gente".

Norah

(A Cidade – 28 de setembro de 1969)


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Maestro Hervé Cordovil

Engrandece-se a cidade com o sucesso de seus filhos. Os pais dele foram o médico Cordovil Pinto Coelho e a musicista amadora Dona Maria de Lucca Pinto Coelho. O maestro, pianista e compositor Hervè Cordovil veio à luz Viçosa no dia 3 de fevereiro de 1914. Falecido em São Paulo a 16 de julho de 1979, foi de sua progenitora que herdou o gosto pela música, desde a mais tenra idade, pois esta o ensinara ainda menino a dedilhar com muito gosto o piano doméstico.
Tranferindo residência para a cidade mineira de Manhuaçu ainda pequeno, aos 10 anos Hervé já estava com seus pais no Rio de Janeiro. Lá ingressou no Colégio Militar, integrando sua banda de música, tendo então formado com os condiscípulos um grupo de jazz. Foi enquanto ainda epígono do colégio que Hervè - destacam seus melhores biógrafos, especialmente TAFURI (nº?) - iniciou a divulgar suas primeiras composições. Aos 17, matriculou-se na Faculdade de Direito de Niterói, bacharelando-se em 1936.
Cordovil exerceu a advocacia em Manhuaçu, tendo estreado no rádio em 1931, inicialmente na Rádio Sociedade (Orquestra de Romeu Silva) e depois na Rádio Philips, Rádio Tupi e Rádio Record, de São Paulo; e Rádio Guarani da capital mineira. Compositor de jingles, foi parceiro de Lamartine Babo, Bonfiglio de Oliveira, regeu orquestra para teatro e cinema. Ele foi co-autor de trabalhos em parceria com compositores como Mário Vieira, Noel Rosa e Lamartine Babo. Carlos Galhardo estreou cantando canção sua: Carolina. Carmen Miranda também interpretou obra de sua autoria, bem como Francisco Alves, Aracy de Almeida, Silvio Caldas, Isaura Garcia, Lamartine Babo, Carmélia Alves e Dick Farney.
Este ilustre filho da terra é hoje nome de Comenda do Legislativo Municipal de sua cidade natal e também da Estação Cultural (antiga Estação da estrada-de-ferro do centro) desta cidade de Viçosa.

Músicos, bandas e retretas

Guardiãs de uma tradição secular, as bandas realmente são celeiro fértil de músicos de qualidade. Se já se constitui privilégio a presença de uma só corporação musical no município, que se dirá de mais de duas? Popularizou-se esta frase: “Todo mineiro tem um trem de ferro apitando nas veias, uma montanha brilhando nos olhos e uma banda de música tocando nos ouvidos”.
Envolvidos por sua ação cultural, e em torno de suas atividades, são inúmeros os que se beneficiam dessa atividade criativa e construtiva. Em Minas, essa tradição remonta a 1781, ano em que se fundou a Sociedade Musical Santa Cecília, em Sabará. Viçosa, dentre outros conjuntos, contou no passado com a Orquestra Carlos Gomes, que era homônima de uma sociedade musical existente na capital mineira, Belo Horizonte, desde 1896. É indubitavelmente riquíssima a história musical da nossa cidade. A 1ª Banda de Música de Viçosa foi criada, provavelmente, em 1888. Era a Lira Viçosense ou Banda dos Jacob/Sant’Anna: João Jacob, Juca Jacinto, Florentino Jacob, Francisco Gouveia, Jacob Lourenço, Jacob Jacinto, Randolfo Sant’Anna, Verano Faria e Lindolfo Sant’Anna.

Cameratas e orquestras

Contando com uma Orquestra de Câmara, tendo como estrela maior a soprano Katya Beatriz Oliveira, que sempre executou magistralmente composições de Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Senra, Tom Jobim, Handel, Banchieri, Mozart, Bruckner, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Lennon, McCartney e Premê, dentre outros compositores consagrados, a OCV congregou jovens e adultos apaixonados pela música clássica. Mestre em Musicologia, seu maestro é o viçosense Modesto Flávio Chagas Fonseca, que trabalhou na catalogação de um gigantesco conjunto de partituras encontradas no coro do Santuário de Santa Rita de Cássia e em poder da família do viçosense José Sant’Anna e Castro (maestro Zequinha), que marcou época à frente da Lira Santa Rita (popularmente conhecida como Banda do Zequinha) possivelmente a partir de 1917, regida inicialmente pelo maestro José Jacinto Dias de Sant’Anna, depois por seu filho José de Sant’Anna e Castro e por José Lopes de Gouveia. Confira a foto de uma de suas primeiras formações, na seção iconográfica deste trabalho.
Foi em 1994 que surgiu a Camerata Santa Cecília, que se transformou, em 1997, na Orquestra de Câmara, com 26 instrumentistas, mantida pela Associação dos Amigos da Orquestra de Câmara de Viçosa (AAOCV). Com coragem, boa vontade e persistência, os músicos da OCV, com o apoio de seus sócios e autoridades, a Escola de Orquestra de Viçosa (EOV) mostrou a realidade de suas conquistas. Aplausos carinhosos e efusivos demonstraram a confiança da comunidade viçosense. Trabalhando o desenvolvimento humano e, conseqüentemente, a inclusão social, por iniciativa da professora Roseli Shiroma, as atividades da EOV, um trabalho voluntário, foram organizadas em estudos envolvendo alunos novatos da OCV, com a imprescindível monitoria dos mais adiantados, que colaboraram, desde 2003, com os ensaios de conjuntos camerísticos, apresentações e concertos. O pequeno grupo se aventurou até no reparo de avarias de instrumentos musicais (iniciação a luteraria).

Os seresteiros

Em 1949 era criado o Sexteto Melodia, hoje objeto de nostalgia. Em 1975 era formado pelo maestro Portugal, pelo croonner Ed Carvalho, pelo pequeno-grande maestro e violinista Adson Rodrigues Bicalho, José do Espírito Santo Sant'Anna (Zé Bóia), João Bosco Sant'Anna, Álvaro César Sant'Anna e João Bosco Fialho (João Bobaginha), como se vê na seção iconográfica deste trabalho. Sua Majestade o maestro Adson Bicalho, de saudosa memória, espargira, por exemplo, com seu indefectível violino, a maviosa musicalidade que marcou profundamente a vida de tantos habitantes da Cidade Viçosa. Só quem pôde apreciar bem de perto a sua arte sabe do que estou falando e poderá aquilatar o que imaginamos ser a música celestial, e que foi por um bom tempo, executada por um anjo de verdade, aqui na terra de Santa Rita. O Conjunto de Serestas de Zé Bóia se viu fatalmente desfalcado com o falecimento de Adson (datarei posteriormente), uma imprescindivel e ilustríssima presença.
Tendo freqüentado os cursos secundário e de datilografia em sua terra natal, Viçosa, um dos maiores músicos da História de Viçosa, Adson era dotado de um inconfundível gosto pelo cancioneiro melódico e clássico. Quanto à sua incomum personalidade, Folha de Viçosa de 2 de setembro de 1973 se referiu também como "um dos homens mais populares de Viçosa". O cronista Armando assim se expressou, dentre outros aspectos, sobre este incomparável musicista:
"O povo em sua infinita sabedoria diz com muita razão: tamanho não é documento. Naquele pequeno frasco, existe um mundo de fraternidade, fruto das almas de boa formação cristã: nele existe latente o continuar de orações expressas nas suas ações, nas suas palavras, nos seus gestos:
'Obrigado, Senhor, muito obrigado.
Obrigado por todos os presentes que hoje me ofereceste Obrigado por tudo quanto vi, escutei, recebi.'
Duas tendências manifestaram-se desde cedo em Adson: inclinação pelo comércio e para a música. Na infância o seu divertimento predileto era aquele de brincar de 'vendinha', e mais crescido, se é que ele cresceu, fez do seu violino o seu companheiro inseparável, o seu 'hobbie'. De família de músicos e com a sua formação sentimental, fez-se um 'virtuose'. Adson toca movido pelo desejo de transmitir alegria, a música coopera com ele na expansão de seu espírito filantrópico. Quantas e quantas vezes o seus famoso conjunto de seresteiros – faça-se justiça também ao José Bóia – não contribuiu para aliviar o sofrimento dos que são menos favorecidos pela sorte.
Tocando nos clubes, nas 'boites', ele transmite não só alegria, como o bálsamo para aqueles corações que procuram nos ângulos pouco luminosos dos salões esconder as traições diárias da vida.
Adson não é só músico, como bom compositor: é o autor do hino do 'Clube 4S', que forma líderes rurais. Há muitas composições suas, que a sua modéstia não permite divulgá-las.
Embora tocado pela genialidade de Beethoven, sente-se que no fundo do seu coração há raízes que penetraram profundamente naqueles compositores que formaram a época do 'Romantismo.' Ele é romântico e conservador, embora ache que a mocidade caminha para novos horizontes.
Ele é sócio de quase todas as organizações de Viçosa, em muita, ele participa de suas direções, dos seus conselhos, das suas comissões, colabora sempre, é ativo e possui grande espírito de iniciativa.
Adson está sempre cercado de amigos que o respeitam, que lhe dedicam profunda amizade. Quando nas suas 'rodinhas' se encontra uma 'hermosa muchacha' dizem os seus amigos mais íntimos, que ele ouve o trinado dos rouxinóis."
Música em Viçosa, especialmente a dos nossos seresteiros, é tema inesgotável.

Música coral

Conforme registram as melhores fontes, a música coral dentro do campus universitário começou com o Clube dos Cantores, cuja trajetória se confundiu, inicialmente, com o nome do professor Koloman Lehostky, até fins da década de 1930, quando passou a ser dirigido e organizado pelo Dr. John B. Griffing, com o incondicional apoio do maestro João Salgado Amorim. Há informações de que, em 1939, era constituído de mais de três dezenas de cantores, entre discentes, docentes e funcionalismo. Isto até o ano de 1945. Com a instituição da Escola Superior de Ciências Domésticas (ESCD), a professora Benedita Melo, então diretora do que hoje é o Departamento de Economia Doméstica e os também docentes João Bosco Pinto Guedes e Benito Taranto mantiveram algumas poucas apresentações na então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg). No final da década de 1960 o coral atingiu o apogeu, quando coube ao Clube Carcará a sua reestruturação, ficando a regência a cargo de Maria do Carmo Tafuri Paniago. Em 1971 chegou a se apresentar, com 40 componentes, no programa “Mineiros Frente a Frente”, da TV Itacolomi. “Seus elementos compuseram também o Coral Clélia Bernardes, da cidade de Viçosa, com apresentações diversas, em 1975”, conforme TAFURI (nº?).
O engenheiro João Carlos Bello Lisboa fundou, em 1923, a Banda da Esav, constituída de operários e regida por Manuel Florentino, por maestro da Polícia Militar e posteriormente, sargento Cordeiro, com 40 músicos. “Em 1928 assumiu a regência o maestro João Salgado Amorim. Com a saída do Dr. Bello Lisboa, a banda atravessou fases críticas. Teve nova fase boa com o Dr. José de Melo Soares Gouvêa, que deu total apoio à corporação. Depois disto, a banda se manteve com altos e baixos até desaparecer, com a saída do maestro João Salgado Amorim, em 1960”, ainda de acordo com PANIAGO. Em 1965, foi reorganizada durante o reitorado do Prof. Edson Potsch Magalhães, quando passou a contar com 32 músicos e instrumental novo, além da sede própria e de usar uniforme de cor verde-oliva. Era a Banda das Uremg, que mudou novamente de nome para Banda da UFV. Num dos três reitorados do Prof. Antônio Fagundes de Souza passou por nova reestruturação pelo órgão correspondente ao que hoje é a Divisão de Assuntos Culturais (DAC/UFV), encargo pelo qual responsabilizou-se o professor Benito Taranto. A regência, à época, era do maestro João de Moura. Em 1978, o Conjunto de Sopros foi reorganizado já sob a regência do maestro Rogério, e esteve em atividade até 93, havendo interrupções em suas atividades por um breve espaço de tempo. No referido período, foram realizadas centenas de apresentações em importantes cidades do Estado de Minas Gerais. O maestro Rogério Campos, que tem se destacado como baluarte da música no município de Viçosa, também foi o criador, em 1992, do Quinteto de Metais de Viçosa, aliás, o pioneiro do gênero, em Minas Gerais.
Um outro músico que muito contribuiu para o enriquecimento desta que é a primeira das artes foi o igualmente saudoso maestro Expedito Gomes de Castro (rubrica “E. G. Gomes”), que iniciou sua vida musical na Corporação Musical São Sebastião, no antigo distrito viçosense de São Sebastião da Pedra do Anta, onde nascera. Ele legou à posteridade composições de estilo sinfônico, duas Ave Marias, valsas, dobrados e e ainda o Hino do Colégio Estadual de Viçosa e o Hino à Viçosa, cuja letra é do médico e poeta riobranquense Ary Teixeira de Oliveira, da Academia de Letras de Viçosa.

Cinematografia

Par e passo com a arte musical, a 20/2/1898 foi fundada a primeira sociedade teatral de Viçosa: o Grupo Dramático Paladinos do Progresso. Foram seus fundadores: Joventino Octavio de Alencar, Randolpho Sant’Anna, Antônio Felipe Galvão, Honorino de Mello Lima, Francisco Torres Júnior, Antônio Batista, Florentino de Oliveira Sales, Dirceu Sant’Anna, João Lopes Jacob e José Canuto Torres. Com sede própria onde se encontra atualmente o imóvel de número nº 52 da Praça do Rosário, nele surgiu o Grupo Dramático “Paladinos do Progresso”, em 1907. O jornal Cidade da Viçosa, edição 742, de 25 de outubro de 1908, trazia à última página a seguinte notícia: "Realizou-se domingo passado, conforme fora annunciado, um espetaculo do grupo dramatico 'Paladinos do Progresso.'
Levando-se à scena o custoso e apreciado drama de 5 actos - Ghigi, esforçou-se muito o grupo para alcançar um bom sucesso. E isto, de facto, se deu.
Teve o esplendido drama optimo desemenho, sendo por isso muito apreciado. Manda a justiça que seja feita uma referencia especial ao papel de Antônio Ferragi.
A essa parte, que, de instante a instante, se transformava, deu Pedro Gomide sempre fiel caracter.
Foi, por vezes, a representação interrompida pelos calorosos applausos.
É de lamentar-se não ter havido enchente no theatro como recompensa ao grande esforço que empregou o grupo, o que foi motivado pelo mau tempo.
Uma peça como Ghigi deve ser repetida pelo grupo 'Paladinos' que, para sua representação tantos muitos sacrifícios fez com a sua montagem.
Assim, pois, é de crer que se tenha opportunamente o publico outra vez de apreciar esse tão importante drama, e assim offerecerá ensejo aos que não pouderam assistir à primeira representação de apreciar a segunda e é o que espera".
De sua nova ala amadora surgiu outro grupo teatral, a “Aliança Viçosense”.
Outro que marcou época em Viçosa, com suas projeções em Cinemascope, foi o Cine Brasil (Empreza Circuito Brasil Limitada), filial de Ubá, propriedade de Augusto Brascine, da década de 1950 à de 1980 (1956 a 1984), localizado no edifício proto-modernista projetado pelo arquiteto fluminense Edgard Velloso, que se estende de uma das esquinas do início da avenida P. H. Rolfs com a Praça do Rosário (onde tem o número 92) à uma outra esquina, a da rua Padre Serafim (onde recebeu o imóvel o número 3).
A 12 de maio de 1952 o prefeito José da Costa Vaz de Melo concedeu ao Circuito de Cinemas Brasil, pela Lei nº 156 (revigorada pelas Leis nº 185, de 10 de julho de 1953 e nº 238, de 20 de dezembro de 1954) a isenção de tributos municipais pelo prazo de quinze anos, exigindo-se, em contrapartida, a construção deste edifício, com 660 lugares, de acordo com planta então aprovada. Em 1995 o prefeito Geraldo Eustáquio Reis promulgou no jornal Gazeta do Turvo o Decreto 3236, declarando de utilidade pública para fins de desapropriação a edificação para fins de natureza cultural, na mesma linha do Decreto nº 700/1990, do prefeito Antônio Chequer.
À página 48 de ARAÚJO (nº?) lê-se que o fundador do Cine Theatro Odeon, o cidadão lusitano "Antônio Martinho veio de Portugal para instalar-se em Viçosa como empregado na padaria de Joãozico", referimdo-se ao alferes João Simplício Lopes, cujo estabelecimento comercial, a referida padaria, na hoje rua Senador Vaz de Mello, possuia, já em 1908 conforme registros históricos, uma chaminé medindo 41 palmos de altura, como se pode ver em antigas fotos da cidade. Referindo- se a Marinho, ARAÚJO prossegue: "Dotado de dinamismo e vontade de trabalhar logo associou-se a papai com a firma Araújo & Martinho. Construíram o prédio do então Cine Odeon, posteriormente denominado de Cine Brasil. De construção luxuosa, possuindo até camarotes, a sua pintura foi feita por artistas trazidos do Rio de Janeiro. Além das cadeiras confortáveis e modernas, possuía um palco de luxo, cujas cortinas eram de veludo e ricamente ornamentadas com adereços dourados que ali foram costurados por nossa mãe. A inauguração foi um acontecimento marcane, com a presença de toda a sociedade de Viçosa e cidades vizinhas, discursos das autoridades locais que elogiaram o arrojo dos dinâmicos Araújo & Martinho que com aquela notável obra colocavam Viçosa na vanguarda das artes cênicas em toda a região. A sessão inicial foi um sucesso com o filme mudo "Curvas Perigosas" estrelado pela atriz Claire Brown. O Cine Theatro Odeon propiciou a vinda a Viçosa de vários grupos de teatro, danças e variedades, como a inesquecível Companhia João Rios do Rio de Janeiro, entre muitas outras que, desde então, passaram a incluir Viçosa no seu itinerário cultural." E ninguém melhor que um dos mais apreciados escritores que Viçosa teve o privilégio de conhecer, Elias Ibrahim, nascido no distrito de Teixeiras, membro da Academia de Letras de Viçosa, para nos contar um pouco do que foi uma das mais longevas casas do gênero. A propósito do fechamento do Cine Theatro Odeon, situado no edifício de número 30 da praça Silviano Brandão, escreveu ele, a 11/02/1990, no Jornal de Viçosa:

“Li, com pesar, no jornal Folha da Mata a notícia do fechamento do Cine Odeon. Tive o cuidado de ler todo o noticiário. De minha parte também tenho alguma coisa para contar. O Cine Odeon deve ter sido construído, com muito carinho nos idos de 1930. Significa mais de 60 anos e não 50 conforme noticiado. Em 1931, com a idade de 11 para 12 anos eu e outros companheiros, como Caetano, Miltó, Bau, varríamos todos os dias o cinema e arranjávamos as cadeiras. À tarde era a hora da distribuição dos programas dos filmes. Naqueles dias distantes ganhávamos o direito da entrada que giravam em torno de 800 réis. Com 800 réis dava-se para comprar a melhor marca de cigarros (Cônsul, Odalisca, Jockey-club) hoje desaparecidos.
Nesses programas vinham os nomes dos artistas: do filme e pequenos comentários do que se ia ver. Guardei ainda alguns desses programas. De fato era o nosso melhor divertimento e origem de nossos primeiros namoros. Em 1931 existia em Viçosa somente 4 carros de praça. O fundador do cinema foi o português Antônio Martins que voltou para sua terra. No Calçadão onde hoje funciona a Relojoaria Japão tinha outro cinema: Cinema Viçosense do Sírio Nacif. O primeiro cinema de Viçosa chamava-se Cine Paladino. Sempre gostei de cinemas e ontem fui à praça e fiquei olhando em silêncio suas portas fechadas. Assaltou-me um mundo de recordações. Tive a impressão de que algo muito interessante havia desaparecido. ‘Até os livros têm o seu destino’.
O primeiro filme exibido nesse cinema chamava-se ‘Curvas Perigosas’ com Richard Dix e Claire Brum Trevor. O último conforme vimos foi ‘Avalanche’ com o falecido Rock Hudson.
Naquele tempo o cinema era mudo. Pequenas orquestras e cantores tocavam durante as sessões. Cinema falado em Viçosa apareceu por volta de 1940? Recordo que em 1935 assisti e fiquei muito impressionado com o filme ‘Drácula’ com Bella Lugosi. Filme baseado na novela de Bram Stoker. Um filme de vampiro muito bem interpretado. Li recentemente que Bella Lugosi, ator russo, morreu louco motivado pelo papel ligado a vampirismo.
Folha da Mata cita alguns nomes ms omite outros de grande envergadura.Tais como ‘E o vento levou’ .. (vide Seleções de fev/90). Museu de Cêra. A Noite Sonhamos ou Vida de F. Chopin com Merle Oberon. Casablanca com Ingrid Bergman e Bogart. O Fantasma da Ópera com Claude Rain. Os 10 Mandamentos. Vontade Indômita com Gary Cooper. Luzes da Cidade de C. Chaplin. Morro dos Ventos Uivantes com L. Olivier. Rebeca, também com ele. Tarde demais para esquecer de Gary Grant. A Ponte de Waterloo de Robert Taylor. Seis Destinos. A Canção do Deserto com Ronald Colman e muitos outros.
Conta Stefan Zweigt em seu livro O Mundo Que Eu Vi que, por ocasião do fechamento do velho Teatro de Viena, demolido para construir a Ópera Estadual de Viena, no seu último espetáculo, depois de terminadas as apresentações, ninguém saiu do lugar. Presos como que hipnotizados pelas velhas recordações. Na manhã cedinho chegaram os operários para início da demolição. Os espectadores todos estavam emocionados. Cinema é arte. Arte visual ou cinematográfica. Toda obra de arte tem função educativa e deve ser preservada. Constitui como que um derivativo nas agruras do trabalho. A arte, como a felicidade, tem a sua própria razão de ser. O cinema foi muito aperfeiçoado por T. Edson e até hoje constitui um divertimento de primeira linha.
Suas portas estavam lacradas. Na parede ainda pude divisar a palavrinha HOJE. Um simples HOJE como se fosse uma advertência. Faz-me lembrar doutra palavra também importante ONTEM. Tal como se fosse uma confrontação entre o atual e o passado extinto.
Ajunto-me ao Paulinho, seu último gerente e demais pessoal para dizer-lhe que como eles, e talvez mais do que eles senti o impacto duma dessas coisas que vão ficando para trás e que não voltam mais”.


José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Extrato do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rita do Turvo, de autoria deste blogger, em fase de revisão e ampliação

A serviço da vida e da saúde

"Abrigando a dor. Sarando o doente. Ajudando a vir ao mundo crianças. Enfeitando de bondade a velhice que o busca. Engolindo, cada dia, num malabarismo improvisado, filas e mais filas de indigência que sofre e sai confortada. Sai medicada. Sai esperançosa de cura, pela palavra doce de médicos prestimosos, que a gente pensa que um dia aquela calma vai acabar, mas que, a cada dia, os encontramos calmos e bons. Enfermeiros e freiras que distribuem bondade e compreensão. Por que não contar à gente que nas enfermarias não sobrou um só leito o ano todo? Que os remédios da farmacinha foram poucos para ser distribuídos, mas que não foram negados enquanto existiram? Que o soro pedido para restituir a vida foi aplicado na veia mais pobre, desde que precisada? E não teve preço. A transfusão foi feita imediatamente, quando o indigente precisou e a prodigalidade dos doadores abasteceu o Banco de Sangue."

Norah

(A Cidade - 17 de janeiro de 1971)

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Monsenhor Raimundo Gonçalo Ferreira, a quem já demos escorço biográfico no capítulo sobre os sacerdotes que trabalharam em Viçosa, relembrou num de seus escritos o fato histórico de ter sido a casa de Fabíola, em Roma, o primeiro hospital, e que “no século 4º da Era Cristã, todas as cristandades da Europa dispunham de hospitais e asilos fundados pelos bispos ou sacerdotes. Na Idade Média, segundo o testemunho de Lalemand, a Igreja dispunha das mais diversas e numerosas instituições que correspondiam a toda sorte de doenças, necessidades e condições de vida”.
As principais casas de saúde de Viçosa, seus dois hospitais, hoje têm as melhores referências na Zona da Mata, principalmente por conta de seus CTIs modernos, de uma UTI Neonatal, de serviços de Litotripsia, dos centros de Quimioterapia e Hemodiálise e de outros serviços relevantes. A mais antiga, o Hospital São Sebastião (HSS) serviu a várias gerações. Como Irmandade (Casa de Caridade de Viçosa) foi instituída a 21/6/1908, mas há registros de que remonta a 21/9/1900 a sua existência, informal, anterior à adoção de estatutos. Acompanhando a evolução da medicina, ampliando a estrutura dos serviços e proporcionando saúde e qualidade de vida de seus clientes, em Viçosa também se pode contar, desde 14 de abril de 1975, com a Fundação Assistencial Viçosense (FAV), mantenedora do Hospital São João Batista (HSJB), inaugurado a 21/10/1984, na Rua dos Passos, nº 1000. Tornaram-se casas de tradição, profissionalismo, tecnologia, qualidade e competência, proporcionando atendimento de ponta, sem abrir mão, a exemplo do HSS, da relação humana entre a equipe de saúde e o paciente. Equipes especializadas, ambientes modernos e confortáveis, inclusive CTI’s, com equipamentos de última geração são o resultado de esforços constantes de abnegados cidadãos altruístas. Inúmeros foram os que colaboraram com ambas as casas, no mais absoluto anonimato.
Pela Resolução nº 214, de 1905, o presidente da Câmara e agente executivo de então, Dr. Arthur da Silva Bernardes, autorizou o dispêndio da quantia de cinco contos de réis (5:000$000) para a aquisição ou construção de um prédio destinado a servir de hospital ou casa de misericórdia, ocasião em que havia, anexo externo ao consultório do médico Sebastião Augusto Loureiro, o “Hospital de Caridade São Sebastião, funcionando das 8 às 10, e das 12 às 16 horas, exceto às quintas-feiras. Com o falecimento de Dr. Sebastião Augusto a 20/8/1905, assumiu a direção da casa o Dr. Júlio Gallo, que clinicou em Viçosa até 14/10/1906, atendendo a indigência com medicamentos gratuitos e cirurgias. Em seus primórdios, funcionaram nele gabinetes odontológicos de Lindolfo Sant’Anna e Sylvio Loureiro. A fim de fazer funcionar melhor o hospital, a 12/6/1908 o presidente Arthur Bernardes adquiriu, de Dona Maria Balduína Dias de Carvalho, casarão colonial de nº 3, de coloração ocre, com portas e janelas marrons, na atual praça Emílio Jardim/avenida Bueno Brandão, onde funcionara a segunda sede do Colégio Baptista.
A direção da Câmara Municipal tinha autorização, naquele 1905, de acordo com a resolução que foi a primeira assinada pelo político Arthur Bernardes em seu primeiro cargo público, para receber a escritura do terreno onde seria construído um prédio (o da rua Tenente Kümmel, nº 36), do qual poderia ceder o uso a uma irmandade ou associação de caridade que se propusesse a fundar, e manter, na cidade, um hospital, ou estabelecimento congênere. De acordo com o parágrafo 3º da resolução de Bernardes, o estadista santa-ritense, o prédio da Irmandade pertenceria sempre à Municipalidade e a esta deveriam reverter o uso e gozo, a todo o tempo, na hipótese de aquela se dissolver. A dotação orçamentária para sua construção correu por conta da verba “Obras Públicas”. Dr. Arthur Bernardes assinou tal resolução a 17 de novembro do dito ano, de 1905. Sua inauguração festiva se deu a 12/7/1908, sendo orador oficial das solenidades, Dr. Diogo de Vasconcelos. Pe. Belchior, vigário de Viçosa, teria sido, conforme nota jornalística, um dos oradores da ocasião, mas as palavras por ele proferidas desconhecemos. Não sabemos se foi de improviso. O pavilhão mais antigo do prédio do HSS, que passou a ocupar quase toda a extensão da rua Tenente Kümmel, foi construído em dois anos e concluído em 1930.
Correspondência datada de 30/9/1929, dirigida a um certo coronel José Ildefonso e subscrita por uma comissão composta por Joventino Octavio de Alencar, Emílio Jardim de Rezende, Benjamim da Silva Araújo, João Braz da Costa Val, Raymundo Alves Torres, José Canuto Torres e Cyro Bolivar de Araújo Moreira” (há uma assinatura ilegível), noticia a prestação “aos necessitados de toda esta zona”, de “constantes beneficios. Obra de finalidade altamente humanitaria, o nome do Hospital S. Sebastião é bendito pelos nossos patrícios menos favorecidos da sorte.
Tendo funcionado até agora em um predio acanhado e impróprio ao seu destino, levantou-se com o auxílio de todos um novo e explêndido edificio, que se destina ao funcionamento do Hospital. Para a acquisição, porém, dos meios necessários ao seu funccionamento, precisa o Hospital valer-se da boa vontade e do auxílio dos amigos de Viçosa e de todos os que possam concorrer com seu generoso obulo para alliviar as dores dos infelizes patricios que diariamente lhe batem ás portas. Organizaram-se diversas comissões para a realização daquelle desideratum e dentre estas uma ha que se encerra em conseguir 300 pessoas que concorram com 100$000, cada uma, para tão humanitario fim. Tomamos a liberdade de inscrever o nome de V. Excia. como um dos benemeritos do Hospital, esperando envie ao sr. major Benjamim da Silva Araújo, thesoureiro, a quantia acima solicitada. Os jornaes desta cidade têm publicado, semanalmente, o nome das pessoas que já contribuiram. Certos de que V. Excia. se dignará de consentir que se effective o registro do seu nome na lista dos bemfeitores, antecipamos os nossos sinceros agradecimentos”, conclui o ofício escrito em papel timbrado da Casa de Caridade. Incontáveis vidas nela buscam a cura de enfermidades. Milhares de seres humanos encontraram, desde os seus primórdios, da parte de médicos humanitários, de enfermeiros competentes e das freiras carmelitas da Divina Providência, remédio, agasalho e conforto. Foram provedores, como Pe. Belchior, até 2007, Francisco José Alves Torres, Virgílio Augusto da Costa Val, Cyro Bolivar de Araújo Moreira, Álvaro Corrêa Borges, Raymundo Alves Torres, José Felicíssimo de Paula Xavier, José Sant’Anna, Sebastião Ferreira da Silva, José de Alencar, Octávio da Silva Araújo, José Mauro Torres, Carlos Raymundo Torres, Francisco Machado Filho e Jorge Antônio Ferez.

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Alguém escreveu que o fato de “resgatar a história dos lugares é fazer renascer as condições que lhe proporcionaram existir”. Nesse sentido, como mostra uma das fotos deste trabalho, no exato lugar do imóvel de número 97 da rua Afonso Pena, divisava-se ao fundo do HSS, no alto, o extinto Hospital Regional Federal da Matta, anexo a um Posto de Profilaxia Rural, que foi a outra casa de saúde a marcar época em Viçosa, sob a direção de notáveis médicos que aqui viveram e trabalharam, com profundo humanismo e elevada devoção à nobilíssima arte hipocrática, como José Felicíssimo de Paula Xavier, Mário Barreto, Cyro Bolivar de Araújo Moreira e João Baptista Ferreira Brito, quatro nomes imperecíveis, como tantos outros profissionais da saúde, na memória das gerações viçosenses, por terem lhes concedido remédio, agasalho, conforto e, sobretudo, uma grande amizade. Os outros nomes sempre recordados são o da farmacêutica e poetisa Cora de Araújo Moreira Ferreira da Silva, que ali trabalhou anos a fio, e da professora e parteira Alice Vaz de Mello Loureiro, que viveu 83 anos, falecida a 30/9/1951, celebrada como Mulher-Símbolo entre as desveladas senhoras que, em Viçosa, desempenharam o sublime ofício caritativo de colaborar, com a chegada, à luz, de centenas de vidas.
O Hospital Regional localizava-se na atual rua Afonso Pena, nº 97, no centro. Instituído pelo governador Arthur Bernardes (1918-1922) como parte integrante de um plano de saúde pública considerado “perfeito e racional”, possuía unidades congêneres em Patos, Pirapora e Pouso Alegre, atendendo a casos clínicos e cirúrgicos de toda a região. Quando encerrou seu mandato, para assumir a presidência da República, Dr. Bernardes plajenajs construir pelo menos mais oito unidades do gênero no interior de Minas. Foi dirigido inicialmente por Dr. João Batista Ferreira Brito, que é nome de uma das principais artérias centrais de Viçosa, falecido prematuramente, a 11/3/1924, quando contava 39 anos de idade. Viçosense adotivo dos mais benquistos pela pequena população de então, com sua morte assumiu o hospital foi assumido, primeiramente, por Dr. Mário Barreto, e depois por Dr. José Felicíssimo de Paula Xavier. Este último foi o primeiro cidadão a presidir o Rotary Club de Viçosa. Ambos médicos. O nome de Dr. Brito, impresso em letras garrafais, foi manchete principal do Jornal de Viçosa, na primeira edição que se seguiu à sua morte. Datada de 15/3/1924, ao ilustre médico se referiu aquela edição, dentre outros termos, nos que aqui seguem: “Caridoso, modesto ao extremo, amigo de todos e, sobretudo dos pobres e dos humildes, desprovido de ambição e vaidade, o Dr. Brito teve, na sua pobreza evangélica, a vida serena e cheia de dignidade e de nobreza, dos que podem olhar para trás sem receios, sabendo escrever ainda, na consciência da pátria, uma página de altivez, de honra e de bondade [...] Não deixou fortuna, mas deixou amigos. Deixou um nome de ouro, incrustado no coração agradecido de cada viçosense”. A poetisa viçosense Cora de Araújo Moreira Ferreira da Silva, farmacêutica do extinto Hospital Regional, falecida a 10/8/1998, fez o panegírico dos médicos que ali trabalham. Eis um trecho de seu poema Aos Médicos:

“Já os tenho visto...
exaustos, alquebrados, vencidos,
após noites de vigília,
insones e de si mesmos esquecidos,
olhos marejados
a contemplar, alheios,
o corpo inerte, de cuja fronte, num derradeiro gesto,
enxugam o suor gélido
que precede a última jornada.
Mas, há também
Esplendores de alvorada:
quantas mães
salvam para os filhos;
quanta fronte esmaecida
trazem de novo à vida,
como raios de sol que deslumbram,
abrindo o tênue colorido
das frias madrugadas.
Como o Mestre divino,
com o toque de suas mãos,
fazem voltar a luz
às retinas apagadas.
Quanta felicidade
se lhes inunda
a nobre alma fecunda
quando descansam
no regaço da jovem mãe
a esperada criancinha”.

José Mário da Silva Rangel
rangelvicosa@gmail.com

Excerto do livro O PASSADO COMPASSADO DE VIÇOSA - Epítome histórica da velha Santa Rira do Turvo, de autoria deste blogger, em fase de revisão e ampliação